domingo, 3 de junho de 2012

O CORVO E O MORDOMO DO PAPA


Que VERGONHA Senhor Bispo D. António Carrilho, permitir que o Jornal da Madeira publique uma grotesca ofensa contra um dos membros da Igreja. Que VERGONHA não colocar ponto final relativamente a um Jornal que consome três a quatro milhões de euros por ano, fora um passivo de mais de 30 milhões, para fazer a propaganda do PSD, quando há tanta gente a passar fome. Que VERGONHA para a Igreja, o Senhor Bispo apregoar uma Mensagem que contradiz a própria prática. Que VERGONHA sinto eu!

Oxalá todos tivessem
a coluna deste Senhor Padre.
De plasticina não é!
Intencionalmente, o Senhor Padre José Luís Rodrigues foi ofendido por um habitual cronista do Jornal da Madeira. O que li constitui um vómito azedo. Tenho pelo Senhor Padre José Luís  Rodrigues, pelo que leio e pelo que assisto, uma enorme consideração, sobretudo porque prega, contextualizando, a Mensagem de Cristo. Ao contrário de uma Igreja que lhe falta CULTURA, de uma Igreja vendida, o Padre José Luís marca a História pelo bom senso, pelas convicções que transporta e pela sua atitude que não se fica pelo ar bafiento de certas sacristias. Este está no meio do Povo. Sinto-o estar no meio de nós!
 A sua resposta às ofensas de que foi alvo aqui a deixo mas que pode ser lida no seu blogue, aqui. No seu blogue o Padre José Luís assume: "Sou sacerdote. Gosto muito do que faço. Ora bem, e o que se há-de esperar de quem é feliz! Assim, o que mais desejo neste mundo é que os outros também sejam muito felizes. Por isso, façam todos o grande favor de serem felizes". Que o cronista faça a sua penitência e que seja feliz!

"Eu, abaixo assinado, padreco da Diocese do Funchal confesso 20 pecados que me acusa a consciência livre e o pensamento solto do amor à verdade e à justiça… Confesso:
1. Ter estudado «graças à Igreja, às esmolas dos cristãos que vão às missas ou fazem doações, em moeda ou outra espécie, que não importa agora escalpelizar» (dito por Gilberto Teixeira no pasquim Jornal da Madeira 3 de Junho de 2012) – se este escriba do regime soubesse quanto sacrifício passou a minha família para educar e preparar os filhos para a vida, nunca diria semelhante coisa. E pelo que sei e observo todas as famílias que deram sacerdotes à Igreja Católica passaram pelas mesmas dificuldades e sacrifícios.
2. Não aceitar que um Jornal dito de católico, feito por gente que se diz católica, como é o caso deste escriba, se dedique à ofensa, ao boato e a aplicar nomes de calhau a uma parte de madeirenses, só pelo facto de não alinharem pela mesma bitola do poder e pensarem de modo distinto da maioria que tomou de assalto a Madeira, pretensamente legitimada com eleições. As maiores ditaduras também tinham eleições…
3. Nunca ter votado no PPD-PSD da Madeira e não ter pregado no altar que devemos votar no partido das setinhas apontadas para o céu. Confesso, não ser humilde e não ser protetor do povo a esse nível como deseja e exalta esta crónica desvairada;
4. Não estar a pactuar com os rios de dinheiro dos contribuintes gastos com o pasquim chamado Jornal da Madeira e que serve para ofender muitos madeirenses que sonham e trabalham por uma Madeira para todos; confesso ser um reles padreco que entende que tal balúrdio de milhões poderia servir para criar emprego ou quiçá matar a fome e vestir algumas famílias que neste momento estão lançadas na valeta dessa tragédia;
5. Nunca ter abandonado cerimónias religiosas para participar em atos político-partidários do regime;
6. Ter passado este fim-de-semana a pedir nas missas roupa para uma criança (menina) de 6 anos que não tem nada para vestir e não é uma criança que vive nos Himalaias, mas é filha da Madeira nova (felizmente, o meu apelo produziu solidariedade em abundância);
7. Ter que colocar uma vez por mês um grande cesto junto ao altar para recolher alimentos para enviarmos às famílias pobres das nossas paróquias, por sinal aconteceu este fim-de-semana, a generosidade foi grande;
8. Estar a ajudar famílias que precisam de medicamentos, de roupa e alimentação, porque não têm emprego, estão com fome e estão nus;
9. Não gosto da nomenclatura do regime aplicada à Madeira, «Madeira velha e Madeira nova»;
10. Não alinho com os meus colegas e com os bispos quando se colocam ao lado do poder político, contra o Evangelho e contra Jesus Cristo, pois, estão mais interessados em dinheiro e salamaleques dos poderosos deste mundo;
11. Não tenho simpatia nenhuma pela ofensa barata, que chama nomes baixos, como é o caso desta crónica deste catolicíssimo confesso. Não gosto de católicos que se gabam de o ser na praça pública, mas que não se lhes vê nada que seja em prol do Evangelho que não pactua com bajulice e contra a injustiça;
12. Não gosto da igreja que se verga às coisas deste mundo, para ser paparicada e subsistir no comodismo das riquezas;
13. Não gosto de católicos tipo «corvos» que se servem do lugar que ocupam, isso sim, à conta da «canga» de impostos que estes governantes impuseram ao povo indefeso;
14. Não gosto de «mordomos do papa», que se servem da proximidade do poder e depois saltam para a praça com ofensas graves contra quem pensa de modo distinto do status estabelecido;
15. Não gosto de um Jornal da Madeira, que sobrevive à conta dos impostos de todos nós e à conta da moral católica e publica textos contra a Igreja Católica e contra os seus padres;
16. Estes artilheiros do regime sentem que há uma viragem, os tempos correm contra si, por isso, toca a disparatar contra tudo e contra todos. Os ratos são assim;
17. Também confesso não alinhar com uma hierarquia que se deixa encantar com migalhas oferecidas pelo regime, onde se pavoneia um bispo em álbum de fotografias, num mísero caderno do pasquim Jornal da Madeira que eufemisticamente se denomina de «Pedras Vivas»;
18. Não alinho com o boato e com a ofensa rasteira de quem não tem nada para fazer e se submete a ser escriba de coisa de nada, bajulando o chefe com baixarias e misérias de quinta categoria;
19. Também confesso ter feito o exercício de ao invés de ler este miserável texto com o nome de «padrecos», coloquei vários nomes: «escriba»; «fariseu»; «artilheiro»; «jornalista de meia tigela»; «bajulador»; «labe botas»; «beato»; «católico»… E tantos outros nomes que a imaginação entender fermentar;
20. Por fim, sejam devolvidos à procedência todos estes epítetos que não merecem senão o maior dos desprezos. Entendo que se encaixam na perfeição na criatura que entendeu escrevê-los contra uma grande maioria dos padres da nossa Diocese do Funchal…
E ainda um pecado final: confesso ter sido tolerante em nome da liberdade de expressão, ter permitido que a distribuição gratuita do Jornal da Madeira aos domingos seja feita nas igrejas onde sou pároco. Então, será assim, seguindo a dica de alguns colegas, a partir de hoje, em nome da sanidade mental, de quem vem à missa a estas igrejas ficará privado de tão ilustre prosa... Paciência, vou tentar esclarecer as pessoas e pedir que recolham esse pasquim noutros sítios, porque numa igreja não merece estar um vendilhão de coisa nenhuma, um fariseu que ofende o bom nome da Igreja Católica da Madeira, que apela à violência e ridiculariza uma porção enorme de madeirenses.
José Luís Rodrigues"

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Por mais que disfarcem, as Igrejas não passam de engrenagens do poder. Julgo que não é a primeira vez que o afirmo neste seu espaço.
A diferença aqui na Madeira é o descaramento com que o bispado serve o dito poder.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Apenas acrescento um aspecto: se o anterior Bispo foi motivo de observações criticáveis, este consegue ultrapassá-lo. Não disfarça e mostra-se incapaz de atitudes que dignifiquem este Povo.