domingo, 20 de março de 2016

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DA MADEIRA NEM APROVEITAR SABE OS BONS PROJECTOS


A docência foi a vida profissional que escolhi. Por vocação e não porque deu jeito. Vivi quarenta anos em concordância com essa vocação, o que me obrigou a um permanente estudo, formação contínua e muita leitura de outros que construíram as suas vida no âmbito da investigação produzindo pensamento. Talvez, por isso, porque não sou de aviário, cada vez mais me deixa apreensivo o rumo do sistema educativo na Região que, por ser Autónoma, poderia e deveria seguir o seu próprio caminho. Continuo a defender um país, três sistemas educativos, sem que isso coloque em causa a matriz identitária nacional. E esse caminho é possível, tal como um puzzle que necessita paciência, ou de um jogo de xadrez que obriga à reflexão e interligação das jogadas. Aliás, deixar-se conduzir-se pelos outros, no caso de permanecerem na asneira, apenas leva à repetição do erro. E eu, por essa estrada, não vou. 


Li um trabalho do jornalista Márcio Berenguer (Público) sobre a Escola Básica 123 do Curral das Freiras (Madeira). Apesar de eu não ser favorável à existência de ranking's não deixo de os analisar, enquanto mero indicador, no quadro, repito, do actual sistema. Aquela escola que se encontrava no lugar 1207 do ranking saltou, no último ano, para as da frente, com a melhor média entre os estabelecimentos públicos no exame nacional de 9.º ano. O interessante é que "tem 300 alunos, não tem campainha, nem trabalhos de casa e os horários das aulas batem certo com os do autocarro". Esta uma síntese, certamente, compaginada com muitas outras que tornaram possível um melhor conhecimento, apesar 92% dos alunos terem Acção Social Educativa (pobreza) e a internet não fazer parte das prioridades da maioria das famílias". Significa isto que o estabelecimento de educação e ensino procurou o seu próprio caminho, apesar das regras apertadas da hierarquia, sempre avessa a quaisquer mudanças, e, portanto, que é possível um outro paradigma que entusiasme as comunidades educativas para o sucesso. 
Enquanto isto acontece, a secretaria da Educação, promoveu uma conferência de imprensa, claramente, no quadro do combate POLÍTICO, para dizer às escolas da Madeira, enquanto recomendação, sublinhe-se, que "não deverão realizar as provas de aferição do 2º, 5º e 8º anos, bem como as provas finais do 4º e 6º anos que o Ministério da Educação tornou facultativas, no presente ano lectivo" (...) deixando, no entanto, "às escolas a decisão final no quadro da sua "autonomia". E porquê? Porque não quer provas de aferição feitas "em cima do joelho". Disse ainda o secretário que "o sistema educativo carece de elementos fiáveis de avaliação, cruzando o rendimento dos alunos com o desempenho dos professores e a avaliação das escolas". Isto é, recomenda que não é desejável, mas, no essencial, mostra-se como uma figura política que não consegue libertar-se das amarras do passado, através de uma posição estrutural para o futuro. Ao invés de aproveitar o momento para dizer, em alto e bom som, um rotundo NÃO a um sistema que vive da paranóia da avaliação e de um ambiente pedagógico retrógrado, que deixa os alunos no redemoinho do abandono e do insucesso, preferiu a insensatez do combate político com o ministério da Educação. Para quê, pergunto? Poderia e deveria ter aproveitado para se vangloriar do que acontece, por exemplo, no Curral das Freiras, ainda que de uma forma insipiente, abrindo espaço de incentivo a que outros façam o caminho pelo corredor da diferença e do sucesso, mas não, continua esta secretaria a demonstrar que a sua atitude face ao sistema educativo se encontra aí pelo Século XIX. Lastimo! Razão tem o director daquele estabelecimento de educação e ensino: "(...) Estes alunos têm sonhos, têm direito a ter todos os sonhos do mundo e cabe a nós ajudá-los”.
Ilustração: Google Imagens.

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