
Em 2005, quando saí da vereação, fiz questão de deixar em acta algumas preocupações:
“(…) A incontrolável dívida da Câmara que ascende a mais de 81.727.405,41 Euros (à data de 31.12.2004 – último relatório de prestação de contas), entre compromissos junto da Banca (€ 40.008.714,46), fornecedores e empreiteiros e expropriados (€ 41.718.690,95), onde se inclui a dívida ao IGA e Electricidade da Madeira (€ 12.573.982,75), é condicionadora de uma atitude política mais consistente. Concomitantemente, a incapacidade da maioria política, anualmente, em sede de Plano e Orçamento da Câmara, exigir, do Governo Regional, melhores financiamentos de acordo com as exigências da Cidade e do seu número de habitantes. Factos que implicam a necessidade de pautar a gestão da cidade por rigorosos princípios de planeamento reflectidos no Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos e no controlo da despesa”.
Nos últimos dezasseis anos, a análise dos dados, provam que a Cidade do Funchal foi gerida de uma forma insustentável e ao sabor de interesses fundamentalmente económicos e particulares. Afora uma ou outra decisão de natureza estruturante e que merece aplauso, condeno, desde logo, a postura da maioria política do PSD à luz não só do presente mas, fundamentalmente, do futuro da cidade. Uma maioria que optou por continuar, aqui e ali, a maquilhar a cidade, mas que passou ao lado dos reais problemas. E esses são, indiscutivelmente, os relacionados, desde logo, com uma postura de rigor no ordenamento do território. Permitiram, assim, o que é grave, a acentuada descaracterização da cidade, contornaram os instrumentos de planeamento e gestão, caso concreto do PDM, ao ponto, inclusive, de o suspenderem em várias zonas apenas para possibilitarem a consecução dos interesses de alguns promotores. Por esta e outras razões não é por mero acaso que a Câmara tem vários processos em curso sobretudo no Tribunal Administrativo.
Ao contrário de uma política centrada nos pressupostos de uma cidade “Atlântica, Europeia e Turística”, de crescimento equilibrado, solidária, defensora dos símbolos do património histórico-cultural, capaz de corrigir as assimetrias sociais, culturais e económicas, esta maioria política, lamentavelmente, acentuou o fosso que separa o centro relativamente à periferia e, tão grave quanto isso, a identidade do Funchal no contexto concorrencial das cidades.
A existência de um organigrama obsoleto e excessivamente burocratizado, gerador de conflitos internos e contrário ao funcionamento de uma instituição baseada num paradigma gestionário leve e moderno, também contribuiu para que hoje a Câmara do Funchal continue a ser uma das mais endividadas do País. Nada que não venha de longe e com culpados políticos.
A existência de um organigrama obsoleto e excessivamente burocratizado, gerador de conflitos internos e contrário ao funcionamento de uma instituição baseada num paradigma gestionário leve e moderno, também contribuiu para que hoje a Câmara do Funchal continue a ser uma das mais endividadas do País. Nada que não venha de longe e com culpados políticos.
NOTA:
Não deixa de ser interessante que o Vereador Dr. Pedro Calado (CMF) venha na edição de hoje (09.04.09) assumir que o Funchal tem a melhor capacidade de endividamento entre os municípios portugueses, menor taxa de despesa por funcionário, mais de 70% de execução orçamental e 80% de autonomia financeira, dados que o levam a assumir que "é uma câmara exemplar". Exemplar e com dívidas até ao céu da boca, digo eu. Curioso!
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