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terça-feira, 25 de abril de 2023
sexta-feira, 21 de abril de 2023
25 de Abril - O contentamento e a angústia
E já lá vão quase cinquenta anos relativamente à data que marcou o fim de outro quase meio século de uma ditadura que se impôs feroz de forma crescente. Abril trouxe-nos o perfume da liberdade, da democracia, do voto universal e livre; trouxe-nos o combate à chocante pobreza, a inversão da emigração forçada e desqualificada, a luta contra os silêncios impostos, a perseguição, a prisão, a tortura, a clandestinidade, a incultura, as gravíssimas limitações no acesso à escola; Abril trouxe-nos a laicidade, um não à estúpida guerra colonial com as consequentes mortes, estropiados e mais de uma centena de milhar de doentes pós-traumáticos; Abril acabou com os tons negros fascizantes do exercício da política, o "orgulhosamente sós", a escravização da mulher, o controlo total da sociedade, os senhores e os outros, a colonia, o servilismo e o chapéu na mão de tantos de coluna vergada até ao joelho!
Como cantou o José Mário Branco:"(...) Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar (...)"
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada (...)"
Afugentamos a fera
Estamos na praça
Da Primavera
Nós vamos pegar o mundo
Pelos cornos da desgraça
E fazermos da tristeza
Graça (...)"
segunda-feira, 17 de abril de 2023
O manguito
Um artista plástico resolveu fazer a milionésima réplica do manguito do Zé Povinho, de Rafael Bordalo Pinheiro, com dois metros de altura, e colocá-la em frente ao Palácio de Belém, como sinal do “descontentamento dos portugueses pelo desgoverno do país”. Antecipando a sua remoção pelos serviços camarários, Marcelo mandou recolher o manguito e colocá-lo nos jardins do palácio, onde ficará para exposição pública, contemplação presidencial ou ambos os fins. Fez mal. O mesmo Presidente que no início do seu mandato teve a lucidez de pôr a sua popularidade ao serviço do combate ao populismo, não pode agora descer à rua para trazer o populismo para dentro do palácio. Se também ele está descontente com o desgoverno do país, se está farto das brincadeiras dos boys socialistas e impaciente com a falta de alternativas eleitorais de curto prazo, tem outras maneiras mais sérias e adequadas de o expressar (e que, aliás, não se coíbe de usar abundantemente), sem necessidade de cair na demagogia do manguito. Até porque convém perceber de que falamos a tal propósito.
sábado, 15 de abril de 2023
Para onde caminhamos
Basta uma carta anónima, um habilidoso desvirtuamento dos factos, uma publicação e, de um momento para o outro, um sujeito vê a sua notoriedade, credibilidade e reputação mergulhadas no lamaçal. Não me refiro a pessoas e situações em curso nos tribunais, arguidos que são e que terão de justificar a sua total ou parcial inocência. Compete ao órgão de soberania condenar ou absolver. Refiro-me a outras situações que me causam repulsa.
É o caso do Dr. Carlos Pereira, Deputado na Assembleia da República. Foi um mero "avalista" perante a Caixa Geral de Depósitos, de um empréstimo a uma empresa; a empresa não conseguiu cumprir as obrigações contratualizadas; mais tarde, o "avalista" foi chamado a suportar os encargos; seguiu-se uma naturalíssima negociação entre as partes; a dívida foi paga e a Caixa Geral de Depósitos, finalmente, veio dizer que foi ressarcida do empréstimo feito e que não existiu qualquer perdão de dívida ou favorecimento. A considerar tudo o que li, não recai qualquer mancha sobre o "avalista". Mas não, é de nula importância o nome dos empresários, nem me interessa conhecer, mas, publicamente, afundaram o político a coberto do anonimato.
sexta-feira, 14 de abril de 2023
ABU DHABI - PALÁCIO PRESIDENCIAL
sexta-feira, 7 de abril de 2023
Páscoa... para que não se fique pelos ovinhos, amêndoas, cabritinho e coelhinhos
Tenho muita dificuldade em abordar o tema Páscoa, explico, porque os anos, centenas de anos já passaram e "desespero" por uma verdadeira "passagem" que venha ao encontro das minhas preocupações e controladas angústias. Os rituais sucedem-se onde são, meticulosamente, dissecados, pela enésima vez, os passos, as palavras, o assassinato e a Ressurreição daquele Homem que, acredito, em síntese, quis uma Terra de paz, concórdia, tolerância, amor e fraternidade. Porém, a Páscoa não acontece! A "passagem", significado primeiro daquela palavra, não acontece!
Por isso mesmo distingo dois campos: por um lado, o da justificável celebração da memória; por outro, o caminhar no sentido de um novo mundo gerador de paz e respeito total pelo ser humano. A celebração da memória, com aqueles ou outros contornos, à luz da Igreja, faz sentido. Quem sou eu para dizer o contrário? Agora, não me parece que seja por aí que qualquer "passagem libertadora" aconteça. Ela poderá acontecer, passo a passo, se o Homem que aqui habita olhar para si próprio e tomar consciência que as mudanças de rumo poderão se tornar realidade, a partir dele próprio e não por uma outra qualquer inspiração. A desejável "passagem" tem, por isso, uma natureza eminentemente política. É aos senhores que manuseiam os cordelinhos políticos do mundo que compete as grandes mudanças de paradigma político, económico, financeiro, cultural e social que venham a determinar a transição, a tal Páscoa (passagem) que liberte o Homem das amarras em que se encontra globalmente envolvido.
É ao exercício da política que o Homem deve exigir a verdadeira Páscoa. Aos que traficam influências, aos que produzem leis protectoras, aos que corrompem, aos especuladores, aos que apenas olham para os seus interesses, aos insensíveis que não conseguem perceber as desigualdades, aos promotores e financiadores da morte através dos conflitos armados, aos que não têm coragem para travar o jogo sujo da banca exploradora, aos ditadores, aos imperialistas, por aí fora, é a esses que o Homem deve exigir, no plano da democracia, a "passagem" para um novo tempo. À Igreja compete-lhe a permanente denúncia em defesa da Palavra.
E porquê? Para que a Páscoa não se fique pelos ovinhos, amêndoas, cabritinho e coelhinhos.
Ilustração: Google Imagens.
quarta-feira, 5 de abril de 2023
Parabéns Doutor Edgar Silva por mais um passo no conhecimento
Desde há muitos anos, 1993, por aí, criámos uma salutar empatia. Apesar de não convivermos, isto é, de sermos pessoas que diariamente se cruzam, a nossa proximidade acaba por ser enorme. Nutro por ele uma grande consideração e respeito sobretudo a dois níveis: primeiro, pela sua inegável luta, com sacrifício pessoal, é preciso dizê-lo, quando desde sempre se colocou ao lado dos "descamisados" da vida. As periferias sociais sempre foram uma preocupação maior e isso, aos olhos de algumas hierarquias, foi sempre visto com desconfiança. Pouco se ralou e continuou; em segundo lugar, pela sua cultura, pelo Homem que sabe produzir as sínteses necessárias no cruzamento dos caminhos e nelas mergulhar e defender. Basta ler os livros que publicou ou passar os olhos pelo seu currículo de vida. Quem não se lembra, entre outros, dos projectos Arco, MAC (escola aberta), a luta contra a exploração sexual e o trabalho infantil!
Aquando da minha passagem pela Assembleia Legislativa, não me lembro de uma única vez, uma proposta minha, sobretudo no sector da Educação, tenha sido chumbada pela sua bancada. Sempre foi sensível aos argumentos de um Sistema Educativo ancorado num pensamento que nada tinha de partidário, mas de visão sobre o futuro. Não esqueço essas suas atitudes que muito me orgulhavam.
terça-feira, 4 de abril de 2023
O motor económico da Europa em risco de gripar
Estima-se que, em cada ano, deixam a Alemanha cerca de 180.000 altos quadros e empresários que ajudam a desqualificar a sociedade alemã pelos múltiplos efeitos no funcionamento da economia do país.
Um artigo de Rainer Zitelmann, publicado no “Contrepoint” (26/03/2023), é muito pouco abonatório da saúde da economia alemã, sob vários ângulos de análise.
domingo, 2 de abril de 2023
II ENCONTRO BANDOLINS DE MACHICO - MADEIRA
sexta-feira, 24 de março de 2023
A transição energética, um grande imbróglio no seio da UE
Foram as hesitações sobre o papel da energia nuclear, nos últimos dois decénios, que levaram a Europa a perder a dianteira em termos tecnológicos e de competências nesta indústria, para EUA, China e Coreia do Sul.
O Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas (2015) constitui a base enquadradora do trabalho a desenvolver, no âmbito da comunidade internacional, tendo em vista a descarbonização das economias, para travar, a longo prazo, o aumento da temperatura média global abaixo dos 2º C, em relação aos níveis pré-industriais.
quarta-feira, 22 de março de 2023
Rui Nabeiro
Partiu o Senhor Comendador Rui Nabeiro. Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, apenas o conhecia pela sua imagem, pelo sorriso doce e contagiante, pelo seu indisfarçável mas sempre discreto amor aos outros. Confesso que me comovi e as lágrimas caíram ao escutar tantos testemunhos das humildes gentes que, carinhosamente, o consideravam o Pai de Rio Maior. E morreu no "Dia do Pai". Há coincidências que não passam disso mesmo, mas que nos tocam.
"Ele não foi por aí...", por aproximação a José Régio no Cântigo Negro, quando todo o mundo corria e corre, de forma egoísta, gananciosa, exploradora, de cada um por si e sem qualquer sentido moral, ético e de responsabilidade social. Ele não foi nas palavras mansas de um mundo que empurra para o fanatismo sem dó nem piedade. Ele procurou o seu caminho desde aquele distante ano que fez a sua quarta classe, como um dia sublinhou, "com audácia e atitude". Sentia-se, por isso, um "privilegiado" por ter uma atitude diferente dos outros. E construiu o seu comportamento ditado por disposições interiores, a sua atitude perante a vida, no pressuposto que o êxito e a felicidade dos outros constituiria o seu próprio êxito. No essencial, como costumo resumir perante este mundo de fanáticos, aldrabões, mentirosos, intolerantes e obsessivos, "se sou feliz, por que razão os outros não o são".
Até no momento da morte de um Homem que não foi de Rio Maior, mas de todo o País, o nosso País não conseguiu ir além das palavras elogiosas de circunstância. Esperava que a esta singular e incontornável figura portuguesa fosse declarado, pelo menos um dia de luto nacional. Mas nem isso. Ficou, apenas, ao nível das autarquias da região onde desenvolveu a sua actividade. Parece que o luto nacional só está reservado às mais altas figuras do Estado em exercício ou quando morrem. Mesmo que tenham deixado um rasto de pessoa pouco querida. E aquelas e os factos por elas protagonizados ao longo da vida, questiono, pouco contam? Mas as gentes, o verdadeiro povo, não o esqueceu.
Ilustração: Google Imagens.
terça-feira, 21 de março de 2023
Conselho de Estado
Desde há muito que me causa alguma perplexidade a constituição do Conselho de Estado, enquanto "órgão político de consulta do Presidente da República, por ele presidido". Sendo um órgão de natureza política, essa situação não implica que a sua constituição seja, implicitamente, formada por agentes directa ou indirectamente ao exercício político-partidário. Tenho por assumido que o Conselho de Estado deve ser um órgão acima de qualquer suspeita, formada pelos melhores nos diversos sectores e áreas do conhecimento, que pela sua independência, visão, verticalidade e honestidade, as suas vozes sejam audíveis, respeitadas e constituam um bom aconselhamento junto do Presidente de todos os portugueses.
Gostaria que assim fosse, mas infelizmente não é. É uma miscelânea, onde se encontra de tudo, desde homens e mulheres com pensamento até alguns que nem tanto. Pior, ainda, e eu não estou a pensar em quotas, mas não deixa de ser tão estranho que dos vinte elementos, incluindo o Presidente, apenas três sejam mulheres.
sábado, 18 de março de 2023
Carta aberta ao Dr. Álvaro Beleza
Ora bem, Vossa Excelência assume que este foi um "trabalho "absolutamente extraordinário", "exemplo para o país" e que se sente "orgulhoso da Madeira". Obviamente que é inegável que alguma coisa foi realizada e bem conseguida. Se tal não tivesse acontecido deixaria de ser um problema de política para ser de polícia.
quinta-feira, 9 de março de 2023
Pobreza, Inteligência Artificial, Comissões de Inquérito e Estudos de Opinião
Faz parte de uma certa paródia regional, eu sei, e daí, não é meu espanto, mas talvez uma certa perplexidade de como alguns conseguem levar de mansinho a água ao seu moinho. Durante anos a fio. O problema está em saber até quando e quais as sequelas sociais. Pelo que assisto, o coma é tão profundo que tudo passa como a água nas penas dos patos. Nem o "jardinismo", como todas as suas diatribes, com a paulatina "compra" e imposição de silêncios, as dívidas escondidas, as subtis ou descaradas perseguições, os alegados enriquecimentos rápidos e talvez mal explicados, porque dá jeito, a quase "institucionalização" de uma perversa economia paralela, a paciente montagem de redes e de compromissos, a muitos dizendo não dizendo, "toma lá, dá cá", o controlo da comunicação social, a multiplicação de instituições e subsídios a granel para contentar clientelas, nem nesse período da longa história, dizia, foi tão longe. Ou talvez hoje os novos dignitários estejam a receber de bandeja os "investimentos" feitos. É uma possibilidade.
Um dia, o Dr. Jardim falou de uma fase mais "raffiné". Pois, a democracia, por isso, é, hoje, um simulacro do que devia ser. O engano dos sentidos fez o seu caminho e agora, a percepção que se tem é a de uma sociedade doente, divorciada dos seus próprios interesses, uma sociedade de múltiplos receios ou medos, acorrentada nas aparências e que, mesmo sofrendo, prefere o conhecido ao desconhecido. Já não se rala. Entretanto, as grandes referências da oposição regional foram desaparecendo: ou porque morreram ou porque assumiram que outros ficassem com o brinquedo! Complementarmente, parece-me evidente que o sistema educativo foi intencionalmente condicionador, ao preferir a liturgia dos manuais programáticos à liberdade de pensamento, da criatividade e da inovação. Em poucos anos a sociedade caiu numa espécie de pântano que impossibilita a consciência de fuga ao lamaçal. Sobrevive. E a Igreja? O que dizer dela? Todos o sabem. Cala-te boca.
Segundo: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. Um dos princípios do desenvolvimento é o da transformação graduada. Há uma sequência no tempo que não pode ser ignorada. Da mesma forma que coexistem três perguntas simples que qualquer gestor/administrador da coisa pública (e não só) deve dominar: onde estou, onde quero chegar e que passos tenho de dar para lá chegar. O onde estou equivale ao levantamento exaustivo da situação real, para que daí se possa arquitectar uma situação ideal. Ora, o sistema educativo está de rastos, sendo evidente que esta escola não consegue dar resposta aos desafios de um mundo em constante aceleração. Segundo os estudos é desmotivadora para alunos e professores, apresenta currículos e programas desadequados, submete-se aos ditames de uma administração centralizadora e padronizadora, é rotineira e previsível, porém, quando é este o quadro, alguém vem falar de "inteligência artificial", ignorando o extenso rol de características onde o sistema se encontra. Como é possível ser prospectivo e presumir que se irá atingir a complexidade, quando são queimadas as etapas de um longo processo científico. Houvesse engenho e arte, depois de 47 anos de políticas, podia o sistema experimentar e almejar tal desiderato. Pela via que seguem, não. Tratam-se de umas palavras soltas atiradas ao ar e sem significado. Tal como a história do Brava Valley!
Terceiro: COMISSÕES DE INQUÉRITO. Um festival de palavras e de depoimentos inconsequentes. Apenas fumo. Um ex-Deputado Europeu e, depois, governante regional, falou de "obras inventadas". Foi logo encostado à parede. E o inquérito parlamentar surgiu. Conclusão: "obras inventadas", protecção a um grupo restrito de empresários, pressão destes sobre a governação, enfim, são tudo histórias, essas sim inventadas. Nada ficou nem ficará provado. Mas quando e onde rolaram cabeças na sequência de um qualquer inquérito parlamentar? É tudo mentira, pois o desabafo, certamente, tem a chancela do ressabiamento de quem o proferiu. Até o relator da comissão foi indicado pelo partido maioritário. Curioso, até, que o parceiro de coligação que antes abria a boca e não era nada piedoso, remeteu-se agora a um silêncio sobre a tal "mentira" criada pelo ex-governante. Tudo solenemente abafado. Pois tudo foi realizado com total transparência, rigor técnico, fiscalização sem mácula e absolutíssima lisura de comportamentos éticos e morais. O ex-Deputado irá, certamente, "de castigo" para o quarto escuro da política!
Quarto: ESTUDO DE OPINIÃO/SONDAGEM. Corolário de tudo isto, o povo (?), em sondagem recentemente publicada, atribuiu 50% dos votos ao partido governante, onde se inclui um ínfimo contributo do parceiro de coligação. Significa que está tudo ou quase tudo certo. Portanto, siga a festa...
terça-feira, 7 de março de 2023
Ocidente contra o resto do Mundo
Por
Macron, à saída do G-20, anunciou uma visita a Pequim dizendo que é “muito bom” a China querer a Paz, marcando assim algum distanciamento face à posição apressada da UE.
sexta-feira, 3 de março de 2023
E se a Ucrânia não ganhar a guerra?
Por
Major-General Carlos Branco,
A pior solução para os europeus é não considerarem a Ucrânia um interesse vital e acabarem por ter de morrer por ela. Washington sabe o que quer e o que está a fazer. Os dirigentes europeus nem por isso.
A esmagadora maioria dos comentadores nacionais afirma de modo convicto e determinado que “a Ucrânia vai ganhar a guerra”, “a Ucrânia tem de vencer”, como se a insistente oralização de uma vontade fosse suficiente, e a capacidade para a concretizar um aspeto de menor importância. Questionar o dogmatismo subjacente a esta certeza tornou-se sinónimo de apoio e alinhamento com as posições de Moscovo.














