domingo, 8 de janeiro de 2012

VÃO "MORRER" PARA LONGE!



Com uma distinta lata, usam, na lapela, um pin com a bandeira de Portugal, sinónimo de uma luta pelo país que dizem defender. Para ele, Miguel Relvas, quando vê os jovens lá fora, fica-lhe a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". Oh, senhor ministro, sabe-se que até 1974 teve de viver em Angola. Foi a independência que fez os seus pais regressarem. Pergunto, por que razão não ficou por lá, ou, depois de gerada uma certa estabilidade, o que o levou a não regressar a Angola? E por que não motiva os seus descendentes a emigrarem?


Primeiro foi o Dr. Passos Coelho, agora, o Dr. Miguel Relvas a aconselhar que os jovens tenham os olhos no Mundo. Isto é, uma forma eufemística de dizer aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. O discurso de um ministro não pode ser este. Ora, quando se diz a um jovem para procurar lá fora o que o seu país não lhe proporciona, apenas estamos a empobrecer o país. Mas isso também não constitui novidade. É do primeiro-ministro a asserção que temos de "empobrecer".
Disse o pseudoministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. E digo isto porque  me choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em varíadíssimas áreas técnicas e científicas, e um ministro não conseguir oferecer um sinal de esperança na criação de condições para que esses jovens desempenhem cá dentro o que são "obrigados" a fazer lá fora. A isto designo por incompetência política. E são estes senhores do PSD/CDS que, com uma distinta lata, usam, na lapela, um pin com a bandeira de Portugal, porventura sinónimo de uma luta pelo país que dizem defender. Todavia, na práxis política, refiro-me a Miguel Relvas, quando vê os jovens lá fora, fica-lhe a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". Oh, senhor ministro, onde pára a coerência discursiva e o significado desse pin na lapela? Sabe-se que, até 1974, teve de viver em Angola. Foi a independência que fez os seus pais regressarem. Pergunto, por que razão não ficou por lá, ou, depois de gerada uma certa estabilidade, o que o levou a não regressar a Angola? E por que não motiva os seus descendentes a emigrarem?
Bom, mas que fique claro que não tenho rigorosamente nada contra a emigração. A decisão é individual e deve ser respeitada, em função dos interesses, das condições de trabalho e de uma panóplia de factores que, repito, a cada um diz respeito. Não aceito é que um governo tenha esta postura de incentivo à emigração, quando somos poucos, quando há inteligência e competências formadas cá dentro e que custaram muito dinheiro, e agora se entrega para benefício de outros. Falo a um determinado nível de formação, mas podemos também equacionar o quadro dos menos qualificados, cuja saída do País não constitui garantia de sucesso e independência. Muitos safam-se e milhares continuam a "comer o pão que o diabo amassou". E terá o ministro consciência do que significa a emigração no quadro da rutura das famílias? 
Ora, considerando o momento que Portugal atravessa, penso que de um governo esperam-se medidas tendentes à criação de condições de aproveitamento do seu principal activo, os recursos humanos, condições propiciadoras do desenvolvimento, condições de povoamento do interior progressivamente abandonado, condições propiciadoras de respostas às necessidades do povo. Chutar para longe os problemas caracteriza bem a política de certos senhores. Mas, note-se, emigrar é um direito individual. Não precisa é que o governo incentive.
Ilustração: Google Imagens.

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