quinta-feira, 30 de abril de 2015

PRESSÃO ALTA SOBRE OS POLÍTICOS


Recebi uma interessante mensagem que a páginas tantas refere: “(…) não será de deixar o governo provar para depois criticá-lo?”. Meu caro, penso que não. Todos nós temos uma experiência de vida e todos nós que, de uma maneira ou de outra, acompanhamos o dia-a-dia político, sabemos que os silêncios, o arrastar dos designados “estados de graça” são péssimos para a democracia. É desde o primeiro dia, não no pressuposto do combate pelo combate político, sem eira nem beira, que os políticos devem sentir essa pressão. Lembra-se, por exemplo, do que disse Passos Coelho antes de ser eleito? E o que ele fez logo a seguir? E aquele que ficou conhecido pelo “irrevogável”? E aqueles que, na Região, conduziram-na na lógica “ou nós ou o caos”? Aqueles que estrangularam o livre pensamento, algumas vezes subtilmente, outras, descaradamente, ao longo de quase quarenta anos, bloquearam as instituições públicas e privadas, conduzindo o povo no princípio da obediência cega e do medo? Se o travão tivesse sido colocado logo de início teria acontecido o mesmo? Julgo que não. Daí que, da minha experiência política, considere que não deve haver nem “estados de graça” nem contemplações.


Assumiram, livremente fizeram as suas escolhas, tomaram posse, pressuponho que estudaram e dominam os dossiês, logo exige-se-lhes rigor, trabalho e uma visão sobre o futuro que, alegadamente, desejam construir. Quando, pelos primeiros acordes se descobre a musiquinha que querem tocar, quando a pele de cordeiro deixa transparecer o lobo, parece-me elementar que não se deixe o marfim correr. Desde os excessos às omissões, sublinho. É esta a minha atitude. Mais, ainda. O que de bom fizerem, porque há sempre decisões correctas, nem essas devem ser motivo de elogio político. Os eleitos estão lá para cumprir mandatos, programas, enfim, para trabalhar em prol do crescimento e do desenvolvimento do país, da região, da Câmara ou da Junta de Freguesia. Ninguém lhes pediu e são pagos para cumprir. Em toda a minha actividade política nunca esperei reconhecimento, da mesma forma que, como docente, cumpri todas as exigências do sistema educativo, mesmo quando não concordava com os retrógrados procedimentos. Na política não se deve permitir espaço para o erro. Aliás, pelos sucessivos escândalos que colocam os políticos em um baixo grau de aceitação popular, enquanto cidadão, entendo que os devemos colocar em pressão contínua. Porque o exercício da política é um assunto muito sério. Não é uma passerelle de vaidades. É nesta dialéctica que se constrói a democracia e se promove o tendencial bem-estar das populações. O julgamento é feito nas urnas, de quatro em quatro anos. E esse julgamento, pelo menos em teoria, envolve o poder, mas também a oposição. Ambos são julgados.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

UM ESTADO DENTRO DO ESTADO


Nada está a mudar, infelizmente. Ou melhor, enfeitam o prato, mas o menu a servir é o mesmo. Li a anormalidade do número de nomeações para as secretarias regionais. Uma enormidade! Temos, de facto, para pouco mais de 250.000 habitantes, do ponto de vista institucional, um Estado dentro do Estado. Não faz sentido. E o facto da dignidade jurídica de Região Autónoma dever ser considerada, parece-me óbvio que o bom senso deveria prevalecer. Não alinho pelo posicionamento de Marcelo Rebelo de Sousa que um dia disse que a Madeira era uma grande autarquia, mas defendo, no quadro autonómico, equilíbrio na arquitectura da estrutura institucional. A Região tem menos população que o concelho de  Sintra, entre tantos outros, é verdade, mas é uma Região Autónoma com órgãos de governo próprio. Embora assim sendo, repito, bastaria uma dose de bom senso no reajustamento. São milhões que se evaporam no cumprimento da orgânica estabelecida para as várias secretarias, quando falta dinheiro para atender às necessidades mais primárias da população. 


E que são muitas. Um novo governo não deveria, por isso, apenas preencher lugares, mas tomar a iniciativa de corrigir a dimensão das estruturas de natureza política que não fazem sentido. Uns dirão que isto é demagogia. Não, não é. Apenas a realidade sentida. Seria um dos primeiros passos em tempo de crise severa, de cofre vazio, de perda da Autonomia e de uma colossal dívida. O exemplo deveria partir de quem governa com a promessa de "renovação". Ao fim ao cabo todos começamos a ver que o baralho é o mesmo, simplesmente as cartas é que foram redistribuídas, mantendo-se a mesma maneira de jogar. Há serviços a mais, chefias a mais e até chefes de si próprios. Os papéis circulam, muitas vezes com posições algo contraditórias, que não ajudam, antes complexificam e burocratizam os sistemas. Para além do tempo, perde-se dinheiro. Aguardemos pela tal reforma do sistema político!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 28 de abril de 2015

VISITAS TIMEX... QUE NÃO ADIANTAM NEM ATRASAM


Vamos lá ser claros: o convite ao primeiro-ministro Passos Coelho para visitar, oficialmente, a Madeira, que vantagens trará ao povo da Região? Servirá para o governo da República assumir uma parte da dívida da Madeira? Provavelmente, não! Servirá para anunciar a abertura de novos procedimentos sobre tantas obras megalómanas, responsabilizando quem as subscreveu? Provavelmente, não! E o convite do Presidente do Governo ao Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para deslocar-se à Madeira, adiantará alguma coisa? Zero. Quanto muito servirá para que ele se aperceba do desvario das contas regionais e para exigir responsabilidades. A avaliar por visitas anteriores tudo isto não passa de folclore político. Importante seria que o presidente do governo regional da Madeira tratasse de conhecer, em pormenor, a realidade das contas da Região. Simplesmente porque não as conhece, ou melhor, ninguém as conhece ao cêntimo. E sem dinheiro, nada feito! Ah, não pode, porque o actual secretário das Finanças fez parte do anterior elenco governativo. Pois, compreendo, mas é por aí, custe o que custar e doa a quem doer que tudo deve ser enquadrado. Passos Coelho não virá assumir rigorosamente nada, naquilo que é estruturalmente preocupante, tampouco Juncker, mexerá uma palha face às políticas europeias na conjugação das restantes Regiões Ultraperiféricas. 

A estrada é muito longa e muitos são os buracos.
Nas Finanças da Madeira,
o governo sai de um e cai no outro. 

E sendo assim, a verdade é que ainda não vi qualquer preocupação no sentido do governo perceber a realidade e não aquela que tem sido veiculada. Existirão mais buracos e facturas não reportadas? Parece-me óbvio que quem chega ao poder, pressupostamente tendo lido os dossiês e tendo objectivos a atingir nos próximos quatro anos, deseje conhecer onde está. Só a partir daí poderá definir, no quadro dos objectivos, as metas (objectivos quantificáveis) possíveis. Se assim não acontecer, governará à vista e, talvez, pelas estrelas. 
Politicamente, a questão é saber porque é que o presidente do governo não quer conhecer a realidade, quando a história do processo aconselha prudência. Alguém poderá ignorar que, numa altura que badalavam contas equilibradas, foram descobertos mais de mil milhões não reportados às instâncias devidas? Só este aspecto aconselharia uma tomada de decisão, talvez a primeira, e não convites a este e àquele que são do tipo timex: nem adiantam nem atrasam! Ao não fazê-lo, o novo presidente do governo torna-se solidário com as loucuras anteriores, mas pior, ficará sem argumentos políticos para a ineficácia das políticas que deseje implementar. 
Ora, mais semana menos semana vão começar a cair, em catadupa, propostas na Assembleia. Uma já lá está: o aumento do salário mínimo regional (PCP). E não demorá muito e saltará para a mesa do debate, por exemplo, a velha questão do complemento de pensão regional para os de mais baixas pensões, ou, ainda, as questões relacionadas com a acção social educativa, a reposição do subsídio de insularidade ou, ainda, como é que a Região vai pagar os juros e o capital da dívida, suportar a parte dos encargos de um novo hospital, terminar as obras iniciadas, fazer a manutenção do que anda por aí em progressiva degradação, colocar infra-estruturas paradas em funcionamento, entre tantas e tantas situações em todos os sectores, áreas e domínios da governação. E quando os outros secretários quiserem propor seja o que for? Ora bem, se o governo não conhece a realidade como poderá seguir um caminho? Alguém poderá acreditar nas contas do anterior governo, manchado que está pela dúvida que, inclusive, deu lugar ao processo designado por "Cuba Livre"? Assunto para acompanhar nos próximos tempos.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PODEM CONTINUAR JUNTOS PORQUE A FARINHA É A MESMA


O capitão de Abril, Vasco Lourenço tem carradas de razão: se estão satisfeitos "com a porcaria que têm feito" devem continuar juntos. Aos olhos do povo português esta é a realidade, bastando para tal ter presente todos os indicadores do país que éramos e do país que somos. Aliás, retenho nos ouvidos tudo quanto Passos Coelho disse e prometeu durante a campanha eleitoral de 2011 e tudo o que concretizou após a sua eleição. Não melhorámos, não gerámos riqueza, não nos tornámos mais competitivos, não esbatemos a pobreza, não criámos mais emprego, não melhorámos a dívida face ao produto e não abrandámos os números da emigração. Piorámos nos direitos sociais, roubaram-nos nos salários e pensões e piorámos no acesso à saúde e à educação. Esta a realidade factual.


Aliás, governo que depois de quatro anos ainda continua a olhar para o passado, para o anterior governo, que não fala da crise internacional a partir de 2008 que varreu a Europa, que não assume os seus erros, que não demonstra qualquer pingo de solidariedade por aqueles que mais sofreram com as suas políticas, pergunto, se é merecedor de uma qualquer confiança? Governo que não demonstra capacidade para perceber os erros dos directórios europeus e que apenas se limita a curvar-se às lógicas liberais de uma Europa conspurcada por interesses, pergunto, se é merecedor de uma qualquer confiança? Governo que roubou nos salários e nas pensões, reduziu direitos sociais, forçou a emigração, penalizou empresas, carregou no IVA, no IMI, no IRS, colocou os sistemas de educação e de saúde na penúria, pergunto se é merecedor de uma qualquer confiança? Governo que não tutelou como devia alguns sistemas, inclusive, o bancário, pergunto se deve ser merecedor de confiança? 
Este casamento de interesses assenta em uma premissa, exactamente a que deriva da leitura que ambos dominam a "porcaria que têm feito". Isoladamente, pressuponho, os resultados seriam desastrosos, talvez piores que os das eleições europeias. Trata-se, apenas, de um pressentimento. E vai daí uma coligação, que não deixa de ser legítima, mas que tem um óbvia e  concreta leitura política. Vasco Pulido Valente escreveu que "(...) os portugueses, coitados, quanto mais pobres ficam, mais querem dar ares de grandes senhores". Será que vão, nas urnas, perceber a marosca destes senhores?
Ilustração: Google Imagens.  

domingo, 26 de abril de 2015

PELA AMOSTRA DO PANO COMEÇO A VER O FATINHO


Teve o condimento do "frete" aquela sessão evocativa do 25 de Abril, na Assembleia Legislativa da Madeira. Houve ali qualquer coisa parecida com uma injecção: a agulha entra, dói, mas logo passa. Dito por outras palavras, vamos deixá-los falar, o Adolfo faz uma redacção bonitinha e pronto, já está. Mostraram, assim, a fisionomia, para mim, anémica, da "renovação". Pelo menos da mentalidade. No decorrer da sessão, entre os membros do governo, desrespeitando quem discursava, uns falavam com os outros, o Presidente da Assembleia, sem tolerância, cronometrava, ao segundo, os tempos atribuídos aos partidos, borrifando-se para o que diziam, e pronto, ufa... está cumprido o número que o circo nos habituou e que os espectadores genericamente queriam. 


Dois factos correspondentes a duas fugas ficaram a marcar a dita sessão: a do líder parlamentar do PSD, Deputado Jaime Filipe Ramos ao não assumir o discurso da maioria e a outra, a do Presidente da Assembleia Legislativa, Tranquada Gomes (PSD) a quem competia encerrar a sessão comemorativa. Do meu ponto de vista, pelo menos a do presidente foi, politicamente, inqualificável. Aquando da tomada de posse, no dia 20, assumiu que "temos de privilegiar o diálogo entre nós" no âmbito de "consensos alargados". Ora, assim desejando e prometendo, uma primeira intervenção no plenário, na esteira dos princípios e dos valores de Abril, justificava-se, por ser um momento importante, para falar do passado, não digo em jeito de acto de contrição e de penitência, mas para abordar o futuro do primeiro órgão de governo próprio e da própria Região no contexto da República Portuguesa. E tanto que havia para dizer. Ao terminar, abruptamente, a sessão comemorativa, deixou transparecer que, tal como os chapéus, discursos de tomada de posse há muitos!
É evidente que, neste processo, compreendo que seja difícil, muito difícil, deixar a marcha atrás e engatar, no mínimo, a primeira. Engolir posicionamentos de vinte, trinta, quarenta anos, em seco, depois de tantos anos de negação, obviamente que é complicado. Mas é a vida. E a grandeza de um político também por aí se mede. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. Ou, talvez, melhor dizendo, o Presidente aceitou vestir a pele, logo é o responsável pelos comportamentos. Deveria, por isso, ter passado uma imagem de verdade, de autenticidade e de transparência, assumindo o erro e demonstrando que está disponível para um novo tempo. Mesmo sem falar de Jardim, da submissão a que foram obrigados, o Presidente da Assembleia tinha o dever político de falar ao povo da Região. Para além do mais, porque Abril marca a Autonomia e essa, embora esteja em coma profundo, merece reflexão no sentido do seu resgate. Competia ao Presidente da Assembleia posicionar-se sobre esta e outras matérias. Mais ainda, ficou-lhe menos bem, repito, a habitual inflexibilidade regimental, a dependência do cronómetro, só vista neste parlamento, que nem deu para aceitar um minuto de silêncio pela morte do Jornalista Tolentino de Nóbrega. Esse jornalista que tantas vezes cobriu as sessões parlamentares e que foi, indiscutivelmente, um homem de Abril, mesmo antes de Abril. Senhor Presidente, a ideia que ficou é que há uma teoria sem prática. E pela amostra do pano, começo a ver o fatinho!
Ilustração: DN-Madeira, com a devida vénia.

sábado, 25 de abril de 2015

ENA... TANTOS DEMOCRATAS A FESTEJAR O 25 DE ABRIL!


Não acredito na sinceridade que os novos velhos dignitários da Região querem demonstrar, através de uma comemoração, aberta a todos os partidos, na sede da Autonomia da Madeira. Ainda bem que o fazem, sublinho, depois de trinta e tal anos de rigoroso silêncio e muitas vezes de afronta àquela data. Basta ler o diário das sessões da Assembleia e tomar consciência dos sucessivos chumbos às propostas de comemoração e as razões invocadas. Anos houve que comemoraram, pasme-se, a 24 e a 26 de Abril. Por isso, os mesmos de sempre, entre os quais o novo Presidente da Assembleia e o líder da bancada do PSD, não podem estar a ser sinceros. Nem eles nem Miguel Albuquerque que nunca aceitou, por exemplo, no Dia da Cidade do Funchal, que os partidos pudessem ter voz. Foram anos a fio de clara negação, quando a Autonomia é filha de Abril. 


Estes factos transportam um claro posicionamento político com história, trazem no seu bojo a ideia que se consubstancia em uma oportunidade para demonstrar, no âmbito da tal "renovação", uma diferença no comportamento (como se nada tivessem a ver com o passado), porém, dir-se-á que não emerge de dentro, não está registado na matriz democrática da instituição política. Faz parte da imagem, do marketing, do fumo que desejam vender. Não mais do que isso. Salazar foi aquilo que se sabe e Marcelo Caetano, com as suas "conversas em família" e pretensa abertura, foi a continuidade que acabaria por ser denunciada, pouco tempo depois, em Abril de 1974. Outra leitura teria eu se, todas aquelas pessoas que fazem parte da continuidade, há dez, quinze, vinte anos, se tivessem distanciado, marcado a sua posição e afrontado quem assim decidia. Não foi isso que aconteceu. Curvaram-se, aceitaram o pressuposto que as comemorações justificar-se-iam, apenas, na Assembleia da República (nada de confusões na Assembleia Legislativa da Madeira), e nunca tiveram a audácia de atacar de frente os mentores da guerrilha institucional. Teriam assumido uma veemente condenação pelo encerramento da Assembleia naquele dia que, por extensão, sempre motivou comemorações partidárias à sua porta. Os mesmos que nunca levantaram a sua voz, agora, apresentam-se como indefectíveis defensores de Abril. Não enganam! 
Mas que não seja sol de pouca dura simplesmente porque, tal como escreveu Maria Teresa Góis (DN-Madeira), “(…) É preciso que os mais novos conheçam a realidade do país antes de Abril de 1974, um país isolado e atrasado que muito recuperou três décadas depois, para que os “jotinhas” de vida facilitada tenham a noção do quanto as gerações anteriores sofreram e lutaram. Quero ABRIL de volta, na alegria, na esperança, no convívio sem medos, na Liberdade! (…)”
Ilustração: Google Imagens.

DA PRIMAVERA DA ESPERANÇA AO OUTONO DO ESBULHO



Andam a desfazer muito do que Abril nos trouxe. De uma ditadura passámos a uma ditadurazinha sufragada pelo voto do povo. Aos poucos andam, claramente, a roubar direitos constitucionais, aos poucos andam a sacar o pouco dinheiro das carteiras, aos poucos andam a vender o nosso país aos bocados e, aos poucos, até desejam controlar o que se escreve e o que se publica. Hoje não é apenas Portugal que necessita de um novo Abril, mas sim toda a Europa. É, por isso, que a chama de Abril tem de ser vivida e integrada todos os dias, nos princípios e valores que a animam. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O POLITICAMENTE CORRECTO E OS VÍCIOS DO PASSADO


Duas notas:
Primeira. Nunca gostei do politicamente correcto, simplesmente porque ele é falso, não enfrenta a realidade, ou melhor, tende a mascarar essa realidade. Quando o presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, diz, à saída do Palácio de Belém, que "o senhor Presidente da República está bem ao corrente da situação da Madeira", significa que prefere ser "politicamente correcto". Ora, se o Presidente da República conhece(ia) a situação da Região, pergunta-se, então, por que nunca actuou? Que razões o conduziram a um prolongado silêncio, consequência do qual estamos todos a pagar a factura do descalabro financeiro? Então, se conhece(ia) que razões subjazem à atitude de nunca ter remetido uma mensagem à Assembleia Legislativa, nos diversos quadros da governação regional? O politicamente correcto é exactamente isto: tratar-nos por parvos perante situações tão óbvias.


Segunda. A Assembleia Legislativa da Madeira continua, apesar da mudança de presidente, a incorrer numa situação que me parece injustificável. Li que foi o grupo parlamentar do PSD a apresentar e a aprovar o regimento específico da comemoração do 25 de Abril, na Assembleia Legislativa da Madeira. Porquê o PSD? Então não deverá ser a Mesa da Assembleia a apresentar, submeter a debate e aprovar o regimento? Dirão alguns que vai bater ao mesmo no que concerne à votação final.  Pois, todavia o princípio é mais transparente e verdadeiro. E se não tivessem maioria, atreviam-se a apresentar uma proposta de regimento? Ora, enquanto a primeira situação se enquadra na atitude do quero, posso e mando, a segunda, transporta uma ideia de independência da Mesa quando assume uma proposta para debate. Isto, claro, partindo do princípio que o deputado, no exercício da presidência, é um presidente de todos e não de um grupo. 
Aliás, o presidente do PSD, Miguel Albuquerque, no discurso de tomada de posse, socorreu-se de Gandhi e Mandela e o presidente da Assembleia, Tranquada Gomes, disse: "temos de privilegiar o diálogo entre nós" no âmbito de "consensos alargados". Ora, não bastam as palavras de circunstância, os exemplos de vida de Homens que marcaram a História, palavras que ficam bem, que se enquadram no tal politicamente correcto, embora depois os comportamentos sejam iguais aos do passado. O Regimento da Sessão do 25 de Abril foi proposto pelo PSD, o que deve merecer reflexão, simplesmente porque se a agulha não for mudada, obviamente que teremos o mesmo menu, por exemplo, para outros debates e para as comissões parlamentares de inquérito, que nunca produziram trabalho sério, antes concluíram pela verdade que mais interessava ao poder executivo. Um começo pouco transparente, digo eu, a evidenciar os mesmos tiques da época jardinista.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

NO MUNDO DA ILUSÃO COM CARTAS VICIADAS


Tenho tempo de vida suficiente, experiência política qb e distanciamento partidário para perceber que aquilo que alguns apresentam na montra não corresponde ao produto em armazém. Mas respeito quem considere que não é bem assim, bem como os que dizem "deixem governar quem ganhou". Aliás, têm de governar. Só que, da mesma forma que a nossa economia não melhora plantando alfaces ou com hortas urbanas, as políticas de governo, desenhadas desde início no que concerne às traves-mestras, possibilitam ao cidadão uma leitura global do futuro. Podemos não concordar, mas está definida. Partido que não apresenta um programa de candidatura mas que ganha as eleições, pelo menos para mim, deixa um enorme rasto de dúvida. Daí que, tudo o resto possa ser considerado entretenimento político "déjà vu", palavras de circunstância que nada adiantam e que apenas permitem um acto de ilusão temporária. Por quanto tempo durará essa ilusão, não sei. 


Aliás, os tempos não são propícios para paleio insustentável. Prefiro quem exprima, sem rodeios, desde a primeira hora, que o desemprego será combatido desta e daquela forma, que a pobreza tenderá para zero com as medidas x e y, que o salário mínimo será corrigido ou não, que os mais vulneráveis beneficiarão ou não de um complemento regional de pensão (tantas vezes proposto e negado na Assembleia), que a política de "monopólio" do transporte marítimo vai acabar ou não, que os pilares dos sistema de saúde e de educação serão estes e aqueloutros, que a política de obras públicas assentará no pressuposto k, que o serviço da dívida e o capital serão assumidos através do processo w, enfim, itens, entre outros, que se enquadram numa folha A4, mas que denunciam para onde desejam seguir. Pintar a "quinta", mudar quadros, andar de mota, mudar de cadeiras, vir de Lisboa de mãos abanar, vender as "datchas" do Porto Santo esquecendo-se que, primeiro, está o Jornal da Madeira, porque distorce as regras de mercado, trololó e mais trololó ou utilizar o BMW da Região para ir a uma reunião do partido, porventura transmite a ideia de "alerta laranja". 
Bom, espero que a poeira assente e que o "programa de governo" não constitua bolas à trave ou para as bananeiras. É que antes de uma candidatura todos sabiam ou deviam conhecer os complexos dossiês da Região. E se assim me posiciono é porque todos sabemos onde estamos, mas ainda não consegui descobrir onde querem chegar, tampouco os passos que vão dar para lá chegar. Perguntas essenciais em termos políticos e gestionários. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

SÃO ROSAS, DOUTOR?


Li, na edição de hoje do DN-Madeira, um muito bem estruturado texto, de finíssima ironia, assinado pelo Dr. Raul Ribeiro, relativamente à tomada de posse do novo governo. A páginas tantas: "(...) Para quem gosta de Lou Reed, só apetecia cantar "Oh, what a perfect day…" A única nota dissonante foi dada pelo deputado Coelho, a querer lembrar que não há circo sem palhaço. Mas nem esse momento ofuscou o brilho de tão gloriosa jornada. A opinião pública, pelo menos a que deambula pelas redes sociais (alguns parece que vivem lá, ou não vivem para além de lá…) manifestou-se maioritariamente rendida à mudança de ciclo, havendo mesmo quem se mostrasse encantado com o futuro radioso que nos espera ao virar da esquina do PAEF.


Não obstante, uma minoria claramente ressabiada e trauliteira pintou o dia num quadro de tons bem mais negros. Houve quem usasse de expressões perfeitamente desajustadas à nobreza da ocasião, como cinismo e hipocrisia. Outros houve que persistiram na imagem do casaco que se virou do avesso, chamando-lhe roupa nova; e houve até quem evocasse a história do navio, há longo tempo em alto-mar, no qual o fedor que exalava da tripulação se tornara insuportável. O comandante chamou o imediato e ordenou que todos os marinheiros trocassem de camisa. João trocou com Miguel, Miguel trocou com Jaime, Jaime trocou com Sérgio, Sérgio trocou com Bruno, Bruno trocou com Pedro, e assim sucessivamente até chegar de novo a João. Então, satisfeito, o comandante mandou seguir viagem… Não quero acreditar neste cenário, mas ainda me custa a assimilar tal deslumbramento de Alice, perdida no País das Maravilhas… Quando a nudez forte da verdade rasgar este diáfano manto de fantasia, ainda tudo serão rosas, Doutor…?
Vale a pena ler o artigo. Aqui.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 21 de abril de 2015

PORTUGAL NÃO É UM PAÍS AMIGO NEM DAS CRIANÇAS NEM DOS IDOSOS


Um Estado que não cuida da sua população jovem e dos mais idosos é um Estado desprovido de humanidade e de sentimento social. Ainda ontem segui uma grande parte dos "prós e contras", programa da RTP1. O tema era muito oportuno: as crianças e jovens em risco. Os que seguiram o debate tomaram consciência das insuficiências do sistema de prevenção e de acompanhamento. Faltam, essencialmente, recursos humanos e financeiros, porque, grosso modo, a estrutura existe. O problema é que "Portugal não é um País amigo das crianças", salientou o Psicólogo Eduardo Sá. Os números divulgados são aterradores: faltam 200 técnicos nas comissões de protecção; há técnicos a colaborar em part-time e em regime de voluntariado; temos cerca de 60 a 70.000 crianças, por ano, em perigo; cerca de 6.000 crianças, por ano, chegam aos hospitais e centros de saúde em situação de risco; 8.500 crianças são retiradas do meio familiar; há crianças que chegam a passar sete anos institucionalizadas e os relatórios da UNICEF consideram inquietante a situação da pobreza infantil em Portugal.


E face a este quadro, o governo retira direitos sociais, esmaga as famílias e gera desemprego, porque importante é servir o capital. As crianças ficam para depois. Elas podem esperar e as famílias, disse o banqueiro, "aguentam, aguentam". Que triste país que não zela pelas crianças! 
Mas isto é entre elas, porque no outro extremo, junto dos idosos sem meios e dependentes de uma miserável pensão, a situação é também grave. Quantos abandonados à sua sorte! Consideremos o caso de um pensionista, vivendo só, com mais de 80 anos, deficiente e que aufere cerca de € 350,00 por mês. Para além de outras graves deficiências, apresenta problemas de audição. Necessitou de uma prótese auditiva, a qual, no seu caso, implicou uma despesa de € 1.950,00 (pagos em prestações). Esse valor, pasme-se, em sede de IRS, mesmo que inscrito no âmbito dos benefícios fiscais, não lhe possibilita qualquer retorno. Mas mais grave, ainda, desde 2011 que este tipo de despesa não é comparticipado pela Segurança Social. Apenas concedem um retorno que pode ir até 100% no que concerne às despesas com o apoio técnico, quando este, normalmente, já é possibilitado, gratuitamente, pelas empresas que vendem tais próteses. Se é surdo, perguntará o Estado, que culpa temos disso? Terá esta situação uma explicação plausível? Tal como as crianças, que triste país que não zela pela qualidade de vida dos seus idosos!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

EM DEFESA DE PORTUGAL


Não tenho formação em Economia, mas, no mínimo, sei ler e conjugar declarações e percepcionar o que à minha volta se passa. Neste pressuposto há muito que defendo uma expressão que sintetiza o que penso sobre a marosca financeira internacional: "Portugal deve mostrar os dentes à Europa". Não é uma expressão simpática, eu sei, mas transporta, penso eu, por palavras que todos compreendem, que não podemos ser uma correia de transmissão de outros poderes que insistem, persistentemente, numa clara ingerência interna, isto é, não podemos seguir o provérbio "maria vai com as outras". Parece-me determinante que temos o óbvio dever nacional de afrontá-la, respeitando-a, mas dizendo aos seus mentores que aqui mandam os portugueses. Uma coisa é o sentido de comunidade, outra bem diferente, a venda do país. Escrevi muitos textos sobre este meu posicionamento. E ontem, aliás, no seguimento das suas posições, quem sou eu para contrariá-lo, o Prémio Nobel da Economia Paul Krugman, disse, em Atenas, que a política de austeridade que tem sido aplicada na Europa deve acabar e que o Governo grego deve manter as suas "linhas vermelhas" nas negociações com os credores."(...) A estrita política de austeridade na Grécia deve terminar" e que o Governo, liderado por Alexis Tsipras, não pode ceder na redução de salários e pensões. 


Esta a posição de um Nobel da Economia. Mas ele não está só neste processo. Tantos que se têm posicionado no mesmo sentido! Portugal, não. Portugal continua agarrado à cartilha do FMI, subordinado aos sacrossantos princípios da troika, à subordinação do "deus mercado", à penosa austeridade e às consequências daí resultantes: empobrecimento, emigração e agravamento da dívida, na mesma proporção que crescem os impostos e a supressão dos direitos sociais. A realidade sentida, a partir dos indicadores disponíveis é esta e não me parece passível de contestação. Neste contexto, espero que um novo governo de Portugal assuma, claramente, uma posição inequívoca, sem espalhafatos, mas onde sobressaia a responsabilidade na defesa dos desígnios nacionais.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 19 de abril de 2015

A PRESSA NOS CONCURSOS, OS ENGANOS DO VICE E A FRAGILIDADE DO NOVO GOVERNO


Da edição de ontem do DN-Madeira: "Em vésperas do novo Governo Regional tomar posse, a ARM – Águas e Resíduos da Madeira, S.A, não descansa ao ponto de lançar dois concursos que chegam aos 38 milhões de euros". Nesta mesma edição, o vice-presidente que termina o seu mandato no dia de amanhã, diz-se "enganado" nas obras da marina do Lugar de Baixo. Por partes. Pergunta-se: este governo regional não é de gestão, desde que o presidente apresentou a sua demissão? Que razões conduziram à decisão, na última reunião de governo, para a assumpção 38 milhões de responsabilidades futuras? Ora, qualquer cidadão, mesmo o mais distante do exercício da política, questionará: a quem serve este tipo de decisão na "hora da despedida"? E, politicamente, estas e outras já assumidas, pretendem o quê? Comprometer e bloquear o futuro executivo fechando-lhe as portas ao seu próprio programa de governo? O futuro esclarecerá.


São muitas as perguntas que podem ser colocadas. Uma coisa é certa: elas saem do interior do mesmo partido, o que pode significar que existem vários partidos dentro da mesma instituição. Parece que andam a marcar terreno ao mesmo tempo que o armadilham. Talvez se possa sintetizar numa frase: vamos ao fundo, mas, tarde ou cedo, também vão connosco! O curioso é que, na mesma edição, o vice de Alberto João Jardim veio dizer que foi "enganado" nas obras da marina do Lugar de Baixo. Enganado? Mas como pode um decisor político ser engando em uma obra daquela dimensão? Então, os estudos técnicos para nada serviram? Então, como justifica, perante o logro, a consecutiva injeção de dinheiro público numa obra que transportava o pecado original do "engano"? E se o vice foi "enganado" quais são as consequências judiciais dos que, alegadamente, o enganaram?
Suspeito que os próximos tempos serão de conflito, de demissões,  atribuição de culpas e de descoberta de novos "buraquinhos". Não sei se, para cautelas futuras, não surgirão casos para investigação. O monstro é tão gigantesco, as armadilhas tão sensíveis e a fragilidade dos novos governantes tão evidentes, que não me parece previsível qualquer estabilidade governativa, no quadro de uma maioria absoluta, como soe dizer-se, pelas pontas. Curiosamente, por agora, não se ouve qualquer posição da nova liderança partidária, sobretudo no que concerne às responsabilidades financeiras futuras. Há um silêncio sepulcral, um come e cala-te que espelha o medo de enfrentar os que estão de saída. Só que o silêncio poderá redundar em gritos. O Dr. Ricardo Vieira (CDS) ainda ontem, em artigo de opinião foi claro. Falou de um "indigitado Presidente do Governo, impreparado" para, logo de seguida, disparar: "(...) os primeiros passos de um Governo ainda não empossado revelam uma trapalhada impensável. Só porque deseja meter pessoas da sua confiança pessoal em cargos de chefia da administração pública, mantendo uma prática nociva que apenas quer sobreviver nesta Região, mete os pés pelas mãos! E a procissão ainda vai no adro!"
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 18 de abril de 2015

GOVERNO SEM VERGONHA NA CARA


É o descaramento total. O governo pretende ir, novamente, à carteira dos pensionistas para “roubar”, em 2016, seiscentos milhões de euros. Há aqui uma atitude gangster, um esbulho próprio de uma cambada de políticos malfeitores. Foi a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), são, ainda, as taxas e sobretaxas, o aperto nos escalões do IRS, o aumento das contribuições para os sistemas de saúde, o IVA, o pavoroso e inexplicável IMI, onde se paga, escandalosamente, para viver numa casa que não pertence ao Estado, é o facto de há vários anos as pensões estarem congeladas, o que significa perda de poder compra, é a água, a energia, as comunicações, é a substancial redução dos direitos sociais, é a situação de pensionistas a aguentarem a vida dos filhos desempregados e, como se isto não bastasse, querem dar mais um golpe, uma cacetada, rasgando e mandando para o lixo contratos, baseados na Lei, assumidos de boa-fé, presumia-se, com os trabalhadores. Os que cumpriram, sem piar, quarenta e mais anos de descontos, concluem, uma vez mais, que o Estado português não é pessoa de bem. É rasca! 

Condenam o BES e todos os outros banqueiros que geraram situações imperdoáveis, mas, afinal, comportam-se de forma idêntica. Uns foram literalmente enganados com a história do papel comercial com retribuição garantida, diziam; no caso dos pensionistas fazem tábua rasa dos contratos assumidos. Só o nome do “papel” é que muda porque os comportamentos são semelhantes.
Vivemos num Estado ladrão, armado até aos dentes, perante um povo indefeso. Um Estado que debita sem a nossa expressa autorização. Gentalha que não governa para o povo, mas para a cadeia de interesses faminta de dinheiro fresco. Quem governa não actua nas causas, junto dessa cáfila de especuladores do “deus mercado”; quem governa não mostra os dentes a essa Europa de vários discursos que, subtilmente, transfere com uma mão e esfola com a outra; quem governa apenas segue a liturgia do dinheiro, da ganância de uns à custa da pobreza de milhões. Não falam em melhorar as condições de vida das pessoas, mas na redução do preço do trabalho. Espantoso. 
Talvez para alimentarem os “cofres cheios” (que ridículo), segundo a expressão da Ministra das Finanças. Não é de estranhar, por isso, que os pobres estejam cada vez mais pobres e a fugirem do país (os que podem), ao mesmo tempo que crescem as fortunas, muitas, mal explicadas. A classe média, essa, dia-a-dia está a ser dizimada em nome dos “mercados”. É tempo de acabar com esta pouca-vergonha, com a mentira, com a verdade conveniente atrelada à ameaça, por parte de partidos que são, apenas, correias de transmissão de outros execráveis poderes. A falta de vergonha é tal que nem recuam sabendo da óbvia inconstitucionalidade das propostas. E o Presidente da República… moita! Raios-os-partam.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

CARLOS PEREIRA UM LÍDER PARA GANHAR A MADEIRA DO FUTURO



O Economista Carlos Pereira disponibilizou-se para liderar o PS-Madeira nos próximos anos. Trata-se de uma importante decisão que, como tudo indica, mais do que uma disponibilidade pessoal, corresponde à vontade de uma larguíssima maioria dos militantes do Partido Socialista. Eu apoio o Dr. Carlos Pereira, personalidade que domina, como ninguém, o importantíssimo dossiê da Economia e das Finanças. Do meu ponto de vista tem sido o melhor parlamentar, com uma ímpar capacidade de análise, atitude política e rapidez de raciocínio. Espero, depois do último desaire eleitoral, que Carlos Pereira estabilize o partido e que consiga reunir os melhores quadros só possível com uma total abertura do partido à sociedade.
Ilustração: Google Imagens. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

AS PESSOAS POUCO PODEM ESPERAR DESTE PSD


Finalmente, o PSD-M assume que é um partido de direita. Sentar-se à esquerda no hemiciclo do Parlamento da Madeira foi, durante anos, uma mistificação imposta por Alberto João Jardim, na "arte" de confundir o povo e irritar toda a oposição. Agora, definiram-se, e vão ocupar as bancadas onde sempre deveriam ter estado. Este aspecto não é, politicamente, de somenos importância. A opção traduz um posicionamento de princípios e de valores que acabará por marcar as próximas decisões políticas. 


Eu não vou na história, alimentada por alguns, que, hoje, a direita e a esquerda se confundem, quando partem do pressuposto que todos reivindicam e propõem projectos semelhantes relativamente a todos os sectores da governação. É certo que alguns partidos resvalaram deixando a ideia que, mais coisa menos coisa, são parecidos. Desse fabricado chamamento que o quadro neoliberal foi criando, de natureza oportunista, alguns têm pago caro nas urnas, pelo que se assiste a uma recomposição e reposicionamento ideológico, ténue, é certo, mas muito evidente no discurso político. No essencial tendem para uma clarificação, fundamentalmente, nos direitos sociais e nos caminhos da economia. Enquanto a esquerda, na sua génese, tem um olhar de permanente preocupação pelas pessoas, pelas questões sociais, a direita, embora ultimamente tenha vindo a acenar com esse discurso, a sua práxis fica marcada por um afastamento relativamente às necessidades sentidas.  
Ao sentar-se à direita do hemiciclo, o PSD-M, assume, em definitivo, a sua matriz ideológica. Resta-nos aguardar pelo Programa de Governo, porque aí será clarificador do que os madeirenses poderão contar nos próximos quatro anos.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 14 de abril de 2015

O QUE SERÁ A ESCOLA DO FUTURO?



"(...) Gostaria que fosse uma escola em que os alunos chegassem à porta alimentados, sem pais desempregados (...). A escola não pode resolver do portão para dentro todos os problemas que os miúdos têm quando lá chegam. Se me chegam miúdos cheios de fome e à espera do lanche que a escola lhes arranja, se a família está em situação de desemprego, se os irmãos estão em situação de criminalidade, a escola do futuro nunca vai ser construída sobre as bases ideais e utópicas. Gostava que tivéssemos atingido um estado de desenvolvimento em que a sociedade permitisse que essas condições existissem e a escola reproduzisse um determinado clima e ambiente mental que fizesse com que as gerações seguintes já estivessem adaptadas ao funcionamento dessas escolas. Não é a partir de uma reforma que se muda a escola. Devemos ver o que está a correr mal e fazer subir essa parte. Melhorando o que está pior, empurramos o resto. A escola tem de ser pensada de forma integrada, mas cada ministro chega e faz a sua reforma. A escola do futuro vai ser esquelética. (...)"
Nota
Excerto de uma entrevista ao I, do Dr. Paulo Guinote (Professor), autor do blogue "Educação do meu umbigo". 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A INVASÃO DA ESCOLA PÚBLICA POR UMA INSTITUIÇÃO PRIVADA


Este Ministério da Educação, liderado pelo inefável Nuno Crato, tem perpetrado muitas maldades ao sistema educativo nacional, à escola pública e, particularmente, aos professores. O rol é muito extenso, mas o pior de tudo é que não se lhe conhece uma ideia para a Educação. Ou melhor, de forma completamente errada, destes quatro anos de mandato, ficam para a história a sua obsessão pelos exames do ensino básico. Quando por todo o lado emergem importantes sinais de mudança, com novos olhares organizacionais e programáticos, Portugal continua preso a velhas concepções e velhos dogmas. Mas essa é uma outra longa questão que não vem ao caso. Agora, são os exames de Inglês, obrigatórios no 9º ano, realizados sob a égide da instituição privada Cambridge. A dinâmica de escola é ultrapassada, os professores, idem, através da obrigação de frequência de uma formação (certificação) com o objectivo de atestar a sua aptidão para supervisionarem tais exames. Os cursos universitários são mandados às malvas, pois quem manda no sistema educativo são os doutos senhores(as) dessa entidade privada. Chegam ao ponto de preparar para as sessões de speaking (provas orais), vigilância e classificação da prova escrita. Espantoso.


Nunca vi nada assim: o sistema público passar pelo vexame da supervisão de uma entidade estranha e de natureza privada. Ora, esta situação, criada pelo ministro Crato, traz, obviamente, água no bico. Deveria ser bem explicada. Se a obsessão do ministro pelos exames é pública e notória, caso do Português e da Matemática, já no quadro da aprendizagem do inglês, chamar alguém de fora para determinar a "qualidade" da aprendizagem, parece-me ser de natureza ofensiva. Há gato escondido com o rabo de fora.
Ora, se a instituição Cambridge quer ter mais alunos nas suas escolas, pois que publicite e angarie alunos. O que não me parece correcto é o sistema educativo português permitir-lhes que invadam a escola pública, utilizando (o termo é este) os professores da rede nacional, gratuitamente, menosprezando o trabalho que realizam e as suas próprias qualificações universitárias. Ademais, se alguém (aluno) desejar uma qualquer certificação que se inscreva na instituição Cambridge. Se assim não for, não levará muito tempo e teremos o "assalto" de uma entidade francesa a querer certificar para os conhecimentos desta língua.  
Uma nota final. Li um comunicado da Fenprof: "(...) Só quem desconhece todo o trabalho que os professores têm que desenvolver numa escola, como parece ser o caso dos responsáveis do MEC e, particularmente, aquele que tem de ser feito no último período do ano letivo, é que pode considerar ajustado submeter os professores a este tipo de tarefas que vão para além do seu horário de trabalho e que não fazem parte do conteúdo funcional da profissão. O trabalho que os professores têm que desenvolver com os seus alunos passa a ser secundário face a todas as tarefas relacionadas com este exame de Inglês!" Concordo.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 11 de abril de 2015

SE O SENHOR REPRESENTANTE NÃO GOSTA, RENUNCIE!


O Senhor Representante da República na Madeira pode não gostar do PND e de outros partidos ou pessoas que, politicamente, escrutinam a sua participação política. Eu sou um deles que, manifestamente, não tenho uma opinião política favorável. Simplesmente porque entendo que não tem sido isento e colaborante na defesa da verdadeira democracia. Ontem, o Senhor Representante pareceu-me imbuído do espírito político do Dr. Alberto João Jardim, ao impedir que o porta-voz daquele partido fizesse declarações à comunicação social no espaço interior do Palácio de S. Lourenço. Situação que contrasta com o que habitualmente se verifica com todos os outros partidos políticos. Não encontro razões para aquela decisão, a não ser uma atitude de repulsa por declarações anteriores. 


Ora, o Senhor Representante da República é um ente político, não é uma entidade privada. O palácio não é dele, mas sim da comunidade portuguesa. Se não gosta de certos partidos, em circunstância alguma deve manifestar essa intenção. Se o partido A ou B não lhe são queridos, politicamente, tem o dever de os aceitar tal como são, desde que a análise seja política e não entre no espaço da má educação e da ofensa. Se o Senhor Representante detesta os partidos de uma cor fora da tonalidade laranja, até isso tem remédio, apresenta a sua renúncia junto do Senhor Presidente da República. Tão fácil quanto isto. O que não pode é fazer juízos de valor ou ficar ofendido por, repito, politicamente, dizerem o que pensam. Nada, rigorosamente nada de pessoal me move contra o Senhor Representante. Respeito a instituição, mas isso não significa que diga sim aos comportamentos ou ausência de comportamentos políticos. É assim que sinto a política.
Curiosamente, o gabinete do Representante da República explicou, posteriormente, ao DIÁRIO, segundo li, que não são permitidas declarações à imprensa no pátio do Palácio de S. Lourenço. Estranho, quando sempre, sempre, essas declarações foram realizadas à saída das audiências e até em uma sala do palácio. Eu próprio já produzi declarações nesse salão de acesso à sala de audiências. Resultado da sua atitude, já no exterior, o partido em questão atirou-se sem dó nem piedade: "(...) Entristece-nos que uma pessoa, ainda por cima madeirense, tenha cumprido e desempenhado tão mal as funções de Representante da República. Esteve durante quatro anos calado perante todas as atrocidades cometidas nesta terra. Calado, designadamente, perante o gigantesco buraco de dívida ocultado de todos os madeirenses e que condenou a Madeira à miséria", afirmou Baltasar Aguiar, que sugeriu, sarcasticamente, que Ireneu Barreto "fosse designado embaixador para Angola, para branquear o regime totalitário do senhor presidente José Eduardo dos Santos". Bem poderia ter evitado, digo eu, pois se o PND compareceu, mas não quis ser recebido, parece-me óbvio que desejasse tornar pública a justificação para a sua não participação na audiência.
Mais tarde surgiram as suas declarações após receber o próximo presidente do governo regional. Referiu-se ao "novo ciclo" (qual ciclo, Senhor Representante, quando o partido é o mesmo?) e disse depositar "muita esperança na Região" (...) porque "a Região passou, digamos, da pré-história para a modernidade (...)". Declarações que deveria ter evitado, porque elas correspondem, claramente, a uma colagem partidária. Esquece-se o Senhor Representante dos milhões de euros entrados na Região provenientes da União Europeia e do Orçamento de Estado? Esquece-se do monstro criado na Região do qual resultou uma dívida de mais de seis mil milhões de euros? Esquece-se que mais de mil milhões de facturas não foram reportadas (escondidas)? Esquece-se do desemprego e da pobreza? Com todo este quadro, que é inegável, como pode dizer que "(...) só quem não governa é que não erra (...) mas o saldo, na minha opinião, é muito positivo". Positivo em quê? Na  mentalidade, na liberdade, no medo, no controlo das instituições, ou teria sido possível realizar, com os mesmos meios, muito mais e com outra sustentabilidade,  não tendo os madeirenses e portosantenses que carregar uma penosa dupla austeridade?
O cargo de Representante da República há muito que deveria ter sido extinto. Não faz sentido ter um "olheiro político" na Região Autónoma, cargo que tem custos, ainda por cima para o "olheiro político" assobiar para o lado quando são tantos os problemas da Região. Se o objectivo é verificar a legalidade e constitucionalidade da legislação produzida na Madeira, a Assessoria para os Assuntos Jurídicos e Constitucionais da Presidência da República, constituído por quatro assessores, resolveria tal assunto. A Presidência dispõe de dezenas de assessores, pelo que, questiono, que sentido tem a existência de um Representante? 
E por aqui fico, porque tenho presente, com todos os contornos, a atitude política do Senhor Representante ao longo dos anos que representa a República na Região. 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

INCOMPATIBILIDADES


Foi notícia que o Dr. Tranquada Gomes será o novo Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira. O PSD-M foi o vencedor das eleições, tem maioria na Assembleia, logo tem o direito de indicar o presidente do primeiro órgão de governo próprio. Por aí tudo certo. Do ponto de vista pessoal tenho a melhor relação com o advogado em causa, pessoa de fino trato e com o qual sempre verifiquei existir respeito mútuo. A questão, porém, não é essa, simplesmente porque há que separar as questões de natureza pessoal e de urbanidade, com as outras de natureza exclusivamente político-partidária. 


Ora, todos sabemos que o indigitado Presidente da ALRAM faz parte de um escritório de advogados (Tranquada Gomes e Coito Pita-Sociedade de Advogados) e que nessa qualidade tem prestado serviços ao governo da Região. Eu que sou por um exigente regime de incompatibilidades, fico perplexo com esta indigitação. Para além de outras considerações, não me cheira bem, porque quando por aí se fala de "renovação", pressuponho, também, que se esteja a falar de comportamentos políticos. E neste quadro, assaltam-me várias questões entre as quais esta: será presidente a tempo inteiro, dando um importante sinal de exclusividade e de incompatibilidade no quadro da velha história de uma Assembleia que legisla de manhã para alguns beneficiarem à tarde?

quinta-feira, 9 de abril de 2015

MIGUEL ALBUQUERQUE PARECE NÃO TER MÃO ENTRE OS SEUS APOIANTES


Que eu me lembre é a primeira vez, desde 1974, inclusive no espaço nacional, que um indigitado Presidente do Governo deixa escapar, para a comunicação social, a sua equipa de governação. Que se assista a uma especulação por parte dos jornalistas tal parece-me óbvio, porém não é isso que se passa, porque os putativos secretários já aparecem a conceder entrevistas a torto e a direito. Esquisito! Nem eles têm tido tento na língua e uma reserva que só lhes ficaria bem. Apresentam-se como membros do governo, ainda com um governo em funções e ultrapassando o presidente indigitado na apresentação pública. 


Pelo que leio, a repartição dos lugares tem constituído uma dor de cabeça que nem o medicamento mais potente consegue abrandar a dor. Um exemplo: alguém vai na história que Pedro Calado (sempre ao lado de Miguel Albuquerque, até na noite eleitoral) preferiu trabalhar numa empresa privada a ser membro do governo? Esquisito! História mal contada, pressuponho.
O que leva a concluir que Miguel Albuquerque, no campo maior da política, com tantos interesses e pressões em jogo, não consegue três coisas: ter mão nos convites que endereça, ser imune aos telefonemas e exigir absoluta reserva e abstenção de qualquer comentário público antes da apresentação oficial da equipa de governo. 
Para melhor compreensão deixo aqui o link para o blogue do Jornalista Luis Calisto onde este assunto é analisado em pormenor.http://fenixdoatlantico.blogspot.pt/…/04/novo-governo_8.html
Ilustração: Politicamente, andam em "bicos de pés"

quarta-feira, 8 de abril de 2015

SAMPAIO DA NÓVOA, PRESIDENTE, OBVIAMENTE!



Essa lengalenga de, primeiro, estão as legislativas e, depois, logo se verá a candidatura às presidenciais, comigo, não encaixa. Daí que, Sampaio da Nóvoa seja o meu candidato a Belém. Terá o meu apoio, independentemente de quem vier a posicionar-se em nome do Partido Socialista. Acompanho-o desde há muito através dos seus notáveis textos sobre Educação e Ciência. 
"Abril é a nossa raiz comum", disse na intervenção que produziu no Congresso da Cidadania, Ruptura e Utopia – que decorreu nos dias 13 e 14 de Março, na Fundação Calouste Gulbenkian, numa iniciativa da Associação 25 de Abril. Posiciono-me hoje e não recuarei.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 7 de abril de 2015

TRIBUNAL CONSTITUCIONAL TEVE MEDO DO PRECEDENTE



O Tribunal Constitucional não cedeu à recontagem dos votos. Certamente que teve medo do precedente. Assim, perdeu a Democracia e ficará no ar a dúvida sobre a total transparência do acto eleitoral. Não quero com isto dizer que a vitória eleitoral não pertença ao PSD. Estou certo que com mais voto ou menos voto o PSD teria sempre maioria. Essa maioria é que poderia ser relativa de acordo com o método de Hondt. E, na dúvida, em defesa da transparência, defendi, desde início, a recontagem. Acabava-se, assim,com todas as dúvidas. Durante os próximos quatro anos, é certo e sabido que, na Assembleia Legislativa, este assunto, de forma recorrente será motivo de teatrinho político.

TOLENTINO, O AMIGO, O LUTADOR E O JORNALISTA



Quando soube da notícia senti comoção e revolta. Tolentino Nóbrega morreu. Nutria por ele, desde há muitos anos, amizade, respeito profissional enquanto distinto Colega e pela sua postura no jornalismo, carreira que abraçou com singular empenho. O Tolentino merecia viver, mas vida, aos 62 anos, parou. Nada a fazer. Somos natureza e numa inesperada esquina da vida tudo acontece em um ápice. Sinto essa revolta, porque gostava muito dele. Tolentino era um Homem de bem. Guardarei a sua memória. A toda a sua família um abraço solidário nesta difícil hora.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

NA ALEMANHA OS ALUNOS UNIVERSITÁRIOS NÃO PAGAM PROPINAS


Não foi a Chanceler Angela Merkel que disse que Portugal tinha licenciados a mais? Para além de uma grosseira mentira, aproveito para aqui deixar um texto, publicado em Outubro de 2014, da autoria de Sara Marques Correia, e que me foi remetido por um amigo do fb João Pinto: "As propinas deixaram de existir na Alemanha. Nenhuma universidade alemã vai agora cobrar taxas aos seus estudantes, incluindo os internacionais. A Alemanha decidiu acabar com as propinas em todas as universidades. A maioria das instituições do país já não cobrava este tipo de taxas, tendo o estado da Baixa Saxônia sido o último a adotar a gratuitidade do Ensino Superior. "Livramo-nos das propinas porque não queremos que o Ensino Superior dependa da riqueza dos pais", afirmou Gabriele Heinen-Kljajic do Partido Verde, ministra da ciência e da cultura da Baixa Saxônia. Além dos universitários alemães, os estudantes internacionais também vão ser abrangidos por esta medida. A maioria das instituições cobrava cerca de 1000 euros anuais.


Por aqui é a vergonha que se conhece. Ausência de investimento no Ensino Superior e na investigação científica e gravíssima penalização dos estudantes que têm de pagar mais de € 1000,00 por ano, fora o 2º ciclo de estudos (Mestrado) cujas propinas situam-se entre os dois e quatro mil euros. Inadmissível. O direito Constitucional à Educação é assim subvertido, o que conduz à limitação no acesso, ao abandono por razões de impossibilidade de pagamento das propinas e encargos gerais dos cursos e prejuízo na qualificação dos jovens relativamente às exigências do mundo laboral. Por extensão, desemprego jovem e emigração. Do resto cada um dos leitores que retire as suas conclusões sobre o nosso País.
Ilustração: Google Imagens.  

sábado, 4 de abril de 2015

BOA PÁSCOA



A Páscoa é muito mais que coelhinhos, amêndoas e cabrito. Transporta o significado da Ressurreição, de voltar a viver dando sentido à Palavra de Cristo. Minha mãe chamava-se Ressurreição e a curiosidade levou-me a tentar perceber o porquê de um nome não muito vulgar. Terá sido por ter nascido a 4 de Abril? Talvez. Mas, independentemente desse aspecto, gostaria tanto que "Ressurreição" correspondesse a um novo tempo de respeito e de renascimento de uma nova Humanidade. Boa Páscoa para todos quantos por aqui passarem.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

DEIXEM O EMANUEL CÂMARA ONDE ESTÁ


Há para aí quem ande a patrocinar uma candidatura de Emanuel Câmara à presidência do Partido Socialista na Madeira. Percebo o jogo de quem não tendo coragem para assumir, sugere outro, na lógica de eu não estou, mas está alguém que não me levantará problemas face aos meus desígnios. Como se o Emanuel fosse influenciável. Ora bem, deixem o Emanuel Câmara onde está. Ele que, desde 1993, numa apaixonada teimosia que durou vinte anos, soube esperar pela onda que o conduziu à presidência da Câmara do Porto Moniz. Só por isso, pela sua persistência nutro consideração e respeito político, coisa que não tenho por outros, que parece quererem oferecer-lhe um presente envenenado. 


Emanuel Câmara não voltou a cara à luta, não se escondeu, não se fez caro, não aparece apenas ao lado de figuras nacionais, não se tornou, infantilmente, "O Desejado", pelo contrário, fugiu sempre da penumbra e assumiu, com todos os riscos pessoais, uma posição clara, mesmo no tempo em que nem militante partidário era. Num concelho como o do Porto Moniz onde se ganha uma eleição por escassa diferença de votos, é de muito mau senso, quando o seu mandato ainda nem a meio vai, sugerir o seu nome para uma corrida que, estou certo, só lhe trará mais consequências negativas do que positivas. 
O momento que o Partido Socialista atravessa é muito delicado. Eu diria que é complexo face aos vícios que se instalaram. Romper com essa teia de mediocridades não se me afigura tarefa fácil. É meu entendimento que a hora é de reunir personalidades que ao longo dos anos se afastaram ou foram subtilmente afastados, mas tal só será concretizável com muito bom senso e tomada de consciência da sua importância na afirmação pública dos socialistas. Não sei se estarão dispostos, porque, entretanto, fizeram outras opções na sua vida (inclusive, político-partidárias), gente magoada, facto que remete para uma posição de enorme responsabilidade. Sair de uma situação que gerou sofrimento para muitos, para uma sociedade em sofrimento e que deseja uma alternativa consistente, para se meter numa outra que não seja portadora de futuro, como se o PS fosse um partido marginal e sem vocação de poder, um clube de bairro, parece-me constituir uma inexplicável imprudência.
A liderança de um partido com a história do Partido Socialista na sociedade portuguesa não é para qualquer um. Existem três pressupostos fundamentais: credibilidade técnica, política e notoriedade social. Há quem não goste que assim seja, mas é a realidade. De resto, o PS não pode ser um ninho de interesses pessoais, gerido com amadorismo e por pessoas que a população não lhes reconhece confiança. E quanto àquele(s) que funciona(m) por detrás da cortina, que nunca se assume(m), esse(s) que o diga(m), claramente, não contem comigo, nem directa nem indirectamente. Nem aqui nem no plano nacional. Por isso, desampare(m) a loja.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

MINISTRO MIGUEL POIARES MADURO: "JÁ NÃO ESTAMOS EM AUSTERIDADE"


Só pode estar a brincar, ou melhor, a gozar com os portugueses, quando assume que "já não estamos em austeridade". A ministra das Finanças diz que Portugal "tem os cofres cheios" (de dívidas, certamente) e aquele senhor, com um desplante tal, abre a boca para sublinhar aquela enormidade. 


Mas partamos do princípio que é verdade e que nós, portugueses, ainda não nos apercebemos disso. E sendo assim, sem qualquer demagogia, libertem, então, as taxas e sobretaxas, reduzam o escandaloso IMI, baixem a pouca-vergonha do IRS, descongelem as carreiras profissionais, acertem o IVA para taxas aceitáveis, melhorem um bocadinho as miseráveis pensões e, entre tantas situações que aqui poderiam ser enquadradas, promovam o investimento público gerador de emprego e, consequentemente, a baixa dos vergonhosos níveis de desemprego e pobreza. 
Há declarações que, julgo eu, não são pensadas, isto é, são muito pouco "maduras". Eu sei que vivemos em um País onde crescem as fortunas, mas onde os pobres aumentam por todo o lado. Só se o ministro está a falar para os primeiros, porque aos segundos resta-lhes aguardar à porta dos centros de emprego ou emigrarem.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

LEVIANDADE


Um colega da escola onde exerci a docência, um dia contou-me que um aluno com um teste de avaliação de conhecimentos muito fraco disse-lhe: "professor, errar é humano", ao que esse meu colega lhe respondeu: "mas estás a ser muito humano, não achas?". 


Vem isto a propósito da baralhada da assembleia de apuramento geral dos resultados do recente acto eleitoral. Foi atribuído o 47º deputado à CDU, publicada a respectiva acta, para logo depois ser corrigida porque quem introduziu os resultados esqueceu-se de adicionar os do Porto Santo,dizem. No meio disto, produziram-se declarações, textos (eu próprio deixei um na minha página de FB) felicitações ao povo da Madeira, abraços, enfim, momentos de contentamento, ao lado de outros de tristeza por perda da maioria absoluta. É evidente que errar é humano, mas tal como aquele aluno, a Comissão Nacional de Eleições dir-se-á que foi humana demais. Não se pode ser tão leviano no que se publica, sobretudo pelos efeitos que provocam e pelo sentimento que fica de falta de transparência.
Ilustração: Google Imagens