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terça-feira, 14 de maio de 2013

UM PRESIDENTE À MARGEM DOS INTERESSES DOS PORTUGUESES


Numa altura em que assistimos, indefesos, a uma barbárie anti-social, quando aumenta a tensão e as críticas ao governo de coligação PSD/CDS, quando a aldrabice política existe, quando o desemprego atinge valores extremamente preocupantes, quando a fome alastra, quando a emigração dispara, quando os reformados e pensionistas sofrem penalizações que colocam em causa a confiança dos contratos estabelecidos com o Estado, quando se assiste a uma doentia perseguição aos funcionários públicos, quando, ainda hoje, na União Europeia, os ministros das finanças (Ecofin) vão discutir uma proposta sobre a possibilidade de os depositantes com mais de 100 mil euros assumirem parte das perdas dos bancos, o presidente, pasme-se, convoca o Conselho de Estado não para debater o presente estado do País, mas o futuro de Portugal, tendo como ordem de trabalhos as "perspectivas da economia portuguesa no pós-troika, no quadro de uma União Económica e Monetária efectiva e aprofundada". Apetece segredar-lhe ao ouvido um palavrão que certamente os leitores adivinharão.


Nunca mais se vai embora...
O Presidente da República Portuguesa só pode estar a brincar com o povo ou, então, anda a ludibriá-lo em função dos seus posicionamentos ideológicos. Ele que jurou cumprir a Constituição e ser o presidente de todos os portugueses, sucessivamente, tem vindo a demonstrar que, Portugal, num momento que mais precisava de uma figura independente, atenta e vigorosa, confronta-se com um político frágil e politicamente oco. Dele apenas fica a repetitiva mensagem de efeito nulo: depois, não digam que eu não avisei! 
Ora, o País não precisa de quem avise, ainda por cima sobre assuntos que os atentos dominam, mas de quem tome atitudes no quadro da Constituição da República. É um tipo de político irritante, que existe e não existe, que prefere olhar para o lado, dizer palavras de circunstância com um ar circunspecto, fugindo aos assuntos de primeira linha que tanto preocupam os portugueses. Tanto assim é que jornalistas, comentadores, políticos e as pessoas na rua olham-no com distanciamento e, por isso mesmo, os seus índices de popularidade andam significativamente negativos.
Numa altura em que assistimos, indefesos, a uma barbárie anti-social, quando aumenta a tensão a as críticas ao governo de coligação PSD/CDS, quando a aldrabice política existe, quando o desemprego atinge valores extremamente preocupantes, quando a fome alastra, quando a emigração dispara, quando os reformados e pensionistas sofrem penalizações que colocam em causa a confiança dos contratos estabelecidos com o Estado, quando se assiste a uma doentia perseguição aos funcionários públicos, quando, ainda hoje, na União Europeia, os ministros das finanças (Ecofin) vão discutir uma proposta sobre a possibilidade de os depositantes com mais de 100 mil euros assumirem parte das perdas dos bancos, o presidente, pasme-se, convoca o Conselho de Estado não para debater o presente estado do País, mas o futuro de Portugal, tendo como ordem de trabalhos as "perspectivas da economia portuguesa no pós-troika, no quadro de uma União Económica e Monetária efectiva e aprofundada". Apetece segredar-lhe ao ouvido um palavrão que certamente os leitores adivinharão.

Já não é apenas o governo que está em causa, é o próprio Presidente da República que faz coro pela desgraça do Povo Português. O pesadelo parece não ter fim. Em Junho de 2011, após as eleições legislativas nacionais, escrevi: "(...) Talvez a maquinação gerada lhes rebente nas mãos, mais cedo que tarde. Porque há um aspecto face ao qual não me subsistem dúvidas, aliás, pelos exemplos de outros países: a direita privatiza tudo, inclusive, os sectores que devem estar sob o controlo do Estado. Privatiza a Educação, a Saúde, reduz o apoio social e empurra para as seguradoras e para outros sistemas os direitos que se enquadram, por exemplo, na aposentação. A direita ultraliberal é capaz de bater no peito e "comungar" aos domingos, mas odeia o "cheiro a pobre". Dirão alguns, que exagero! Não, não se trata de exagero, com o respeito que tenho por figuras do centro-direita, com quem tenho relações de amizade, em abstracto, a leitura que tenho do mundo, do que leio e do que ouço, da compaginação de vários analistas e de autores insuspeitos, a direita é o fulcro de uma continuada "barbárie anti-social", onde se assiste ao esmagamento dos que menos têm para que alguns continuem a alimentar uma riqueza, muitas vezes obscena (...)". E perante o quadro previsível, o Presidente reúne o Conselho de Estado para discutir um assunto que não está na ordem do dia das preocupações dos portugueses. Que tristeza de Presidente!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

QUEM IMPÔS O MEDO QUE SE AGUENTE COM ELE!


Agora, com a corda das dívidas ao pescoço, com a Autonomia vendida a pataco, com o livro de cheques nas mãos do ministro das Finanças, quer que os madeirenses de rebelem contra a República. É tarde, porque o medo que criou na Madeira impede qualquer vontade própria de responsabilizar outros pelo desastre regional. Até porque, aos poucos, os olhos estão a abrir-se, a verdade descoberta e o feitiço está a voltar-se contra o feiticeiro.

Há momentos que melhor é ficar de boca fechada!

Assumiu o presidente do governo regional da Madeira: "A Madeira leva por tabela enquanto muito madeirense for-se agachando. Porque enquanto houver algumas pessoas com medo não se pode dar passos decisivos". 
Publicamente, nunca o presidente terá dito verdade tão certeira. Num alvo de dez círculos a seta espetou-se bem no centro, no dez. Pode ele dizer que a declaração se destinou aos confrades da República, mas para quem está no poder há 36 anos, como há dias salientou o Deputado Hélder Spínola (PND), "poder há tanto tempo que ainda o Elvis Presley cantava, Cristiano Ronaldo e Messi ainda estavam longe de nascer, Eusébio ainda jogava e Manuel de Oliveira era ainda um jovem de 70 anos", evidentemente que aquele tiro provoca um ricochete de morte. Simplesmente porque ele é presidente do governo, teve e tem total responsabilidade política pelo desastre económico, financeiro, social e cultural a que a Madeira chegou. A dupla austeridade (tripla no Porto Santo), 20% de desemprego e a pobreza em crescendo têm o selo de quem governa. Porque não soube diversificar a economia e não soube criar os pressupostos geradores de desenvolvimento e bem-estar. Para além disso, ele sabe do que fala, uma vez que que o sistema que, paulatinamente, criou na Madeira, conduziu a população ao silêncio político, à resignação política no que concerne ao seu próprio governo. Quantas vozes foram silenciadas, quantos preferiram afastar-se para não terem chatices e quantos seguiram o caminho do "chefe" engolindo e digerindo o que se a sua consciência de raiz ditava! Quantos?
Agora, com a corda das dívidas ao pescoço, com a Autonomia vendida a pataco, com o livro de cheques nas mãos do ministro das Finanças, quer que os madeirenses se rebelem contra a República. É tarde, porque o medo que criou na Madeira impede qualquer vontade própria de responsabilizar outros pelo desastre regional. Até porque, aos poucos, na Madeira, os olhos estão a abrir-se, a verdade descoberta e o feitiço está a voltar-se contra o feiticeiro.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 12 de maio de 2013

OS DESPEDIMENTOS NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS E O SILÊNCIO CÚMPLICE DA DIOCESE


No meio desta cena, por vezes obscena, que tem ajudado a delapidar os cofres públicos, já lá foram nos últimos 20 anos, cerca de 51 milhões de euros, fora um passivo de mais de 30 milhões de euros. Enquanto uns, diariamente, têm de dar à sola para conseguir os meios necessários à sobrevivência no difícil e complexo mercado da comunicação social, o JM, com a bênção do Senhor D. António Carrilho, vive de um cheque mensal subtraído dos nossos impostos. E com uma incomensurável lata, o Estatuto Editorial do JM, aprovado pela Diocese, sublinha: "O JORNAL DA MADEIRA é um Diário de perspectiva cristã aberta a um são pluralismo ideológico, na fidelidade ao Evangelho e no amor da Verdade, visando a formação humana plena, que desperte os Homens para as suas responsabilidades e para a sua participação na construção do mundo contemporâneo, pelo que não está enfeudado a qualquer partido político, antes desenvolvendo uma visão crítica das realidades". A mesma Diocese que defende esta grosseira mentira e que assiste impávida e serena ao esvair de dinheiros públicos, volta-e-meia lá vem com o discurso da caridade, da esperança e do amor ao próximo. Incompreensível? Não, penso que não. Lá diz o Povo que uma mão lava a outra e as duas a cara. (parte de um texto já publicado e que pode ser lido aqui)


Lamento, profundamente, o despedimento de tantos e bons profissionais que, directa ou indirectamente, estão ligados ao DIÁRIO. Lamento porque são mais quase três dezenas que, num mercado de poucas ou nenhumas alternativas, têm sobejas razões para olhar o futuro com uma grande preocupação. E tudo porquê? Porque não há ninguém que ponha um travão nesta pouca-vergonha regional, onde dos impostos de todos os madeirenses, um governo dá-se ao luxo de ter um jornal para a sua própria promoção. Nos últimos vinte anos, no JM, caíram 51 milhões de euros. Todos os cidadãos trabalhadores, mesmo sem o desejarem, são contribuintes de um jornal que não respeita as leis do mercado. Nada tenho contra o Jornal da Madeira enquanto órgão de comunicação social que segue uma linha ideológica que não se coaduna com a minha. Tenho sim contra um jornal, pago por nós, para propaganda do poder dominante. O problema reside aqui. Que o jornal exista, sob a responsabilidade editorial da Diocese ou de um qualquer privado que nele queira investir, a mim não me afecta e, certamente, não afectará seja lá quem for. Simplesmente terá de respeitar as leis do mercado concorrencial. 
O problema é que o Senhor Bispo do Funchal, responsável pelo Estatuto Editorial, mantém um silêncio cúmplice; o problema é que desde a União Europeia à Assembleia da República, passando pela Assembleia da Madeira (obviamente) e todas as instituições que têm a responsabilidade de zelar pelos interesses de uma comunicação social regulada e concorrencial, todos elaboram relatórios interessantes, todavia, de resultado zero! O problema é que o Representante da República perante isto considera que existe normalidade democrática na Madeira; o problema é que somos sócios do JM, do futebol profissional e de tanta outra coisa e ninguém se mexe para exigir o cumprimento das mais elementares normas do mercado. Até porque, nós, contribuintes, num quadro de desemprego e fome, vemos, todos os dias, em média, o JM receber mais de € 10.000,00. É isto que está na origem dos despedimentos no DIÁRIO. Mas também é isto que em próximas eleições terá de ser julgado. Espero bem que sim.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 11 de maio de 2013

PAULO CAFÔFO NA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA


Ontem, nas ruas do Funchal, em contactos com a população, sobretudo com os empresários que vivem momentos de grande aflição. Trata-se de uma candidatura independente e de cidadania, apoiada por seis partidos políticos. Depois de 37 anos de poder do PSD-M é tempo de mudar. Chega das mesmas caras e dos mesmos políticos. Chega de pessoas que, politicamente, estão com um pé num lado e com um pé no outro. O Funchal precisa de alguém que olhe pelos empresários, pelo desemprego e pela pobreza. O Dr. Paulo Cafôfo, na minha opinião, é a voz da esperança. Tudo o resto é vira o disco e toca o mesmo.

CACETADA EM CIMA DE CACETADA


Um governo que não respeita os contratos estabelecidos com os cidadãos não merece ser respeitado. Não há nada, rigorosamente nada, que justifique o saque que, novamente, se preparam para fazer junto dos aposentados da função pública. Ao longo de quarenta ou mais anos foram os sucessivos governos que definiram os impostos e outras contribuições obrigatórias, sem quaisquer hipóteses dos cidadãos reclamarem fosse o que fosse. Têm de descontar e ponto final. Descontaram no pressuposto que, mais tarde, seriam reembolsados segundo um cálculo concordante com os valores entregues. O Estado foi, assim, fiel depositário de um dinheiro que não lhe pertence. O dinheiro entregue pertence aos trabalhadores. Quando a devolução é penalizada, eu diria, sucessivamente penalizada, o governo que tem a responsabilidade de garantir os contratos celebrados, comporta-se como uma máfia às ordens de um "padrinho" que vive em outras paragens. 

Todos de pontaria afinada contra o Povo. 
E foi este Senhor que disse 
que o valor da sua aposentação
não lhe chegava. Imagine-se os outros!


Penso não existir outra leitura possível por maior que seja a bondade da população aposentada. O que já foi perpetrado e o que dizem vir a caminho, sugere que se aplique uma única palavra: ladroagem. Podem os mentores deste empobrecimento forçado não gostar, mas não há outra palavra que caracterize a actual situação. O que dizer, por exemplo, da retroactividade de uma medida que está a ser preparada? Ontem, na Assembleia da República, no decorrer do debate quinzenal, o Primeiro-ministro foi questionado três vezes por António José Seguro (PS) sobre como se iria processar a convergência nas pensões: se se aplicava apenas aos novos pensionistas, ou se seria retroactiva. Passos Coelho confirmou que se aplicaria às pensões que têm uma fórmula de cálculo mais favorável até 2005. Isto é, todos serão, uma vez mais, espoliados. Os que se aposentaram depois de 2005 já levam 10% à cabeça, agora, chegou a vez dos que estão para trás. Obviamente, fora o agravamento do ADSE e de outros subsistemas de saúde, o agravamento geral das tabelas de IRS, respectiva sobretaxa e que incidem sobre o subsídio de Natal, a contribuição extraordinária de solidariedade que também se aplica ao subsídio de Natal. Para não falar dos congelamentos nas carreiras. Todos contra os funcionários públicos.  É cacetada em cima de cacetada, numa pouca-vergonha nunca vista. Ainda ontem, o jornalista Luís Delgado, na SIC, dizia que isto mais parece uma "aldeia de bandoleiros".
A antiga ministra das Finanças, Drª Manuela Ferreira Leite (PSD), perante aquela intenção contra os pensionistas, assumiu que o governo trata-os de forma "cruel" e "desumana". E disse mais: se as medidas que afectam os pensionistas avançarem "cai o Governo de certeza absoluta", pois o "ministro Paulo Portas não tem outra solução na vida", acusando o líder do CDS de recusar a taxa sobre as pensões mas não o corte retroactivo nas pensões, que pode em média ascender a 10% (...) "se assim for, o ministro Paulo Portas não tem outra opção senão ir embora e há uma crise política" (...) "há uma quebra de confiança fatal entre os cidadãos e o governo e há obviamente uma violação de um contrato". Não é a oposição que o afirma, mas uma militante do PSD e ex-ministra das Finanças.
Mas há mais: como entender esta vaga de informações contraditórias relativamente à hipótese (não tão remota quanto isso) de penalização a todos quantos tenham em depósito mais de € 100.000,00? Uns dizem que a situação verificada no Chipre é irrepetível; outros, não descartam essa hipótese. Façamos contas: cem mil euros corresponde a uma poupança mensal de cerca de € 208,00, ou equivalente, ao longo de 40 anos de trabalho. Média que não tem em conta a respectiva capitalização. Sobre tais montantes os depositantes pagaram impostos sobre os juros e os bancos geraram as suas aplicações e lucros. Por outro lado, quem não teve essa possibilidade de poupança, mas que recebeu uma qualquer herança, foi sujeita, obviamente, a encargos que o Estado se encarregou de liquidar. Haverá alguma legitimidade para sacar aos depositantes que, de boa-fé, entregaram o dinheiro ao banco, uma percentagem sobre os valores em depósito? Mas o que é isto? Que ladroagem esta? Que gente indigna nos governa que não olha a meios para atingir os seus fins?
E o Presidente da República, perante isto, continua a dizer que não se afastará "um milímetro" dos interesses de Portugal. Mas quais interesses, quando o que se vê é falências, desemprego, pobreza e economia paralela em crescimento?
NOTA:
O partido liderado por António José Seguro arrecada 36% das intenções de voto numa sondagem realizada de 2 a 8 de Maio, de acordo com o “Expresso”, depois de Passos Coelho anunciar um aumento das horas de trabalho na função pública, a intenção de rescindir com 30 mil funcionários públicos, de ter admitido criar uma nova taxa sobre os pensionistas e de ter anunciado que, a partir do próximo ano, quem se reformar só terá direito à pensão completa aos 66 anos. O PS consegue, desta forma, conquistar intenções de voto que superam o conjunto conseguido por PSD e CDS (34,3%). O partido de Passos Coelho obtém 25,9% das intenções de voto, enquanto o partido de Paulo Portas se fica pelos 8,4%, sendo a força política com menor expressão. A CDU – coligação do PCP com Os Verdes – consegue 12,1% dos votos e o Bloco de Esquerda 8,8%. Desta forma os dois partidos de esquerda arrecadam mais de 20% em conjunto. (Jornal de Negócios)
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A MEMÓRIA DOS HOMENS É CURTA OU COMO ESTAMOS A SER ENGOLIDOS!


Quando a Alemanha estava endividada, o acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento. O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substancial da dívida; 2. Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo; 3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor. Mais: o pagamento devido em cada ano não pôde exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos.



Marcos Romão, jornalista e sociólogo, publicou a 27 de Fevereiro de 2013, um texto que um Amigo meu me enviou e que hoje aqui transcrevo. Aqui fica, porque devemos um olhar sobre a História.
"Faz hoje 60 anos - Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs. Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.
O Acordo de Londres de 1953 sobre a dívida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida. A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra. Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (entre os países que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.
O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.
O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substancial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da dívida para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida não poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %. A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.
Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos países endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.
Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. O que, "trocado por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de divisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.
EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem. Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais!"
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

RESERVA MUNDIAL DE SURF


As políticas dirigidas para o aproveitamento do mar, enquanto oportunidade de grande riqueza educativa e económica, foram, claramente, secundarizadas. Aliás, a dez minutos da serra e a dez minutos do mar, quer o mar quer o desporto na floresta nunca beneficiaram de uma estratégia definida com olhares portadores de futuro. O governo regional esteve sempre mais preocupado com as infraestruturas em terra (muito cimento) do que com a utilização de "instalações" de ar livre e sem encargos de manutenção. Construíram ou melhoraram, julgo que 37 campos de futebol, piscinas por todo o lado, muitas que não funcionam, milhares de metros quadrados de pavilhões e polidesportivos cuja utilização é, claramente, desproporcional às necessidades de um crescimento e desenvolvimento sustentáveis. O mar e os clubes que a ele se vincularam foram sempre tolerados. Tiveram as migalhas quando deveriam ter beneficiado de uma aposta fundamental. Mas outra coisa não seria de esperar. O próprio presidente do governo regional, no decorrer da inauguração de uma piscina, disse que exigia presença olímpica na natação, face ao mar que nós dispúnhamos. Uma posição que revela bem o desconhecimento e a confusão do que é uma coisa e outra, do que devem ser as políticas para uma e outra área.


Não vou abordar a questão, se a Madeira pode ou não vir a ser a dita "reserva mundial de surf". Nada sei daquela modalidade e muito menos de ondas! Tenho apenas consciência do que assumem os praticantes de surf que, dizem, algumas obras terão matado "a galinha dos ovos de ouro". Agora, há dois aspectos que domino em toda a sua extensão: primeiro, as potencialidades do mar no quadro do desenvolvimento do desporto; segundo, qual tem sido, desde sempre, a política deste governo regional relativamente ao mar. Isso eu sei porque está documentado em opções e números. 
O mar, ao contrário do governo, sempre foi considerado a principal instalação desportiva da região. Em 1977, estive integrado numa equipa de trabalho que organizou o então designado "Encontro Regional de Educação Física e Desporto" (EREFD). Nas conclusões, página 14, podemos ler um texto sobre "Turismo e intercâmbios desportivos", onde são referidas preocupações com "as actividades de mar" que incluía o "lançamento da organização de competições de carácter internacional, do tipo semana ou quinzena da vela (...)". Esta medida tem 36 anos. A partir daí, com inteligência e decisões consistentes, muito deveria ter sido  concretizado. Apesar da preocupação então enunciada por muitos que estavam ligados, directa ou indirectamente, ao sector do turismo, a realidade é que o mar nunca constituiu uma preocupação, não apenas no plano do desenvolvimento do desporto educativo e de lazer interno, mas também no quadro da oferta no âmbito do turismo. As políticas dirigidas para o aproveitamento do mar, enquanto oportunidade de grande riqueza educativa e económica, foram, claramente, secundarizadas. Aliás, a dez minutos da serra e a dez minutos do mar, quer o mar quer o desporto na floresta nunca beneficiaram de uma estratégia definida com olhares portadores de futuro. O governo regional esteve sempre mais preocupado com as infraestruturas em terra (muito cimento) do que com a utilização de "instalações" de ar livre e sem encargos de manutenção. Construíram ou melhoraram, julgo que 37 campos de futebol (um campo por cada sete mil habitantes), piscinas por todo o lado, muitas que não funcionam, milhares de metros quadrados de pavilhões e polidesportivos cuja utilização é, claramente, desproporcional às necessidades de um crescimento e desenvolvimento sustentáveis. O mar e os clubes que a ele se vincularam foram sempre tolerados. Tiveram as migalhas quando deveriam ter beneficiado de uma aposta fundamental. Mas outra coisa não seria de esperar. O próprio presidente do governo regional, no decorrer da inauguração de uma piscina, disse que exigia presença olímpica na natação, face ao mar que nós dispúnhamos. Uma posição que revela bem o desconhecimento e a confusão do que é uma coisa e outra, do que devem ser as políticas para uma e outra área.
Ora, quando surge o secretário do Ambiente e dos Recursos Naturais, Dr. Manuel António, de forma descontextualizada e politicamente oportunista falar de uma "reserva mundial de surf", parece-me óbvio que existe aqui qualquer coisa que volta a não bater certo. Não foi a Direcção Regional do Desporto, articulada com as secretarias da Educação e a do Turismo, através de um estudo global para o desporto que a Madeira quer e, especificamente, para o mar que está aí à nossa frente, mas a secretaria do Ambiente e dos Recursos Naturais que anuncia, pomposamente, tal iniciativa. Isto denuncia a não existência de um plano estratégico e, portanto, assenta num discurso que reflecte mais uma medida avulsa. Quando a região não tem sabido aproveitar, entre outros) o nome de referência mundial, falo do Engº João Rodrigues, detentor de seis ciclos olímpicos, para ter as baías da região da Madeira cheias de velas e de outras actividades que o mar pode proporcionar, vem o secretário dos "senhores agricultores" falar de uma "reserva mundial de surf". Poupe-nos e organizem-se!
Ilustração: Google Imagens.

O SEQUESTRO DA TROIKA - O DEDO NA FERIDA, SEGUNDO O DR. PAULO MORAIS

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A FALÊNCIA DA MADEIRA E OS ANJINHOS!


É "urgente trilhar outro caminho, enquanto é tempo". Mas qual caminho? Estará a ver-se ao espelho? Estará a fazer uma acto de contrição pelas asneiras políticas cometidas ao longo de todos estes anos de governo absoluto? Então para que serve a existência de um governo regional? Então para que serve a estrutura institucional de um país aqui metido? Não temos uma Assembleia da República, mas temos um parlamento regional; não temos um primeiro-ministro, mas temos um presidente do governo; não temos ministros, mas temos secretários regionais; não temos secretários de estado, mas temos directores regionais; não temos direcções gerais, mas temos presidentes de institutos, de sociedades de desenvolvimento, gente e mais gente em tantos e tantos lugares, porventura, uma grande parte dispensáveis. Para que serviu e serve tudo isto? Apenas para dar lugar aos amigos da corte, perpetuarem-se no poder ou o objectivo da Autonomia visava colocar "a população e o seu bem-estar no centro da sua finalidade"?. E a pergunta que agora se deve colocar é tão somente esta: e por que não ficou, depois de um gigantesco fluxo financeiro através das dotações financeiras europeias e nacionais? Por que não resultou em bem-estar? Oh senhor secretário, poupe-nos. É seu dever político assumir a falência da Madeira por culpas próprias do governo a que pertence. E se não está disposto a esse acto de humildade política, só tem um caminho, sair! Essa história de "empurrar com a barriga", de nunca assumir responsabilidades, de partir do princípio que tudo o que está bem feito fomos nós que fizemos e tudo o que de errado foi realizado é dos outros a culpa, é paleio que só pode convencer os incautos. E fica mal a um governante, sobretudo aos governantes que escondem dívidas, os governantes que, na Assembleia, mascaram a realidade e que prometem e não cumprem. 

Nenhum tem responsabilidades
sobre o drama que se abateu
sobre os madeirenses e portosantenses.
"(...) É urgente trilhar outro caminho, enquanto é tempo" (...) porque "qualquer política só é acertada quando coloca a população e o seu bem-estar no centro da sua finalidade" - disse, na Ribeira Brava, o Dr. Ventura Garcês, secretário Regional do Plano e Finanças. É evidente que já não dá para uma gargalhada, sobretudo porque a situação é demasiado séria e complexa. Por outro lado, já nem chega a irritar, isto é, chatear, porque esta gente habituou-se a se comportar daquela maneira, a jogar, permanentemente, poeira para os olhos das pessoas, escudando-se numa forma de fazer política que prima pela não assumpção de responsabilidades. Sacodem do capote as obrigações que derivam do facto de pertencerem a um governo de uma região inicialmente com estatuto político-administrativo próprio, com autonomia (onde ela vai), com uma Assembleia, com um governo e com um orçamento próprio. Tudo desbarataram, geraram uma dívida que todos conhecem e que, presumo, muito dificilmente poderá ser paga, subordinaram um povo inteiro a uma penosa dupla austeridade, e este secretário, tal como os outros, vem dizer que é "urgente trilhar outro caminho, enquanto é tempo". Mas qual caminho? Estará a ver-se ao espelho? Estará a fazer uma acto de contrição pelas asneiras políticas cometidas ao longo de todos estes anos de governo absoluto? Então para que serve a existência de um governo regional? Então para que serve a estrutura institucional de um país aqui metido? Não temos uma Assembleia da República, mas temos um parlamento regional; não temos um primeiro-ministro, mas temos um presidente do governo; não temos ministros, mas temos secretários regionais; não temos secretários de estado, mas temos directores regionais; não temos direcções gerais, mas temos presidentes de institutos, de sociedades de desenvolvimento, gente e mais gente em tantos e tantos lugares, porventura, uma grande parte dispensáveis. Para que serviu e serve tudo isto? Apenas para dar lugar aos amigos da corte, perpetuarem-se no poder ou o objectivo da Autonomia visava colocar "a população e o seu bem-estar no centro da sua finalidade"?. E a pergunta que agora se deve colocar é tão somente esta: e por que não ficou, depois de um gigantesco fluxo financeiro através das dotações financeiras europeias e nacionais? Por que não resultou em bem-estar? Oh senhor secretário, poupe-nos. É seu dever político assumir a falência da Madeira por culpas próprias do governo a que pertence. E se não está disposto a esse acto de humildade política, só tem um caminho, sair! Essa história de "empurrar com a barriga", de nunca assumir responsabilidades, de partir do princípio que tudo o que está bem feito fomos nós que fizemos e tudo o que de errado foi realizado é dos outros a culpa, é paleio que só pode convencer os incautos. E fica mal a um governante, sobretudo aos governantes que escondem dívidas, os governantes que, na Assembleia, mascaram a realidade e que prometem e não cumprem. 
Mas regresso à frase politicamente chocante: "qualquer política só é acertada quando coloca a população e o seu bem-estar no centro da sua finalidade". Este secretário já se esqueceu de quantas propostas foram apresentadas na Assembleia no sentido de ir ao encontro das pessoas mais vulneráveis? Esqueceu-se que houve propostas para que, do orçamento regional, os idosos pudessem dispor de um complemento de € 50,00/60,00? E das propostas para um apoio para os medicamentos da população mais idosa e com pensões extremamente baixas? E das propostas chumbadas pelo PSD no sentido da criação de novos paradigmas de crescimento económico geradores de postos de trabalho? Esquece-se, propositadamente, de todas as leviandades em obras megalómanas e sem sentido que conduziram a que hoje o dinheiro falte para aquilo que é mais premente. E com carinhas de anjo aparecem aos olhos dos cidadãos com um discurso imaculado, com asinhas brancas e auréola sobre a cabeça, dizendo que os outros, sempre os outros, é que têm de mudar de vida, enquanto é tempo! Pessoas que nunca souberam mudar, que aplicaram sempre a mesma receita, que viveram, estes sim, sempre acima das possibilidades da Região, que fizeram deste povo gente sofredora e sem esperança, tentam, em derradeiro tempo, forçar a manutenção do seu poder. É tarde. Ficam na História como os que faliram a Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 7 de maio de 2013

OS EXAMES QUE NUNCA DEVERIAM SER REALIZADOS


"(...) Permita que faça minhas as suas palavras e grandes verdades! Sou professora do 1º ciclo. Leciono uma turma de pequenos pensadores, grandes futuros sábios, que sempre incitei à reflexão, ao questionamento, à procura de respostas através da pesquisa autónoma. Através das perguntas dos meus Pestinhas, toda a turma aprendeu algo. Será que vão expressar nestes exames toda a aprendizagem significativa que foram abarcando no seu conhecimento? Não sei. E, se quer saber, não sei nem me interessa. Apenas me interessa o percurso de quatro anos recheado de momentos únicos e inesquecíveis! Acredito que, um dia, eles recordarão mais facilmente uma ou outra aula, um ou outro momento vivido nas quatro paredes da sala 9 ou na horta pedagógica ou nas brincadeiras do recreio, do que recordarão estas últimas aulas CHATAS, MONÓTONAS, bombardeadas de modelos de provas de exame! Bem haja pela partilha de seus pensamentos!" Rosa Santos


No dia 1 de Maio publiquei, no DN-Madeira, a minha opinião sobre os exames de 1º ciclo que, hoje, se iniciam. Exames que constituem um retrocesso de 40 anos na política educativa. Dirão algumas pessoas, pois, por eles passei e não me fizeram mal algum. Esquecem-se, porém, que aquela população que alguns outros dizem ser a mais bem preparada que alguma vez Portugal teve, não passou pelo crivo dos exames, mas da avaliação continua. O problema, portanto, não está no regresso ao passado, mas na correcção do do que a experiência foi ditando, nos planos da organização geral do sistema que implica, naturalmente, a reorganização do pensamento organizacional das escolas, a autonomia das mesmas, os currículos e os  programas. Fixar-se no exame como a mezinha que ditará rigor e, sobretudo, conhecimento é de uma atroz fragilidade conceptual. Aliás, depois de dois anos de governo e de meses sentado no "Plano Inclinado" da SIC, o actual ministro da Educação tem provado pouco saber de Educação. Pode ser, e acredito que o seja, um excelente conhecedor da Matemática, mas de política educativa, eu diria que o que demonstrou não chega sequer para ir à oral! Muito fraco, extremamente fraco. O Professor Sérgio Niza que ainda recentemente esteve na Madeira, disse à Página da Educação, edição de Outono de 2012, que "o ministério da Educação é de uma ignorância que faz medo". Concordo, totalmente, não apenas pelo essencial daquela declaração, mas sobretudo quando se cruzam as preocupações do ministro com tantos investigadores e professores que, para além da formação inicial, revelam a experiência acumulada da sua prática pedagógica. 

O Doutor Nuno Crato é um atrevido em matéria de política educativa. Para além do erro grosseiro que constituem estes exames de 1º ciclo, junta-se um outro, o problema financeiro. Nuno Crato deveria explicar ao povo português quanto custa ao Estado estes exames? Até agentes de polícia estão mobilizados para a entrega, escola a escola, em todo o país, momentos antes dos exames, os sobrescritos que contêm os mesmos. As provas só podem ser "vigiadas" por professores que não sejam do 1.º ciclo, o que obrigará à deslocação de cerca de 100 mil alunos. É a paranóia total, consequência da ignorância total! E nós pagamos isto, em nome de quê?


Ao que então escrevi, vários professores e anónimos comentaram o texto e concederam-me a alegria de que não estou só nesta luta. Há muitos professores a pensarem o mesmo, há muitos professores, com toda a certeza, centenas que aguardam o dia de poderem ser verdadeiramente professores. Por enquanto, vão desempenhando o melhor que podem e de acordo com um sistema hierarquizado e vertical. Não podem ir muito longe, isto é, não podem aplicar nem o que aprenderam, nem o produto de uma atitude reflexiva, tampouco o que vão complementando através do estudo permanente. Sentem-se espartilhados e ameaçados. 
Deixo aqui algumas importantes passagens dos vários comentadores ao meu artigo de opinião:
Luís Gonçalves - (...) temos de realçar o verdadeiro objectivo do ministério: AVALIAR PROFESSORES! Esta é a verdadeira obsessão de "Crato e Companhia"! Todos os meios são válidos para avaliar os docentes, nem que para isso seja necessário enfiar os alunos nos "tubos de ensaio". Já agora, aproveito para uma 1ª avaliação da logística montada em torno das provas, numa escala de 0 a 20, nota 5. A falta de planeamento, de rigor e de clarividência é tão óbvia que mais parece estar a ser feita por amadores! Onde está a legitimidade e o exemplo para avaliar os outros?
Apertaocinto - (...) isto mais não parece do que um regresso ao passado, a um passado "Huxleyiano" onde "O seu admirável mundo novo" ganhava forma. Aquilo que então este mestre da escrita previa, acontece agora em Portugal, trazido pelos nossos iluminados governantes, querendo criar elites - os alunos que aguentam a pressão e esforço exigidos sem nexo nestes exames - e os escravos sociais que, por via de terem tido más notas no 1º ciclo já começam a ser rotulados como menos capazes, menos preparados e, portanto condenados aos baixos salários - outra forma de promover a escravatura. Enfim, aguentemos, pais e alunos tamanha falta de visão e preparação daqueles que deviam ser os primeiros a lutar contra este tipo de catalogação social que obscuramente se vai implementando através da escola.
Helena Camacho - (...) Infelizmente estes senhores que "mandam" da educação desconhecem o verdadeiro significado da palavra avaliar. Avalia‑se para se conhecer e só conhecendo o que o aluno sabe ou não sabe é que é possível realizar intervenções pedagógicas apropriadas, que tendam a gerar melhorias nas suas aprendizagens. Estes senhores só não dizem o que vão fazer com os resultados dos exames!
Isto está mau - (...) Como é possível que estes "indivíduos" continuem a olhar só para os seus umbigos e não ouçam, não vejam, não sintam o que se está a passar com a educação em Portugal. Que caminhos estamos a percorrer? As regras inscritas na Norma 02/2013 do Júri Nacional de Exames (JNE) parecem-me até inconstitucionais. (...) Como é possível que as notas tenham que ser publicadas antes do fim das aulas, antes do período de avaliação? 
Rosa Santos - (...) Permita que faça minhas as suas palavras e grandes verdades! Sou professora do 1º ciclo. Lecciono uma turma de pequenos pensadores, grandes futuros sábios, que sempre incitei à reflexão, ao questionamento, à procura de respostas através da pesquisa autónoma. Através das perguntas dos meus Pestinhas, toda a turma aprendeu algo. Será que vão expressar nestes exames toda a aprendizagem significativa que foram abarcando no seu conhecimento? Não sei. E, se quer saber, não sei nem me interessa. Apenas me interessa o percurso de quatro anos recheado de momentos únicos e inesquecíveis! Acredito que, um dia, eles recordarão mais facilmente uma ou outra aula, um ou outro momento vivido nas quatro paredes da sala 9 ou na horta pedagógica ou nas brincadeiras do recreio, do que recordarão estas últimas aulas CHATAS, MONÓTONAS, bombardeadas de modelos de provas de exame! Bem haja pela partilha de seus pensamentos! 
Paulo Jorge - (...) Pois é Rosita, infelizmente não és professora na escola do meu Rafa, porque não me parece que fosse esse o método de ensino utilizado com ele e, por isso, acho eu, a escola na grande parte do tempo é para ele uma grande "chachada". Se as pessoas (encarregados de educação) também não andassem na sua grande maioria obcecadas e a competir como se fossem delas os exames, eu estaria na linha da frente para que o meu filho não comparecesse nos dias 7 e 10 de Maio.
Paulo Serra - (...) Caros colegas a razão de tudo isto está bem camuflada, resume-se a atirar com "carradas" de alunos para o ensino profissionalizante, cortando-lhe desta forma a possibilidade de sonhar. É um facto e poupa dinheiro para ser esbanjado em áreas que melhor sirvam os interesses políticos. Não desanimem..."
Muito agradado, deixei também um comentário final:
A todos quantos aqui têm deixado contributos para a reflexão digo-vos que, apesar do desalento, vale a pena prosseguir, embora saibamos quão difícil é romper com a ausência de visão de futuro que os decisores políticos apresentam. O Professor Sérgio Niza assumiu, aqui, no DIÁRIO, que a Escola actual "não serve... é do tempo dos nossos avós". Na verdade, as bases conceptuais desta Escola são concordantes com a estrutura da Sociedade Industrial. E nós vivemos num outro tempo. Tive um Professor, em 1969, numa aula de Psicopedagogia, sobre a estrutura da Escola de então, disse à turma: "como pode uma escola sempre igual competir com a vida que é sempre diferente. O desencontro é inevitável". Já lá vão 44 anos e o problema continua a ser o mesmo: confrontamo-nos com a Escola dos nossos avós a competir numa sociedade da informação e da comunicação. Desde os aspectos arquitectónicos dos edifícios, ao número de alunos por escola e por turma, até à questão curricular e programática tudo tem de ser posto em causa.
A quem decide falta utopia, na expressão de E. Galeano: "a utopia está no horizonte. Dou dez passos e ele afasta-se dez passos; dou 100 passos e ele afasta-se 100 passos. Para que serve, então, a utopia? Exactamente para isso... para caminhar". Mas para caminhar em um sentido, na definição de um horizonte e na constante reformulação da ambição. Salienta a Doutora Fátima Vieira, investigadora especializada em estudos sobre a utopia: "na utopia o que fazemos? Primeiro, definimos a visão: que sociedade quero ter? que escola quero ter? o que quero ser?... Depois de definirmos essa visão, então sim, escolhemos o caminho e tapamos os buracos. Não vale a pena tapar buracos de outros caminhos". O drama é que quem decide não tem visão (não sabe que sociedade quer construir) e não escolhe um caminho (que escola quer ter), prefere andar para trás, para o tempos dos nossos avós... tapando os buracos de outros caminhos. Mas vale a pena, pelas nossas crianças, ser subversivo. Paul Ricour diz que a utopia é sempre subversiva contra o discurso ideológico dominante. A ideologia legitima, a utopia subverte. Então, por ela, vale a pena ser subversivo, mesmo quando o discurso oficial dominante nos bloqueia e sufoca. Mesmo quando despedem professores, quando nos roubam o sonho, quando desejam a precariedade, mesmo quando nos obriguem a trabalhar mais e não MELHOR. Um abraço a todos.
Finalmente, um lamento: o que anda a fazer o Secretário Regional da Educação? Qual a sua posição sobre esta matéria? Concorda? Discorda? Qual o seu posicionamento sobre a Autonomia da Região vs políticas do ministério? É do tipo "Maria vai com as outras"? E se é, que razões justificam a existência de uma Secretaria Regional?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

DESESPERO


Reduzimos o zoom e entramos na Região e pior ainda. Ninguém é responsável por nada. Ninguém assume as responsabilidades da falência de todos os sistemas. De cofre vazio, com os sistemas de saúde e de educação em polvorosa, com "paletes" de facturas por pagar, com o desemprego a níveis extremamente preocupantes, com um governo a contas com a Justiça, enfim, ninguém é responsável ou responsabilizado. Chutam para longe, para as bananeiras, enquanto passeiam por entre as flores importadas e as festas do limão bem azedo, fazendo um esforço para encher o peito de um ar político completamente poluído e que devora um povo inteiro. Vai valendo o biscate, a economia paralela, o desenrasca e a instituição de solidariedade social que mata a fome a milhares. Com esta gente, a de lá e a de cá, pergunto, que futuro? Com esta gente que denuncia falta de preparação, esgotamento, incapacidade e ausência de sentido de Estado, cada dia que se passe será de aprofundamento da crise e de evidente empobrecimento. 


Vivemos no meio da trapalhada. É sensível uma ausência de um fio condutor nas medidas. Assiste-se a um jogo de toca e foge entre os partidos da coligação. Olhamos para as figuras e nota-se a insegurança e de uns a dizerem aquilo que outros não podem assumir. Vemos, com total despudor e falta de respeito institucional, um conselheiro de Estado (Marques Mendes) anunciar a realização de um Conselho de Estado. Confrontamo-nos com um longo discurso do presidente do CDS/PP, com um pé dentro e outro fora do governo, isto é, por um lado, comungando da generalidade das medidas, por outro, chamando à atenção que continua fiel à democracia cristã, como se todos fossemos idiotas e não percebêssemos que existem ali insanáveis contradições. Vemos um ministro das Finanças dizer que "não foi eleito", o que parece legitimar as suas convicções, mesmo que todos estejamos a ver que o resultado será o do empobrecimento generalizado e de uma recuperação que levará algumas dezenas de anos. Olhamos, ouvimos e concluímos que não há memória de um primeiro-ministro tão mentiroso como o que lidera este desgraçado governo. Isto é, vivemos no meio da mentira, da aldrabice política, dos grandes interesses que se movem para além das fronteiras do País.
Reduzimos o zoom e entramos na Região da Madeira e pior ainda. Ninguém é responsável por nada. Ninguém assume as responsabilidades da falência de todos os sistemas. De cofre vazio, com os sistemas de saúde e de educação em polvorosa, com "paletes" de facturas por pagar, com o desemprego a níveis extremamente preocupantes, com um governo a contas com a Justiça, enfim, ninguém é responsável ou responsabilizado. Chutam para longe, para as bananeiras, enquanto passeiam por entre as flores importadas e as festas do limão bem azedo, fazendo um esforço para encher o peito de um ar político completamente poluído e que devora um povo inteiro. Vai valendo o biscate, a economia paralela, o desenrasca e a instituição de solidariedade social que mata a fome a milhares. Com esta gente, a de lá e a de cá, pergunto, que futuro? Com esta gente que denuncia falta de preparação, esgotamento, incapacidade e ausência de sentido de Estado, cada dia que se passe será de aprofundamento da crise e de evidente empobrecimento. 
Estamos no fim da linha da mediocridade. Atingimos o momento que se torna urgente mudar de rumo, de provocar eleições na perspectiva do debate saírem propostas sustentáveis que nos façam sair deste redemoínho que nos leva para o fundo. Nego-me a pensar que Portugal não tenha (tem, obviamente que tem) pessoas sérias, com visão política e com capacidade de enfrentar este enorme desafio de devolver a esperança a um país que destroçaram. Está nas mãos do Povo!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 5 de maio de 2013

MÃE



Não sou de comemorações circunstanciais, do dia disto e daquilo, sobretudo aqueles ligados ao interesse comercial. Mas o DIA DA MÃE  tem um peso e um significado muito especial. Por múltiplas e vastas razões que qualquer pessoa entende. Esta foto que aqui publico parece-me que diz tudo, mais do que mil palavras aqui digitasse. Mas, hoje, apetece-me acrescentar uma outra reflexão. 
Vi o "Sexta às 9" da RTP1. Assisti ao drama de uma família de nove filhos com a mãe desempregada. A dor de a todos querer chegar face às limitações impostas por esta reles gente que governa, o Mundo e o nosso País. A criança que, de sorriso nos lábios, começa por falar da mãe e dos constrangimentos do dinheiro que não chega, logo depois, em movimento lento da câmara, baixa a cabeça e por ali fica, enxugando as lágrimas que vertiam cara abaixo. Uma outra, face às graves dificuldades, quando a jornalista perguntou, "o que mais gostas na vida", ele responde: "dos meus pais" e baixa a cabeça em prolongado soluço. Interiorizando o significado das imagens, acabei na mesma situação, até porque, momentos antes, insensível à dor de milhares atirados para as margens, tinha escutado o Primeiro-Ministro, com o bastão da austeridade em punho, sem dó nem piedade, a carregar sobre as mães do nosso País. Elas que são a origem da Vida, as grandes gestoras do equilíbrio e a protecção quando tudo decorre menos bem. 
Ilustração: Google Imagens.  
NOTA:
Vale a pena ler, na edição de hoje do DN-Madeira, o artigo do Padre José Luís Rodrigues. Tem muito a ver com tudo isto: "(...) Não tenho dúvidas, que nós madeirenses somos povo simples como o que nos fala o Evangelho. Somos o povo das imensas tradições, que fazem, positivamente, a nossa cultura e que engrandecem a nossa alma. É este o povo solidário na hora da penúria e do infortúnio. O povo que sabe do quanto é difícil ganhar o pão de cada dia, que se lançou por entre vales e montes para cultivar e domar as encostas agrestes da nossa querida Madeira. O povo que inventou o «baile pesado» sinal da dureza do tempo e da vida. O povo cavador de sol a sol mesmo que a recompensa fosse paga apenas com o sustento material que precisa o estômago. Eis o povo simples da nossa terra, fácil de «escravizar» por alguns «entendidos», que hoje dizemos «espertos», porque sabiam ao que vinham, tomar o pão dos simples para enriquecerem até ficarem «podres de ricos" (...).

sábado, 4 de maio de 2013

A INTERVENÇÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO FOI PRÓPRIA DE UM POLÍTICO QUE DESPREZA O POVO QUE O ELEGEU


Fico com a sensação que seguem uma religião, ao jeito de uma seita que se imola em função de um paraíso que há-de vir! São fundamentalistas ao ponto de não conseguirem outros ouvir, tampouco interpretarem os sons que ecoam por todo o lado: os sons dos que abordam  as questões do emprego vs desemprego, as questões empresariais, as questões da pobreza, enfim, os sons da falência da sociedade. Meteram duas talas junto aos olhos, taparam os ouvidos e funcionam agarrados à sua  dogmática religião em cega obediência aos seus patriarcas. Gerem o país como se o País não fosse pessoas, fazem o trabalho sujo em nome e representação de outros de rosto escondido. Estamos entregues a indivíduos sem referências, sem princípios e sem valores. Que detestam o País onde nasceram.  Não atacam quem deviam atacar, concretamente, esses directórios europeus (e não só) que impõem os ritmos, a espoliação e a direcção a seguir, mas atacam, quase todos os dias, dez milhões de portugueses, a esmagadora maioria dos quais completamente indefesos. Há aqui qualquer coisa de sádico, de gente que adormece a pensar na maldade seguinte e acorda predisposta a gozar através da humilhação e do sofrimento sentidos pelas pessoas. Metáfora? Não sei. O que sei é que há crueldade, crueza e malvadeza nas medidas anunciadas. 



É-me muito difícil catalogar comportamentos políticos quando os mesmos entram em uma esfera de deliberado "roubo". Ouvi o Primeiro-Ministro, durante trinta minutos, e senti-me num País completamente submisso perante uma Europa sem rumo, num País onde com um estalido de dedos se rasgam os contratos com os trabalhadores e aposentados da função pública. Uma vez mais foi o seu alvo preferido, porque estão à mão dos seus desejos. Falou e, uma vez mais, tentou iludir as pessoas, com medidas que constituem falsas poupanças, que nada adiantarão se, para tal, tivermos em consideração o histórico das consequências das medidas de austeridade. Este caminho é claramente insustentável e pode abrir portas ao pedido de um segundo resgate. Apeteceu-me e apetece-me chamar todos os nomes tidos como linguagem ordinária. Não vou por aí, mas que apetece gritar bem alto, junto às orelhas de uma conhecida corja que, todos os dias, nos condena à pobreza, obviamente que me apetece. Ontem, o primeiro-ministro, em nome de um detestável governo, anunciou uma série de medidas no âmbito da sua cruzada pelo empobrecimento. Quando todos olhamos para a história recente e vemos que aquela receita não é geradora de esperança, ele e o seu gasparinho, com o silêncio cúmplice do CDS/PP e o apadrinhamento do Presidente da República, voltou a mostrar os dentes e a investir sobre a população indefesa. Fico com a sensação que ele e os outros acólitos seguem uma religião, ao jeito de uma seita que se imola em função de um paraíso que há-de vir! São fundamentalistas ao ponto de não conseguirem outros ouvir, tampouco interpretarem os sons que ecoam por todo o lado: os sons dos que abordam  as questões do emprego vs desemprego, as questões empresariais, as questões da pobreza, enfim, os sons da falência da sociedade. Meteram duas talas junto aos olhos, taparam os ouvidos e funcionam agarrados à sua  dogmática religião em cega obediência aos seus patriarcas. Gerem o país como se o País não fosse pessoas, fazem o trabalho sujo em nome e representação de outros de rosto escondido. Estamos, pois, entregues a políticos sem referências, sem princípios e sem valores. Que detestam o País onde nasceram. Não atacam quem deviam atacar, concretamente, esses directórios europeus (e não só, porque, por aqui, também os há... as PPP, por exemplo) que impõem os ritmos, a espoliação e a direcção a seguir, mas atacam, quase todos os dias, dez milhões de portugueses, a esmagadora maioria dos quais completamente indefesos. Há aqui qualquer coisa de sádico, de gente que adormece a pensar na maldade seguinte e acorda predisposta a gozar através da humilhação e do sofrimento sentidos pelas pessoas. Metáfora? Não sei. O que sei é que há crueldade, crueza e malvadeza nas medidas anunciadas. 
Nos meus silêncios e deambulações mentais chego sempre à conclusão que caminhamos para uma grave tragédia. A tragédia social, essa já existe, mas a verdadeira tragédia que me atormenta é a do conflito. Há gente desesperada, gente que tinha o suficiente para viver com dignidade e que, de um momento para o outro, alguns, perderam a empresa e tudo o que está associado, outros, a casa, o automóvel, gente que tem filhos a estudar e que não dispõe de meios para suportar os encargos, gente que não tem para colocar em cima da mesa o alimento necessário para os filhos, crianças que choram, gente, aos milhares, que anda agora de mão estendida à caridade das instituições de solidariedade social, gente, enfim, que passa mal e sofre. Um dia, em desespero, criam uma situação delicada e essa pode vir a ser o rastilho para uma incontrolada violência. É isto que os governantes querem? 
O drama maior é que não temos Presidente da República. Essa é uma figurinha decorativa, mas para a História ficará como um dos grandes responsáveis pela tragédia. Fico a aguardar pelo seu posicionamento relativamente às medidas ontem anunciadas. Aqui deixo algumas para que todos os que por aqui passarem possam reflectir.
  • 30.000 funcionários públicos de saída;
  • Contribuição especial através dos pensionistas;
  • Semana de trabalho na função pública passa de 35 para 40 horas;
  • A mobilidade especial limitada a 18 meses;
  • Aumento da contribuição para os sub-sistemas (ADSE, ADM e SAD em 0,75% + 0,25 no próximo ano)
  • 66 anos de idade para a aposentação sem penalização;
  • Nas rescisões amigáveis, quem tem até 50 anos receberá 1,5 remunerações por cada ano trabalhado.
Finalmente, em contraponto, volto aqui a deixar um vídeo do mesmo político para que não possamos esquecer a aldrabice na venda das suas promessas eleitorais.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

PROCESSO CRIME NO REINO DA NORMAL ANORMALIDADE


O jornalista falou em abstracto, não se dirigiu em concreto a esta ou àquela figura, escreveu o que toda a gente comenta, todavia, cometeu o "crime" de, dizendo não dizendo, tocar nos que ainda se sentem intocáveis. Coisas da paróquia neste reino da anormal anormalidade. Para certos senhores, importante é que os jornalistas façam um biombo de protecção, que resumam a sua actividade aos "casos do dia" e que os acompanhem na perspectiva de divulgarem o que lhes interessa, não o outro lado das coisas, porventura de maior interesse para o povo. Interessa-lhes que divulguem os falsos milhões para "os senhores agricultores", que acompanhem o discurso oficial de que são tudo inventonas o que se passa nos sistemas de saúde e educação, importante é que ignorem as marinas de dinheiro que o mar leva, importante é que teçam louvores à economia, que essa coisa de empresários aflitos é só na cabecinha de alguns, que o desemprego está controlado e o crescimento tudo irá resolver, mais ainda, que falem da "obra" que fica para a História. Nunca, mas nunca, da notável obra do desemprego e da pobreza, da obra da dívida, da dupla austeridade e da obra do desespero porque passam tantas famílias. Escrever sobre essas coisitas de somenos importância, dirão, é coisa rafeira, não de jornalistas, mas de ardinas!




O director e o subdirector do DIÁRIO de Notícias da Madeira foram visados com uma queixa crime. E tudo porque, o jornalista Agostinho Silva assinou ontem um texto, na edição online, onde teceu considerações sobre o último relatório do Tribunal de Contas na Madeira e toda a ebulição que gerou nos meios políticos e do Ministério Público. O Juiz Conselheiro do TC disse o que tinha a dizer, lamentou o facto do Procurador Geral Adjunto, Dr. José Alberto Varela, fazer "obstrução à Justiça" e este acabou por solicitar a sua transferência para Lisboa. Entretanto, a Procuradoria Geral da República mandou abrir um inquérito. Baseado nos dados vindos a público, o citado jornalista desenvolveu apreciações colaterais. Escreveu sobre as comissões de serviço na Região, sobre a presença regular em cocktails e recepções oficiais, nos "infindáveis e stressantes rondas para apresentação de cumprimentos à chegada ou à saída, mais os entediantes votos de Bom Natal e por aí abaixo" e que "do resto do trabalho, se é que há, pouco ou nada se sabe cá fora". Assumiu que, "na penumbra dos gabinetes, alguns actuam como ratos de sacristia, muitas vezes em conluio com o poder dominante que nunca se esquece de convidá-los para os pequenos e os grandes momentos sociais. Coisas que tornam a estada na Madeira muito agradável ao figurão e à sua família". 
O jornalista falou em abstracto, não se dirigiu em concreto a esta ou àquela figura, escreveu o que toda a gente comenta, todavia, cometeu o "crime" de, dizendo não dizendo, tocar nos que ainda se sentem intocáveis. Coisas da paróquia neste reino da anormal anormalidade. Para certos senhores, importante é que os jornalistas façam um biombo de protecção, que resumam a sua actividade aos "casos do dia" e que os acompanhem na perspectiva de divulgarem o que lhes interessa, não o outro lado das coisas, porventura de maior interesse para o povo. Interessa-lhes que divulguem os falsos milhões para "os senhores agricultores", que acompanhem o discurso oficial de que são tudo inventonas o que se passa nos sistemas de saúde e educação, importante é que ignorem as marinas de dinheiro que o mar leva, importante é que teçam louvores à economia, que essa coisa de empresários aflitos é só na cabecinha de alguns, que o desemprego está controlado e o crescimento tudo irá resolver, mais ainda, que falem da "obra" que fica para a História. Nunca da notável obra do desemprego e da pobreza, da obra da dívida e da dupla austeridade, da obra do desespero porque passam tantas famílias. Escrever sobre essas coisitas de somenos importância, dirão, é coisa rafeira, não de jornalistas, mas de ardinas!Só que vão ter que conviver com a crítica. Vão ter de perceber que isto não é um imenso Jornal da Madeira.
Ai que saudades alguns revelam
ter pela Constituição de 1933!
Esquecem-se que estes não são os tempos da Constituição de 1933. Esquecem-se que são passados oitenta anos, pelo meio aconteceu um 25 de Abril e que hoje toda a censura é estúpida. Não vale a pena por aí militarem, porque uma coisa é a escrita que atenta contra a dignidade e o respeito que as pessoas merecem, outra a narração de situações políticas que, ao contrário de enaltecerem os seus actores os coloca numa situação de total fragilidade. Quando as pessoas são ofendidas, alto e parem o baile, aí a Justiça tem de funcionar; quando, politicamente são visadas, resta-lhes o direito de resposta, mesmo quando os textos são abstractos. Uma coisa é dizer que fulano de tal é um ladrão, um gatuno e que vive à custa dos outros; outra coisa é dizer que temos um governo "ladrão", que vive à custa do agravamento dos impostos e taxas, quando, todos os dias, sentimos que diminuem os salários e as aposentações, que o IMI é agravado, que o IVA torna as aquisições insuportáveis, etc. etc.. 
Quantos jornalistas e comentadores, no Continente, não estariam com processos crime em função do que escrevem e dizem sobre a tripla Passos/Gaspar/Portas? Quantos? Habituem-se, com quase quarenta anos de atraso, que aos tempos são outros, são de mudança.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

EXAMES DE 1º CICLO E A "ERECÇÃO DE INTELIGÊNCIA"


Falta, na expressão de Rubem Alves, uma "erecção da inteligência" a todos os níveis! Querem, à força, como se fosse possível, meter “o mundo embrionário de amanhã nos cubículos convencionais de ontem”, avisou A. Toffler há quase 30 anos! “Velhas maneiras de pensar, velhas fórmulas, (…) por muito queridos ou úteis que tenham sido no passado, já não se coadunam com os factos”. Falta-lhes, por isso, uma “erecção da inteligência” e, porque lhes falta, conduzem o sistema educativo, agarrados a um passado de rotinas. Ideologicamente, acreditam. Pelo que vou pesquisando de investigadores e pensadores livres, expurgando o que me parece menos sustentável, os exames nacionais do 1º ciclo, marcados para os dias 7 e 10 de Maio, testemunham a ignorância de quem decide e de quem os aceita. Ora, o ensino básico visa isso mesmo, o alicerce, o lastro consistente sobre o qual deverão ser edificados os pilares do “conhecimento poderoso”, conceito de Michael Young e que se refere “ao que o conhecimento pode fornecer e operar mais tarde”. Quanto mais frágil o alicerce, piores os resultados futuros, porque o alicerce dos exames não suporta os pilares onde assentarão os andares superiores.


Até no plano da economia o assunto está estudado. James Heckman, Nobel no ano 2000, estudou o que significa no futuro cada euro investido nas idades mais jovens. É, por isso, que a mais notável e insubstituível acção do professor do primeiro ciclo é a de ensinar a ver, reforça o pedagogo Rubem Alves. Daí que, nessa etapa da descoberta deverão prevalecer as perguntas das crianças e não as respostas que os adultos entendem que ela deve dar nos exames. Mas esse inesgotável mundo dos porquês, sublinho, implica, obviamente, um novo sentido organizacional do sistema e da escola e uma clara diferenciação pedagógica que parta em direcção à qualidade e ao sucesso, por oposição ao actual quadro de insucesso e abandono. O Professor João Formosinho é claro: “é importante que haja ilhas de diferença no sistema educativo” o que supõe a existência, também, de uma real autonomia pedagógica nas escolas e não de uma mitigada. Adiante. 
Um recente texto do Professor José Pacheco (A Página da Educação) traz à colação a conceituada revista Science que dedica um estudo sob título: "A Educação não é uma corrida". Deborah Stipek, docente da Faculdade de Educação da Universidade de Stanford, trabalhou o seu estudo ao longo de 35 anos. A autora denuncia o facto de os jovens serem treinados para obterem bons desempenhos em testes e afirma que é aberrante uma educação centrada em resultados mensuráveis e em rankings. E acrescenta que a preparação para exames sufoca a formação de uma personalidade madura e equilibrada. A investigadora sublinha o facto de o sistema de exames produzir especialistas em provas, prejudicando vidas que poderiam ser promissoras. "O sistema actual baseado no desempenho em testes, pode prejudicar muito a formação de grandes pensadores. Esta forma de ensino promove um verdadeiro extermínio de grandes mentes. A maneira como a educação é organizada na actualidade faz com que potenciais vencedores do Prémio Nobel sejam perdidos mesmo antes da educação básica, já que o modelo de ensino massacra qualquer outro interesse que não seja o cobrado nos exames”. Concordo. 
Dei-me, entretanto, à maçada de ler as 95 páginas, os três capítulos, os 63 itens, afora dezenas de alíneas e anexos da Norma 02/2013 do Júri Nacional de Exames (JNE). Uma paranoia que o Estado Novo não levou tão longe. Deduzo que esta gente não sabe o que anda a fazer. Só lendo! O texto, que engloba o 1º ciclo, resulta de uma abstrusa e retrógrada concepção do que deveria ser uma avaliação de base contínua. Trata-se do melhor caminho para o insucesso e abandono, não o da descoberta e o da formação com rigor científico, de qualidade e excelência. Tenho aqui, à minha frente, um texto da Drª Isabel Baptista, da Universidade Católica Portuguesa. Leio: “(…) A Escola é vida com tempo para pensar a vida, lugar de muitos encontros e de muitos começos. Lugar para aprender a sentir o mundo num despertar de fomes novas que nenhum visível sacia. Lugar onde nos preocupamos, e ocupamos, com os outros. É com este lugar de aprendizagem, de humanismo e de cultura, que nos identificamos e a partir do qual faz sentido estabelecer plataformas de confiança e de compromisso com outros actores”. De “humanismo e cultura”. Exacto, como resume o Professor Sérgio Niza "(…) a escola não pode ser uma caixa fechada fora do mundo. Muito menos uma caixa fechada fora da cultura (...) "é preciso pôr a cultura nas mãos das crianças" e isso não passa por exames.
Saberão, o ministro e o secretário regional, o que isto significa? A eles, sim, submetia-os a um rigoroso exame multidimensional, com todas as normas do JNE, para percebermos o que leram e o que sabem, se os exames se destinam a avaliar as crianças ou os professores, mas também para percebermos o que fazem, a montante do sistema, relativamente às assimetrias e dramas sociais e culturais.
NOTA:
Opinião da minha autoria publicada na edição de ontem do Diário de Notícias.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

DR. PAULO CAFÔFO - UM SINAL DE ESPERANÇA PARA A CIDADE DO FUNCHAL



Já aqui me referi a esta candidatura. Vale a pena escutar o discurso de lançamento da candidatura. Foi no Largo do Colégio, no dia 25 de Abril. Se ontem foi o dia da Liberdade, o deste ano ficará marcado como o ponto de partida para a Liberdade associada à responsabilidade.

1º DE MAIO



1 de Maio, o dia de todos quantos trabalharam ou trabalham. O dia de todos nós. O dia a que uns, na liquidação dos feriados, certamente, lhes apeteceu arrumá-lo a um canto. Por razões ideológicas. Apenas dois exemplos: quando o patronato é sensível ao aumento do salário mínimo, o governo não, o governo, com um discurso de treta, espezinha, tritura e rouba nos impostos e taxas. Quando todos sabemos que mais horas de trabalho não significa melhor trabalho e resultados, o governo impõe mais horas de trabalho, esquece o justo pagamento das horas extraordinárias e cria um banco de horas. Como se os trabalhadores não tivessem família, não tivessem direito ao repouso e ao lazer e como se pudessem pagar as suas obrigações mensais com a lista do "banco de horas" realizadas. O descaramento é tal que, hoje, lá para os lados do Montado do Pereiro, o governo intromete-se na festa que é, genuinamente, dos trabalhadores. Um paradoxo! Sabem, no entanto, porque assim fazem. Organizam com a deliberada intenção de dividir as concentrações promovidas pelos sindicatos e para exercer um certo controlo sobre os trabalhadores. Enquanto ali estiverem a brincar ao lenço e a comer uma espetadinha, certamente que não pensam nas agruras da vida, nem escutam discursos que falem dos seus direitos. Oh gente da minha terra... acordem, este é um dia de manifestação pelo direito ao trabalho com deveres, é certo, mas com regras que não sejam aquelas que derivam do essencial do código do trabalho. Acordem porque vem aí o Documento de Estratégia Orçamental que prevê um conjunto de medidas de austeridade que ascendem a cerca 2,8 mil milhões de euros em 2014, mas os cortes estruturais de despesa vão ser mais substanciais e ascenderão a 4,7 mil milhões de euros, segundo avançou ontem o ministro das Finanças. As dúvidas não existem: isto significa mais cortes nos direitos sociais, menos empresas, mais desemprego e mais pobreza. É isto que vem a caminho.

terça-feira, 30 de abril de 2013

ACÇÃO POPULAR, OBVIAMENTE!

A ARMADA, A MÁFIA BOAZINHA E O CHEIRO A PÓLVORA


A Região precisa de gente adulta, com sentido de responsabilidade, precisa de pessoas intrinsecamente bem formadas, com princípios e valores, que coloquem acima dos interesses pessoais ou de grupo, os interesses da comunidade, pessoas que falem a verdade, com rigor e humildade, pessoas que saibam escutar e que não ofendam, pessoas que consigam estabelecer prioridades no investimento, pessoas que olhem para os semelhantes e que não as considerem um empecilho aos seus desígnios, pessoas com uma adultez tal que os outros nelas se revejam. A Madeira dispensa o disparate, a tonteira, a armada e o cheiro a pólvora. Todos passam bem sem isso, mas não dispensam o trabalho, a educação, a saúde e o combate à pobreza. Esses sim, constituem os princípios norteadores de uma política séria. O resto é de trazer por casa, é chinelo! Um povo que não se agiganta e não enfrenta estes novos senhorios, um povo que tolera e se agacha àquela forma de fazer política, é um povo com um futuro adiado. E nós precisamos de ter futuro, esperança e direito ao sonho.




Ele assume: temos de ser uma "armada". Em tempos disse: temos de ser uma "máfia boazinha". Conjugando, dir-se-á que objectivo é ter uma máfia armada. Aliás, o "cheiro a pólvora" é um "perfume" que sempre gostou. Ora bem, penso que aquelas mensagens, mais do que provocatórias, surgem quando os políticos sentem o chão a fugir, sentem o poder a escorregar dedos fora tal como um peixe entre mãos. O bom senso deveria aconselhar um certo cuidado na construção das ideias porque, se assim não acontecer, deixam de ter sentido e passam a ser motivo para outras especulações. A Madeira, esta Região, não precisa nem de máfias, nem de bombardeamentos, por enquanto, através de expressões soltas. A Região precisa de gente adulta, com sentido de responsabilidade, precisa de pessoas intrinsecamente bem formadas, com princípios e valores, que coloquem acima dos interesses pessoais ou de grupo, os interesses da comunidade, pessoas que falem a verdade, com rigor e humildade, pessoas que saibam escutar e que não ofendam, pessoas que consigam estabelecer prioridades no investimento, pessoas que olhem para os semelhantes e que não as considerem um empecilho aos seus desígnios, pessoas com uma adultez tal que os outros nelas se revejam. A Madeira dispensa o disparate, a tonteira, a armada e o cheiro a pólvora. Todos passam bem sem isso, mas não dispensam o trabalho, a educação, a saúde e o combate à pobreza. Esses sim, constituem os princípios norteadores de uma política séria. O resto é de trazer por casa, é chinelo!
Um povo que não se agiganta e não enfrenta estes novos senhorios, um povo que tolera e se agacha àquela forma de fazer política, é um povo com um futuro adiado. E nós precisamos de ter futuro, esperança e direito ao sonho. Nós precisamos de pão em cima da mesa e muito respeito pelos menos jovens. Nós precisamos de um sistema educativo, público, universal, inclusivo, gratuito e de qualidade, em todos os ciclos até ao superior, enquanto operador que rompa com o círculo vicioso da pobreza. O povo dispensa "armadas" que correspondem à continuada e intencional estupidificação. Não é por aí que os nossos problemas se resolvem. Aliás, a propósito, alguém se lembra da última proposta política feita por este governo regional? A última, a penúltima, a antepenúltima e por aí fora! Lembro-me de uma: a da revisão constitucional. No essencial, a do paleio gasto e esfarrapado que não acrescenta nada, rigorosamente nada, à urgência de soluções com que toda a Região está confrontada. De resto, para além dessa proposta medíocre e de vão de escada, eu diria que há muito que este é um governo de gestão corrente, de uma Região falida pelas políticas desse mesmo governo.
E perante isto, junta-se o silêncio cúmplice, de alto a baixo, de muita "boa" gente: desde aquele que é o mais alto Magistrado da Nação, que vai gerindo a coisa como se esta não fosse uma parcela de Portugal, até a uma significativa parte do nosso Povo que, de anestesia em anestesia, se encontra sem força para acabar com a pseudo "armada", com a "máfia" e com o "cheiro a pólvora", tornando este espaço despoluído de tais intenções e cheiros! A ver vamos.
Ilustração: Google Imagens.