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quarta-feira, 19 de maio de 2010

QUE GOVERNO É ESTE?



O governo anda a brincar com a Educação, com os professores, com a legislação, com os fornecedores e com o associativismo. É tempo de toda a comunidade perceber que governantes são estes, que prejudicam as carreiras profissionais, prejudicam o processo ensino-aprendizagem, não cumprem com a palavra, não assumem as responsabilidades contraídas com os fornecedores de bens e serviços...


Esta manhã tive uma intervenção política no âmbito do sistema educativo regional.
"O sector educativo está em ruptura. Crescem as dívidas aos fornecedores dos estabelecimentos de educação e ensino, há facturas por liquidar, algumas há quase um ano, entre outras, pelo consumo de água, energia eléctrica, telefone, fornecedores de refeições e empresas em geral. Assiste-se a uma drástica redução no consumo de papel e de fotocópias, inclusive, para a realização de testes de avaliação, enfim, os estabelecimentos de ensino estão bloqueados em dívidas.
Faz hoje um mês que solicitámos uma audição parlamentar para que o Senhor Secretário da Educação viesse à Assembleia Legislativa esclarecer os seguintes pontos:
1. Qual a média de meses em atraso e respectivos quantitativos em dívida aos fornecedores de energia eléctrica e água. Neste caso, qual a melhor e a pior situação (em meses);
2. Qual a média de meses em atraso e respectivos quantitativos em dívida junto dos fornecedor dos serviços de Internet e telefone;
3. Qual o montante, por escola, em dívida, às empresas em geral e, particularmente, aos fornecedores de refeições.
4. Quais os encargos assumidos e não pagos, por estabelecimento de educação e ensino, transitados nos anos de 2007, 2008 e 2009 e qual a previsão para o corrente ano.
5. Qual a influência da situação orçamental no quadro da Acção Social Educativa.
6. Finalmente, uma vez que há pagamentos, dos anos anteriores, que estão a ser pagos pelo orçamento de 2010, quais as consequências destas operações em função dos planos de actividade dos estabelecimentos de educação e ensino.
Como se isto não bastasse, o Estatuto da Carreira Docente é uma manta de retalhos, os professores não ascendem na carreira há cinco anos, bloquearam a contagem do tempo de serviço, a regulamentação da avaliação de desempenho está parada, a classificação de “bom” administrativamente atribuído nos últimos três anos não valeu para nada e o governo, perante a gravidade da situação não dá sinais de apresentação de soluções.
Apresentámos um Projecto de Decreto Legislativo Regional cujo objectivo era o de solucionar o bloqueio que está imposto na carreira docente, na sequência da devolução de um projecto pelo Senhor Representante da República e o processo está parado, não é discutido e compaginado com as opiniões de quem tem a responsabilidade governativa.
A 15 de Abril solicitámos um outro pedido de audição para que o Secretário prestasse esclarecimentos sobre a política desportiva em geral que, nos últimos oito anos, levou 263 milhões de euros e, particularmente, sobre as dívidas aos clubes desportivos e associações, uma parte das quais ascende a oito milhões de euros por contratos-programa assumidos e não liquidados. Uma audição que ainda não se realizou, quando, na Assembleia da República, não há um governante que ali chamado não compareça de imediato.
Enfim, o governo anda a brincar com a Educação, com os professores, com a legislação, com os fornecedores e com o associativismo. É tempo de toda a comunidade perceber que governantes são estes, que prejudicam as carreiras profissionais, prejudicam o processo ensino-aprendizagem, não cumprem com a palavra, não assumem as responsabilidades contraídas com os fornecedores de bens e serviços e, quando chamados à Assembleia, a quem devem respeito e obediência, fazem ouvidos de mercador e faltam.
Nós vamos continuar atentos, sendo certo que não vão contar com o nosso silêncio para deixar arrastar um problema globalmente grave, no que diz respeito ao normal funcionamento do sistema educativo.

A GRANDE AUTARQUIA


A atitude assumida acabou por cifrar-se em uma desconsideração à Autonomia, aos órgãos de governo próprio e, por extensão, a todo o Povo da Madeira.


As recentes declarações do Professor Marcelo Rebelo de Sousa que comparou a Madeira a uma grande autarquia e o seu presidente uma espécie de "líder autárquico em grande", não deixa de constituir uma matéria de alguma relevância e peso político. No programa “Sinais de Fogo” da SIC, o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se à Região Autónoma da Madeira como uma grande autarquia e o seu presidente como um líder autárquico em grande. Declarações que não acompanho não só pela dignidade jurídico-constitucional que uma Região Autónoma assume, como pelo seu próprio contexto histórico, político e organizacional.
Do Professor e habitual comentador político, pela sua formação académica e docência universitária, exactamente, no âmbito do Direito, conhecedor do processo autonómico enquanto autor de pareceres encomendados e, provavelmente, pagos pela Assembleia Legislativa da Madeira, era expectável uma posição de rigor e de respeito pela histórica luta do Povo da Madeira. Pelo contrário, a atitude assumida acabou por cifrar-se em uma desconsideração à Autonomia, aos órgãos de governo próprio e, por extensão, a todo o Povo da Madeira.
É evidente que subsiste, também, neste processo, uma cultura que a Região Autónoma da Madeira não soube gerar, no plano Nacional, no sentido do reforço dos princípios e valores que enformam a Autonomia Político-Administrativa. As sucessivas declarações proferidas ao longo dos anos pelos representantes do poder regional têm, lamentavelmente, dado azo a comentários pouco abonatórios que conduziram ao desprestígio da Região, mas que de forma alguma justificam posições como aquelas que foram proferidas.
Melhor esteve na interpretação dos princípios em que se funda a AUTONOMIA foi o Bastonário dos Advogados portugueses, que assumiu que a Autonomia é “património moral da República”.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 18 de maio de 2010

CIDADES E LUGARES 635. FUNCHAL/MADEIRA


Já há por aí, mesmo sem dinheiro e, pior do que isso, sem planeamento territorial, muito cimento lançado. Linhas de água estreitas e contornando o casario. A prova evidente que o planeamento e o respeito pelo ordenamento do território perde em relação à ânsia de vender cimento ao metro. Depois, logo se verá! Posted by Picasa

FRAGMENTAR PARA QUÊ?

Cuidado, alguns, por amor ao partido podem estar a perder o amor a esta terra!


Pressinto que vários partidos já começaram a tentar fazer um cerco ao PS-Madeira, em função das eleições regionais de 2011. Como se não bastasse o poder instituído. Talvez, porque o sentimento existente é de que o maior partido da oposição está em visível crescimento de credibilidade política e de notoriedade social. É bem possível. Há, por aí, um conjunto de evidentes sinais discursivos que me levam à conclusão da existência de um desconforto e de um receio na deslocação de votos. Pode ser, apenas, impressão minha, mas é isso que me tenho vindo a aperceber. O tempo o dirá.
De qualquer forma, se esse meu sentimento corresponde, eventualmente, à verdade dos factos que vou presenciando, desde logo digo que a oposição ao PSD não retirou qualquer ensinamento das eleições regionais de 2007. Na altura foram todos contra o PS, relativamente ao monumental embuste que foi a Lei das Finanças Regionais e foram todos contra o PS no que concerne à política educativa. Resultado dessa actuação: todos perderam, o PS perdeu 12 deputados e o PSD reforçou a sua posição maioritária e absoluta. Hoje, todos sabem, tal como ontem, que a Lei das Finanças Regionais não passou de uma encenação que levou tudo à frente, mesmo as pessoas mais esclarecidas e, quanto à política educativa da então ministra Maria de Lurdes Rodrigues (outro cavalo de batalha), todos se esqueceram que a Madeira tem governo próprio, que o PS tinha e tem um projecto próprio e que a falência do sistema educativo regional deve-se à política seguida na Madeira durante trinta e tal anos e não propriamente ao Ministério da Educação.
A verdade é que naquela tentativa de conservar uns votos que possibilitem uma presença na Assembleia Legislativa, com orientações daquela natureza, todos acabam por entregar ao PSD-M a continuidade da governação. Preferível seria que cada um se concentrasse em uma oposição firme e propositiva, respeitadora dos posicionamentos ideológicos, mas tendo como pano de fundo o que nos une no combate político relativamente a um poder de 36 anos de absoluto controlo da população. Combater o "jardinismo" implica inteligência e maturidade políticas, o que não se coaduna com ataques entre aqueles que são opositores. Penso ser uma má estratégia essa de esgrimir argumentos entre catorze deputados, quando está em causa vencer um sistema composto por trinta e três deputados. E tudo isto pode ser feito, repito, com firmeza e respeitando os espaços ideológicos de cada partido. Tantas vezes que não concordo, totalmente, com os projectos oriundos de outros partidos da oposição, mas tenho tido sempre o cuidado de ir ao encontro do essencial, no plano discursivo dizendo que eferma deste ou daquele ponto, obviamente que sim, mas no que concerne ao sentido de voto, tendo sempre para não colocar em causa o essencial em relação ao acessório. E tudo isto porquê? Porque está em causa um problema maior, o de corrigir esta pseudo-democracia, de corrigir os tortuosos caminhos desta Autonomia em plano inclinado, no fundo, gerar a confiança do eleitorado no sentido de perceber que há objectivos maiores que não podem se fragmentar em lutas políticas menores, egoístas e perdedoras. Cuidado, alguns, por amor ao partido podem estar a perder o amor a esta terra! Respeito os caminhos de cada um, mas a História aconselha a que, atempadamente, os ensinamentos estejam presentes.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

CIDADES E LUGARES 634. FUNCHAL/MADEIRA


Reconstrução, Reconstrução e mais Reconstrução. A palavra que parece ser determinante no discurso político da maioria. Só que a fraqueza do Funchal que a tragédia de 20 de Fevereiro colocou a nu, deve transformar-se em uma oportunidade para criar cidade, isto é, para gerar um movimento de reordenamento e requalificação do território.
Ali mesmo ao lado destas habitações terceiro-mundistas a água tudo levou. É por isso que reconstruir com os mesmos olhos de ontem só pode adiar o aparecimento de novas tragédias. Lamento.

EMPURRAR COM A BARRIGA

Duas perguntas: mas qual realidade, a das dívidas ou a dos resultados efémeros à custa de um desporto ao serviço da política e não do desenvolvimento?

Finalmente, um membro do PSD, ex-Deputado, toca na ferida. O Dr. Luís Drumond, da Ribeira Brava, líder de uma associação desportiva, destacou, numa das últimas edições do DN: "o sector federado não é aliciante para nós" (...) "Reconhecemos que outros parceiros têm essa missão e fazem-na na melhor das suas possibilidades e das condições que lhes são proporcionadas", razão pela qual mantém a aposta em ocupar parte "do muito espaço que existe no chamado desporto para todos, que é essa sim, a nossa missão", sublinhou.
Deduzo, do essencial das suas palavras, que não embarca nas loucuras que outros, infelizmente, embarcaram, claramente puxados pelo desnorte e falta de visão estratégica de quem governa. Daí, pressuponho, o trabalho da sua associação ser meritório, porque a prática desportiva constitui, para ele, um meio e não um fim.
Estava eu a ler as suas declarações e, rapidamente, me acompanharam as imagens de uma reportagem da RTP sobre o ténis-de-mesa na Ponta do Pargo, onde abundam chineses e outros. Dir-se-á que se trata de opções. Só que essas opções custam milhões que têm vindo a colocar todo o associativismo com a corda no pescoço.
Tanto assim é que se chegou a falar na necessidade de oito milhões de Euros para pagar encargos assumidos e não pagos às agências de viagens. Pressupõe-se, portanto, que muitos clubes e associações estão tecnicamente falidas ou para lá caminham.
A tempo, outros percebem o monumental erro de política desportiva que está na base da situação criada. O Dr. Luís Drumond percebeu que esse não seria o caminho correcto e, de uma forma subtil, naturalmente, para não comprometer ninguém, disse que "outros parceiros têm essa missão". O importante é saber que parceiros, em que modalidades, níveis de participação e quais as razões que devem sustentar uma participação nacional. A questão é saber se se justifica ou justificaram as 1612 participações individuais e colectivas, em 36 modalidades distintas, na época de 2008/2009. Quanto é que isto custou de ligações aéreas, outros transportes, alojamento e alimentação? Será que esta Região é rica, dispõe de um pujante comércio e indústria capazes de sustentarem esta política? Ou, vivemos numa região pobre, assimétrica, com carências sociais gritantes e, ainda por cima, endividada?
Este assunto que é recorrente não consegue ser assumido por quem tem responsabilidades governativas e, por isso, pasmo na insistência do Dr. Jaime Lucas, ex-presidente do IDRAM, quando, ainda hoje, escreve: "A política desportiva do Governo Regional ao longo do período autonómico foi sempre bem recebida pelo movimento associativo, elemento essencial do nosso desenvolvimento desportivo, com prós e contras, é certo, mas numa dinâmica de crescimento e desenvolvimento conforme demonstra a realidade". Duas perguntas, apenas: mas qual realidade, a das dívidas ou a dos resultados efémeros à custa de um desporto ao serviço da política e não do desenvolvimento humano? E fala aquele dirigente desportivo, no título do seu artigo de opinião que "bom senso, precisa-se". Nem mais, deveria aconselhar-se com o bom senso do Dr. Luís Drumond. Seria meio caminho andado para uma mudança substancial neste desporto falido e sem futuro.

domingo, 16 de maio de 2010

ENCONTRO ENTRE GRUPOS PARLAMENTARES


Foi um dia de trabalho profícuo e de grande importância este que reuniu, no Funchal, a Direcção do Grupo Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República e os deputados do PS na Assembleia Legislativa da Madeira. Estiveram presentes os Deputados Francisco Assis, Maria de Belém, Ricardo Rodrigues e Inês Medeiros. Na parte da manhã realizou-se um "briefing" sobre as causas e consequências da tragédia de 20 de Fevereiro, orientado pela Drª Violante Saramago Matos. Na parte da tarde, os deputados percorreram todas as grandes zonas afectadas tomando consciência da realidade. (clique sobre a foto e em + para aumentar as fotos que lhe interessam ver em pormenor). Posted by Picasa

sábado, 15 de maio de 2010

LEI DE MEIOS E PEC

Se há opiniões complementares à Lei de Meios e ao PEC isso só pode ser ententendido como uma vantagem e uma capacidade de analisar e de contextualizar essas medidas no plano da sua aplicação local. É isso que faz a diferença e é isso que prova a existência de alternativa. Pior seria não ter opinião e aparecer, apenas, quinze dias antes dos actos eleitorais a criticar e a propor.

Para que não subsistam dúvidas: apoio, inequivocamente, a "Lei de Meios" e o "Programa de Estabilidade e Crescimento". Não subsistem dúvidas quanto ao essencial de ambos os documentos. O que não significa que, em um e outro, possa ter, em concordância com a Direcção do PS e com o Grupo Parlamentar, uma opinião política relativamente à sua aplicação. Vou por partes:
1. Lei de Meios. Um governo que atribui 740 milhões à Região para a denominada reconstrução pós 20 de Fevereiro, obviamente, que tem de ser reconhecido, não pela sua solidariedade, mas pela sua responsabilidade, porque este é um território português. E é bom que se tenha isto presente. É muito dinheiro que, em uma altura de crise, o País entrega à Região para recuperar da tragédia. A questão que se coloca, agora, é a de saber como é que essas verbas serão aplicadas. Se é para o regabofe inauguracionista ou "fúria inauguracionista" como já alguém caracterizou, a que estamos habituados, digo, claramente, que não; se é, apenas, para reconstruir o que foi afectado, digo, claramente, que não; se é para, eventualmente, aplicar onde não é prioritário, digo, claramente, que não. É, por isso, que defendo a criação de uma Entidade Independente para a Reconstrução, capaz de olhar para o território de uma forma mais abrangente. A tragédia, como já o disse, constituindo em si mesma uma fragilidade, deve tornar-se em uma oportunidade para reconstruir, reordenar e requalificar. Mas isto não tem nada a ver, como alguns parece desejarem fazer crer junto da opinião pública, reticências quanto ao essencial da Lei. É evidente que, como todas as leis, são sempre susceptíveis de terem olhares diferentes quanto ao seu articulado. É bom que assim seja. Os olhares distintos e de preocupação, quando bem intencionados e articulados, apenas ajudam à concretização dos objectivos e, por extensão, ao desenvolvimento. Aliás, sou contra os unanimismos. Nunca, na minha vida política, fui seguidista e não era agora que o iria ser. Gosto de ver sempre o outro lado das coisas e de conjugá-las à luz da experiência e da história conhecida. Não para travar ou complicar processos, mas para precaver os eventuais erros de uma estratégia susceptível de ser menos bem conseguida. A Lei de Meios, no essencial, constitui um excelente documento, embora, mereça reflexão em alguns pontos. Repito, não há mal algum que assim me posicione. É o meu olhar sobre o que foi produzido e o meu contributo para que a sua aplicação não sofra desvios. Não é uma questão de haver sempre um "mas" mas uma questão de ver a Lei como uma oportunidade perante a fraqueza que sobre a Região se abateu.
2. Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). A Autonomia deve servir para alguma coisa no plano concreto da governação. O PEC, cujas medidas conhecidas esta semana, serão gravosas para todos os portugueses, deveria mas não está a merecer uma atenção muito especial por parte de quem governa a Região. É simplista e desresponsabilizante sacudir a os actos políticos para o governo da república, quando nós, na Região, temos órgãos de governo próprio. É evidente que tenho uma leitura sobre as causas da crise internacional e sobre quem sempre acaba por "pagar as favas". Mas essa é outra história. O que é certo é que temos de resolver esta grave situação. Trata-se, quase, de uma "salvação nacional". Problema que aqui chega e que se agravará, a partir de 2012, quando a Região começar a pagar as dívidas dos empréstimos que contraiu (juros e capital). De qualquer forma, sendo gravosa a situação da economia e das finanças da Madeira, no curto e médio prazo, é minha absoluta convicção que a Região, no pleno poder dos seus legítimos direitos estatutários, pode e deve criar um conjunto de "estabilizadores", digo melhor, um conjunto de almofadas que atenuem a vida das famílias e das empresas madeirenses, face às implicações das medidas adoptadas. É a nossa capacidade autonómica que está em causa, pois se assim não acontecer só restará a pergunta, afinal, para que serve a Autonomia Política e Administrativa? Ela só se justificará se souber marcar a diferença pela positiva.
Esses estabilizadores são possíveis de implementar. Há muitas despesas públicas que podem e devem ser evitadas, ao mesmo tempo que é possível aumentar a receita, entre outras, através de iniciativas que o PS-M tem vindo a apresentar na Assembleia Legislativa e que, infelizmente, têm sido rejeitadas. Numa Região que sofre pela descontinuidade geográfica há que saber governá-la no sentido de garantir, aos que aqui vivem, que o nível de vida, já de si mais alto relativamente ao restante território nacional, não seja agravado pelas medidas de todos conhecidas. É isto que é capaz de fazer a diferença entre bons e maus governos. A não actuação por parte do governo da Madeira só significa que estamos perante um governo sem ideias, amorfo, descrente e de braços caídos.
Lei de Meios e tudo o que deriva do PEC, sim, mas com os cuidados necessários que a "especificidade" regional aconselha. Política e partidariamente é esta a minha posição. De resto, ninguém de boa fé pode dizer, hoje, que não há alternativa política na Região. Ela existe e ela é consistente nas medidas legislativas que tem vindo a apresentar. E se há opiniões complementares à Lei e ao PEC isso só pode ser ententendido como uma vantagem e uma capacidade de analisar e de contextualizar essas medidas no plano da sua aplicação local. É isso que faz a diferença e é isso que prova a existência de alternativa. Pior seria não ter opinião e aparecer, apenas, quinze dias antes dos actos eleitorais a criticar e a propor.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

BOM SENSO, APENAS ISSO!



Um professor não é uma pessoa qualquer e a revista em causa também não é propriamente um manual escolar.

Uma Professora do 1º Ciclo do Ensino Básico, de Mirandela, posou nua para a Playboy. Entretanto li, na edição on-line do PÚBLICO o seguinte comentário: "(...) Já não vivemos no Salazarismo! A revista Playboy é legal em Portugal? É! Então, todas as considerações puritano-saloias do Presidente da Câmara caem automaticamente por terra"! Isto porque, o presidente da autarquia disse que iria analisar o caso da professora, prometendo tomar uma decisão no prazo "máximo" de uma semana.
Do meu ponto de vista não se trata de considerações "puritano-saloias" mas de bom senso. Há determinadas atitudes, opções ou estilos de vida, que um professor deve compaginar com o magistério que exerce. Um professor não é uma pessoa qualquer e a revista em causa também não é propriamente um manual escolar. Não se trata, portanto, de expor os dotes esculturais ou de uma simples apreciação da beleza, mas as repercussões que uma foto ou um conjunto de fotos possam ter na comunidade e até na respeitabilidade do docente. Não se trata de puritanismo saloio mas de bom senso, repito.
Pode até ser defensável o pressuposto de que não há nada a esconder naquilo que de mais belo existe. Quantos corpos foram inspiração para tantos pintores e escultores. Os museus estão cheios de soberbos trabalhos. Mas essa é outra história. Como outra história é o que se passa em um cabaré ou em um local de striptease. São espaços diferentes com públicos diferentes. Na escola conjuga-se o verbo educar e, por essa razão, o professor deve assumir os cuidados que a sua nobre função exige.
Não gosto de ver um docente mal vestido na escola (bem vestido não significa roupa de marca) como não gosto de ver docentes que se expõem aos alunos de uma forma atrevida. Há um meio termo ou um limite que o professor, em circunstância alguma, deve ultrapassar. Por uma questão de respeito por si próprio e pela missão que desenvolve. Uma questão de bom senso!
Ilustração: Foto publicada no PÚBLICO.

CIDADES E LUGARES 633. POBLET/CATALUNHA/ESPANHA

Poblet. Majestosa igreja do Mosteiro de Poblet. Posted by Picasa

GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA

MADEIRA lidera indícios de corrupção no espaço nacional. Estranho? Talvez não!

Alguma coisa anda por aí e que não é totalmente clara. Parece-me existir um estranho silêncio do presidente do governo regional, relativamente a determinadas matérias. Falou da demissão do Director do DN, Jornalista Luís Calisto e pouco mais. E mesmo aí, apenas para dizer que nada tem a ver com essa decisão. Obviamente, que nem precisaria de o dizer; obviamente, que não viria assumir, publicamente, fosse o que fosse nessa matéria. Mas uma coisa é certa, não deixa de ser esquisito que seja tão célere a meter um processo em Tribunal quem o calunia ou quem o atinge e, desta vez, mansinho, tenta passar entre a chuva sem se molhar. Parece-me existir "gato escondido com o rabo de fora", quando se sabe que neste governo tudo, mas tudo, passa pela sua filtragem. Tarde ou cedo se saberá, pois a História fez-se também para isso. Mas o seu silêncio é intrigante. Penso que alguma coisa virá a caminho. Prepara alguma. Será?
Entretanto, a comunicação social de hoje, particularmente o DN, traz algumas matérias que dão para reflectir.
1. "A Madeira lidera indícios de corrupção no espaço nacional – é na RAM o maior aumento nacional de inquéritos de corrupção e crimes como peculato e abuso de poder. Só no 1º trimestre de 2010 os números apontam para uma subida de 74%. Dos 27 casos processos abertos na RAM 24 foram abertos na comarca de Santa Cruz.
2. "Jaulas" do centro de maricultura da Calheta em reparação na marina do Lugar de Baixo - MP considera aterro atrás da muralha de protecção da marina ilegal.
3. Câmaras postas de lado no processo de reconstrução – Autarquias não sabem que ajudas irão receber. Em alguns casos a ausência de contactos entre câmaras e GR é total. Insatisfação das populações sobe de tom.
4. PS exige inquérito na ALRM às pressões do GR para o sector da comunicação social.
5. Carlso León garante que regulamento de apoios ao desporto tem de ser revisto com o fim de reduzir despesas.
Cinco matérias interessantes e importantes a juntar, todos os dias, a muitas outras que devem tirar o sono a quem tem a responsabilidade de governar esta Região. E não governa!
Nota:
Hoje, 15.05.10, afinal, o Presidente reagiu. Ainda bem. Talvez, em Tribunal, possam ser descobertas as verdades. Sinto que mordeu o "isco" e está preso ao anzol. Veremos.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

CIDADES E LUGARES. 632/GIRONA/CATALUNHA/ESPANHA

Girona. Banhos Árabes. Excelente e bem conservado espaço do Século XII.Posted by Picasa

VISITA DO PAPA BENTO XVI

"As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum”, defendeu o Santo Padre, numa breve referência a dois dos mais polémicos temas sociais, o aborto e o casamento homossexual.
A declaração de Bento XVI surge numa altura em que o Presidente da República português está ainda a analisar o diploma que autoriza legalmente o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, admitiu no dia da chegada de Bento XVI a Portugal que o Papa poderá vir a referir-se aos temas da despenalização da interrupção voluntária da gravidez e do casamento entre pessoas do mesmo sexo durante a sua visita. Federico Lombardi sublinhou que as posições do Papa sobre "o tema do aborto e da família são conhecidas" e que "o Papa frequentemente as apresenta”. "Quem deve tirar as conclusões, deve tirá-las segundo as suas responsabilidades", disse na altura.
Respeito a posição da Igreja, mas não é essa a minha opinião, pelo menos em vários aspectos.
in Jornal PÚBLICO. Posted by Picasa

ASSALTO À MÃO ARMADA



É ânsia de poder a qualquer preço, a ânsia do controlo, no mais descarado e arrepiante assalto à mão armada, embora sem um único tiro. Mas o "sangue" jorra entre todos aqueles que fazem da sua profissão o seu único meio de vida e sustento das suas famílias. Uma vergonha, neste terceiro milénio, igual, sem tirar nem pôr, ao pior da américa latina. Há aqui foros de gagsterismo político que qualquer pessoa de bom senso deve repudiar.


Já aqui uma vez disse, aproveitando a feliz posição de um meu Amigo, que me dizia, se o Al Capone regressasse, a primeira pergunta que, certamente, faria era esta: "como é possível fazer tanto sangue sem um único tiro?". Pedia logo um lugar de adjunto, penso eu. Vem isto a propósito da vergonhosa e calculista pressão sobre o Diário de Notícias da Madeira que acabou com a demissão do Director, o Jornalista Luís Calisto. A subtileza da pressão, primeiro, cortando na publicidade institucional, depois, enviando emissários para, junto dos proprietários, fazer ver que o problema se centrava no Director, constitui uma estratégia meticulosamente pensada, escalonada no tempo, pacientemente construída, para a alteração dos critérios editoriais e, pior do que isso, colocar sobre a cabeça dos jornalistas, a todo o momento, a espada da autocensura ou do despedimento. É ânsia de poder a qualquer preço, a ânsia do controlo, no mais descarado e arrepiante assalto à mão armada, embora sem um único tiro. Mas o "sangue" jorra entre todos aqueles que fazem da sua profissão o seu único meio de vida e sustento das suas famílias. Uma vergonha, neste terceiro milénio, igual, sem tirar nem pôr, ao pior da américa latina. Há aqui foros de gagsterismo político que qualquer pessoa de bom senso deve repudiar. É porque não se trata, apenas, do Diário, mas do controlo do Jornal da Madeira, das rádios locais e do serviço público de rádio e, sobretudo, de televisão.
Deixo aqui uma parte do texto de Luís Calisto, um Amigo de infância, que muito considero pela sua verticalidade, independência e competência profissional.
"(...) Os efeitos desta escalada perversa preparada sem escrúpulos pelo dr. Jardim chegaram ao DN, que não recebe quaisquer subsídios. O ano passado, vivemos nesta Casa o drama do despedimento colectivo. Um doloroso processo que tirou o trabalho a profissionais competentes e empenhados. Sem o menor sentimento perante madeirenses com responsabilidades familiares, o dr. Jardim tem continuado a incentivar uma guerra generalizada ao DN, com mentiras descaradas a fazer de argumentação aos seus sinistros desígnios. Hoje, com nova vaga de despedimentos à vista, conforme já assumiu o Conselho de Gerência do DN, o dr. Jardim insinua e faz constar que a situação crítica está criada por culpa do Director, deixando perceber que, resolvido esse 'problema', tudo poderia voltar ao 'normal'.
Trata-se de uma manobra vil e crapulosa para tentar baralhar causas e efeitos. O dr. Jardim, habituado a estracinhar adversários e até companheiros seus na praça pública, e a fazer bullying com a imprensa (ontem com uns, hoje com outros, amanhã com outros ainda), percebeu que nem todos os alvos estão talhados para apanhar e calar. Daí tentar fazer crer que as reacções aos seus insultos, enxovalhos e linchamentos é que começaram primeiro (...)".
Ao Amigo Luís Calisto um abraço de solidariedade, por ter dado um exemplo de desprendimento do lugar de Director, em defesa de todos quantos trabalham para que o DN, todos os dias, esteja nas bancas. Só que essa atitude nada resolverá. Cada vez mais, o mentor da estratégia, apresenta-se, como já publicamente o disse, "raffiné".
Ilustracção: Google Imagens.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CIDADES E LUGARES 631.GIRONA/CATALUNHA/ESPANHA

Girona. O edifício dos Banhos Árabes, de estilo românico, foi construído em 1194 com uma estrutura que imitava a distribuição dos banhos muçulmanos, muito em moda naquela altura. Posted by Picasa

O QUE FALTA FAZER PARA QUE A JUVENTUDE TENHA ESPERANÇA

Continuamos a querer demonstrar aos outros uma riqueza que, afinal, não temos, com repercussões imediatas ao nível do financiamento europeu. Pobres, internamente, mas com imagem de ricos no plano exterior.

Duas notas ao início desta manhã, em uma altura que tudo leva a crer que a nuvem está a se dissipar. Ainda bem, para atenuar os prejuízos e permitir que parta para o Funchal.
1ª Li as declarações do Vice-Presidente Dr. Cunha e Silva, ontem proferidas, que salientou "depositar muita esperança no futuro apesar das dificuldades", uma vez "que esta geração de jovens encarregar-se-á de um outro desafio, enfrentando a crise que nós estamos a enfrentar com sensatez, rigor e responsabilidade" (...) "podemos esperar um futuro promissor" pelo que "a juventude da Madeira nos ajudará a ultrapassar este momento mais particularmente difícil".
Ora bem, é sempre bom um político manter uma palavra de esperança e de incentivo. Só que as palavras têm de ser contextualizadas na realidade. Se assim não for, quem as profere sujeita-se a cair no ridículo. Neste caso, a mensagem de esperança implicaria, necessária e obviamente, enquadrar o sistema educativo que a Madeira dispõe, a escola que se encontra em falência de meios, que produz pouco relativamente ao essencial, implicaria, mesmo que em traços muito aligeirados em função do motivo do discurso, enquadrar o porquê de uma alta taxa de abandono e de insucesso escolar. Tão importante quanto isto, implicaria falar desta sociedade, da pobreza, da exclusão social e do desemprego, com óbvios reflexos na juventude. E o Vice-Presidente não me parece que tenha equacionado estes problemas, quando estes, na minha opinião, são estruturantes para que esta juventude possa ter esperança. Se assim não for, as palavras ditas não passam de palavras de circunstância atiradas para o ar mas com significado reduzido para não dizer nulo.
O PSD-M continua, teimosamente, a fazer que não percebe a importância de aprovar o decreto legislativo regional, do PS, denominado de "cálculo, numa base anual, do produto nacional bruto regionalizado" na perspectiva do contributo do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) para o PIB da Região.
O deputado socialista Dr. Carlos Pereira apresentou ontem, novamente, esta importante proposta, uma vez que se torna necessário possuir um indicador de desenvolvimento da Região. Sem este indicador muito difíceis se tornam as negociações de financiamento da Região. Continuaremos a querer demonstrar aos outros uma riqueza que, afinal, não temos, com repercussões imediatas ao nível do financiamento europeu. Pobres, internamente, mas com imagem de ricos no plano exterior. Recordo que aquela passagem de "objectivo 1" para "objectivo 2", no seio da União Europeia, custou-nos quase 500 milhões de Euros no último Quadro Comunitário de Apoio, mas apesar dessa trágica teimosia, o chumbo à proposta de ontem significa que não aprenderam com o erro e que pouco ralados andam com a necessidade de um melhor envelope financeiro. Estranha teimosia! Neste processo, está a valer as acções que o PS-M está a desenvolver, desde há algum tempo, no sentido de ser o próprio Governo da República a estudar as implicações do CINM no PIB regional. Veremos, depois, quem tem razão.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 11 de maio de 2010

RTP - AOS POUCOS DESCOBRIR-SE-Á TODA A VERDADE


A escolha de cinco personalidades para a referida comissão de aconselhamento é a mais descarada forma de controlo do serviço público de rádio e televisão, revela uma tamanha ausência de decoro, falta de transparência e promiscuidade bombástica entre política e os interesses económicos.

Afinal, aos poucos, a verdade começa a emergir. Tudo leva a crer que o PS-Madeira tinha razão quando equacionou a questão da RTP-Madeira, isto é, a nova estrutura gestionária e a Comissão de Aconselhamento entretanto criada. Segundo o Jornal PÚBLICO, na edição on-line, o Conselho de Opinião da RTP reagiu e solicitou, para hoje, uma reunião, com carácter de urgência, com o Conselho de Administração da RTP. Aqui fica o texto publicado no PÚBLICO:
"O Conselho de Opinião (OP) da RTP apresentou um protesto contra a administração da televisão pública pela criação de uma “comissão de acompanhamento estratégico” do Centro Regional na Madeira, pondo em causa a sua legalidade e legitimidade democrática.
“Esta iniciativa do presidente do conselho de administração da RTP, e por este confirmada, colide com as competências legalmente atribuídas ao Conselho de Opinião”, escreve Coelho da Silva, em nome deste órgão a que preside, na carta de protesto enviada a Guilherme Costa, com conhecimento ao ministro dos Assuntos Parlamentares com a tutela da comunicação social, Jorge Lacão. A referida comissão, acrescenta, põe “assim em causa os objectivos que presidiram” à constituição do CO “enquanto órgão independente e representativo da sociedade civil junto da empresa prestadora de serviço público de rádio e televisão”.
Na missiva enviada a 20 de Abril, véspera da emissão do veto ao nome de Felisbela Lopes proposto pela administração para o cargo de Provedor do Telespectador, o presidente do CO, Manuel Coelho da Silva, em nome deste conselho, solicita ao presidente da RTP, Guilherme Costa, uma reunião “com carácter urgente”. Pede ainda que no encontro se possa fazer acompanhar da comissão permanente.
Para hoje está marcada uma reunião deste órgão para analisar o pedido de parecer sobre esta matéria, requerido pelo grupo parlamentar do PS na Assembleia da Madeira. Os deputados socialistas têm “sérias dúvidas sobre o enquadramento legal” da comissão nomeada por Guilherme Costa. Além disso, “independentemente da eventual violação da lei” por parte do conselho de administração no que diz respeito a esta matéria, criticam “a criação de um órgão nomeado de forma unilateral com responsabilidades que se sobrepõem ao Conselho de Opinião da RTP e que, supostamente, representa a opinião pública regional, mas cujos membros não são indicados por instituições da sociedade civil mas pelo Conselho de Administração da RTP, revelando inadmissível dependência”. O lider parlamentar, André Escórcio, considerou a escolha de cinco personalidades para a referida comissão “a mais descarada forma de controlo do serviço público de rádio e televisão”, revelando “tamanha ausência de decoro e de falta de transparência” e “promiscuidade bombástica entre política e interesses económicos”.
Ao recordar que o Conselho de Opinião resulta de indicações de vários sectores da opinião pública, incluindo as Assembleias Legislativas Regionais, o PS conclui que tal comissão “constitui um claro atropelo” ao CO. E, perante “duas instituições dentro da mesma empresa para actuar nas mesmas matérias”, apela à intervenção urgente do Conselho de Opinião de modo a “repor a normalidade na gestão” do Centro Regional da RTP na Madeira, para cuja direcção foi nomeado um gestor, sem parecer da ERC, situação que o PS também considera ilegal".
Perante esta situação, pergunto, para já, se os membros da dita "Comissão de Aconselhamento" não deveriam suspender as suas funções? É o mínimo que deveriam fazer face à embrulhada em que se meteram.
Ilustração: Google Imagens.

GUILÉJE DO TEMPO DOS GRINGOS

Há 37 anos que não me cruzava com velhos amigos com quem combati nas matas da Guiné. Do corpo de Alferes e Capitão, um já partiu, o amigo Alferes de Artilharia Pinto dos Santos. Um faltou à chamada e os restantes lá estiveram. No ano passado descobriram o meu contacto e este ano compareci ao convívio. Todos, de cabelo branco, uns gordíssimos, como se pode ver pela comparação das fotos. Gostei da confraternização e de termos trazido à memória aquele velho e preocupante aquartelamento de Guiléje. Ficava na fronteira com a Guiné/Conakry. Ali mesmo, a poucos quilómetros, o famoso corredor de Guiléje que alimentava as tropas "inimigas" no interior do então território nacional.
Guiléje ficava num morro. Como se pode ver na foto, a tabanca era pequena e dispunhamos de uma "pista" onde descia uma DO27, normalmente com o correio. De resto, uma mata densa, onde os abastecimentos se faziam quase de seis em seis meses, na época seca. Julgo que, quizenalmente, um avião deixava cair de paraquedas alguns frescos. De resto, uma vida de muita atenção, de saídas permanentes para o mato, de tensão face aos ataques dirigidos por Nino Vieira, o responsável operacional do PAIGC pela zona Sul.
Comandei um pelotão, todo ele de S. Miguel, Açores (muitos de Rabo-de-Peixe), de quem tenho saudades de muitos deles (foto). Homens bravos, com um grande sentido de entreajuda, trabalhadores e destemidos. Soube que muitos estão emigrados e, nos Açores, estarão quatro ou cinco. Neste convívio abracei o Carlos Silva, o Rocha e o Abílio Delgado (o Capitão), entre outros, homens fantásticos com quem revivemos alguns momentos difíceis entre outros de grande camaradagem.
Pertenci ao último pelotão que saiu de Guiléje, em 1973. Fomos substituídos por uma nova companhia. Poucos meses depois deu-se o cerco pelo PAIGC. Não houve outra alternativa senão fugir, pela calada da noite, pelo trilho da população. Tropas e população, cerca de 300 pessoas, saíram em direcção a Gadamael. Essa companhia viria a deixar no terreno 22/23 mortos, não estou certo, em função dos bombardeamentos. Guiléje foi, assim, a primeira povoação, verdadeiramente conquistada, portanto, a cair nas mãos do PAIGC. Senti a nostalgia dos bons momentos de convívio, mas também o coração apertado pelo tempo de algum sofrimento consubstanciado na guerra e na incerteza de regressar.
O tempo passou e, hoje, há camaradas meus que, de uma forma muito meritória, formaram uma associação que se dedica ao apoio às populações da Guiné e, sobretudo à reconstrução de Guiléje. Poucos madeirenses passaram por Guiléje.
Sequência das fotos (da esq. para a dir. e de cima para baixo): Guiléje com a "pista"; corpo de oficiais com um guia, junto a uma DO27; eu com o Régulo; o meu pelotão; tabanca; Carlos Silva, André e Abílio Delgado (Capitão), de pé; Carlos Silva e Rocha; outros membros da companhia; eu com o filho do Sátala Columbali (o mais experiente guia); eu aos 23 anos; tabanca; idem; idem com uma família; à porta do aquartelamento e uma DO27 (não é do meu tempo) que, segundo me disseram, terá sido abatida e ali colocada. (Clique sobre a foto para ampliar e, depois volte a clicar + sobre a foto que deseja ver em pormenor)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

CIDADES E LUGARES 630. SANGALHOS/PORTUGAL

ALIANÇA UNDERGROUND MUSEUM.
É um espaço expositivo, que se desenvolve ao longo das tradicionais caves da Aliança Vinhos de Portugal. O espaço que se desenvolve até 22 metros abaixo do solo, contempla sete colecções distintas, nos domínios da pintura, arqueologia, etnografia, mineralogia, paleontologia, azulejaria e cerâmica, abrangendo uma impressionante extensão temporal com milhões de anos. O almoço de confraternização, decorreu nas próprias caves, com velhos amigos do tempo da Guiné, onde estivemos, numa povoação de triste memória, Guiléje, foi antecedido por uma visita guiada ao museu, durante quase duas horas. Aqui ficam algumas imagens de um museu que aconselho a visitar a quem por estas bandas passar. Fica muito próximo de Aveiro. (Clique sobre a foto para aumentá-la) Posted by Picasa

A ARTE DE CONFUNDIR

Tudo o que está bem feito foi eu que fiz e que tudo o resto pertence ao antigamente!!! E quando é assim, não há espelho que valha. Talvez, um espelho meu, espelho meu, há alguém melhor do que eu?

Eu tenho como princípio que antes de um político falar (ou qualquer pessoa) deve, primeiro, passar pelo crivo do espelho. Penso que se trata de um princípio importante para que não se cumpra o "bem prega Frei Tomás...". Ora, quando o presidente do governo regional sublinha que "(...) Portugal está demasiado sobrecarregado de impostos e quanto maior for a carga de impostos, menor será o investimento e o emprego pelo que isto tem de ser feito sobre o ponto de vista do corte na despesa", com toda a certeza que não passou pelo espelho lá do palácio, nem reflectiu, por isso, o significado das suas palavras, encaixam-se à luz do tal Frei Tomás. Ele, presidente, que tem possibilidades de criar ou de reduzir impostos, nunca o fez, mesmo quando o desemprego disparou para uma taxa real de 12,1%, tampouco, pergunto, quais têm sido as suas tentativas no sentido de uma consistente redução da despesa? O que a História nos diz é que tem sido sempre a andar em função dos calendários eleitorais e todos os alertas, na sua própria expressão, "têm ido de carrinho".
Depois, falou (hoje) que o País "tem muito organismo inútil que o chamado espírito do 25 de Abril e o caminho para o socialismo criou e é por aí que se começa a cortar". E os organismos inúteis que na Madeira foram criados apenas para gerar empregos, não trabalho, à clique dominante? Então, dir-se-á que o corte terá de começar também por aqui, pela duplicação de serviços, pelas direcções de serviço, pelas chefias de divisão, pelos chefes de si próprios, enfim, pelos lugares que multiplicam, burocraticamente, aquilo que a vida exigia simplificação. Isto é, cortar onde há despesa inútil, cortar na megalomania e cortar em obras que nada acrescentam e que bem podiam e podem esperar.
Só que o presidente não olha para si próprio. Eu sei, eu sei que já foi dito que tudo o que está bem feito foi eu que fiz e que tudo o resto pertence ao antigamente!!! E quando é assim, não há espelho que valha. Talvez, um espelho meu, espelho meu, há alguém melhor do que eu?
NOTA:
Leio que o presidente do governo da Madeira questionou o eventual "excesso de fundamentalismo" relativamente à nuvem de cinzas vulcânicas. Terá solicitado a averiguação, "se não haverá nisto um excesso de fundamentalismo ou se de facto as medidas se justificam" (...) "porque vamos ter de encontrar soluções porque a Europa não pode andar pendente daquele vulcão que tem um nome esquisito qualquer".
Isto é risível, ou melhor, é falar por falar. Eu que estou retido, desde ontem, no Porto, e só terei possibilidades de chegar ao Funchal na próxima Quarta-feira, é obvio que não troco a minha segurança por um qualquer aventureirismo. Será que o presidente, pessoa com responsabilidade política, quando fala não pensa no que diz? Será que não pensa que há regras de segurança a cumprir, que há cientistas a opinar e milhares de técnicos a seguir este despertar da natureza? E quais as medidas a tomar pela Europa, face a uma ilha onde o avião é a única alternativa possível. Será que está tão adiantado que já aventa a possibilidade da teoria da "desintegração humana", isto é, num ápice o corpo deslocar-se-ia de um lugar para outro?
Ilustração: Google Imagens.

O PECADO DA RIBEIRA SECA


Está na hora dos mentores se confessarem!


Concordo, sem retirar uma vírgula, com o texto, directo, sem rodeios, sem... "mas, porém, todavia, contudo"... da Jornalista do DN, Raquel Gonçalves. A situação criada pela Diocese e que ilustres Reverendos da Madeira, um ou outro, abertamente, um ou outro, para além do silêncio do adro, testemunham, está muito para além de uma simples suspensão "ad divinis" imposta pelo falecido Bispo Dom Francisco Santana, ele um apaniguado e acérrimo defensor das políticas social-democratas, lideradas pelo ainda presidente do PSD-Madeira. O que está aqui em causa, aliás, como tenho vindo a sublinhar, é uma questão que está muito para além da gestão corrente da Igreja. É um assunto claramente POLÍTICO, um assunto sujeito a muitas pressões, a muitos telefonemas e que se reduz a um posicionamento que se circunscreve, provavelmente, em uma simples frase: enquanto eu aqui estiver, ele não regressa. É um caso de vitória ou derrota e nada mais. Há uma história de agressividades sem sentido. Se o Padre Martins Júnior, como outros que defenderam a esquerda e a esquerda das esquerdas, em tempos que já lá vão, tivesse alinhado, politicamente, com os social-democratas, hoje era secretário regional ou candidato a Bispo. A análise do processo a esta conclusão me conduz. É por isso que o texto da Jornalista Raquel Gonçalves tem valor e acrescenta muito em termos de reflexão. Aqui fica, com a devida vénia:
"Vergonhoso! É esta a melhor definição para o que aconteceu, este fim-de-semana, na Ribeira Seca. Todo o enredo que rodeou a visita da imagem peregrina é, aliás, digno de uma espécie de realismo mágico à moda da América Latina. Uma santa, padres e um povo que se sente ostracizado por uma Igreja autista e pouco justa.
Pelo meio, uma suspensão 'ad divinis' que se perde no tempo, sem condenação ou redenção e com política à mistura.
Não fosse risível, tudo isto seria trágico. E trágico para quem? Não para os padres, com certeza, mas para o povo que acredita.
Visto de fora, o episódio até pode parecer de pouco interesse, uma discussão de paróquia em torno de uma imagem de barro.
Mas não é assim para quem tem fé. E, neste prisma, se houve alguém a quem a Diocese e os seus padres ofenderam não foi o padre Martins, mas sim o povo da Ribeira Seca. Esse povo que, pela devoção, constitui a verdadeira Igreja. Esse povo que merecia mais respeito e cuja crença não se compadece com brigas de sacristia. É claro que vão começar a chover versões e explicações para o que aconteceu. Se calhar até chovem críticas e condenações à comunicação social, como é tradição. Mas o 'pecado' cometido na Ribeira Seca tem raízes mais profundas do que a retórica que apenas serve para atirar água benta aos olhos. / Raquel Gonçalves, Editora de Madeira".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 9 de maio de 2010

CIDADES E LUGARES. 629/SANGALHOS/PORTUGAL

Sangalhos. Caves Aliança. "Arte, Vinho e Paixão" a trilogia de um museu nas "Caves Aliança". Uma visita a não perder. Posted by Picasa

DE MAL A PIOR...


Percebo o que se está a passar: uma enorme pressão do poder político regional que coloca a Igreja entre esse poder e o Povo da Ribeira Seca. O elo mais fraco é sempre o Povo. Uma vez mais perdeu. Ficou, apenas, com Cristo e com as convicções que emergem da Sua Palavra e exemplo.

Algumas fugazes notas nesta manhã de Domingo.
1ª A Imagem Peregrina. Como católico estas atitudes da Diocese revoltam-me, ou melhor, deixam-me triste. Dificilmente alguém compreenderá o que se está a passar. A Igreja que pugna pelo amor e pela tolerância, acaba de dar um testemunho público dos interesses que se movem para além da Palavra e do adro. O problema é, claramente, político, e tanto assim é que se passaram mais de trinta anos e, sem formalmente acusar e julgar, a Diocese mantém um Padre em uma situação que não prestigia a Igreja. Ao contrário de esbater tensões, o que se verifica é que acicatam essas mesmas tensões. Não entendo, ou melhor, percebo, o que se está a passar: uma enorme pressão do poder político regional que coloca a Igreja entre esse poder e o Povo da Ribeira Seca. O elo mais fraco é sempre o Povo. Uma vez mais perdeu. Ficou, apenas, com Cristo e com as convicções que emergem da Sua Palavra e exemplo.
2ª Disse o Dr. Brazão de Castro, Secretário Regional dos Recursos Humanos: "uma cultura de facilidade é uma política ilusória, de resultados enganadores, de vantagens passageiras". Ora bem, pergunto, mas quem ao longo de mais de trinta anos gerou essa cultura? Quem é que não soube preparar a juventude para os desafios do futuro? Que causas estão na origem dos baixos níveis de competências, de abandono e de insucesso escolar? Quem, durante este tempo, teve responsabilidades pela administração e gestão do sistema educativo na Região?
Por favor, basta de palavras atiradas para o ar, interessantes, correctas, embora "lapalicianas", quando se tem um activo de responsabilidade política que vai exactamente no sentido contrário ao das palavras ditas.
3ª Um texto que vale a pena ler, aqui: "(...) Moralizado o chefe por todos os motivos, apesar de uns 'cabos soltos' que não perderão pela demora. A reconstrução da ilha, por feitiçaria política, atribui ainda mais poderes ao chefe. A enigmática Lei de Meios assinada por Sócrates atiça a tentação do governo regional para passar por cima de reclamações, problemas de expropriações e providências cautelares. Milhões e mais milhões nas mãos do executivo, como na louca época do desenvolvimentismo, mas agora sem tribunal de contas ou quejandos a aborrecer. O que é garantia de sucesso, dados os resultados financeiros destes anos...
Ergue-se o Hino da Região. A comitiva interna-se no salão para os discursos do Dia do Concelho. Chefe aproveita para lamentar: quando já estava no gabinete da Quinta das Angústias a arrumar os papéis para dizer adeus, choveu a desgraça! Agora, como virar as costas em fase tão grave da História da Madeira?! A reconstrução passa a ser "um desafio", uma "questão de honra". Choro contido no salão (...)".
Da minha parte, politicamente, não vai ter vida fácil. A dita "reconstrução" não irá servir para ressurgir dos escombros políticos em que se encontra. A responsabilidade Nacional (não gosto, neste caso, da expressão "solidariedade nacional") tem de ser assegurada através desta Lei de Meios, mas ela não pode servir para, à custa do Povo que sofre, uns encherem a carteira e, outros, salvarem-se, politicamente, quando já, permitam-me a expressão, lambiam as graves feridas de trinta e tal anos de poder.
Ilustração: Google Imagens.

CIDADES E LUGARES. 628 SANGALHOS/PORTUGAL


Participei, ontem, em Sangalhos, no almoço anual dos Gringos de Guiléje. A Companhia 3477 que servi no TO da Guiné. O almoço decorreu nas Caves Aliança. Antes, visitámos o fantástico museu onde podem ser vistas várias colecções do Comendador Joe Berardo. Colecções de Minerais, esculturas contemporâneas do Zimbabué, azulejaria, fosséis com mais de 20 milhões de anos, arqueologia, cerâmica e arte etnográfica africana. Na foto, a colecção de minerais. Posted by Picasa

sábado, 8 de maio de 2010

A POLÍTICA DO SILÊNCIO


O governo enjeita debates, chumba todas as propostas e a Segurança Social fecha as portas ao diálogo... Só aqui e a mando de quem, pergunto?


Hoje, 08 de Maio, é Dia da Segurança Social.
Aqui, na Madeira, que tanto a ela devemos (48.000 apoiados), a instituição que, no fundo, constitui uma extensão da segurança social nacional, o Centro Regional de Segurança Social, que tem por objectivos, segundo leio, "assegurar a gestão dos regimes de segurança social; exercer as modalidades de acção social; participar na elaboração do plano global da Segurança Social na RAM e assegurar o financiamento e a gestão administrativa e financeira do sector na Região", é uma instituição fechada sobre si própria e apavorada sobre o que, eventualmente, se possa questionar sobre a sua actuação. Só assim se justifica o facto de há quatro meses o grupo parlamentar do Partido Socialista ter solicitado uma reunião e, até hoje, não ter tido qualquer resposta. Para além de deselegante e contrário ao normal relacionamento institucional, constitui uma actuação que evidencia uma total falta de respeito pelo primeiro órgão de governo próprio da Região.
Mas eu sei ou pelo menos suponho porque razão isto acontece. Certamente, porque nem tudo é transparente: o número de pobres da Região, os condicionamentos impostos na atribuição do Rendimento Social de Insersão para que a Região não apresente números elevados de pobreza, as questões relacionadas com as dívidas à segurança social, enfim, há um rol de situações que devem ser esclarecidas e que, é meu entendimento, pouco interessará discutir. Depois, parece-me existir o receio que alguém venha a dizer no exterior que tudo o que é do âmbito da Segurança Social é pago pelo Orçamento da República, retirando, assim, o protagonismo que, indevidamente, o governo regional assume.
Ainda existe, por aí, quem pense que é o governo regional que paga as pensões, as reformas, o abono de família, o complemento solidário de idosos, o subsídio de desemprego, o abono pré-natal, o abono para as famílias numerosas, o apoio às famílias monoparentais, o subsídio social de maternidade, o subsídio de desemprego, a acção social escolar, o apoio à parentalidade, o apoio em equipamentos sociais, enfim, parece terem receio de assumir que isso não depende daqui, mas da responsabilidade (e bem) da República. Até os funcionários são pagos pela República.
Parece terem receio de serem confrontados com a necessidade de um apoio suplementar aos pensionistas da Madeira, tão reivindicado que tem sido por vários partidos e, sistematicamente, chumbado pela maioria do PSD no Parlamento. Eu percebo, ora se percebo, que passados quatro meses, ainda não se tivessem dignado receber o grupo parlamentar a que pertenço. Como dizia o Deputado, Dr. Bernardo Martins, o governo enjeita debates, chumba todas as propostas e a Segurança Social fecha as portas ao diálogo... Só aqui e a mando de quem, pergunto?
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

HÁ GENTE POR AÍ MUITO ATENTA


O tecido social apresenta um quadro sintomatológico "gangrenoso", tal como em uma doença, por falta de irrigação sanguínea (dinheiro) e consequente falta de oxigénio (medidas políticas).


Há dias, cruzei-me com uma Senhora Professora do 1º Ciclo, hoje na condição de aposentada. Cumprimentei-a e logo de seguida surgiram as suas primeiras palavras de "agradecimento" por aquilo que o grupo parlamentar do PS-Madeira tem vindo a fazer em defesa do sistema educativo regional e, naturalmente, dos professores. A conversa decorreu por largos minutos, os suficientes para demonstrar que, apesar da idade, é uma pessoa atenta a tudo quanto está a acontecer no sector educativo. Foram momentos muito agradáveis, quando, recorrentemente, dou comigo a pensar se valerá a pena lutar. E são estes momentos que dão ânimo, sobretudo porque, ao contrário do que se possa imaginar, há por aí muita gente atenta.
Num ápice, como quem tem necessidade de desabafar, a conversa foi saltando de assunto em assunto, até que, inevitavelmente, foi bater ao comportamento político do presidente do governo. Disse-me, quase textualmente: "ele estava preso por um fiozinho de retrós e eis que S. Pedro lhe deitou mão em Fevereiro" (...) "e para mal de nós, vai continuar". Achei graça no fiozinho de retrós, a significar que estava sem margem para actuar e à beira do precipício político. Ao contrário da minha interlocutora, penso que 20 de Fevereiro não constituirá a sua salvação política. Os milhões que a responsabilidade da República remeterá para a Madeira, através da designada "Lei de Meios", constituem um penso rápido em uma ferida profunda e infectada a originar gangrena política. Os milhões têm destino, isto é, visam a recuperação do que a tragédia levou, porém, vai continuar o drama do desemprego, da pobreza em uma espiral que só uma radical mudança de orientação estratégica poderá esbater. E levará muitos anos. O tecido social apresenta um quadro sintomatológico "gangrenoso", tal como em uma doença, por falta de irrigação sanguínea (dinheiro) e consequente falta de oxigénio (medidas políticas). Eu diria que os milhões que aí vêm não são mais do que uma pomada que pode atenuar a comichão mas não dá para ir ao âmago e fazer sarar os dramas que por aí andam.
Cara Professora, nem sabe quanto gostei de falar consigo. É bom sentirmos que não estamos sós nesta luta por uma Escola melhor, isto é, por uma Escola de qualidade e de excelência que prepare os nossos jovens para um futuro de bem-estar para todos. Só que, Professora, eles não ouvem e quando falam é para ofender. Infelizmente.
Ilustração: Google Imagens.