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terça-feira, 31 de março de 2009
REFORÇAR O FANATISMO
segunda-feira, 30 de março de 2009
JOÃO SOUSA A MELHOR OPÇÃO PARA LIDERAR OS PROFESSORES

domingo, 29 de março de 2009
QUE ESCLARECIDA ANÁLISE...
ACORDAI, MINHA GENTE, ACORDAI!
sábado, 28 de março de 2009
QUINTA DO LORDE E A REDE NATURA 2000

sexta-feira, 27 de março de 2009
PARECE HAVER GENTE AFLITA...
quinta-feira, 26 de março de 2009
TALUDA PARA OS PARTIDOS E ALTERNÂNCIA NO PODER
quarta-feira, 25 de março de 2009
CASO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
Regresso ao Funchal e, pelo caminho, oiço o Presidente do Governo da Região dizer que a nossa presença no Tribunal de Contas é caso “para uma avaliação psicológica”. Coisa que não tem novidade. Mas sempre adianto que talvez este encontro com o Presidente do Tribunal de Contas pudesse ter sido evitado se, por exemplo, todos os pedidos de documentos ao governo regional fossem satisfeitos (um direito dos Deputados) e se o Presidente do Governo prestasse contas aos Deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, comparecendo aos debates e enfrentando a oposição.
É evidente que quem fala daquele jeito demonstra receio de qualquer coisa, sabe e anda aflito com o descalabro das contas da Região e, portanto, explode quando alguém quer saber, tecnicamente, o que se esconde para além dos números e que, tarde ou cedo, terão repercussões na vida de todos os madeirenses e porto-santenses. Aliás, já está a ter.
Uma coisa é certa, vamos continuar a mexer nos assuntos incómodos.
terça-feira, 24 de março de 2009
CUIDADO... O PROBLEMA AGUDIZA-SE
segunda-feira, 23 de março de 2009
MAIORIA ABSOLUTA NÃO SIGNIFICA PODER ABSOLUTO
O Senhor Juiz Conselheiro Monteiro Dinis abordou hoje “problemas nucleares” da democracia madeirense após audiência com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. Monteiro Dinis considerou que os sistema democrático funciona na Região mas o seus resultados têm determinadas implicações. “A maioria absoluta impõe uma determinada orientação e não está sujeita a uma dialéctica interna com as minorias porque depende só da sua própria visão de poder” e as forças políticas minoritárias “não podem reagir contra esta situação, a não ser num plano de mera acção política, dialéctica, contraditória, dentro das armas que dispõem e possuem, que são as da argumentação política, racional, no plano da crítica”. domingo, 22 de março de 2009
EDUCAÇÃO E CONHECIMENTO
PROFESSORES: UMA MUDANÇA INADIÁVEL
sábado, 21 de março de 2009
UMA "PONTE" BOMBARDEADA!
sexta-feira, 20 de março de 2009
DESABAFO EM NOME DO RESPEITO PELA POLÍTICA
CUMPRIR E FAZER CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
O Senhor Presidente da República entendeu remeter este assunto para o Senhor Representante da República Madeira, facto que, pessoalmente, considero menos acertado. Fundamentalmente porque o Senhor Presidente jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e, neste pressuposto, não pode nem deve desresponsabilizar-se de uma matéria face à qual tem autoridade.
Aliás, o Presidente esteve na Madeira há cerca de um ano, não actuou e hoje a situação é considerada bem pior, permanecendo a Madeira, neste aspecto, uma terra que não cumpre a Constituição. Há, de facto, um claro agravamento dos direitos da oposição que, entre outros, impede que assuntos de relavante interesse para a Região sejam debatidos na sede própria, na Assembleia Legislativa.
É evidente que não basta dizerem que temos razão. Torna-se importante que o Senhor Presidente actue. E uma actuação passa, inevitavelmente pelo Presidente enviar uma mensagem à Assembleia Legislativa onde equacione estes e outros aspectos. Porque não faz sentido que um partido, com as suas atitudes, bloqueie o cumprimento da Constituição. Agora, se o Presidente não quer resolver temos então de saber a quem teremos de recorrer. Não está, por isso, excluída a possibilidade de levar o assunto até junto das instâncias europeias. Entendo que não se deve abdicar do direito de vermos exaustivamente debatidos e quantas vezes forem necessárias, os assuntos que têm a ver com toda a população. Ademais, a situação que a Região vive em quase todos os campos da governação é demasiado grave para que seja escondida dos olhos dos madeirenses.
quarta-feira, 18 de março de 2009
O EXERCÍCIO DA POLÍTICA EXIGE SERIEDADE
A primeira conclusão é também a primeira mentira do governo: os 4 anos de espera pelos 50 milhões têm um responsável mas não é José Sócrates, é a Manuela Ferreira Leite. Os 50 milhões permitidos agora à Madeira também têm um responsável mas não é Manuela Ferreira Leite. É José Sócrates.
A segunda conclusão é que o Governo do PSD anda “à sombra da bananeira” e deixa-se ultrapassar pelos acontecimentos, prejudicando os madeirenses. O Estado lançou a segunda edição do Programa Pagar a Tempo e Horas (em que a RAM foi a principal beneficiada em 256 milhões de euros), que agora se chama Programa de Regularização da Dívida do Estado e este esteve aberto até 15 de Janeiro de 2009 à espera de interessados e candidaturas. Ora, paradoxalmente, a RAM não submeteu nenhuma candidatura (!). Em contrapartida AJJ sobe e desce palcos para chamar insultar e apelidar de incompetentes outros que não têm responsabilidade de governação na Madeira.
A terceira conclusão, a segunda mentira decorre da apreciação do PSD sobre a possibilidade da Lei das Finanças Locais transferirem para os municípios e estes para os cidadãos os 5% de IRS cobrados na RAM. Ou seja, a possibilidade das câmaras baixarem impostos aos cidadãos.
Mesmo assim o PSD e o Governo não legisla sobre a matéria e vota contra as propostas apresentadas nesse sentido e tem o descaramento de mentir. Assim, rouba aos madeirenses os tais 8,2 milhões de euros que estão no cofre do Governo do PSD e não, como devia, nas mãos dos madeirenses que em tempo de crise fazia toda a diferença.
OH 31... PRESENTE!
ALERTA VERMELHO
terça-feira, 17 de março de 2009
MAIS 50 MILHÕES PARA JUNTAR À DÍVIDA
REMAPATERRA
ELA DISSE: ESTAMOS FARTOS E CANSADOS E NINGUÉM NOS OUVE!
"A MADEIRA SERÁ O QUE OS MADEIRENSES QUISEREM". ANTES QUE SEJA TARDE!
segunda-feira, 16 de março de 2009
CONTINENTAIS VADIOS E A NATUREZA AO SERVIÇO DO HOMEM!
FUNCHAL - PORTO SANTO € 55,00. PORQUÊ? É MUITO ESTRANHO!
O Grupo Parlamentar do Partido Socialista-Madeira, nos termos do artigos 217º e 218º do Regimento da Assembleia Legislativa da Madeira, requereu a Constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre todos os termos da decisão do governo em prorrogar a concessão da linha marítima de transportes de pessoas e mercadorias entre o Funchal e o Porto Santo, nove anos antes do seu fim, alargando o prazo por mais 10 anos. O Grupo Parlamentar do PS Madeira pretende avaliar designadamente: os termos do negócio, as contrapartidas, as razões da antecipação da prorrogação e a própria prorrogação, a análise da salvaguarda do interesse público, a transparência do processo, a coerência do procedimento, bem como a sua lisura legal.
Do ponto de vista do Grupo Parlamentar do PS-Madeira existem matérias de significado relevante para o inquérito proposto, concretamente:
As razões da antecipação da prorrogação e o seu alargamento por mais 10 anos;
Quais os estudos que suportaram a decisão;
Se foi ou não acautelado o preço da linha Funchal/Porto Santo que, neste momento, custa € 55,00 para navegar 36 milhas, enquanto a linha Funchal/Portimão, através do Naviera ARMAS, uma viagem de 480 milhas, custa, em média, 100 euros por pessoa.
Sendo assim, porque razão o Governo do PSD não equacionou a possibilidade de outros operadores poderem estar interessados em entrar na linha, pelo menos, em 2015 (data inicial prevista para o fim da concessão)?.
PETIÇÃO DOS PROFESSORES PELA CONTAGEM DO TEMPO DE SERVIÇO CONGELADO
domingo, 15 de março de 2009
UM GOVERNO MAL PREPARADO
sábado, 14 de março de 2009
TECENDO AS TEIAS DO FANATISMO
sexta-feira, 13 de março de 2009
CONTROLO EDITORIAL
quinta-feira, 12 de março de 2009
UM VOTO CONTRA QUE SIGNIFICA DESPREZO PELOS DRAMAS FAMILIARES DE CENTENAS DE FAMÍLIAS
Este facto veio determinar, na prática que, em Janeiro corrente, o número de desempregados inscritos na Região tivesse ascendido, como todos sabemos, a 9.932 pessoas, mais 1.100 do que um ano antes e mais 630 do que no final do ano passado. Por outro lado, as ofertas de emprego na Região diminuíram 43,6% no espaço de um ano e as colocações também desceram, no último ano, para 23%. E estes são dados referentes a Janeiro. Pressupõe-se, face a alguns indicadores, que os próximos meses, no mínimo, não serão favoráveis.
É evidente que esta situação, muito gravosa para as famílias veio determinar a importância em considerar as realidades familiares consequentes da conjuntura.
Ninguém ignora que se existem 10.000 desempregados, muitos com filhos em idade escolar, as carências sentidas no meio familiar estão, desde logo, a afectar centenas de crianças e jovens da Região. Essas crianças e jovens estão na escola, pelo que sentem na pele a situação vivida no seio familiar. Se há menos recursos na família, obviamente que há menos dinheiro para suportar o peso da Educação. É o passe do transporte escolar, é a alimentação, é o lanche, são os custos do material escolar, enfim, muitas famílias vivem situações muito complicadas que qualquer um de nós, por princípio de humanidade e de respeito para com os outros, deveria ser sensível.
Quem já vivia em ambiente de pobreza vê agora a sua situação agravada. Não nos podemos esquecer de um estudo que coloca a Região acima dos 30% de pobres. Trata-se de um estudo académico, elaborado em bases de rigor científico que não pode ser secundarizado. Até porque não é o primeiro. Outros apontaram no mesmo sentido, apesar do discurso oficial continuar a contrapor com valores substancialmente diferentes.
Mas uma coisa é o discurso oficial outra bem diferente é o discurso dos factos. E neste aspecto não há por onde fugir, uma vez que quem conhece o que é um trabalho académico saberá, certamente, os pressupostos de rigor em que os mesmos assentam.
Temos uma pobreza muito significativa, temos muita gente a passar mal, temos uma economia que não está a responder ao quadro social que está aos olhos de todos e temos um alto grau de incapacidade de resposta por insuficiente habilitação académica e profissional de uma grande parte dos desempregados.
Este quadro é real e nada tem a ver com um discurso apenas de oposição.
Senhores Deputados, no meu dia-a-dia tenho-me confrontado nos últimos tempos com pessoas que choram a situação que estão a viver. Tentam disfarçar as agruras da vida mas terminam sempre com lágrimas na cara. Porque lá em casa começa a faltar alguma coisa. Nós que aqui estamos, Senhores Deputados, não sentimos isso. Façamos muito, pouco ou mesmo nada, no dia 25 de cada mês, o dinheiro está na conta. E esquecemo-nos da fome, da miséria, dos direitos que os outros têm a um mínimo de bem-estar.
Nós, Senhores Deputados damos tudo aos nossos filhos e aos netos. O que precisam e o que não precisam. Enciclopédias, livros, materiais pedagógicos, jogos, computadores, playstation, viagens, enfim, tudo, e muitas vezes não percebemos ou não queremos perceber que há gente que tem direitos, que são pessoas, pessoas que apenas não são da nossa família. Circunstancialmente, nasceram ali, num ambiente pobre, marcado pelas carências.
A política existe, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, desde logo para corrigir orgasmos diversos, para que logo à partida não tenhamos uns condenados e outros com as portas abertas para o sucesso. Porque a pobreza não pode ser uma fatalidade. Ela existe por distorções do exercício da política, por prioridades que não são respeitadas, porque os políticos muitas vezes olham apenas para a eleição seguinte e raramente para a geração seguinte.
Eu sei, todos nós sabemos, apesar de todos os ataques que, diariamente, são feitos ao Governo da República e, particularmente, ao Primeiro-Ministro, que este governo tem demonstrado uma grande sensibilidade social. Não podemos esquecer o alargamento do Montante Adicional para apoio às despesas com educação; a majoração do Abono de Família em 25% no 1.º e 2.º escalões; a majoração do Abono de Família em 20% às famílias monoparentais; a duplicação do Abono de Família às crianças entre os 12 e os 36 meses, a partir do 2.º filho e triplicação a partir do 3.º filho; o apoio às famílias através da redução do IVA para os assentos para transporte de crianças em veículos automóveis; o complemento solidário de idosos que abrange centenas de pessoas na Região; a majoração das despesas com habitação (juros e amortizações) em função da matéria colectável; a continuação do rendimento social de inserção e o apoio às despesas escolares das famílias, pela instituição da 13.ª prestação do abono de família. E tudo isto tem sido feito passando um défice de 6,68% em 2005 para 2,2% em 2008.
A situação internacional veio determinar novos quadros que são muito complexos. Queremos dizer com isto que para além do esforço do País, a Região que tem órgãos de governo próprio não pode nem deve furtar-se aos actos de necessária solidariedade.
É tempo do governo colocar-se no lugar dos pobres e excluídos; é tempo de sair dos gabinetes e ir ao terreno e ver como vivem as pessoas, como anda a satisfação das necessidades consideradas básicas; é tempo de olhar para a nova configuração da pobreza resultante do beco sem saída do consumo; é tempo de olhar para uma classe dita média mas que está em risco de pobreza; é tempo de olhar para o número crescente de sem-abrigo; é tempo de olhar para as famílias, para a solidão, para o alcoolismo, para a toxicodependência; é tempo de olhar para o porquê do consumo de anti-depressivos e para as consequências daí resultantes; é tempo de olhar para o número de suicídios que se verificam na Região; é tempo senhores deputados da maioria de colocarem o governo a governar; é tempo de cortar, drasticamente, nas despesas correntes que nada adiantam; é tempo de rever planos megalómanos e atentar naquilo que necessário e gerador de emprego não precário; é tempo de humildade política, do governo assumir as suas responsabilidades, de deixarem de olhar para o umbigo porque há mais mundo para além do umbigo de cada um de nós; é tempo de olhar para as centenas de crianças pobres filhas de famílias desestruturadas que andam por aí em casas de acolhimento, de olhar para as centenas que batem à porta da Igreja, na Cáritas e tantas outras instituições de solidariedade; é tempo de dizer não a novos templos e colocar o dinheiro disponível ao serviço do desenvolvimento; é tempo de acabar com a escandalosa subsidiodependência do associativismo em geral; é tempo, senhor presidente, senhoras e senhores deputados de, também aqui, nesta nossa Região Autónoma, estabelecermos como objectivo “pobreza zero”.
O combate à pobreza, a erradicação da pobreza deve constituir um desígnio regional. Lutando contra ela estamos, certamente, a criar os pressupostos de um futuro melhor. Estamos a defender a estabilidade social e a diminuição do crime. Mas isto implica determinação, coragem, convicções e políticas lúcidas. Não se resolve com um almoço ou um jantar onde se reúnem alguns idosos, pobres, e onde se pronunciam discursos vazios de conteúdo e de significado. Marketing político, apenas isso.
Foi tomando consciência da realidade social e partindo do pressuposto que a Acção Social Escolar não pode ser entendida na lógica da caridade, mas numa lógica de direito onde subsista o princípio humanista, de sensibilidade e respeito para com todos os que frequentam a escola pública e, portanto, em função do quadro económico, social e cultural da generalidade das famílias madeirenses, de acordo com os deveres da escola pública que nós entendemos que deve resultar uma acção social que coloque todos num patamar de igualdade e que, por isso mesmo, vá ao encontro da igualdade de oportunidades.
É de acordo com este pressuposto que se considera oportuno e fundamental a criação de um período de excepção, no âmbito do Abono de Família, que venha a colmatar as situações de maior gravidade e risco. Alterar a portaria que regulamenta os diversos apoios parece-nos mais complicado. Esta opção pelos escalões do abono de família, segundo vários pareceres que recolhemos, afigura-se-nos como a medida que melhor se enquadra para o actual momento.
De qualquer forma, estamos disponíveis para debater este assunto em sede de Comissão, para rever e alterar o que for necessário sempre no sentido de chegar junto dos que se encontram numa situação difícil.
Nós entendemos que não é por aqui que resolve a questão de fundo. A questão de fundo é muito mais complexa e neste aspecto, há tantas medidas que têm sido apresentadas no plano da economia e, infelizmente, têm sido chumbadas. Mas não temos dúvidas que se justifica um apoio com natureza excepcional que venha a ajudar o problema das famílias. Esta iniciativa, apenas, tenta esbater uma parte do problema mas constitui um sinal de uma preocupação que deveria nortear o governo da Madeira.
quarta-feira, 11 de março de 2009
PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO EDUCATIVO
Há, entre vários estudos, um de características longitudinais com crianças do ensino básico, financiado pela Fundação Caloust Gulbenkien que pretendeu compreender o envolvimento parental na Escola e o ajustamento emocional e académico.
Uma das conclusões a que os investigadores chegaram é que os “resultados sugerem que a presença dos pais na escola ainda não é uma prática frequente, pois são mantidos padrões tradicionais de relacionamento escola-família, mais centrados no desempenho académico das crianças”.
O estudo conclui, ainda, da existência de um afastamento dos pais do espaço escolar que pode dever-se a diferentes factores: à cultura das escolas não promotora da participação dos pais; à escassa existência de programas que promovam o envolvimento dos pais em actividades no espaço escolar; à existência de actividades num horário que tem pouco em conta a disponibilidade dos pais ou, ainda, a diminuta disponibilidade dos pais para participar em actividades que se perspectivam como pouco relevantes para o sucesso do seu educando.
Dos resultados do estudo pode-se ainda extrair a existência de significativas “diferenças de percepção entre pais e professores relativamente ao envolvimento parental na escola. Curiosamente, os pais percebem, significativamente níveis mais elevados da necessidade de um envolvimento parental que os professores. São dados interessantes sobre os quais torna-se importante reflectir e actuar.
E ocorreu-me falar disto, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores deputados, porque a participação, apesar de constar da lei e do discurso político, a verdade é que ainda nos encontramos muito distantes de uma sociedade que assuma políticas estratégicas de aproximação das famílias à escola, que esbata os problemas de comunicação entre a escola e a família e que, no fundo, possibilite o envolvimento da comunidade no processo educativo.
É evidente que o processo não é fácil. Quem é docente e que participou ou participa activamente no projecto educativo de uma Escola sabe que, infelizmente, há muitos pais e encarregados de educação, pela sua formação, pela sua cultura, pela irresponsabilidade, pela ausência de uma estrutura mental de suporte aos objectivos que a Escola prossegue, não reúnem um mínimo de capacidade para integrar, de forma ajustada, os desígnios de uma escola. Mas também é verdade que há muitos que se interessam e que podem ser os grandes dinamizadores de uma nova cultura de participação.
E já que falo de uma cultura de participação é importante que se refira – e há estudos que provam isso – que os professores não se têm mostrado muito receptivos a essa desejável co-responsabilização porque também a Escola, enquanto sistema e em sentido abstracto, nunca sentiu essa necessidade de interagir com os outros sistemas sociais.
Essa atitude de chamar, envolver, escutar, reflectir e partilhar a educação, cada um ocupando o seu próprio espaço de trabalho mas de forma conjugada, convenhamos que não tem constituído espaço de inquietação para o sistema educativo. A participação, quase tolerada porque a lei o refere, não tem ido além de uma Associação de Pais, muitas vezes olhada de forma pouco agradável. Uma grande parte das associações é, ainda, meramente decorativa e figurativas.
E a participação dos pais e encarregados de educação, repito, por direito e não de forma mitigada, deverá ir muito mais longe, congregando os contextos família, escola, grupo de amigos, clube desportivo, associação cultural, sempre numa lógica de descoberta cooperante e não de concorrentes, de responsabilidade comum e de parceria e não de estranhos que se digladiam e olham desconfiados.
O sistema educativo ainda não considerou que bastou meio século para assistirmos a profundas, contínuas e rápidas transformações sociais, culturais e tecnológicas. E que as lógicas em que se fundamentava o processo de escolarização e de educação sofreram radicais mudanças que necessitam, hoje, de novos envolvimentos e enquadramentos sob pena da escola não conseguir acompanhar os tempos que vivemos.
De facto, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, há uma profunda desadequação, a escola hoje mantém uma matriz muito idêntica à da Sociedade Industrial e, por múltiplos factores, não tem sido capaz de descobrir as mudanças e adaptações aos novos tempos.
A sociedade andou mais depressa que a escola embora a escola dela faça parte. Em abstracto, a escola parou no tempo, não se sentiu compelida a mudar de roupagens, daí que, esta necessidade da participação dos encarregados de educação no sistema diga bem desse evidente desencontro.
Há uma psicóloga, Marina Almeida, que estou estas questões, que sublinha que, “apesar de todas as transformações deste século, o homem continua a nascer como o animal mais frágil e vulnerável do planeta. Não pode contar unicamente com seus instintos para viver, ele continua dependente de outro ser humano que cuide dele, que dê afecto, protecção, segurança, o eduque para a vida, transformando-o em um ser humano digno deste nome”. É a questão que aqui se coloca, pois quando existe uma relação consistente entre a escola e a família, todos ganham, ganham os estudantes, mas também ganham os pais e os professores.
Mas, para isso, há um longo caminho a percorrer de experiências, de investigação e de partilha de conhecimentos, entre todas as partes. Até agora não foram dados passos significativos nesse sentido. As associações de pais não estão generalizadas e os direitos não estão salvaguardados. E embora já existindo lei, a sua implementação na Região não depende da República. Depende da Madeira.
Este Projecto de Decreto legislativo Regional aqui em debate enquadra-se nesse princípio de aproximação, com direitos, dos encarregados de educação à escola. Essa participação não pode ser, Senhor Presidente, mitigada mas assumida como um direito. Desse ponto de vista, portanto, ninguém deve ser prejudicado. Trata-se, aliás, de um investimento e não de um encargo público, se considerarmos a importância dessa participação nas consequências que podem ocasionar nas famílias e para o desenvolvimento. A escola não pode ser um espaço fechado. Se assim for dele só se pode esperar entropia.
Por isso nada temos a opor na generalidade. Pelo contrário, assumimos que se queremos uma escola participada, envolvida com a comunidade, é evidente que o sistema tem de se abrir e a sociedade tem de suportar os encargos dessa participação.
Há, como dissemos, um longo caminho a percorrer. Daí que, embora não coloquemos em causa o essencial desta proposta, é nossa convicção que este projecto deveria ser aprovado na generalidade e baixar à Comissão para uma análise mais profunda e sistémica na especialidade.
Há aqui aspectos, do nosso ponto de vista, que não estão equacionados. Desde as questões de princípio que aqui falámos, a outras, de pormenor, concretamente, quanto à existência de uma bolsa de horas mensais, o tipo de justificação e um melhor balizamento das funções e motivos que podem ficar sob a alçada deste documento legislativo que reputamos do maior interesse.
FUNDAÇÕES NO ENSINO SUPERIOR
A criação de Fundações para o Ensino Superior, neste caso, universidades e politécnicos, constitui uma proposta que tem origem na OCDE. Na prática, o objectivo centra-se no financiamento das instituições pelo Estado mas através de uma gestão privada.
O Grupo Parlamentar do Partido Socialista entende que esta não é a melhor solução para o ensino superior público, uma vez que o Estado deve ser o garante do acesso ao ensino público universitário ou politécnico. Não é pelo facto de assumir uma característica privada que a qualidade e a excelência irão melhorar. Há boas e más instituições universitárias no sector privado e no sector público. O problema que se coloca é fundamentalmente de natureza organizacional e de financiamento a que o Estado tem de saber dar resposta.
Aquilo que alguns designam por “reforma do ensino superior” não passa pela privatização mas pela responsabilização do Estado. E esta responsabilização implica uma visão global que envolva todo o sistema educativo, da base à cúpula, e não apenas o ensino superior.
É evidente que o sistema tem ser aberto permitindo a livre opção pelo público ou pelo privado, todavia, o Estado deve acautelar a defesa dos desequilíbrios sociais existentes, para que no superior, tarde ou cedo, não venhamos a constatar que apenas uma certa nata tem acesso.
Às instituições públicas exige-se qualidade, desempenho excelente através da investigação e resultados compagináveis com o investimento; ao Estado exige-se equidade e controlo dos desempenhos.
A posição da OCDE tem muito que se lhe diga. Ela não está desligada do Processo de Bolonha e não está desligada de uma tendência, bem orquestrada, para o pensamento único mundial. Nós defendemos a diversidade do conhecimento, o trabalho em rede, a autonomia das instituições, o rigor e a excelência, abrigado sob o chapéu do Estado como garante de iguais oportunidades para todos.
terça-feira, 10 de março de 2009
MANTER O EMPREGO E REDUZIR OS LUCROS!!!
DEPUTADOS QUE NÃO SE DÃO AO RESPEITO
É evidente que manda o bom senso que o Deputado ou um Grupo Parlamentar comuniquem atempadamente as visitas que entendam fazer. E isso, segundo sei, é a prática normal assumida pelos Deputados. O que não faz sentido é o bloqueio, seja lá a quem for e a que partido for, das portas de acesso às mais diversas instituições, ainda por cima públicas.
E não colhe o argumento que tais visitas prejudicam o normal funcionamento dos serviços. É nas horas de serviço e com a presença dos responsáveis que os Deputados devem ser recebidos e esclarecidos. Não há, certamente, um deputado nesta Câmara que não tenha essa sensibilidade quando visita, por exemplo, um hospital ou uma escola.
Por isso, o voto de protesto que aqui é apresentado visa, por um lado, condenar o que tem vindo a acontecer, por outro, restabelecer a dignidade que o Estatuto de Deputado confere a todos nós. Votar contra significaria, apenas, que não nutrimos respeito por nós próprios e pela função que exercemos. Por isso votamos a favor e solicitamos ao Senhor Presidente que envide todos os seus esforços no sentido que situações desta natureza não voltem a acontecer.
Lamento que uma Deputada da maioria argumente que certas pessoas possuem o cartão de livre trânsito para irem ao futebol. Pessoalmente, nem sabia que tal dava acesso. E se dá nem os Deputados se devem baixar a essa situação, tampouco permitir que o seu Estatuto seja ignorado, isto é, o dever que têm de entrar nas instituições e de conhecer como funcionam. Ou será que não desejam que se saiba o que lá se passa?
CHUMBO À REVISÃO GLOBAL DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE
O Projecto de Decreto Legislativo Regional consubstanciava alterações significativas ao Estatuto em vigor: revia para quatro anos os módulos de tempo de serviço em cada escalão, reduzia para 28 anos a chegada ao topo da carreira, abolia a prova pública de acesso ao 6º escalão, consignava um modelo formativo na avaliação de desempenho docente, premiava o mérito, criava uma série de incentivos à fixação do pessoal docente, procedia à contagem do tempo de serviço congelado, enfim, muitas propostas, algumas inovadoras, foram para o caixote do lixo do Parlamento.
Nós lamentamos, porque não esse não é o nosso entendimento da Democracia, da Autonomia e do funcionamento de uma Assembleia.
O chumbo à proposta do PS que deveria ter constituído um ponto de partida para um debate sério e profundo, em função de um conjunto de aspectos que a esmagadora maioria da classe docente reclama, demonstra, inequivocamente, que o Governo Regional continua, ostensivamente, contra os professores.
Reclamam que a vocação da Assembleia é legislativa e não resolutiva, isto é, de recomendações ao governo, mas quando a maioria é confrontada com medidas legislativas da maior importância, chumbam e passam à frente.
Não faz sentido o argumento que, em matéria de avaliação de desempenho, há um grupo de trabalho a estudar essa área. O Estatuto não se resume ao capítulo da avaliação dos professores. É muito mais do que isso. Sendo assim, mandaria o bom senso que a proposta baixasse à Comissão para estudo e compaginação das propostas. Mas não. A lógica do quero, mando e posso sobressaiu, como sempre, ficando prejudicados com isso, toda a classe docente.