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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PARLAMENTO SEM TRANSMISSÃO ONLINE DAS SESSÕES


Se é o povo que paga a Assembleia, logo, a transmissão constitui um seu direito. O povo não pode dispor, apenas, em efetivo direto, das cerimónias do dia 01 de Julho, da responsabilidade da RTP, onde só o poder fala, os intermináveis discursos da tomada de posse do governo ou, aquelas duas horas de discurso do presidente do governo no final dos trabalhos anuais do Plano e Orçamento. A transparência e a divulgação do que está a acontecer, em tempo real, no parlamento, em função da tecnologia existente e dos investimentos realizados, constituem um direito de quem deseja acompanhar os momentos políticos. Aqui e em qualquer parte do Mundo. Negar essa possibilidade arrasta consigo o peso da desconfiança e o medo que todos saibam o que se passa no hemiciclo.

Procuro o sítio da internet da Assembleia Legislativa dos Açores e verifico que a próxima sessão está marcada para o dia 24 de Janeiro, às 10 horas, com transmissão online. Na Madeira, a Assembleia Legislativa, desconheço as razões, há muito que não coloca no ar as imagens do plenário.
Compreendeu-se, até certo ponto, que durante a permanência, no Tecnopólo, por razões de obras de beneficiação e restauro do edifício sede, que a transmissão das sessões não tivesse sido possível. Repito, compreendeu-se, até certo ponto, porém, com novos equipamentos instalados, com o investimento que foi realizado, pergunta-se, o que obsta a que a transmissão online não seja feita? Durante algum tempo, a transmissão registava uma decalagem de alguns minutos entre o que se estava a passar em tempo real e aquilo que o espetador assistia. Uma situação que nunca foi devidamente esclarecida, mas que, dizia-se, possibilitava cortar a emissão aquando de situações desagradáveis como as que ontem se registaram. Do meu ponto de vista essa decalagem não se justifica e se assim foi decidida, demonstra, inequivocamente, a reserva mental dos decisores em função do quadro político em que mergulhou a Assembleia. Se é o povo que paga a Assembleia, logo, a transmissão constitui um seu direito. O povo não pode dispor, apenas, em efetivo direto, das cerimónias do dia 01 de Julho, da responsabilidade da RTP, onde só o poder fala, os intermináveis discursos da tomada de posse do governo ou, aquelas duas horas de discurso do presidente do governo no final dos trabalhos anuais do Plano e Orçamento. A transparência e a divulgação do que está a acontecer, em tempo real, no parlamento, em função da tecnologia existente e dos investimentos realizados, constituem um direito de quem deseja acompanhar os momentos políticos. Aqui e em qualquer parte do Mundo. Negar essa possibilidade arrasta consigo o peso da desconfiança, o medo que todos saibam o que se passa no hemiciclo. Hoje, é preciso estar colado ao online do DIÁRIO para acompanhar, em síntese, os debates e as votações dos deputados. Quem não deve não teme, todavia, o que passa para o exterior é que a maioria política deve e teme!
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
Os insultos desta manhã no Parlamento demonstram, inequivocamente, as razões que levam a maioria e a própria Mesa da Assembleia a não transmitirem online as sessões. O mínimo que o Deputado Edgar Silva ouviu foi a palavra "chulo"! (DN-online)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OXALÁ O SENHOR REPRESENTANTE DA REPÚBLICA CUMPRA AS SUAS FUNÇÕES

ACTUAR NAS CAUSAS PARA PREVENIR CONSEQUÊNCIAS


É evidente que, mesmo em um quadro de normalidade e de respeito, qualquer parlamento não está isento de comportamentos deselegantes e abusivos. Os deputados não são propriamente meninos de coro. O problema é que aquilo que deveria ser exceção tornou-se regra, agora agravada pelo número de deputados de uma força política. E se se verificou um aumento do número de deputados apenas de protesto, logo poder-se-á dizer que esse número resulta da imagem que o parlamento e o governo têm junto dos eleitores.Tudo isto é muito triste. A tempestade resulta dos ventos semeados. Pena tenho dos funcionários da Assembleia, por quem nutro consideração e estima, que se vêem envolvidos, porque empurrados, para uma briga que não é sua. De resto, não é sua função.


É óbvio que ninguém, com um mínimo de bom senso e de respeito por si próprio, no caso específico dos deputados, respeito pelos eleitores que representam e pela dignidade que devem ao primeiro órgão de governo próprio, ninguém, repito, aceita as cenas desta manhã no parlamento da Madeira. Acabo de seguir a reportagem da RTP e, uma vez mais, fiquei chocado. Ao ponto a que isto chegou, interroguei-me. Péssimo exemplo para os mais jovens da nossa sociedade, continuada degradação da imagem do parlamento, vulgarização da importância da actividade política dos deputados, enfim, um parlamento que, literalmente, bateu no fundo. A dignidade, o respeito e a sua imagem pública, é minha convicção, só serão devolvidos quando a configuração parlamentar for diferente. E para isso necessário se torna que o povo tome consciência que assim não pode ser e que, portanto, com o poder do voto, altere este quadro absolutamente degradante. Fica pois clara a minha total repulsa pelos comportamentos marginais que não ajudam o debate político, a democracia e a consolidação da Autonomia.
Porém, a par da veemente condenação, necessário se torna olhar para as causas dos comportamentos. Dir-se-á que nada justifica, mesmo quando existe um somatório de situações criadas que potenciam certos comportamentos. Aceito este ponto de vista, até porque eu, por exemplo, nunca seria capaz de enveredar por tais caminhos. Prefiro a utilização da arma da palavra, oral ou escrita, do que baixar ao nível da provocação e do confronto. Mas tenho de convir que outros se manifestam de forma diversa. E aqui é que se coloca o núcleo da questão que sintetizo em uma simples frase: quais as causas que provocaram, nos últimos anos, a desrespeitabilidade do parlamento, a degradação do pensamento político e o número de deputados de uma força política apenas de protesto? A questão penso ser esta. É na resposta a esta questão que se encontram, em minha opinião, as razões mais substantivas que contribuem para aquilo que é hoje o parlamento regional. Um parlamento, anos a fio, marcado pela obediência cega ao partido da maioria; um parlamento que tudo chumba; um parlamento que não abre espaços de debate sério e profundo; um parlamento considerado pelo próprio presidente do governo como uma "casa de loucos"; um parlamento cuja maioria rejeita a presença nos debates do presidente do governo e dos secretários regionais; um parlamento que, neste momento de grande aflição económica, financeira e social, atira para longe o debate sobre as situações muito graves que a todos diz respeito; um parlamento cuja maioria altera o regimento sempre que a oposição descobre uma forma de "furar" as regras que a maioria impõe; um parlamento que conduz um partido a gozá-lo, distribuindo, à sua porta, € 20,00 aos pensionistas, retirados da subvenção parlamentar, como forma de chamar à atenção para o que se está a passar no sector da saúde; um parlamento que chumba comissões de inquérito e que, naquelas que por norma regimental é obrigado a desenvolver, brinca com elas e conclui sempre o que interessa à maioria e não ao esclarecimento da verdade política; um parlamento que reúne cada vez menos vezes, pergunto, se estas não serão causas que potenciam comportamentos inaceitáveis?
É evidente que, mesmo em um quadro de normalidade e de respeito, qualquer parlamento não está isento de comportamentos deselegantes e abusivos. Os deputados não são propriamente meninos de coro. O problema é que aquilo que deveria ser exceção tornou-se regra, agora agravada pelo número de deputados de uma força política. E se se verificou um aumento do número de deputados apenas de protesto (tendo em consideração que o protagonista é o mesmo), logo poder-se-á dizer que esse número resulta da imagem que o parlamento e o governo têm junto dos eleitores.
Tudo isto é muito triste. A tempestade resulta dos ventos semeados. Pena tenho dos funcionários da Assembleia, por quem nutro consideração e estima, que se vêem envolvidos, porque empurrados, para uma briga que não é sua. De resto, não é sua função. Perante um momento daqueles não compete aos funcionários reporem a normalidade. É à Mesa que compete suspender os trabalhos, reunir os líderes dos grupos parlamentares e encontrar as adequadas soluções. O problema é que, lamentavelmente, tudo isto vem em crescendo, pelo que, estou certo, a população será confrontada com novos episódios.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CHOCANTE: "CHULOS FIQUEM NA MADEIRA..."


"Ó Desporto, tu és a paz (...) Ó Desporto, tu és a Justiça (...). Ora, nem paz nem justiça podemos encontrar naquela estúpida frase. O que dela ressalta é, por um lado, o confronto entre os que vivem no espaço continental e no espaço insular, por outro, a confusão entre as políticas de um homem que governa a Região e todo o seu povo. Nem é correto estabelecer o confronto, nem é justo confundir o povo com o espartilho de um poder que tudo secou à sua volta.


Os madeirenses não devem
ser confundidos com
as atitudes de quem governa.
"Chulos, fiquem na Madeira e não roubem mais dinheiro a Portugal!" foi a frase que marcou um encontro de basquetebol, em Lisboa, entre o Benfica e o CAB-Madeira. Trata-se de uma frase chocante e que me irritou por dois motivos: primeiro, por ser exibida em um encontro onde a palavra "desporto" surge espezinhada. O ponto IX da Ode ao Desporto de Pierre de Coubertin, sublinha: "Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações felizes entre os Povos, aproximando-os no culto da força dominada. (...)". Isto para além do ponto III: "Ó Desporto, tu és a Justiça! A equidade perfeita, em vão perseguida pelos Homens nas instituições sociais (...). Neste pressuposto, em um espaço desportivo, mesmo tendo como pano de fundo uma competição profissional, os mais altos valores daquela prática deveriam estar salvaguardados: "Ó Desporto, tu és a paz (...) Ó Desporto, tu és a Justiça (...). Ora, nem paz nem justiça podemos encontrar naquela estúpida frase. O que dela ressalta é, por um lado, o confronto entre os que vivem no espaço continental e no espaço insular, por outro, a confusão entre as políticas de um homem que governa a Região e todo o seu povo. Nem é correto estabelecer o confronto, nem é justo confundir o povo com o espartilho de um poder que tudo secou à sua volta.
Todavia, há causas para que aquela situação tivesse acontecido. Houve um tempo que o povo residente em Portugal Continental achava graça ao "chefe" cá da paróquia. Um dia, num táxi, o condutor disse-me que "Portugal precisava de um Alberto João! Respondi-lhe, argumentando, quanto ele estava enganado. Hoje, consequência do sistemático e desbocado ataque a tudo e a todos, figuras do Estado e outras, a par do total desvario das contas públicas, porventura o tal taxista dir-me-ia: fiquem com ele! Portanto, aquela frase surge, entre outras plausíveis razões, por um estado de revolta relativamente a quem lançou ventos. Hoje, temos aí a tempestade que se apresenta com frases que chocam os que vivem na Região e que nada têm a ver com os disparates de um político, que ama o poder e que nele parece querer ficar até ao fim dos seus dias. Se é ao povo que compete resolver esta situação, no momento do voto, alguém, para já, tem de fazer um esforço para que a imagem da Madeira e do seu povo não seja espezinhada da forma como começa a ser sensível.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 15 de janeiro de 2012

NOITE DE DOMINGO


Porque hoje é Domingo, porque bem me faz e porque gosto de recordar os lugares por passei, neste caso, o Musikverein de Vienna.

sábado, 14 de janeiro de 2012

CONGRESSO DO PS-MADEIRA

 

CONGRESSO DO PS: TRÊS INTERVENÇÕES FANTÁSTICAS


A saúde, em todas as suas vertentes, a educação, da qual dependemos para um futuro melhor e a política de ambiente, aquela política central que não pode ser desligada do ordenamento do território (Thomas Dellinger teve o engenho de situar o problema no planeamento), repito, constituíram uma opção certa na construção de um novo poder político na Região. Há quem faça painéis, com uma avalancha de representantes do regime a repetir paleio que todos conhecem. Neste Congresso, em uma hora, três intervenientes diagnosticaram os problemas e apontaram caminhos.


Está em curso o XV Congresso do PS-Madeira. Esta manhã assisti à cerimónia de abertura dos trabalhos. Uma cerimónia que a organização entendeu dar um figurino diferente, convidando três personalidades da sociedade madeirense para abordarem outros tantos sectores de relevante importância: a saúde, o ambiente e a educação. Tratou-se de uma excelente opção que cativou toda a assembleia que assistiu, em silêncio, aos conteúdos técnicos e políticos, através de vozes que vem da sociedade. Todas as intervenções arrancaram aplausos, porque os convidados, respectivamente, Dr. João Bosco, Professor Doutor Thomas Dellinger e Dr. Paulo Cafôfo, de forma muito directa e sucinta, tocaram nos assuntos que verdadeiramente preocupam e porque souberam alinhar o rol de respostas que terão de ser dadas no plano político. Este momento, do meu ponto de vista, ficará a marcar o primeiro dia de trabalhos, simplesmente porque é por aí que o PS marcará a diferença na afirmação política e pública de uma necessária alternativa. Isto não quer dizer que um Congresso não deva servir para escutar a opinião dos militantes. Não é isso. Aliás, ao longo desta tarde, na esteira da apresentação das moções, os militantes terão direito a dizer o que lhes vai na alma. Mas, para além das questões meramente internas, dirimidas com fervor, porque também são de desabafo, aquela opção de audição sobre os sectores determinantes da nossa sociedade, afigurou-se-me como uma estratégia muito bem conseguida. A saúde, em todas as suas vertentes, a educação, da qual dependemos para um futuro melhor e a política de ambiente, aquela política central que não pode ser desligada do ordenamento do território (Thomas Dellinger teve o engenho de situar o problema no planeamento), repito, constituíram uma opção certa na construção de um novo poder político na Região. Há quem faça painéis, com uma avalancha de representantes do regime a repetir paleio que todos conhecem. Neste Congresso, em uma hora, três intervenientes diagnosticaram os problemas e apontaram caminhos.
O PS-M tem um novo líder, Victor Freitas. Faço votos para um mandato de sucesso. Esta abertura hoje demonstrada poderá ser o prenúncio de uma cada vez maior integração na sociedade. O caminho é duro, muito estreito, mas aliciante, até porque o PS-M é a única alternativa de poder na Região. Basta olhar para a normalidade dos resultados eleitorais desde 1976. Neste caso, político, eu diria que a excepção não subverte a regra histórica.
Uma palavra para o Dr. Jacinto Serrão. O mesmo que levou o PS-M a resultados fantásticos (três deputados na Assembleia da República, dezanove deputados na Assembleia Legislativa da Madeira, mais de 40% de votos em várias autarquias e um deputado europeu), face a várias situações da conjuntura nacional, não teve a sorte do seu lado. E, quando isso acontece, nada há a fazer. Aqui como lá, a mudança acabou por verificar-se. Porém, o seu posicionamento em matéria europeia, sobre as quais tem sido frontal (a sua Moção ao Congresso Nacional do PS foi esclarecedora), lança-o, certamente, para novos vôos políticos.
Neste Congresso que amanhã termina, rodeia-se de uma enorme expetativa a intervenção final do Secretário Geral, Dr. António José Seguro. É que a intervenção acontece em um momento de negociação do governo regional com o governo da república a propósito do acordo de ajustamento financeiro. Para além desta matéria de fulcral importância, é natural que o Secretário Geral aborde o actual quadro político nacional.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

EDUARDO CATROGA: EU TENHO UM VALOR DE MERCADO


Nada tenho contra o cidadão Eduardo Catroga, cidadão de 70 anos, e o seu manifesto desejo de continuar activo. É um direito que lhe assiste. E não me incomoda que assuma um qualquer lugar de responsabilidade gestionária. Incomoda-me é que uma empresa lhe pague cerca de seis vezes mais que o Presidente da República. Incomoda-me é a disparidade entre um trabalhador que ganhe € 12.000,00 por ano, precisar de 50 anos para ganhar o que este senhor ganha em um ano apenas. Essa disparidade é que incomoda. Todo o trabalho deve ser remunerado, mas há valores que são obscenos, mesmo quando fundamentados à luz da teoria do "valor de mercado".

Quando foi Ministro ficou conhecido pelo "Cadroga de Ministro!". Hoje tem o desplante de dizer que tem um "valor de mercado". Tal como o Ronaldo, assumiu. Julgo que são seiscentos mil euros por ano! Bom, já sabíamos a paixão deste senhor pelos "mercado(s)", mas não era necessário ser tão descarado. Julgo que deveria ter um pouco de respeito pelos concidadãos ou, então, um espelho para analisar a sua participação no XII Governo Constitucional, o terceiro de Cavaco Silva, à luz desse valor de mercado. Cavaco Silva que, curiosamente, em 2007, o condecorou com a Grã Cruz da Ordem de Cristo. Dir-se-á, tudo em família! Mas, isso, pouco me rala. O que é preocupante e que não favorece a respeitabilidade dos políticos, não é apenas a aproximação a Frei Tomás, mas o descaramento. Ronaldo ganha muitos milhões, é certo. Considero, mesmo na indústria do futebol, que os quantitativos que ele e outros auferem constituem uma afronta e uma ofensa, simplesmente porque o limite do razoável não deve ser ultrapassado. Só que o futebolista CR7 é uma marca que vende ao contrário de Catroga que não acrescenta nada. A EDP vai continuar a facturar muitos milhões com ou sem Catroga, o que significa que este tipo de nomeação(ões) cheira(m), ao comum dos cidadãos, um toma lá dá cá em função de outras fidelidades e colaborações. E aquilo que condenavam nos governos socialistas, agora, é justificado como pessoas de competência ímpar. Estou esclarecido. 
Nada tenho contra o cidadão Eduardo Catroga, cidadão de 70 anos, e o seu manifesto desejo de continuar activo. É um direito que lhe assiste. E não me incomoda que assuma um qualquer lugar de responsabilidade gestionária. Incomoda-me é que uma empresa lhe pague cerca de seis vezes mais do que ganha o Presidente da República. Incomoda-me é a disparidade entre um trabalhador que ganhe € 12.000,00 por ano, precisar de 50 anos para juntar o que este senhor ganha em um ano apenas. Essa disparidade é que me  incomoda. De resto, todo o trabalho deve ser remunerado, mas há valores que são obscenos, mesmo quando fundamentados à luz da teoria do "valor de mercado".
E são estas pessoas que aparecem a falar dos outros, dos malandros que não querem trabalhar, a falar de economia quando, no fundo, nada mais fazem do que arquitetar as linhas dos seus próprios interesses. Mas, aqui, nem Passos, nem Víctor, nem Portas abrem a boca, porque se trata de uma disposição que só à Comissão de Remunerações da EDP diz respeito. Santa hipocrisia.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

UMA ASSEMBLEIA TRANSFORMADA EM BIBELÔ REGIONAL


Dir-se-á que ela existe, mas não existe; funciona para apresentação de cumprimentos e para questões de natureza institucional, mas o seu hemiciclo é mais decorativo do que de debate e audição das várias opiniões que emergem da sociedade. Na República não é assim. Nos Açores não é assim. Mas, na Madeira, nesta sui generis democracia à moda do "vigia da quinta", é assim. A "austeridade", por exemplo, que afeta tudo e todos, que coloca toda a sociedade com o credo na boca, não constitui motivo de debate, de análise, de troca de argumentos, pois isso está entregue nas mãos de um único homem, de um único político.


A Assembleia Legislativa da Madeira afunda-se no labirinto dos interesses partidários. Ela demite-se, e disso a maioria faz gala, da sua vocação primeira, da sua missão primeira, a do debate político e o da fiscalização dos actos do governo. Perguntar-se-á, então, para que serve esta espécie de bibelô regional, construído ao longo de trinta e tal anos pelos artesãos do PSD-Madeira? Como justificar ao povo contribuinte 13, 14 ou 15 milhões de euros de orçamento, se os deputados da maioria parlamentar demitem-se da sua função de acompanhamento e de esgrima dos argumentos de natureza política? Dir-se-á que ela existe, mas não existe; funciona para apresentação de cumprimentos e para questões de natureza institucional, mas o seu hemiciclo é mais decorativo do que de debate e audição das várias opiniões que emergem da sociedade. Reúne para o essencial. Na República não é assim. Nos Açores não é assim. Mas, na Madeira, nesta sui generis democracia à moda do "vigia da quinta", é assim. A "austeridade", por exemplo, que afeta tudo e todos, que coloca toda a sociedade com o credo na boca, não constitui motivo de debate, de análise, de troca de argumentos, pois isso está entregue nas mãos de um único homem, de um único político. Ele é que sabe, ele é que diz que "tem dinheiro" para pagar aos funcionários públicos, falando no singular como se a proveniência desse dinheiro fosse a sua carteira. Para ele é um reles atrevimento outros se imiscuírem nas suas posições. Para ele tudo gira à sua volta, todos têm de ajoelhar-se, todos lhe devem vénia e todos devem depender dos seus bons ou maus humores, desde deputados a empresários passando por todo o movimento sindical.
E assim estamos entregues a um só homem, tendencialmente, a um homem só, porque mesmo aqueles que se subjugam à sua orientação, à "boca pequena" (não estou a falar do JM) começam a ter atitudes que o "chefe" carateriza de "facadas nas costas". Mas, relativamente a esses também há muito lançou o aviso, dizendo que está atento... 
Ora, o momento é de debate e não de silêncios. O momento é de discussão sobre os grande dossiês que estão em cima da mesa. O momento é de encontrar soluções adequadas que conduzam às melhores negociações. O momento não é de escudarem-se nas suas torres de marfim, quando se sabe que o principal negociador não é considerado, não é respeitado, não é aceite como pessoa credível no plano da responsabilidade política. Os silêncios só demonstram perda de poder, o medo que a população descubra que o rei vai nu, o receio de abrir flancos por onde a oposição demonstre a força das suas razões em contraponto com as razões da força. O problema reside aqui, nesta pobre democracia, neste arremedo de democracia que enche o copo das insatisfações. Faltam poucas gotas e extravasará. É uma questão de alguma paciência.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

NEM PASSOS COELHO O ESCUTA! POR FAVOR, DESAMPAREM A LOJA!


Mas, mais grave do que a sua declaração de assina, não assina, é ter levantado a ameaça da "autodeterminação", isto é, ter levantado, pela enésima vez, a pontinha do véu da independência. O Deputado Guilherme Silva, repito, vice-presidente de um órgão de soberania, deveria de coibir-se deste tipo de declarações, mas já que as fez, deve ser muito claro e especificar, ele e o PSD, o que pretendem com esta conversa de treta. Chantagem? Bom, isso foi chão que deu uvas. Mas se é para levar a sério, não fiquem pela chantagem, promovam o referendo (se for possível) e digam também como é que os madeirenses vão viver sob a bandeira da "Flama".

Nos momentos de grande aperto,
emerge sempre a ameaça
da independência.
Penso que pouco mais há para dizer relativamente a este governo regional da Madeira. Todavia, todos os dias, há sempre mais uma posição que, embora não surpreenda, acrescenta qualquer coisa ao conhecido que, no essencial, corresponde à conhecida "fotografia de família" deste (des)governo. Agora, foi o sempre solícito e quase eterno Deputado na República, Dr. Guilherme Silva, que veio pedir "esforço de resistência" (queira fazer o favor de explicar) ao povo da Madeira, face, "coitadinhos"(!), à pressão a que estão a ser sujeitos pela República (se calhar Passos Coelho não é do mesmo partido), deixando de permeio a ameaça do governo não assinar o documento que contempla o programa de reajustamento financeiro, se o mesmo for desajustado em relação às possibilidades da Madeira. Ao invés de vir falar das negociações em curso, da capacidade do governo para bem negociar a situação, vem com a ameaça, com a arrogância de sempre. Fizeram a porcaria e ainda atacam. Pressinto que o ministro Victor Gaspar borrou-se todo com as declarações do Deputado.
Logo ele, o Deputado Guilherme, que deveria ser comedido, uma vez que é vice-presidente da Assembleia da República, Deputado da coligação que governa o País e um dos políticos de mão do presidente do governo regional, logo corresponsável pela situação em que os madeirenses se encontram. Mais grave, ainda, quando, com uma distinta lata assumiu que "(...) O nosso compromisso é a Madeira e os madeirenses, e é neles que estamos a pensar". Um compromisso, digo eu, de trinta e tal anos que determinou esta grave situação. Compromisso com a Madeira que permite uma outra possível interpretação política: o compromisso é com os madeirenses ou foi e é com os interesses partidários, entre muitos outros? Esclareça!
E disse mais o referido Deputado da Nação: "(...) Não é sério da parte de Lisboa, apresentar uma proposta de reajustamento que não seja realista, exequível, séria e razoável". Pois, como não foi sério, nem realista, nem exequível, nem razoável, o governo regional conduzir a Madeira a um estado de penúria e de falência. Não é sério o que a dupla Passos Coelho/Paulo Portas estão a fazer, mas defende, com unhas e dentes a coligação PSD/CDS! Interessante.
Mas, mais grave do que a sua declaração de, assina, não assina o documento, é ter levantado a ameaça da "autodeterminação", isto é, ter levantado, pela enésima vez, em nome do PSD-M, a pontinha do véu da independência. O Deputado Guilherme Silva, repito, vice-presidente de um órgão de soberania, deveria de coibir-se deste tipo de declarações, mas já que as fez, deveria vir a terreiro, ser muito claro e especificar, ele e o PSD, o que pretendem com esta conversa de treta. Apenas mais um número no quadro da chantagem? Bom, todos sabemos que isso foi chão que deu uvas. Mas se é para ser levada a sério, não fiquem pela chantagem, promovam o referendo (se for possível) e digam, também, tim tim por tim tim, como é que os madeirenses vão viver sob a bandeira da "Flama", quando este governo, com todos os apoios e com todos os encargos pagos pela República Portuguesa (segurança social, forças militares, Tribunais etc. etc.) conduziu a Madeira a este monumental sufoco. Oh Dr. Guilherme Silva, deixe-se de histórias, deixe-se dessa política de trazer por casa e se o seu PSD não aguenta o peso do monstro que criou, o peso da responsabilidade de governar em tempo de vacas magras, por favor, desamparem a loja, como vulgarmente se diz! Dedique-se, exclusivamente, à advocacia, mas distante de qualquer trabalhinho directo ou indirecto para o governo regional. Os madeirenses agradecerão a quem com engenho e arte de negociação resolvam o problema criado. Os senhores não são a solução, são o fulcro do problema.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

UMA CONFISSÃO QUE DEVERIA SER MOTIVO PARA IMEDIATA DEMISSÃO


Ficou claro que o governo deve às farmácias porque inverteu, deliberadamente, o leque das prioridades da governação. E, depois, vem com aquela lengalenga que a culpa é do Ministro das Finanças, que não adiantou o dinheirinho do IRS e do IVA, blá blá, blá blá, quando, mesmo com o adiantamento, o problema da dívida e de muitas outras dívidas amontoadas, obviamente, que seriam sensíveis em Fevereiro, Março ou Abril. O problema é de fundo, o problema não é de um qualquer adiantamento, tipo penso rápido, o problema tem uma profundidade e uma gravidade que não se resolve empurrando-o com a gorda barriga do governo.

Eu penso que melhor seria que não tivessem falado. Melhor seria que tentassem resolver os assuntos, desmultiplicando-se em contactos, do que virem para uma conferência de imprensa com subterfúgios e lengalengas esfarrapadas. O secretário das finanças da Madeira ao assumir que a Região precisa de dinheiro como de "pão para a boca", não pode dizer que a crónica dívida, neste momento, de 77 milhões de euros à Associação Nacional de Farmácias, fica a se dever ao facto de, durante muitos anos ter havido outras prioridades, nomeadamente, as das obras públicas. Uma declaração destas deveria ser motivo para que o povo, digo o povo, o demitisse imediatamente. Então, a estrada, a piscina, o pavilhão, o centro cívico, a marina do Lugar de Baixo, enfim, esse largo conjunto de obras públicas, algumas megalómanas, obras do regime, foram prioritárias relativamente à SAÚDE? Não, essa é demais. Apesar de ser uma verdade pública e notória, por decoro, por respeito à Constituição da República, por respeito a esse vasto leque de pessoas pobres e dependentes, o Senhor Secretário Regional das Finanças, com esta confissão, deveria arrumar a secretária e apresentar o seu pedido de demissão.
Ficou claro que o governo deve às farmácias porque inverteu, deliberadamente, o leque das prioridades da governação. E, depois, vem com aquela lengalenga que a culpa é do Ministro das Finanças, que não adiantou o dinheirinho do IRS e do IVA, blá blá, blá blá, quando, mesmo com o adiantamento, o problema da dívida e de muitas outras dívidas amontoadas, obviamente, que seriam sensíveis em Fevereiro, Março ou Abril. O problema é de fundo, o problema não é de um qualquer adiantamento, tipo penso rápido, o problema tem uma profundidade e uma gravidade que não se resolve empurrando-o com a gorda barriga do governo. O problema não se resolverá no dia 16 ou em outro qualquer dia de assinatura do acordo com a República. Nesse dia não sairá do Tejo um contentor cheio de dinheiro para estancar o problema da Região. Desengane-se quem assim pensa. A assinatura do acordo apenas constituirá um momento de clarificação nas relações financeiras, nunca uma solução imediata para os graves problemas face aos quais a Região está envolvida. Os constrangimentos continuarão, a aflição dos empregadores não será esbatida, a pobreza não desaparecerá, as escolas não verão as suas dívidas saldadas, os seis milhões de euros de dívidas aos professores não serão liquidados, os muitos milhões das obras feitas e não pagas não serão pagos, na empresa Horários do Funchal não entrarão os onze milhões que o governo deve, as piscinas não começarão a funcionar porque o gás está pago, enfim, por aí fora, essa extensa e quase infindável lista de dívidas. Ora, desengane-se, repito, quem assim pensa, porque o problema é grave e, por isso mesmo, as dificuldades vão continuar a agravar-se, simplesmente porque os montantes em dívida estão fora das possibilidades das receitas da Região.
Ora, perante um quadro de desastre, única e exclusivamente da responsabilidade de quem governou a Região durante trinta e cinco anos, pasmo como é que a população se mantém tão amorfa que permita que uns governantes, cegos pelo poder, continuem a negar a realidade e a jogar para outros responsabilidades que são próprias. Aquela conferência de imprensa foi patética e ofensiva para milhares de madeirenses e porto-santenses que não têm meios para pagar os medicamentos dos quais dependem. E o secretário dos assuntos sociais saberá o que está a dizer quando aponta como solução, neste momento, a unidose? Quem atribui, quem controla, quem fiscaliza e quem se responsabiliza? Isto é de loucos! Continuo a pensar que isto não acaba bem.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

"ELE NÃO ESTÁ BOM. FAZ PENA!"


Saliento as seguintes passagens: "Saímos da Festa. Cantámos os Reis. Alegrámo-nos. Preparámos a Alma. Foi um bom estágio para o que aí vem. Em 2011 somámos três grandes vitórias. Afinal não há poderes tão poderosos quanto dizem ou se julgam... Que venha 2012!". Deduz-se daqui que, naquela cabeça apenas funciona a festa e as vitórias eleitorais. Sobre os problemas que estão aí para serem enfrentados e solucionados, nem uma palavra. Razão tem esse meu interlocutor no aniversário de um velho Amigo: "faz pena".

Há dias, no decorrer de um aniversário, convivi com algumas pessoas, uma ou outra, de posicionamento político social-democrata. No decorrer de uma conversa onde veio a propósito a entrevista do presidente do governo à RTP-M, uma delas disparou: "Ele não está bom. Faz pena!". Pois, disse eu, o problema é que está a levar muita gente para o desespero. Entretanto, os dias passaram-se e ontem, alertado por um Amigo, passei os olhos pelo jornal oficial pago por todos nós, o JM. E dei com um artigo de opinião, apenas hilariante e denunciador da fragilidade política em que ele se encontra. Trata-se de um pedido, quase dramático, aos "companheiros" do seu partido. Da altivez, do quero, posso e mando, da atitude de chicote numa mão e cenoura na outra, o "chefe", escorregando montanha abaixo nas pedras soltas que foi deixando ao longo da subida de trinta e tal anos, quase suplica: juntem-se a mim! Aqui fica um pequeno excerto:
"Caro Companheiro:
Terminou o ano difícil de 2011. Mas, no percurso que há muito trilhamos juntos, porventura algum ano foi fácil?... E não os ultrapassámos sempre, vencendo?... E esta nossa capacidade para enfrentar as dificuldades e domá-las, é agora que vai estar em causa, apesar da dimensão com que se apresentam em 2012? Saímos das nossas Festas. De Natal e de Fim do Ano. Cantámos os Reis. Alegrámo-nos como sempre, vivemos entusiasticamente as boas Tradições que trazemos do berço, começadas com trisavós dos nossos trisavós. Preparámos a Alma, também a nossa alma madeirense, robustecemos as convicções que são a nossa Força. Atrevo-me a dizer-Te que foi um bom estágio para o que aí vem.
Que venha! Até num 2011 tão complicado, somámos três grandes vitórias. E, a última, que sabor nos deu! Afinal não há poderes tão poderosos quanto dizem ou se julgam...
Que venha 2012! Estamos preparados para vencê-lo, tão bem como fomos bons festeiros na Quadra que terminou. É que enquanto celebrávamos a Festa, Tu, eu e os outros Companheiros, também nos orgulhávamos dos nossos resultados pela Madeira, da nossas capacidade para fazê-los, da determinação que sentimos possuir. Ou não foi a nossa aptidão que mudou a qualidade de viver do Povo Madeirense?... Ou não foi o amor a esta nossa pequena Pátria, que nos fez arriscar tudo, actuar na altura certa, oportuna?... E contra tantos!... (...)"
Saliento as seguintes passagens: "Saímos da Festa. Cantámos os Reis. Alegrámo-nos. Preparámos a Alma. Foi um bom estágio para o que aí vem. Em 2011 somámos três grandes vitórias. Afinal não há poderes tão poderosos quanto dizem ou se julgam... Que venha 2012!". Deduz-se daqui que, naquela cabeça apenas funciona a festa e as vitórias eleitorais. Sobre os problemas que estão aí para serem enfrentados e solucionados, nem uma palavra. Razão tem esse meu interlocutor no aniversário de um velho Amigo: "faz pena". Simplesmente porque há políticos que não sabem que há um momento para participar e um momento para bater em retirada! Essa noção do tempo certo foi engolida pela montanha dos interesses político-partidários e outros que, certamente, só a História desvendará. Mas é triste vermos um político na decadência absoluta e a pedir que a "ALMA" dos outros ajudem a salvar a sua, isto é, do labirinto no qual se meteu. 
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 8 de janeiro de 2012

VÃO "MORRER" PARA LONGE!



Com uma distinta lata, usam, na lapela, um pin com a bandeira de Portugal, sinónimo de uma luta pelo país que dizem defender. Para ele, Miguel Relvas, quando vê os jovens lá fora, fica-lhe a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". Oh, senhor ministro, sabe-se que até 1974 teve de viver em Angola. Foi a independência que fez os seus pais regressarem. Pergunto, por que razão não ficou por lá, ou, depois de gerada uma certa estabilidade, o que o levou a não regressar a Angola? E por que não motiva os seus descendentes a emigrarem?


Primeiro foi o Dr. Passos Coelho, agora, o Dr. Miguel Relvas a aconselhar que os jovens tenham os olhos no Mundo. Isto é, uma forma eufemística de dizer aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. O discurso de um ministro não pode ser este. Ora, quando se diz a um jovem para procurar lá fora o que o seu país não lhe proporciona, apenas estamos a empobrecer o país. Mas isso também não constitui novidade. É do primeiro-ministro a asserção que temos de "empobrecer".
Disse o pseudoministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. E digo isto porque  me choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em varíadíssimas áreas técnicas e científicas, e um ministro não conseguir oferecer um sinal de esperança na criação de condições para que esses jovens desempenhem cá dentro o que são "obrigados" a fazer lá fora. A isto designo por incompetência política. E são estes senhores do PSD/CDS que, com uma distinta lata, usam, na lapela, um pin com a bandeira de Portugal, porventura sinónimo de uma luta pelo país que dizem defender. Todavia, na práxis política, refiro-me a Miguel Relvas, quando vê os jovens lá fora, fica-lhe a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". Oh, senhor ministro, onde pára a coerência discursiva e o significado desse pin na lapela? Sabe-se que, até 1974, teve de viver em Angola. Foi a independência que fez os seus pais regressarem. Pergunto, por que razão não ficou por lá, ou, depois de gerada uma certa estabilidade, o que o levou a não regressar a Angola? E por que não motiva os seus descendentes a emigrarem?
Bom, mas que fique claro que não tenho rigorosamente nada contra a emigração. A decisão é individual e deve ser respeitada, em função dos interesses, das condições de trabalho e de uma panóplia de factores que, repito, a cada um diz respeito. Não aceito é que um governo tenha esta postura de incentivo à emigração, quando somos poucos, quando há inteligência e competências formadas cá dentro e que custaram muito dinheiro, e agora se entrega para benefício de outros. Falo a um determinado nível de formação, mas podemos também equacionar o quadro dos menos qualificados, cuja saída do País não constitui garantia de sucesso e independência. Muitos safam-se e milhares continuam a "comer o pão que o diabo amassou". E terá o ministro consciência do que significa a emigração no quadro da rutura das famílias? 
Ora, considerando o momento que Portugal atravessa, penso que de um governo esperam-se medidas tendentes à criação de condições de aproveitamento do seu principal activo, os recursos humanos, condições propiciadoras do desenvolvimento, condições de povoamento do interior progressivamente abandonado, condições propiciadoras de respostas às necessidades do povo. Chutar para longe os problemas caracteriza bem a política de certos senhores. Mas, note-se, emigrar é um direito individual. Não precisa é que o governo incentive.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A EMERGÊNCIA DE UMA ALTERNATIVA


Olho para a situação com uma preocupação acrescida. Não sei se o governo da República tem a exata noção do que se está a passar e dos constrangimentos que vão ser impostos. Não sei, na esteira do que o Primeiro-Ministro em tempos disse, que aos madeirenses competiria resolver a situação (alusão clara ao afastamento do Dr. Jardim e do PSD), se este extremar de posições se enquadra nessa lógica de falta de confiança político-partidária. Não sei se o Governo da República tem algum Plano B para o caso de bancarrota e de convulsão social. Persistem as dúvidas.


Estamos, ainda, no dia 7 de Janeiro e a aflição cresce de uma forma descontrolada. Todos os dias a população está a ser confrontada com dívidas e mais dívidas por pagar e com a claríssima falta de liquidez do governo da Região. O prazo médio, atenção, MÉDIO, de pagamento das facturas está agora em 335 dias; segunda-feira próxima as farmácias passarão a disponibilizar os medicamentos pelo valor real (não deduzirão as comparticipações); as comparticipações nas consultas e exames complementares estão suspensas; os transportes públicos sofrerão aumentos que chegam a atingir os 50%; os hospitais debatem-se com falta de material; as escolas não têm dinheiro para pagar dívidas anteriores e para os seus projectos educativos; o associativismo está em falência. Isto para não falar de tudo o resto, desde os empresários até ao desemprego. Tenho vindo a escrever, como desabafo, que o momento é terrível, preocupante e que necessita, urgentemente, de uma solução. Cada dia que se passa, para a população mais frágil, as crianças e os idosos, mas também para os que procuram e não encontram emprego, a situação agrava-se de tal forma que, parece-me óbvio, que a instabilidade social, eu diria, a explosão social está cada vez mais próxima. A maioria das pessoas não vai aguentar a pressão a que vão estar sujeitas, por maiores que sejam os apelos à serenidade e por melhores que sejam os serviços de apoio à solidariedade social. Até Câmara de Lobos já quer uma extensão da "sopa do Cardoso"! Significativo.
Significativo, também, o siêncio dos governantes, a atitude politicamente murcha em contraste com outros momentos de peito cheio. O vice concedeu uma entrevista ao Diário face à qual ficámos na mesma. Li-a e conclui que não tem qualquer plano sustentável para, paulatinamente, a Região sair da severa crise gerada por culpas próprias; o presidente, passadas umas horas, na RTP-M, foi um desastre em termos de equacionamento das situações e respectivas soluções. A Madeira está, assim, entregue a pessoas com as mãos cheias de nada, vítimas das suas próprias megalomanias, pessoas que estoiraram, completamente, com o tecido empresarial, políticos que geraram um monstro de dívidas e que se sentem metidas em um labirinto do qual não sabem nem conseguem sair. Todas as saídas que procuram acabam bloqueadas, pelo que regressam à estaca zero.  
Olho para a situação com uma preocupação acrescida. Não sei se o governo da República tem a exata noção do que se está a passar e dos constrangimentos que vão ser impostos. Não sei, na esteira do que o Primeiro-Ministro em tempos disse, que aos madeirenses competiria resolver a situação (alusão clara ao afastamento do Dr. Jardim e do PSD), se este extremar de posições se enquadra nessa lógica de falta de confiança político-partidária. Não sei se o Governo da República tem algum Plano B para o caso de bancarrota e de convulsão social. Persistem as dúvidas. De uma coisa continuo convicto: é que esta gente tem de sair, embora, legitimamente (Deus sabe como), tivessem ganhado as eleições legislativas. Não me parece que haja volta a dar a este situação, quando o Dr. Jardim está politicamente perdido, desnorteado e sem qualquer solidariedade no plano nacional. Neste aspecto, é muito louvável a iniciativa do Grupo Parlamentar do PS ao solicitar um encontro com o Ministro das Finanças, acompanhado de um plano alternativo de correção das contas públicas e de uma concomitante agenda para o crescimento económico. Aguardemos, embora cada dia que se passe já pareça uma eternidade!
NOTA:
Por convite, participei, esta manhã, em um encontro partidário onde foi explanada a verdadeira situação económica e financeira da Região, as continhas ao cêntimo, incluindo as parcerias público-privadas. Embora conhecendo, em traços gerais, a situação, fiquei ATERRADO. Se não houver mão nisto... vai dar para o torto.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A ENTREVISTA DE ONTEM E A ASSINATURA DO "PACOTE"



E o dia 16 é Segunda-feira!

A ENTREVISTA DE ONTEM E O HUMOR DE AGILDO. A FORMA DE FUGIR ÀS QUESTÕES!

UM PRESIDENTE COM AS "CALÇAS NA MÃO"

 
Retive três passagens interessantes e, simultaneamente, preocupantes: "eu sou o elo mais fraco"; "a Assembleia Legislativa são os meus patrões"; estou com "as calças na mão". Ora, se é o elo mais fraco, por aproximação ao título genérico do programa de televisão, deve sair. É o elo mais fraco que sai! Se a Assembleia é o primeiro órgão de governo próprio (seu patrão), então por que se nega ir à Assembleia justificar as medidas ao patrão? Só quando a Constituição da República o obrigar, disse. Finalmente, a confissão de que está com as "calças na mão" significa que está não só na penúria do dinheiro como do pensamento político. Estes três aspectos, devidamente conjugados, deveriam conduzi-lo à demissão e clarificação dos problemas desta terra.
 
 
Continua com um problema
de audição!
Acompanhei a entrevista da RTP-M ao Presidente do Governo Regional ao lado de outras pessoas com convições políticas diversas. No final foi ditada uma "espécie de sentença": condenado! Mas, pior que a condenação do entrevistado, houve uma unanimidade na condenação para o povo que permite um político destes continuar na liderança da Região. Hoje, após aquela entrevista, é caso para toda a população estar preocupada. Muito preocupada, pela imagem que o presidente ofereceu aos madeirenses, de político apavorado, mal preparado e sem respostas para as questões importantes. O drama das finanças públicas, a aflição dos empresários, o galopante desemprego, o exponencial aumento da pobreza, tudo isto foi contornado no meio de uma ausência de serenidade, de uma algaraviada e de uma perturbação constante entre as perguntas e as respostas. Retive três passagens interessantes e, simultaneamente, preocupantes: "eu sou o elo mais fraco"; "a Assembleia Legislativa são os meus patrões"; estou com "as calças na mão". Ora, se é o elo mais fraco, por aproximação ao título genérico do programa de televisão, deve sair. É o elo mais fraco que sai! Se a Assembleia é o primeiro órgão de governo próprio (seu patrão), então por que se nega ir à Assembleia justificar as medidas ao patrão? Só quando a Constituição da República o obrigar, disse. Finalmente, a confissão de que está com as "calças na mão" significa que está não só na penúria do dinheiro como do pensamento político. Estes três aspectos, devidamente conjugados, deveriam conduzi-lo à demissão e clarificação dos problemas políticos desta terra.
A treta das "facas nas costas" constitui uma manobra de clara busca da vitimização, na esteira de, eu dei tudo e estou a ser cruxificado. Essa de jogar para fora um problema que é, fundamentalmente, de administração e gestão política interna, dos órgãos de governo próprio, constitui uma atitude de mascarar o rol das responsabilidades que teve e tem no descalabro. Com aquela entrevista, com aquela atitude politicamente esquizofrénica, de fuga à realidade e de atabalhoamento discursivo, os madeirenses e porto-santenses têm motivos bastantes de preocupação. Está em causa toda a sociedade, todos os sistemas, a paz social, o crescimento e o desenvolvimento. Com um político sem soluções, de forma continuada a empurrar os problemas para a frente, a chutar para cima e para longe a "bola" de problemas que tem na sua posse, com um político que demonstra desnorte, falta de segurança e que não acredita sequer nas suas próprias convições políticas, obviamente que se torna necessário que a sociedade reaja no sentido da criação de condições para a necessária alteração do quadro político. A Madeira tem gente de qualidade capaz de travar a loucura política e esta fome de poder que cega a mais evidente das situações de descontrolo.
Ontem foi arrepiante e constrangedora a ostensiva tentativa de colar os jornalistas aos partidos políticos. Como se eles tivessem de ali estar subservientes, como se não tivessem, por missão, colocar as questões que o povo deseja ver respondidas. Felizmente, mantiveram a dignidade, a frontalidade e a responsabilidade, não se deixando ir nas provocações. Neste aspecto, apreciei o comportamento da Jornalista Daniela Maria: fria, distante, fácies sereno, olhos nos olhos, questionou o que tinha de questionar. Reparei que, a espaços, o presidente ficou perturbado com a sua atitude. A questão sobre os preços dos transportes públicos, por ela colocada, no boxe, chama-se um "gancho" que o levou ao tapete. Ainda vasculhou uns papéis, mas nada encontrou para contrariar. Mas aquela atitude de, sistematicamente, atacar os Jornalistas, como se eles fossem ou pertencessem aos partidos da oposição, demonstra a cada vez maior fragilidade política em que se encontra. É tempo de todo o povo refletir. Antes que seja tarde demais!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

IDEIAS QUÊ? CLARAS? PREFIRO AS GEMAS!


Que fique claro, convicções políticas à parte, que nutro pelo Deputado Lino Abreu a maior consideração e estima. Sou seu Amigo. Mas, manda a honestidade, (ele sabe que assim foi), que diga que pertenceu ao Deputado Carlos Pereira, a liderança das grandes análises, críticas, denúncias e propostas no campo da economia e das finanças regionais. Não estou a dizer que o CDS/PP não foi participativo ou que teve uma postura sombria. Não é isso. O que quero transmitir, à luz dos factos, é que quando falam de "Ideias Claras" eu diria que se tratam, na generalidade, de "Ideias Repetidas".

Não só algumas ideias boas não são originais, como algumas originais não são boas. Posso então concluir que, por mais que alguns se esforcem, algumas ideias não são nem boas nem originais. Li isto algures e há muito tempo. E tem-me servido de reflexão quando proponho alguma coisa. É sempre bom não ter a memória curta, ter cuidado com as posições que outros já assumiram (coloca-se aqui a questão do plágio), o que implica, por exemplo, no plano político, não andar a reboque daquilo que outros já adiantaram. E vem isto a propósito de algumas posições (propostas) do CDS/PP que, embora boas, não são originais. Esta legislatura está agora a começar e, portanto, parece-me lógico que se olhe, para não ir mais longe, no mínimo, para a última legislatura. E aí, basta vasculhar o Diário das Sessões, tudo, mas tudo, quanto foi dito nos vários sectores da governação e, particularmente, no campo da economia e das finanças. No Diário das Sessões e nas Comissões Especializadas. Que fique claro, convicções políticas à parte, que nutro pelo Deputado Lino Abreu (o que esteve mais envolvido nestas questões) a maior consideração e estima. Sou seu Amigo. Mas, manda a honestidade (ele sabe que assim foi), que pertenceu ao Deputado Carlos Pereira, a liderança das grandes análises, críticas, denúncias e propostas no campo da economia e das finanças regionais. Não estou a dizer que o CDS/PP não foi participativo ou que teve uma postura sombria ou cúmplice do governo. Não é isso. O que quero transmitir, à luz dos factos, é que quando falam de "Ideias Claras" eu diria que se tratam, na generalidade, de "Ideias Repetidas". Não há mal nenhum em repeti-las, mas já tenho dificuldade em aceitar que não se sublinhe a origem. Eu sei que, na política, existe esse estranho hábito de fazer do exercício político uma "passerelle", no quadro de um pensamento que se baseia no princípio que a última imagem é que fica, isto é, tudo o que está para trás não conta. Eu sei disso. Eu nunca repeti as ideias dos outros e quando o fiz ou faço, coloco a fonte, o livro e a página. É assim que deveria ser o procedimento normal, inclusive, no debate político.
Ora, dou comigo a ler coisas que já li, propostas que discuti em grupo e que assinei, porém, lançadas por outros nos meios de comunicação social como se fossem originais. Não gosto deste procedimento, pelo que, se me é permitido um pouco de humor, prefiro as gemas às claras.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A IMPLOSÃO DO SISTEMA DESPORTIVO


O que aconteceu é que nenhum dos princípios do desenvolvimento foram considerados, o que conduziu, de forma acéfala e, digo mesmo, ignorante, à estrutura de uma política desportiva como se a Região não fosse pobre, dependente, social e culturalmente assimétrica e com necessidades primárias por resolver. Neste pressuposto, obviamente, que seria uma questão de tempo e o "edifício" implodiria através das cargas que os seus mentores, inconscientemente, se encarregaram de colocar. Todos são culpados por este colapso. Desde logo o UI que é o avalista desta política.


Lembro-me de, repetidamente, desde há muitos anos, dizer que o desporto, quanto muito, pode ser considerado a primeira das segundas necessidades. Não o disse por mera convicção. Assumi na decorrência de muitos autores que li, que se debruçaram sobre esta matéria, bem como a respectiva compaginação com a teoria da "pirâmide das necessidades" de A. Maslow: em primeiro lugar estão as necessidades básicas, depois, as de segurança, às quais se seguem as sociais, as de autoestima e, finalmente, as de autorealização.
Ora, todo sistema desportivo (e não só) deveria ter sido pensado e organizado tendo por base essa hierarquia, conjugada com as limitações da Região a todos os níveis. É óbvio para qualquer estratego do desenvolvimento que há, entre outros, três princípios que devem ser respeitados: o da "prioridade estrutural", o da "transformação graduada" e o da "autosustentação". O que aconteceu é que nenhum (entre outros, repito) destes princípios foi considerado, o que conduziu, de forma acéfala e, digo mesmo, ignorante, à implementação de uma estrutura de política desportiva como se a Região não fosse pobre, dependente, social e culturalmente assimétrica e com necessidades primárias por resolver. Ao não serem considerados estes pressupostos, obviamente que seria uma questão de tempo e o "edifício" implodiria através das cargas que os seus mentores, inconscientemente, se encarregaram de colocar.
Todos são culpados por este colapso. Desde logo o UI que é o avalista desta política suicida. À exceção do Professor Fernando Ferreira, que, infelizmente, já não se encontra entre nós, todos os outros directores regionais e presidentes do IDRAM são os culpados deste desastre. Desempenhei funções técnicas na ex-Delegação da Direcção Geral dos Desportos e estive ligado aos primórdios da regionalização que gerou a Direção Regional dos Desportos. Tenho presente quantos diálogos e preocupações o distinto Professor me transmitia sobre o rumo que não deveria ser tomado. Enquanto foi possível ele conseguiu travar, mas sucumbiu às pressões, no princípio dos anos 80, mormente aquelas originalmente oriundas do futebol profissional. Daí para cá, os que se seguiram na liderança da política desportiva não tiveram a inteligência e capacidade necessárias para repensar o modelo em que assentava a orientação política do desenvolvimento do desporto. Engordaram o sistema e criaram vícios, multiplicaram funções, consentiram uma política de infraestruturas desadequada e insustentável,  geraram dívidas incomportáveis e, hoje, mostram-se incapazes para dominar o "monstro" que criaram e alimentaram.
Ora, quando se fala da possibilidade de extinção do IDRAM, por um lado, considero que tal afigura-se-me absolutamente natural e necessário. Aquela casa, nos últimos vinte anos, perdeu o sentido da política desportiva e transformou-se numa caixa de correio que recebe ofícios e emite cheques. Como não há dinheiro, deixou de justificar-se; por outro, sinto pavor, porque há dezenas e dezenas de trabalhadores e técnicos que correm o risco de perda do seu posto de trabalho ou, no caso de muitos técnicos, o regresso aos estabelecimentos de ensino a que pertencem, poderá implicar a saída dos docentes que ocupam os seus lugares. Trata-se de uma situação terrível para muitos, nos planos pessoal e familiar. Imagino.
Estes aspectos, bem como os problemas de todo o associativismo a braços com dívidas, têm de ser geridos com pinças, porque estão pessoas em jogo. Já basta as agruras da vida criadas por um governo tresloucado nas suas opções. Mas, de uma coisa estou certo, a Região terá de caminhar no sentido de uma mudança de paradigma no desporto. Isso mesmo foi apresentado, na Assembleia Legislativa, pelo grupo parlamentar do PS. Decorria o ano de 2007. Nesse extenso documento, foi prevista uma nova reconfiguração da política desportiva com prevalência para o desporto educativo escolar, a alienação das quotas nas sociedades desportivas e um período de transição de quase três anos para eliminar os erros cometidos e adaptação a um novo sistema. O PSD chumbou. Nem discutiu a proposta legislativa em sede de comissão especializada. Portanto, ninguém pode estranhar, por exemplo, a falência da SAD portosantense para o hóquei em patins. Essa estoirou e outras vão a caminho. Todo o sistema, aliás, está em implosão. E não foi por falta de avisos e de documentos apresentados. O que está acontecer deriva da ignorância altifalante.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DESABAFO


Havendo tanto para analisar no plano político, não bastasse o momento dramático que estamos a viver, situar os problemas no quadro do partido que nunca foi poder parece-me completamente desadequado. Quando se critica a oposição, massacrando-a e dividindo-a, mais estão os madeirenses a entregar de bandeja ao PSD a manutenção do poder que dizem combater.


Todos temos direito de exprimir as nossas convicções e posicionamentos, sejam políticos ou outros. É assim que se vivencia a democracia e, naturalmente, os direitos de cidadania. Não estamos no tempo do toma lá e cala-te! Daí que a análise e a crítica constituam o fermento das sociedades livres que pugnam pelas mudanças que potenciam o desenvolvimento. Só que a crítica e a análise para serem respeitadas e promotoras de qualquer coisa que acrescente, têm de ser oportunas, substantivas e direccionadas no sentido do ótimo social. Por isso, quero lá saber, no actual contexto político, por exemplo, do D. Afonso Henriques ou de D. Sebastião! Não me interessa e deixo isso para os historiadores. Gosto de conhecer a História, para compreender o presente e projectar o futuro, mas no quadro das análises do presente deixo-a arrumadinha na prateleira das memórias. Aliás, porque conhecendo-a, questiono se vale a pena a ela retornar.
Ora, na Madeira, havendo tanto para analisar no plano político, não bastasse o momento dramático que estamos a viver, situar os problemas no quadro do partido que nunca foi poder parece-me completamente desadequado. Quando se critica a oposição, massacrando-a e dividindo-a, mais estão os madeirenses a entregar de bandeja ao PSD a manutenção do poder que dizem combater. É evidente que os partidos da oposição não são imaculados, é evidente que necessitam de análise, de crítica, de alusão às suas fragilidades, mas entre a análise e a atitude tendencialmente destrutiva existe uma diferença substancial. E digo isto, fundamentalmente, porque entendo que a oposição é mais vítima da engrenagem construída ao longo de 35 anos, do que culpada pela situação a que se chegou na Região. E não entendo, por isso, como é que não se encontram motivos bastantes para quebrar quem nos inferniza há dez legislaturas, preferindo, alguns, bater naqueles que, ainda assim, lutam por manter a esperança de um novo ciclo político na Região. Não entendo!
O que hoje li deixou-me triste. Não podemos viver de saudosismos, quando o que está em causa, hoje, é tão complexo e exigente no que concerne a uma uma aternativa de poder. É que não estão aqui em causa quatro ou oito anos de poder social-democrata, mas trinta e cinco anos consecutivos. Um facto que nos obriga a ter a noção da conjugação de esforços, mesmo que muitas situações nos deixem tristes e ou magoados. Em linguagem vulgar, eu diria que é preciso saber "engolir em seco", quando outros valores e outros objectivos estão em causa.
Apenas um desabafo, até porque senti-me profundamente atingido. E quem não se sente...
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A ESCOLA ENQUANTO REINVENTORA DA NOVA SOCIEDADE


"A escola era um lugar de instrução, de aprendizagem de conhecimentos; as crianças eram educadas na família, na praça pública, na rua, com os vizinhos, com as outras crianças (...). O que eu penso é que a escola foi criada para um conjunto de funções muito importantes, que são funções cognitivas, e foram-lhe sendo atribuídas outras. De tal maneira que ela hoje pode aparecer como tendo outras funções e não tendo as principais. Isto é um desvirtuamento completo da ideia de escola. E dá origem a desastres terríveis como a definição de professor como educador, em vez daquele que ensina uma determinada matéria".  


Há leituras, algumas dispersas, que vou fazendo que, tarde ou cedo, acabam por se traduzir numa síntese que faculta  razão às convicções que alimento. Politicamente, desde há muito defendo, que à Escola compete, fundamentalmente, o trabalho de transmissão de conhecimentos, e que, quem governa, não pode ignorar outras variáveis, entre as quais, as políticas de família. Defendi, sem sucesso, na Assembleia Legislativa esta visão do problema. Porque essas políticas, de natureza multifactorial (a família é apenas uma das variáveis), quando devidamente integradas e concertadas, são susceptíveis de garantirem a desejada EDUCAÇÃOÀ Escola, organizada segundo determinados desígnios, não compete educar, mas transmitir aquilo que se designa, na expressão do sociólogo da educação Michael Young (falecido em 2002), por "conhecimento poderoso". No essencial, à Escola, compete o conhecimento, não a educação das crianças e jovens. E esta visão nuclear do problema altera tudo sobre a missão da Escola e que está profundamente enraizada na sociedade. Hoje, a escola é, diariamente, induzida, em uma parte substancial do seu tempo, a resolver os problemas da educação e não os do tal "conhecimento poderoso". Dir-se-á que a fragilidade desta escola começa por aí, porque o sistema, também por ignorância política, acabou por conduzir a escola a um espaço mais centrado na "guarda" das crianças e dos jovens do que apostada na transmissão de conhecimentos. "Guarda" que começa desde muito cedo, desde os três anos. Mais tarde "fechando-as" nessa absurda "escola a tempo inteiro", enquanto os pais trabalham. Deduz-se, assim, que os governantes não se preocupam em caminhar no sentido de uma nova organização social, apenas preocupam-se em dar resposta aos desvios organizacionais da sociedade, particularmente os resultantes do mundo do trabalho. A família, uma das variáveis, fica para trás, tem ficado para trás, a educação fica e tem ficado para depois e, portanto, a Escola tem sido chamada a assumir intervenções que estão fora do seu âmbito e da sua missão.
Mas, dizia eu, sabe bem ler os investigadores e confirmar os posicionamentos construídos ao longo dos anos e através da integração de leituras diversas. A Professora Olga Pombo, Doutorada em História e Filosofia da Ciência, Professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, concedeu-me esse prazer através de uma entrevista publicada na revista "A Página da Educação", edição de Inverno, 2011, pág. 08/19. Na entrevista fica tudo muito claro nesta síntese: "A escola era um lugar de instrução, de aprendizagem de conhecimentos; as crianças eram educadas na família, na praça pública, na rua, com os vizinhos, com as outras crianças (...). O que eu penso é que a escola foi criada para um conjunto de funções muito importantes, que são funções cognitivas, e foram-lhe sendo atribuídas outras. De tal maneira que ela hoje pode aparecer como tendo outras funções e não tendo as principais. Isto é um desvirtuamento completo da ideia de escola. E dá origem a desastres terríveis como a definição de professor como educador, em vez daquele que ensina uma determinada matéria".   
Deduz-se, portanto, que a conceção de escola, hoje, por falência dos princípios orientadores da organização social, tem sido levada a realizar tarefas acessórias "indispensáveis para realizar a que é, de facto, a função decisiva", o ensino. Salienta a professora: "fico alarmada quando verifico que a confusão é de tal maneira grande que se pode dizer que um professor é, em primeiro lugar, um educador e de quando em vez também ensina. É exactamente ao contrário". Mais adiante, questiona o jornalista: "E a questão da educação para os valores? Salienta a Professora: "A educação para os valores é um disparate! O grande valor que o professor tem a ensinar é o valor do conhecimento. Ele tem de ser capaz de criar as condições na sala de aula para poder realizar o seu trabalho, que é ser professor, e não deve  imiscuir-se em questões da moralidade" (...) "a dimensão instrutiva é que é  veiculadora de valores" (...) " não é preciso moralizar; basta pôr em funcionamento o acto de ensino e esses valores vêm com ele. O professor  não tem que ser um padre. Deve fugir da imagem do padre. Aliás, a palavra "padre" tem a ver com "pai". Nem pai nem padre... e nem nem outro são professores!"
Bom, a entrevista é longa e, pelo menos para mim, escorreu-me garganta abaixo como mel, em função das minhas mais profundas convicções sobre esta matéria. É por isso que, desde há muito, escrevo no sentido de uma nova configuração do sistema, dito "educativo", compaginada com vários sectores e áreas de intervenção que outros actores devem defender e implementar. Dir-se-á que existe um défice de conhecimento ao nível de quem governa que conduz a opções políticas absolutamente desconformes da missão da Escola. Consequência do "progresso"? Não, salienta a Professora, "consequência da má organização. Da má política". Concordo. Quando se aumenta, por exemplo, mais meia hora de trabalho por dia, situação que, inevitavelmente, vai colocar muitas crianças durante mais tempo no "armazém" escola, quem assim decide esquece-se que a produtividade não está no aumento das horas de trabalho, mas em melhor trabalho com rigor e qualidade. E esquecem-se que, daquela forma, a educação é que sofre, desde logo entre muitos outros factores, pelo afastamento dos pais em relação aos filhos. A produtividade, sustento, não depende do aumento das horas de trabalho, depende sim, do "conhecimento poderoso" dado pela Escola, capaz de desenvolver mecanismos de criatividade, de inovação e de responsabilidade.
Aliás, este sistema capitalista em roda livre tem os seus dias contados. A sociedade terá de se reinventar e a Escola, nesse pressuposto, terá de ser o motor dessa reinvenção. A Escola, do meu ponto de vista, não pode ser resposta à desorganização social, antes modificadora e catalizadora das grandes mudanças. Leva tempo, muito tempo, mas a ela compete-lhe pegar nas rédeas da construção do futuro. E isso, naturalmente, implica políticos com uma outra dimensão, uma outra atitude de pensamento estratégico, com uma outra leitura da sociedade, analisada de baixo para cima, que não aquela apenas centrada na Escola e de uma configuração de escola cujos resultados demonstram a sua própria falência e quase inutilidade.
Foi, por isso, que o convite do Dr. Maximiano Martins à Professora Doutora Liliana Rodrigues (Universidade da Madeira), no quadro de uma alternativa de poder na Madeira, encheu-me de entusiasmo. A Madeira poderia, com essa candidatura, constituir, a prazo, um exemplo nacional e europeu, pela sua reduzida dimensão e capacidade de tornar-se em um laboratório. O povo não quis, mas o meu lamento fica. Fica, por outro lado, também, a convicção que a Professora Doutora Olga Pombo, quando sublinha que "é preciso que a Filosofia da Educação seja um lugar onde o aluno é chamado a compreender a função da Escola e o que é que ali está a fazer", o que nos está a transmitir é que a revolução no sistema passa por políticos com qualidade e não por políticos que repetem até à exaustão os erros do passado. E quem repete o passado, não pode esperar outros resultados que não os do próprio passado. Voltarei a este tema que me apaixona.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 1 de janeiro de 2012

UMA MENSAGEM "INCOLOR, INSÍPIDA E INODORA"


Não gostei que voltasse à cantilena que vivemos, durante anos, acima das nossas possibilidades. Quem viveu, pergunto? Certamente que não foi a maioria do povo, desde os pobres à classe média. Se se estava a referir aos governantes que não souberam administrar e gerir a "coisa pública", então aí o Professor Cavaco Silva não pode esquecer-se que foi Primeiro-Ministro, nos anos 80, durante dez anos consecutivos, em uma época determinante na estrutura organizacional do País, que impunha medidas que, a serem tomadas, hoje estaríamos a delas desfrutar.


Eu diria que o melhor do espaço dedicado ao Senhor Presidente da República, para se dirigir aos portugueses na mensagem de Ano Novo, terá sido o Hino Nacional. De resto, as suas palavras, do meu ponto de vista, nada adiantaram. E eu esperava que fosse um momento naturalmente curto, caracterizador da situação, incisivo quanto aos problemas que a todos afecta. Ora dizer que Portugal, tal como toda a Europa, precisa de “uma agenda orientada para o crescimento da economia e para o emprego”, é bater na tecla todos os dias repetida por analistas e comentadores. Por isso, é pouco, é curto e nada adianta. De um Presidente da República obviamente que temos de esperar mais, muito mais, exige-se distanciamento partidário, mas, ao mesmo tempo, rigor e determinação, com as palavras e os conteúdos certos entendíveis pela generalidade do povo. Ademais, não gostei que voltasse à cantilena que vivemos, durante anos, acima das nossas possibilidades. Quem viveu, pergunto? Certamente que não foi a maioria do povo, desde os pobres à classe média. Se se estava a referir aos governantes que não souberam administrar e gerir a "coisa pública", então aí o Professor Cavaco Silva não pode esquecer-se que foi Primeiro-Ministro, nos anos 80, durante dez anos consecutivos, em uma época determinante na estrutura organizacional do País, que impunha medidas que, a serem tomadas, hoje estaríamos a delas desfrutar. Na Educação, por exemplo, enquanto trave-mestra de todo o processo, o então Primeiro-Ministro, num espaço de dez anos, nomeou cinco Ministros da Educação. Por esta e outras substantivas razões, para os portugueses que não têm memória curta, esta Mensagem de Ano Novo foi do tipo "timex", não adiantou nem atrasou! Mais, não entendo como se fala de crescimento económico, quando ele, ao leme do governo, atingiu um défice público de 8,9%.
Enfim, uma Mensagem onde faltou coragem para equacionar os problemas e contextualizá-los. De resto, um Presidente não pode ser "incolor, insípido e inodoro". 
Ilustração: Google Imagens.