quarta-feira, 31 de outubro de 2012

NÃO VÃO CONSEGUIR RASGAR A CONSTITUIÇÃO


Sem pudor, sem respeito por aqueles que pouco ou nada têm, a ordem vai no sentido de aproveitar o momento, privatizando tudo, na óptica de Francisco van Zeller (ex-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa), até partes significativas da Segurança Social, a ordem é, por isso, a de conceder espaço à ganância mesmo que isso signifique empobrecimento geral dos demais. A uma só voz, toda a corte grita eufórica, espezinhando tudo. Ainda ontem, Fernando Ulrich, outro da corte, que falava na conferência III Fórum Fiscalidade Orçamento do Estado 2013, perguntou, retoricamente, se o país aguenta mais austeridade e a resposta foi "ai aguenta, aguenta!". Que vergonha, que falta de seriedade, que ausência de bom senso e de reflexão sobre a realidade das famílias e das empresas portuguesas. Que ausência de sentimento por milhões que passam mal, muito mal, e muitos milhares que, diariamente, são atirados contra a rocha neste arrastão governativo. Que falta de sensibilidade e que gente desprezível nós temos de aturar, desde o governo aos seus satélites porta-vozes da mensagem que interessa passar!
 
 
Um vazio de ideias que custará caro aos portugueses!
Não joguem com as palavras, quando o que está em jogo é rasgar a Constituição da República, substituir os seus princípios orientadores ao gosto de uma direira política tendencialmente radical. Já não basta a agressividade que demonstram sobre os mais fracos, impondo-lhes o caminho da pobreza e da miséria através de uma "enorme" carga fiscal e de um desprezível corte nos direitos sociais, agora, lançam-se, eufemisticamente, na "reforma profunda do Estado". Não dizem acabar com o estado social, falam, subtilmente, docemente, na reforma do Estado. Não têm a coragem e a frontalidade para dizer, abertamente, o que querem e ao que vão, mas vão construindo, pedra a pedra o seu edifício, desmantelando tudo o que encontram pelo caminho. É por isso que há que rasgar a Constituição da República, subvertê-la, aniquilá-la e colocá-la ao serviço dos grandes interesses dos grupos financeiros que se movem nesta desastrada União Europeia. Sem pudor, sem respeito por aqueles que pouco ou nada têm, a ordem vai no sentido de aproveitar o momento, privatizando tudo, na óptica de Francisco van Zeller (ex-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa), até partes significativas da Segurança Social, a ordem é, por isso, a de conceder espaço à ganância mesmo que isso signifique empobrecimento geral dos demais. A uma só voz, toda a corte grita eufórica, espezinhando tudo. Ainda ontem, Fernando Ulrich, outro da corte, que falava na conferência III Fórum Fiscalidade Orçamento do Estado 2013, perguntou, retoricamente, se o país aguenta mais austeridade e a resposta foi "ai aguenta, aguenta!". Que vergonha, que falta de seriedade, que ausência de bom senso e de reflexão sobre a realidade das famílias e das empresas portuguesas. Que ausência de sentimento por milhões que passam mal, muito mal, e muitos milhares que, diariamente, são atirados contra a rocha neste arrastão governativo. Que falta de sensibilidade e que gente desprezível nós temos de aturar, desde o governo aos seus satélites porta-vozes da mensagem que interessa passar!
E ontem, Vítor Gaspar, no debate do Orçamento de Estado, não gostou que um deputado tivesse falado de atitudes "salazarentas", interpretando a designação como uma ofensa, mas, pergunto, de que estava à espera? Na prática, com aquele olhar manso e aquela voz pausada, parecendo que não consegue matar uma simples mosca, todos os dias mais se assemelha àquele utensílio de cozinha que tudo rapa, o "salazar", como ficou conhecido depois de 48 anos anos de roubo e degradação social. E de mansinho, pé ante pé, Pedro Passos Coelho, que mais se assemelha a um cobrador de impostos, ao discutir o Orçamento de Estado para 2013, já trouxe na manga o próximo Orçamento Rectificativo, anunciando a expectável necessidade de uma receita de quatro mil milhões até 2014, o que significará, certamente, uma nova onda de austeridade, com cortes não só nos salários dos funcionários públicos, mas também nos encargos sociais.
Ora, um pouco por tudo isto, escrito ao correr do pensamento, politicamente, esta gente não presta. Estamos a ser governados por autênticos cangalheiros do Estado Social, por pessoas tipo "bulldozer" que tudo esmagam. E, depois, temos os megafones do poder, umas vezes António Borges, ontem, Francisco van Zeller e Fernando Ulrich, dois homens, curiosamente, com ascendentes familiares alemães. Ulrich, politicamente, até foi chefe de gabinete do ministro das Finanças e do Plano, Morais Leitão (CDS), durante a vigência da Aliança Democrática. Pequenas coisas que podem explicam posicionamentos!
Mas tudo isto é consequência de uma União Europeia que perdeu o rumo em todos os sectores e áreas que determinaram a sua criação. Dir-se-á que funciona! Porém, por este caminho, não terá futuro. Ainda ontem, em Almada, Durão Barroso foi assobiado e um pouco por toda a Europa cresce a desconfiança e o combate às suas políticas, o que equivale dizer ao desnorte que apresenta.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

REAVALIAR AS FUNÇÕES DO ESTADO?


No meio deste desconcerto acabo de ouvir o deputado do PSD-Madeira, Dr. Coito Pita, assumir na Assembleia Legislativa da Madeira que "(...) queremos ser europeus mas não queremos trabalhar" (...) "perguntem a um chinês quantas horas trabalha, quantos dias descansa, quantas vezes vai ao cinema". Ora, digam-me lá se isto não é simplesmente revoltante, de levar um trabalhador que desempenha a sua função oito, nove e mais horas por dia, a troco de um salário mínimo, a entrar Assembleia adentro e pedir-lhe satisfações, que explique direitinho o que quer dizer com aquilo. Se eles, trabalhadores, são responsáveis pelo desastre da economia madeirense, se são responsáveis pela alta taxa de desemprego, se são responsáveis pela dívida de mais de oito mil milhões de euros (contando com as PPP) do governo da Madeira, se são responsáveis pela dupla austeridade, se são responsáveis pela insolvência e falência de centenas de empresas, se são responsáveis pelos elefantes-brancos construídos, pela educação que não temos e pela degradação do sistema de saúde. Oh senhor deputado, como diz o povo, "vá chatear o Camões". E por aqui fico, face ao nojo em que caiu a política destes senhores.
 
 
Lembrem-se que
o "último a rir, ri-se melhor"
A tal "refundação" que o primeiro-ministro inventou traz água no bico. Subtilmente até fala, não falando, de uma revisão constitucional cirúrgica, quando está aos olhos de todos que esta súbita "refundação" (que palavra esquisita neste contexto político!) tem muito ou quase tudo a ver com as recentes declarações do ministro Vítor Gaspar: "Existe aparentemente um enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ter como funções do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar". Quanto a mim é isto que está em jogo. Aliás, o primeiro-ministro, durante a sua intervenção nas jornadas parlamentares que juntaram os dois partidos da coligação e todos os membros do governo, adiantou que a "nova fase" de redução da despesa implicava a  reorganização da estruturas e funções do Estado, saliento, "funções do Estado", numa "transformação", pasme-se, "para melhor e não uma compressão ou redução daquilo que existia até agora" (...) "em nome do interesse comum de todos os portugueses". Sinceramente, isto, revolta-me, mete-me um certo nojo político, pela forma subtil como este governo ataca o estado social. Basta seguir as declarações de Pedro Passos Coelho, cujo vídeo pode ser visto na minha anterior postagem, para qualquer aquilatar-se da tentativa de uma nova agressão aos direitos básicos dos portugueses. Umas vezes de mansinho, outras, de forma descarada, desde o início do mandato que assaltam a pobre carteira, tornando ainda mais pobre um povo que, genericamente, sempre foi pobre. Rebentaram com a classe média, tornando-a, progressivamente, remediada, e os mais de dois milhões de pobres, ainda mais pobres. É neste ambiente que o primeiro-ministro pede ao Partido Socialista que se sente à mesa da negociação, quando em cima da mesa está mais um bombardeamento aos direitos sociais, com Mota Soares (CDS/PP) de olhos arregalados e dentes afiados sobre os mais pobres. Entendo, por isso, certa a posição do PS: "(...) Não haverá acordos nas costas dos portugueses e não contem com o PS para o desmantelamento do Estado Social. O PS não está disponível para nenhuma revisão constitucional que ponha em causa as funções essenciais do Estado". Ainda ontem, como mera nota, constou-me que para além do corte de 6% no subsídio de desemprego, os que ainda o recebem serão obrigados a pagar segurança social, como se estivessem empregados. Torna-se cada vez mais revoltante e desesperante olhar, pacificamente, para este naipe de governantes, absolutamente vesgos e insensíveis aos dramas sociais.
No meio deste desconcerto acabo de ouvir o deputado do PSD-Madeira, Dr. Coito Pita, assumir na Assembleia Legislativa da Madeira que "(...) queremos ser europeus mas não queremos trabalhar" (...) "perguntem a um chinês quantas horas trabalha, quantos dias descansa, quantas vezes vai ao cinema". Ora, digam-me lá se isto não é simplesmente revoltante, de levar um trabalhador que desempenha a sua função oito, nove e mais horas por dia, a troco de um salário mínimo, a entrar Assembleia adentro e pedir-lhe satisfações, que explique direitinho o que quer dizer com aquilo. Se eles, trabalhadores, são responsáveis pelo desastre da economia madeirense, se são responsáveis pela alta taxa de desemprego, se são responsáveis pela dívida de mais de oito mil milhões de euros (contando com as PPP) do governo da Madeira, se são responsáveis pela dupla austeridade, se são responsáveis pela insolvência e falência de centenas de empresas, se são responsáveis pelos elefantes-brancos construídos, pela educação que não temos e pela degradação do sistema de saúde. Oh senhor deputado, como diz o povo, "vá chatear o Camões". E por aqui fico, face ao nojo em que caiu a política destes senhores.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

UM MENTIROSO COMPULSIVO. VALE A PENA OUVI-LO!

É o exercício da política no seu pior.

A ESCOLA E OS TRABALHOS PARA CASA (TPC)


Os TPC, sobretudo no primeiro ciclo, não se justificam numa escola devidamente organizada. Uma criança que entra na escola às nove horas da manhã e, muitas vezes, dela sai ao fim da tarde, a questão que se coloca é o que lá andou a fazer durante o dia. Ademais, se os mentores políticos da escola que temos lessem um pouco mais sobre o "desenvolvimento e aprendizagem", se reflectissem sobre a problemática da "criança e do jogo" num sentido lato da expressão, certamente que outros seriam os seus posicionamentos, até porque mais escola não significa melhor escola. É a sociedade que tem de ser reorganizada, particularmente, a estrutura familiar, são os horários do mundo laboral que devem ser repensados, é a escola enquanto sistema que está em causa e não é queimando etapas do desenvolvimento (somos o animal com maior tempo de infância) que se atingirão melhores resultados finais, isto é, seres disponíveis para a conquista do mundo.


Ontem segui uma peça jornalística, no Telejornal da RTP 1, sobre a problemática dos designados Trabalhos para Casa (TPC). Em síntese, retrataram uma escola do 1º ciclo do Ensino Básico onde não são marcados trabalhos para casa e, ao fim de semana, os livros e cadernos ficam no cacifo da escola. Dizia um professor que a escola estava organizada no sentido do estudo acompanhado pelo que se tornava dispensável retirar tempo ao tempo de lazer e de jogo próprio da criança. 
Este foi, aliás, um assunto sobre o qual reflecti durante alguns anos. Li vários autores e cruzei muita informação de várias áreas para concluir exactamente o mesmo que pratica a escola visitada pelo jornalista. Tanto assim foi que apresentei, em 2009, salvo erro, um Regime Jurídico do Sistema Educativo Regional em que esta matéria era equacionada. Em 8 de Abril de 2011, neste espaço, reproduzi a parte mais importante, com o seguinte texto (aqui fica apenas uma parte):
"O Regime Jurídico do Sistema Educativo Regional  foi literalmente chumbado pela maioria PSD na Assembleia Legislativa da Madeira. Nessa altura e a este propósito, cruzei toda a legislação existente em vários países europeus e li muitos autores que se debruçaram sobre esta questão. E para não atormentar consciências políticas adormecidas por anos a fio de rotinas, no Artigo 13º, ponto 14, não indo tão longe quanto desejaria, desenvolvi:
"1. No 1º e 2º ciclo do ensino básico estabelecem-se, globalmente, os seguintes tempos relativamente aos designados trabalhos para casa (TPC):
a) No 1º e 2º ano do 1º ciclo não são permitidos;
b) No 3º ano do 1º ciclo as tarefas não podem exceder os 20 minutos;
c) No 4º ano do 1º ciclo as tarefas não podem exceder os 30 minutos;
d) No 5º e 6º ano do 2º ciclo as tarefas não podem exceder os 45 minutos;
2. No 3º ciclo do Ensino Básico, o estabelecimento dos critérios transversais de todo o currículo é da responsabilidade do Conselho Pedagógico e a da execução é dos Conselhos de Turma, considerando sempre as necessidades de consolidação da aprendizagem e o tempo disponível para outras actividades complementares, de lazer, de natureza cultural e desportiva desenvolvidas pela sociedade".
Ora, o problema dos TPC é extremamente complexo. Está em causa, desde logo, a organização social onde se insere o mundo do trabalho. É essa organização social que tem de ser reequacionada. Não é por estarmos durante mais horas envolvidos no trabalho profissional que teremos uma maior produção, como não é pelo facto de um aluno estar mais horas na Escola que acrescentará valor à aprendizagem. E se a organização social (familiar, inclusive) está em causa, também está a organização escolar e esse mundo de coisas inúteis que preenchem os programas. Há muita tralha, isto é, muito acessório em detrimento do essencial.
Ao lado deste aspecto corre a Escola a Tempo Inteiro, esse derivado da desorganização social. A ETI surge para remediar um problema de ocupação dos pais. Esse "armazém" de crianças como lhe chamou o Dr. Daniel Sampaio. E como se isto não chegasse, temos os docentes, preocupados com a sua avaliação de desempenho, não com uma CULTURA DE DESEMPENHO, onde os resultados são importantes através do cumprimento dos programas. Escreveu o notável Rubem Alves: "para a burocracia, o importante é o que vem no relatório, não as crianças (...)".
Repito, nesse Regime Jurídico não fui tão longe quanto desejaria. Tive o cuidado de dar, apenas, um primeiro passo. Na minha óptica, os TPC, sobretudo no primeiro ciclo, não se justificam numa escola devidamente organizada. Uma criança que entra na escola às nove horas da manhã e, muitas vezes, dela sai ao fim da tarde, a questão que se coloca é o que lá andou a fazer durante o dia. Ademais, se os mentores políticos da escola que temos lessem um pouco mais sobre o "desenvolvimento e aprendizagem", se reflectissem sobre a problemática da "criança e do jogo" num sentido lato da expressão, certamente que outros seriam os seus posicionamentos, até porque mais escola não significa melhor escola. É a sociedade que tem de ser reorganizada, particularmente, a estrutura familiar, são os horários do mundo laboral que devem ser repensados, é a escola enquanto sistema que está em causa (problema curricular, programático, número de alunos por escola e por turma) e, por isso, não é queimando etapas do desenvolvimento (somos o animal com maior tempo de infância) que se atingirão melhores resultados finais, isto é, seres disponíveis para a conquista do mundo. Mas sobre esta matéria muito fica por dizer. Uma nova oportunidade surgirá. Uma coisa é certa: a reportagem de ontem, escorreu-me como mel garganta abaixo, sobretudo por três razões: primeiro, pelo inteligente sistema organizacional da escola; segundo, pelos depoimentos das crianças que sublinharam, voluntariamente, interesse em acrescentar, em casa, outros conhecimentos, apenas quando desejam; terceiro, pelo sério e humorado depoimento de um psicólogo que disse que o sistema tem sorte porque as crianças não têm "sindicato".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 28 de outubro de 2012

AS JORNADAS PARLAMENTARES DA MAIORIA


Não estamos no quilómetro 27 da maratona, estamos no início da corrida, senhor ministro, e a esmagadora maioria dos concorrentes já estão exaustos, estão cheios de "ácido láctico" tal o esforço que estão a fazer. Estão a ficar pelo caminho, completamente derrotados. Basta ver, diariamente, as reportagens junto das famílias, os desabafos de rua, as filas junto às instituições de emprego, o crescimento da pobreza, o esmagamento da classe média, a multiplicação da solidariedade social através de instituições e das cantinas sociais (não sei até quando). Basta ter presente o recente relatório da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde ficaram a nu a fome, os maus-tratos, a solidão, a falta de recursos financeiros e as condições habitacionais, situação que se multiplica por todo o País. Basta ter presente o que comentadores e analistas nos vários programas de televisão assumem, maioritariamente contra esta política. Mais, de patrões a sindicatos todos, por múltiplas razões, chumbam o Orçamento de Estado. Ainda ontem o Jornalista Nicolau Santos (Expresso) escreveu: "medidas que devastam uma economia são contraproducentes. Não perceber isto ou é fanatismo ideológico ou incapacidade em lidar com a realidade". Só esta troupe não vê!
 
 
Estes dois andam a brincar com o povo!
Começo por uma nota prévia e interessante que reaviva a memória. Tem dois anos, salvo erro. Era eu deputado e líder do grupo parlamentar do PS-Madeira. Por uma questão de contenção de custos e porque a Assembleia é a casa comum de todos os deputados eleitos pelo povo, comuniquei ao senhor presidente da Assembleia Legislativa da Madeira o interesse do meu grupo parlamentar em realizar, no espaço que é de todos, repito, de todos, umas jornadas parlamentares. Tal iniciativa não colidia com o funcionamento normal da Assembleia, pois estava agendada para um Sábado e Domingo, e, para além disso, nesses dias, apesar de encerrada, a Assembleia mantinha sempre um funcionário de serviço e um segurança de uma empresa privada. Recebi a resposta: não, não era possível por uma questão de princípio. Ainda questionei se aquela não era a casa dos deputados, dei como exemplo o que se passava na Assembleia da República e nos Açores, todavia, em vão. Tivemos de ir para uma sala de hotel e pagá-la à custa dos contribuintes. Essa decisão irritou-me, sobretudo porque ela transbordava de ausência de respeito pelo grupo parlamentar e ausência de sentido democrático, inserindo-se num quadro de quero, posso e mando por parte da maioria PSD naquele primeiro órgão de governo próprio. Ontem, na Assembleia da República, todos os deputados da coligação parlamentar (PSD/CDS), juntamente com o governo e convidados dos partidos, encheram os quase 250 lugares do hemiciclo para realizarem uma jornada de trabalho político conjunto. Seja para que efeitos tivesse sido, a verdade é que ninguém colocou entraves à realização dessa iniciativa. Aqui, certamente, continuaria a ser impossível. Porém, estou certo que mais cedo do que alguns pensam essas atitudes vão acabar. Mas adiante.
O encontro de ontem em S. Bento, sobretudo no que concerne a algumas declarações produzidas pelos ministros, ficou claro, muito claro, onde nos encontramos, com quem estamos e, sobretudo, o que nos espera. Um fala de "refundação" do programa de ajustamento (não sei bem isso o que é); outro de uma corrida de maratona e do quilómetro 27; outro sublinhou que o governo tem "rações de combate" para mais uma legislatura; uma outra salientou a necessidade serem "referências" pois sem isso, "dificilmente os portugueses aceitarão sacrifícios". Enfim, paleio, blá, blá, conversa de treta de uma ponta a outra, para consumo interno, como se esses disparos adiantassem alguma coisa.
Mas eles sabem que a situação real é bem diferente. Não estamos no quilómetro 27 da maratona, estamos no início da corrida, senhor ministro, e a esmagadora maioria dos concorrentes já estão exaustos, estão cheios de "ácido láctico" tal o esforço que estão a fazer. Estão a ficar pelo caminho, completamente derrotados. Basta ver, diariamente, as reportagens junto das famílias, os desabafos de rua, as filas junto às instituições de emprego, o crescimento da pobreza, o esmagamento da classe média, a multiplicação da solidariedade social através de instituições e das cantinas sociais (não sei até quando). Basta ter presente o recente relatório da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde ficaram a nu a fome, os maus-tratos, a solidão, a falta de recursos financeiros e as condições habitacionais, situação que se multiplica por todo o País. Basta ter presente o que comentadores e analistas nos vários programas de televisão assumem, maioritariamente contra esta política. Mais, de patrões a sindicatos todos, por múltiplas razões, chumbam o Orçamento de Estado. Ainda ontem o Jornalista Nicolau Santos (Expresso) escreveu: "medidas que devastam uma economia são contraproducentes. Não perceber isto ou é fanatismo ideológico ou incapacidade em lidar com a realidade". Outro, Miguel Cadilhe : "Não se trata de desistir do ajustamento da troika, mas de evitar o seu desaire". E o que dizer das declarações de Manuela Ferreira Leite (PSD) e de Bagão Félix (CDS), entre tantos que se têm pronunciado?
No meio disto leio o ignorante e oportunista Miguel Relvas, "licenciado" (até ver) que até teve "equivalências a cadeiras que não existiam" dizer no hemiciclo de S. Bento: "embora se assista a uma "crescente crispação em Portugal" e "a gritaria" tenha ocupado o debate público, não há "alternativa à austeridade e às reformas estruturais" do Governo (...) "Faltam 20 meses para acabar o programa de ajustamento. Portugal precisa de terminar a tarefa que iniciou" (...) "Fraquejar agora queria dizer que, na melhor das hipóteses, as instituições internacionais ficariam durante anos em Portugal. No pior cenário, adiávamos a cura da doença que arrastamos há demasiado tempo: a do atraso crónico, da inércia e da pobreza". Filho da mãe! É este sujeito que, ainda ontem, no "Eixo do Mal" (SIC), apelidaram-no de "vigarista", tem a lata de falar com uma total insensibilidade sobre o drama de um país que empobrece, que manda a juventude emigrar e que fala em "gritaria". Um oportunista que se tivesse um pingo de vergonha na cara há muito tinha ido embora.
Ontem foi mais um número de circo, mas, confesso, começo a ter muito receio dos próximos tempos. Manuel Alegre avisa: "isso dos brandos costumes é uma treta. De vez em quando este País passa-se". Não tenho a menor dúvida. E o Presidente da República, "por prudência", continua calado.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 27 de outubro de 2012

LIQUIDEZ ATÉ AO FINAL DO ANO... E DEPOIS?


Quais fidalgos sem cheta, isto é, atolados em problemas até ao céu da boca, multiplicam-se em conferências de imprensa e em intervenções de circunstância apenas para tentar mostrar que são governo. Não são. Resta-lhes o carro preto, um peito ainda com algum ar, muita banha-de-cobra em cima dos vários palcos à disposição, mas o exercício do verdadeiro poder governativo esvaiu-se, completamente. Que eles, politicamente, se afundem, quero eu lá saber! O problema é que através dos seus tresloucados actos levaram uma significativa parte da população a caminho da miséria. E aí está o busílis da questão. O número de famílias aflitas está em crescendo e dos vários actores sociais, quase todos os dias, toma-se conhecimento da deplorável situação financeira assente na monstruosa dívida pública. Os madeirenses e porto-santenses estão enredados numa teia muito complexa e muito preocupante. Milhares, muitos milhares já disso deram conta, mas o pior vem a caminho.
 
 
Acabou o "Carnaval"
É cada vez maior o clima de perturbação, de incerteza e de insegurança. O governo regional, na prática, pura e simplesmente não existe. A Autonomia é uma miragem e a própria estátua que a simbolizava está algures na Cancela, próxima do estabelecimento prisional. Qualquer aquisição ou autorização de pagamento superior a cinco mil euros está condicionada ao visto de Lisboa. Dir-se-á que o livro de cheques já era! Porém, quais fidalgos sem cheta, isto é, atolados em problemas até ao céu da boca, multiplicam-se em conferências de imprensa e em intervenções de circunstância apenas para tentar mostrar que são governo. Não são. Resta-lhes o carro preto, um peito ainda com algum ar, muita banha-de-cobra em cima dos vários palcos à disposição, mas o exercício do verdadeiro poder governativo esvaiu-se, completamente. Que eles, politicamente, se afundem, quero eu lá saber! O problema é que através dos seus tresloucados actos levaram uma significativa parte da população a caminho da miséria. E aí está o busílis da questão. O número de famílias aflitas está em crescendo e através dos vários actores sociais, quase todos os dias, toma-se conhecimento da deplorável situação financeira assente na monstruosa dívida pública e social.
Os madeirenses e porto-santenses estão enredados numa teia muito complexa e muito preocupante. Milhares, muitos milhares já disso deram conta, mas o pior vem a caminho. Isto preocupa-me, quando assisto, por exemplo, na RTP-M, a uma entrevista com o Presidente do Governo Regional, absolutamente patética, distante da realidade, de permanente fuga às suas responsabilidades, para além de desrespeitosa no plano dos princípios democráticos. Uma vergonha para um político que a todos nos desgraçou. Um político que falou de independência, mas que não não sustentou em nada o seu pensamento; falou de uma revisão constitucional como se  tivesse sido por causa da Constituição da República que a Madeira está neste colete de forças; falou de inovação e criatividade como se os exemplos do dia-a-dia governativo não demonstrassem que continua a aplicar, hoje, a receita de há trinta anos; falou da maçonaria e de outros fantasmas como se tais forças alguma vez tissessem interferido da mudança do sistema político regional. Uma confrangedora baralhada!
E no meio disto, um secretário, o do Plano e Finanças, veio ontem lamentar "ideias negativistas e alarmistas", certamente com proveniência na oposição, como se tudo estivesse sob controlo. Deixou, porém, o rabo de fora ao assumir que até ao final do ano existe liquidez. Digo eu, depois, logo se verá! A sua declaração, própria de quem sabe que está politicamente a mentir, é que a campainha de "alarme" já soou há muitos anos, não se tratando, pois, de um qualquer "negativismo", quando é certo que Janeiro fora os problemas agravar-se-ão, desde o sistema empresarial até ao sistema social.
Caminhamos, apressadamente, para uma situação de gravíssima tragédia social. Não sei se as várias dezenas de instituições de solidariedade social (o número é já maior que o número de freguesias da Região) conseguirão dar resposta às necessidades. Elas começam a estar no limite. Também não sei até que ponto chegará, no plano individual, por solidariedade, o que muitos anónimos concedem. A verdade é que se caminha para uma situação que não se compagina com o permanente folclore deste governo regional que tenta, a todo o transe, esconder a realidade e jogar para outros responsabilidades próprias. Está na hora de pô-los a andar, democraticamente despachá-los, gerar a esperança e reconquistar os indicadores de confiança, só possível com gente credível e irrepreensivelmente honesta.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

INQUIETANTE


Nessa história das mudanças políticas afigura-se-me inquietante uma mera substituição do vidro de refugo por um aparente vidro de primeira. Não deixa de ser vidro, frágil e quebrável. A questão é exatamente essa, não basta substituir o copo por outro de melhor design. Interessa, sobretudo, conhecer a casta, se o processo de fabricação foi ou não diferente e se o conteúdo está ou não passado.
 
 
Está a arder!
Só nas ditaduras a alternativa é complexa. Ainda assim são derrubáveis. Muito mais esta assente em uma “máfia boazinha”. A História está repleta de políticos que se consideraram insubstituíveis, que criaram monstros tentaculares unidos a uma só cabeça, que geraram cumplicidades sem fim, que deram de comer a um corpo subserviente e que, por isso, cobraram o dízimo político. Porém, mais cedo que tarde, as tropas, alegadamente fiéis, caíram ou desertaram pelas circunstâncias, pelo cansaço e pela visão estrábica e sectária do desenvolvimento. Tudo começa por uma fase de desconfiança, depois, pelos dados conjunturais, que levam o seu tempo a alastrar mas, qual onda, tornando-se gigante, acaba por chegar a uma maioria que os derruba, implacavelmente, mesmo quando, política e culturalmente sejam significativos os défices de conhecimento estruturado. Muitas vezes basta que os furos do cinto encolham, que aos filhos falte o básico, que a emigração seja a alternativa e que, sem terem contribuído para isso, se sintam espoliados na carteira e nos direitos sociais. Aí, tenham a certeza os senhores do poder e os senhores do "deus" mercado, não há volta a dar, melhor, há revolta a dar contra quem os enganou durante muito tempo.
E nessa história das mudanças políticas afigura-se-me inquietante uma mera substituição do vidro de refugo por um aparente vidro de primeira. Não deixa de ser vidro, frágil e quebrável. A questão é exatamente essa, não basta substituir o copo por outro de melhor design. Interessa, sobretudo, conhecer a casta, se o processo de fabricação foi ou não diferente e se o conteúdo está ou não passado. A metáfora serve de aproximação ao plano da análise política. O problema não está, sequer, no papel de celofane e no laço do embrulho, mas no conteúdo, na casta portadora de um aroma frutado que se prolongue no futuro. Quem disse que não há alternativa?
Ilustração: Google Imagens
NOTA
Opinião, da minha autoria, publicada na edição de hoje do DN-Madeira.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"O SALAZARINHO"


Guia-se pela teoria e pelas convicções ideológicas e nunca se deu à paciência de colocar num prato da balança o somatório de todos os impostos, directos e indirectos pagos por todos nós e, no outro prato, as contrapartidas. Intencionalmente, esquece-se que os portugueses pagam TUDO desde que se levantam ao deitar. Pagam impostos em tudo, ao mesmo tempo que lhe roubam direitos conquistados com muito suor, sangue e lágrimas. Parece seguir a mesma cartilha do ditador: "Devo à Providência a graça de ser pobre" - não sei se o é, mas quer que todos o sejam (...) "Sei muito bem o que quero e para onde vou" (...) "Tudo pela Nação, nada contra a Nação" (...) "Ceder é perder. Formula-se uma política e há que executá-la rapidamente." Oh senhor Ministro, regresse ao sítio de onde veio e não ofenda nem os pobres nem a dita classe média! Já ultrapassou tudo o que seria admissível.
 
 
Desde ontem que ando a moer as palavras do ministro Vítor Gaspar. Começo a pressentir que o dito está a sair da casca. O verdadeiro Gaspar está muito para além do que apresenta. Por detrás das palavras mastigadas e lentas esconde-se um posicionamento ideológico que não se alicerça apenas na recuperação do País face aos acordos assumidos. Ele sabe de onde vem, ele sabe o que o leva a ali estar e domina, perfeitamente, o caminho para onde vai. Aquela capinha de académico competente está envolta em uma outra capinha política que preocupa. O semanário O Sol, de 29 de Dezembro de 2011, transcrevendo o Correio da Manhã, trouxe uma peça que aqui transcrevo:
"Entre conversas privadas e nas costas do ministro das Finanças, Vítor Gaspar é conhecido por alguns dos seus colegas como o novo "Salazarinho". O Correio da Manhã explica que esta alcunha nasceu do alegado perfil de "sovina", do percurso político e dos discursos de austeridade, que surgem como semelhanças entre este ministro das Finanças e Salazar quando teve a mesma pasta. Ambos foram professores universitários e ambos têm origens rurais e beirãs - Salazar nasceu em Santa Comba Dão e o pai de Vítor Gaspar é original de Manteigas, escreve o CM. Salazar exigiu controlo absoluto sobre as despesas e receitas de todos os ministérios durante o mandato nas Finanças, "tal como Vítor Gaspar tem feito desde que se tornou ministro", diz o Correio da Manhã, reforçando que o actual ministro conseguiu impor uma "ditadura financeira" a que todos, "até o primeiro-ministro», se têm de submeter. Tal como Salazar."
Não comento esta caracterização sobre a figura em causa, mas tem quase um ano e a prática tem vindo a demonstrar e a confirmar o que dele penso. Ontem, surgiu com mais uma daquelas frases polémicas e irritantes: disse que existe "um enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ter como funções do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar". Ora, este homem, certamente, que nunca fez uma campanha eleitoral. Nunca entrou em becos e bairros e nunca entrou em casas com o odor e a cor da pobreza. Eu conheço o cheiro e a cor negra da pobreza, porque durante muito tempo andei por aí, visitei, escutei desabafos e procurei resposta aos porquês. Este ministro deve ser dos tais que não lê nem ouve a comunicação social, "raramente tem dúvidas e nunca se engana". Pior, guia-se pela teoria e pelas convicções ideológicas e nunca se deu à paciência de colocar num prato da balança o somatório de todos os impostos, directos e indirectos pagos por todos nós e, no outro prato, as contrapartidas. Intencionalmente, esquece-se que os portugueses pagam TUDO desde que se levantam ao deitar. Pagam impostos em tudo, ao mesmo tempo que lhe roubam direitos conquistados com muito suor, sangue e lágrimas. Parece seguir a mesma cartilha do ditador: "Devo à Providência a graça de ser pobre" - não sei se o é, mas quer que todos o sejam (...) "Sei muito bem o que quero e para onde vou" (...) "Tudo pela Nação, nada contra a Nação" (...) "Ceder é perder. Formula-se uma política e há que executá-la rapidamente."
Oh senhor Ministro, regresse ao sítio de onde veio e não ofenda nem os pobres nem a dita classe média! Já ultrapassou tudo o que seria admissível.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A REGIÃO ESTÁ FALIDA


Qualquer pessoa minimamente atenta sabe que o cofre está vazio, que o barco adorna todos os dias, que existe uma azáfama na tripulação em busca de coletes salva-vidas e, por isso, espanta-me certas posições de representantes da sociedade, particularmente do associativismo, como se a Região, económica e financeiramente, vivesse de forma desafogada, com contas controladas e com capacidade de investimento público e privado. Parece-me que ainda não tomaram consciência que A REGIÃO ESTÁ FALIDA e que a sua recuperação depende de um de dois caminhos: ou, penosamente, suporta, com gravíssimos custos sociais, durante vinte a trinta anos a factura da loucura de muitos anos de (des)governo; ou, o Estado, através de negociação, incorpora uma significativa parte da dívida no rol dos projectos de potencial interesse nacional, com o sobrante a ser pago de forma suave, não colocando em risco o aumento da pobreza. Não vejo que exista outra possibilidade. Perante o quadro que está desenhado a cores negras, paradoxalmente, quase todos os dias, por uma ou outra razão, assisto a declarações que, no mínimo, reflectem ausência de bom senso por parte de quem as produz. Sobretudo porque a situação exige um travão às quatro rodas.
 
 
Estão todos ou quase todos falidos. E todos olham para para o "padrinho" na esperança que liberte uns cobres que suavizem as despesas, mas nada, nem um cêntimo! O "padrinho" já era. Para todo o lado que se volte só vê facturas por pagar, pregadas no tecto e nas paredes, grandes e pequenas somas, geradoras de desespero para quem tem responsabilidades empresariais. Depois, tem a troika, diariamente, a morder os tornozelos, o Gaspar a apertar os calos pelo incumprimento, e não bastasse esse colossal peso, que não é pouco, anda numa roda viva, de freguesia em freguesia, até ao "dia de finados", para estancar o sangue das alegadas "facadas nas costas". 
Qualquer pessoa minimamente atenta sabe que o cofre está vazio, que o barco adorna todos os dias, que existe uma azáfama na tripulação em busca de coletes salva-vidas e, por isso, espanta-me certas posições de representantes da sociedade, particularmente do associativismo, como se a Região, económica e financeiramente, vivesse de forma desafogada, com contas controladas e com capacidade de investimento público e privado. Parece-me que ainda não tomaram consciência que A REGIÃO ESTÁ FALIDA e que a sua recuperação depende de um de dois caminhos: ou, penosamente, suporta, com gravíssimos custos sociais, durante vinte a trinta anos a factura da loucura de muitos anos de (des)governo; ou, o Estado, através de negociação, incorpora uma significativa parte da dívida no rol dos projectos de potencial interesse nacional, com o sobrante a ser pago de forma suave, não colocando em risco o aumento da pobreza. Não vejo que exista outra possibilidade. Perante o quadro que está desenhado a cores negras, paradoxalmente, quase todos os dias, por uma ou outra razão, assisto a declarações que, no mínimo, reflectem ausência de bom senso por parte de quem as produz. Sobretudo porque a situação exige um travão às quatro rodas.
O caso da política desportiva é paradigmática. Não vale a pena insistir na busca de dinheiro num saco vazio. Puxa daqui e dali, o que resultar da magreza do próximo Orçamento Regional deve servir para tentar pagar anos findos, compromissos assumidos protocolarizados, contratos-programa não liquidados, numa tentativa de limpar o nome de tantos dirigentes benévolos que acreditaram e que foram literalmente enganados. Isto para não falar de todas aquelas empresas que forneceram bens e serviços e que, hoje, andam aflitas, batendo de porta em porta para que as facturas sejam pagas. Constitui, por isso, um erro político protelar decisões, fazer acreditar que o regabofe tem pernas para andar e que, no essencial, está "tudo como antes, quartel general em Abrantes". Curiosamente, ou talvez não, não assisto a uma única palavra sobre a educação desportiva escolar, sobre a intenção de mudar de rumo, por obrigação e necessidade de contenção de custos, enfim, uma palavra que obrigue a reflectir e a inverter prioridades, garantindo o apoio necessário ao ambiente educativo e formativo em detrimento da representação nacional e internacional. Decisões que são politicamente dolorosas, ora se são! Mas não há volta a dar. Este "doente político" (sistema desportivo) precisa de um "testamento vital" (solução para o futuro). Mais cedo do que alguns julgam ele será concretizado.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

SIMPLESMENTE ENERVANTE


Li a frase de João César das Neves: "em democracia, Portugal nunca conseguirá controlar a despesa pública" e lembrei-me de imediato do notável Professor Abel Salazar, patrono do reputado Instituto de Ciências Biomédicas (Porto), que deixou para a História uma frase muito significativa: "O Médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe". Por aproximação poderia agora dizer: Economista que só sabe de Economia, nem de Economia sabe! Ora, os problemas do país real, a pobreza, o desemprego, o roubo perpetrado através de impostos que parecem não terem fim, os constrangimentos de um povo que sofre e que sangra, que emigra, os problemas que despedaçam uma juventude sem esperança, um país real que secundariza os seus idosos, precisa de gente culta, de catedráticos, de gente com conhecimento capaz de trazer um rol de caminhos alternativos, seguros e de esperança. Este nosso País dispensa, certamente, novos "césares" tal como deve dispensar figuras como Medina Carreira, a quem até hoje não escutei, serenamente, apontar um caminho, antes, naqueles seus comentários só o vejo apontar, de forma corrosiva, o que, na sua óptica, está mal.
 
 
Uma inadmissível calinada! João César das Neves, Professor universitário, sublinhou no DN-Lisboa: "(...) Parece definitivo: em democracia, Portugal nunca conseguirá controlar a despesa pública (...) "a incapacidade em controlar a despesa pública "não é pontual", sendo "um traço estrutural português só resolvido em ditadura" (...) "foi o Tribunal Constitucional que desgraçou o país", que ao impedir o corte de salários e pensões, que representam 70% da despesa, obrigou a subir impostos, o que estrangula a economia, que é quem paga os salários e pensões" - Jornal de Negócios.
Seja em que contexto for este conjunto de frases não fazem qualquer sentido. Para ser credível, nem enquanto desabafo numa roda de amigos devem ser ditas. Os da minha idade, ele é mais novo do que eu oito anos, conheceram bem a ditadura em todos os seus contornos, políticos, económicos, sociais e na ausência de soluções. E no campo dos direitos sociais narra a História o que aconteceu ao nível da Educação e da Saúde, por exemplo. Para não falar do longo silêncio imposto ao pensamento livre e criador. Ora, li a frase "em democracia, Portugal nunca conseguirá controlar a despesa pública" e lembrei-me de imediato do notável Professor Abel Salazar, patrono do reputado Instituto de Ciências Biomédicas (Porto), que deixou para a História uma frase muito significativa: "O Médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe". Por aproximação poderia agora dizer: Economista que só sabe de Economia, nem de Economia sabe! Ora, os problemas do país real, a pobreza, o desemprego, o roubo perpetrado através de impostos que parecem não terem fim, os constrangimentos de um povo que sofre e que sangra, que emigra, os problemas que despedaçam uma juventude sem esperança, um país real que secundariza os seus idosos, precisa de gente culta, de catedráticos, de gente com conhecimento capaz de trazer um rol de caminhos alternativos, seguros e de esperança. Este nosso País dispensa, certamente, novos "césares" tal como deve dispensar figuras como Medina Carreira, a quem até hoje não escutei, serenamente, apontar um caminho, antes, naqueles seus comentários, só o vejo apontar, de forma corrosiva, o que, na sua óptica, está mal. Não apenas estes, mas aqui fica o nome de mais um economista, João Duque, professor e presidente do ISEG, o tal que desde o tempo do "Plano Inclinado", com Medina Carreira à ilharga, fez coro contra o anterior governo, em defesa da transparência. Ora, quem diria que "o presidente, professor, economista, comentador João Duque faz concursos públicos viciados? Diz ele. Nas calmas (...)" - Pedro Guerreiro, Negócios online
Estamos entregues a uma cáfila que joga de acordo com os seus interesses, princípios e valores ideológicos, que renegam o que a Democracia lhes trouxe e que, por mero oportunismo, passam uma esponja sobre o passado e sobre a História. De facto, quem apenas sabe de Economia, nem de Economia sabe!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

INDISCIPLINA NAS ESCOLAS. DE QUE ESTAVAM À ESPERA?


Nada que, em devido tempo, não tivesse sido motivo de estudo, explanação, divulgação e pedido de debate sério, profundo e sereno. Na Assembleia Legislativa da Madeira todas as propostas apresentadas pelo PS-Madeira foram chumbadas. Recordo-me, por exemplo, do Regime Jurídico do Sistema Educativo Regional, onde as questões indirectas potenciadoras da indisciplina foram devidamente apresentadas. Por exemplo, o número de alunos por estabelecimento de educação e ensino e o número de alunos por turma. Nada que já não tivesse sido experimentado por outras paragens e com sucesso. É evidente que o problema é multifactorial, atravessa vários sistemas, mas o problema da organização da rede escolar é absolutamente determinante. Ainda há tempos li um texto que dava conta da organização finlandesa no que concerne à rede escolar: apenas 2% das escolas têm um número superior a 500 alunos. Aqui, o governo foi incapaz de se libertar dos princípios da "concentração" e da "maximização" que têm origem na Sociedade Industrial. Ignoraram que o grande se torna tendencialmente ingerível e potencia a existência de números e não de pessoas. Pior é quando, paralelamente às grandes concentrações, multiplicam o inferno da burocracia que amarra os professores a não pensarem a escola mas sim os papéis que pouco ou nada contribuem para o sucesso. Isto para não falar da estrutura curricular e programática. Esse é outro problema.
 
  
Li, na edição de hoje do DN, aliás, com muito interesse, uma peça da Jornalista Raquel Gonçalves sobre a "indisciplina que consome aulas que não ensinam". Trata-se de um assunto que continua muito actual e sobre o qual a comunidade docente muito se queixa. Um problema que vem em crescendo e que, cada vez mais, apresenta sinais de um começo antes da escolaridade obrigatória.
Dizia-me, há dias, uma colega que tem à sua responsabilidade crianças de quatro anos, segundo percebi, dezanove (que exagero!), que este ano está a ser terrível no que concerne à disciplina conquistada pela compreensão das crianças. Esgotadas todas as estratégias possíveis, estruturadas em vinte e tal anos de profissão, um dia destes tinha acabado na casa de banho, distante do grupo, a chorar convulsivamente. Porquê, interrogava-se. E falámos sobre isso, na ausência de políticas de família, na degradação do tecido social, na falta de transmissão de princípios e de valores, na mentalidade de desresponsabilização criada nas famílias, pelo próprio ambiente político que favoreceu a indisciplina.
Ora, nada que, em devido tempo, não tivesse sido motivo de estudo, explanação e de divulgação e pedido de debate sério, profundo e sereno. Aliás, na sequência do que muitos investigadores trouxeram para o centro do debate. Na Assembleia Legislativa da Madeira todas as propostas apresentadas pelo PS-Madeira foram chumbadas. Recordo-me, por exemplo, do Regime Jurídico do Sistema Educativo Regional, onde as questões indirectas potenciadoras da indisciplina foram devidamente apresentadas em texto de lei. Por exemplo, o número de alunos por estabelecimento de educação e ensino e o número de alunos por turma. Por razões economicistas fizeram ouvidos de mercador às propostas, hoje, continuam a dispensar professores, queixam-se da indisciplina e estão convencidos que o Estatatuto do Aluno resolverá o drama. Quanto enganados estão!
Nada que já não tivesse sido experimentado por outras paragens e com sucesso. É evidente que o problema é multifactorial, atravessa vários sistemas, mas o problema da organização da rede escolar é absolutamente determinante. Ainda há tempos li um texto que dava conta da organização finlandesa no que concerne à rede escolar: apenas 2% das escolas têm um número superior a 500 alunos. Aqui, o governo foi incapaz de se libertar dos princípios da "concentração" e da "maximização" que têm origem na Sociedade Industrial. Ignoraram que o grande se torna tendencialmente ingerível e potencia a existência de números e não de pessoas. Pior é quando, paralelamente às grandes concentrações, multiplicam o inferno da burocracia que amarra os professores a não pensarem a escola mas sim os papéis que pouco ou nada contribuem para o sucesso. Isto para não falar da estrutura curricular e programática que outro drama. Mas esses são aspectos sobre os quais não quero, agora, enquadrar. Deixo aqui apenas os Artigos 4º e 8º do referido Regime Jurídico, que a maioria PSD na Assembleia Legislativa chumbou, uma vez que poderão servir para alguma reflexão. Repito que o problema da indisciplina é muitifactorial, mas se tivessemos escolas e turmas com menos alunos...
CAPÍTULO II
Organização do sistema educativo
Artigo 4º

Rede regional de estabelecimentos de educação e ensino

1. Compete à Região criar uma rede de estabelecimentos públicos de educação e ensino que cubra as necessidades de toda a população.
2. O planeamento da rede de estabelecimentos públicos assenta no pressuposto da eliminação das desigualdades regionais e locais e terá em conta as necessidades de acolhimento de um número equilibrado de alunos e a sua inclusão, de modo a garantir uma prática pedagógica de excelência.
3. Os edifícios escolares devem ser planeados na óptica de um equipamento integrado e ter suficiente flexibilidade para permitir, sempre que possível, a sua utilização em diferentes actividades da comunidade e a sua eventual adaptação em função das alterações dos diferentes níveis de ensino, dos currículos e dos métodos educativos.
4. A estrutura dos edifícios escolares deve ter em conta, para além das actividades escolares, o desenvolvimento de actividades de ocupação de tempos livres e o envolvimento da escola em actividades extra-escolares.
5. A densidade da rede e as dimensões dos edifícios escolares devem ser ajustadas às características e necessidades regionais e à capacidade de acolhimento de um número equilibrado de alunos, de forma a garantir as condições de uma boa prática pedagógica e a realização de uma verdadeira comunidade escolar.
6. Na concepção dos edifícios e na escolha do equipamento, têm que ser tidas em conta as necessidades especiais dos portadores de deficiência.
7. A gestão dos espaços deve obedecer ao imperativo de, também por esta via, contribuir para o sucesso educativo e escolar dos alunos.
8. A rede regional de estabelecimentos de educação e de ensino é constituída por creches, jardins-de-infância, infantários, unidades de educação pré-escolar, ensino básico, secundário, educação especial e de formação vocacional.
9. Cada estabelecimento de educação e de ensino desenvolve a sua actividade específica, de acordo com o seguinte limite máximo:
a) Creche e Jardim de Infância até 150 crianças;
b) Pré-Escolar e 1º ciclo do ensino básico até 200 alunos;
c) 2º e 3º ciclos do ensino básico até 400 alunos;
d) Secundário e profissional/vocacional até 500 alunos.
(...)
Artigo 8º
Constituição das turmas

1. A constituição de turmas, da responsabilidade do órgão de direcção, deve ser orientada por critérios pedagógicos claramente definidos pelo Conselho Pedagógico, acordados entre todos e de forma transparente no que concerne à atribuição de horários dos docentes.
2. Estipulam-se os seguintes limites máximos por turma:
a) Creche: 10 crianças;
b) Jardim de infância: 12 crianças;
c) Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico: 18 alunos;
d) 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico: 16 alunos;
e) Ensino Secundário: 14 alunos.
Ilustração: Google Imagens.

QUEM DISSE QUE NÃO HÁ ALTERNATIVA? (II)

QUEM DISSE QUE NÃO HÁ ALTERNATIVA? (I)

domingo, 21 de outubro de 2012

NO REINO DA HIPOCRISIA


A hipocrisia tornou-se uma constante no exercício da política. Dir-se-á que sempre foi assim, que desde sempre a luta pelo acto transparente e honesto foi ensombrado pelo oportunismo! Certo. Todavia, o que hoje se assiste, em função de um quadro de falência do País, é a um provocador e impróprio jogo de sombras, perversamente organizado no sentido de tentar salvar a imagem de uma pureza que não existe. E então vêm com aquela historieta de embalar que seria muito mau para o País uma crise política. Falso. Completamente falso. Mais vale, atempadamente, um corte com esta triste realidade, do que prolongar e agravar o sofrimento de milhões de portugueses, quando é certo que a continuidade da receita proposta pelo governo, a avaliar pelos resultados do último ano, previsivelmente, repetir-se-ão e agravarão as já débeis condições de vida. Portanto, uma crise política só pode ser benéfica (...)
 
 
O CDS/PP vai votar, favoravelmente, o Orçamento de Estado. Sempre achei que outra coisa não viria a acontecer, essencialmente por dois motivos: primeiro, porque desejoso de algum poder, abandoná-lo constituiria um golpe nas convicções ideológicas e na onda de políticas de direita na Europa; segundo, porque denunciaria o contrato de coligação com o PSD com evidentes repercussões futuras no âmbito inter-partidário. Ao que o Dr. Paulo Portas nos poderia poupar era àquela gestão do silêncio para depois vir dizer que "(...) quando se quiser dizer outra coisa diz-se viabilizar, não se diz votar". Isto é, se bem interpretei, o CDS quer estar, mas não quer; quer o orçamento, mas não quer que o comprometa; quer estar a bem com o "deus" mercado especulador e de boas relações com o povo, tentando dizer, não dizendo, que não tem nada a ver com as loucuras do ministro Gaspar e do grupinho PSD liderado por Pedro Passos Coelho. Nada que seja para estranhar porque, infelizmente, a hipocrisia tornou-se uma constante no exercício da política.  Dir-se-á que sempre foi assim, que desde sempre a luta pelo acto transparente e honesto foi ensombrado pelo oportunismo! Certo. Todavia, o que hoje se assiste, em função de um quadro de falência do País, é a um provocador e impróprio jogo de sombras, perversamente organizado no sentido de tentar salvar a imagem de uma pureza que não existe. E então vêm com aquela historieta de embalar que seria muito mau para o País uma crise política. Falso. Completamente falso. Mais vale, atempadamente, um corte com esta triste realidade, do que prolongar e agravar o sofrimento de milhões de portugueses, quando é certo que a continuidade da receita proposta pelo governo, a avaliar pelos resultados do último ano, previsivelmente, repetir-se-ão e agravarão as já débeis condições de vida. Portanto, uma crise política só pode ser benéfica, venham, pois, eleições, rapidamente, que se discutam as causas e as consequências, que se afronte, com inteligência, os credores, que se os coloque numa situação de respeito e de responsabilidade  através de uma necessária renegociação da dívida de interesse bi-lateral. O que o País deve tem de ser pago, todavia, em prazo aceitável, que respeite milhões de homens e mulheres que em nada contribuíram para este descalabro. De resto, em Democracia, há sempre uma solução alternativa, há sempre um novo projecto, há sempre uma hipótese de inovação e de criatividade no quadro dos problemas.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 20 de outubro de 2012

RESPOSTA AO TEMPO


"Pedro Passos Coelho é um produto típico de um "tempo inconvicto" [Tony Judt] que acarinha e acalenta a frivolidade da superfície, arrastando, com essa frivolidade, milhões de pessoas para a desgraça e para o infortúnio. É preciso erradicar, da Europa do Partido Popular, esta patologia endémica, de que são vítimas não só os países mais débeis (que serão "países mais débeis"?) como todos os outros".
 
 
"Olho em volta e sinto uma amargura pesada e trágica. Um movimento silencioso faz com que as pessoas não se cruzem: atravessam-se com indiferença e, até, com rancor. Pessoas sem destino certo, absortas não se sabe bem com quê. Porquê, sabemo-lo pela evidência cruel. Não é só a atmosfera de descrença: é o riscar de uma angústia que nada tem de metafísica. Há algo de implacável nas declarações que ouvimos, e nos colocam num patamar sem saída. Leio os jornais e nem um traz a limpidez de uma esperança porque, na realidade, já não há esperança. E ela já existiu, na afronta e no opróbrio.
As nossas causas eram a justificação das nossas vidas. Envolvíamo-nos em coisas muito perigosas, empolgados pelo desafio e pela reminiscência de que ajudávamos o mundo a ser algo de melhor. Não sabíamos muito bem o que era; porém, não era aquilo em que sobrevivíamos tristemente. Uma frase que escrevi, por essa ocasião, e fez escola: a esperança tem sempre razão. E agora? A esperança perdeu, até a razão de ser?
As causas do que nos está a acontecer vêm de longe. E, se quisermos ser honestos, o desequilíbrio começou com os dez anos de primeiro-ministro do Dr. Cavaco. Não vale a pena derramar lágrimas. A História é o que é. O impreparo do então primeiro-ministro advinha da sua incultura geral, do facto de a Europa nos mandar dinheiro a rodos, o que facilitava a governança, e da raiz da sua própria ideologia (...)".
Este é um excerto de um artigo, recentemente publicado, assinado por Baptista-Bastos, um dos maiores prosadores portugueses contemporâneos. Motivou-me a leitura a primeira frase do texto, ao ir de encontro ao sentimento que transporto: "Olho em volta e sinto uma amargura pesada e trágica". Aliás, já aqui escrevi nesse sentido. Basta um pouco de atenção, alguma sensibilidade, ouvir e esmiuçar o que outros dizem, escutar as palavras penosas que saem boca fora de quem se sente hoje completamente espremido e desprovido de oportunidades, desde jovens a menos jovens até aos que se encontram no outono da vida, para ficarmos com essa sensação de desesperança e de incapacidade para combater o desespero. Há amargura em milhões de homens e mulheres, qual metáfora, tetraplégicos sociais, impossibilitados de possuírem autonomia quanto baste para transportarem e transmitirem um mínimo de felicidade. Tempos de revolta estão já no horizonte Só eles não conseguem enxergar que dos dramas germinará a reacção contra aqueles que, por ganância, teimosia e estupidez política, fazem do povo capacho dos seus interesses maiores.
Ilustração: Google Imagens.

ENQUANTO OUVIMOS... ESQUECEMOS O DESASTRE DA GOVERNAÇÃO

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

INTELECTUALMENTE DESONESTO


Haja paciência. Não fossem as políticas sociais da altura e estaríamos hoje bem piores. O que o governo de coligação PSD/CDS tem feito é que se aproxima dessa política cega de retirar direitos e apoios que muita falta fazem às pessoas. "Terra Queimada" é o que agora se assiste, num governo regional sem cêntimo para acudir às responsabilidades. Que grande desplante esse, quando ele sabe que tudo, mas tudo o que à Segurança Social diz respeito, inclusive os encargos com os funcionários de toda a rede regional, são pagos (e bem) pela República. Que grande desplante quando ele sabe que todos os subsídios são pagos (e bem) pela Segurança Social Nacional. Que grande desplante quando ele sabe que, por exemplo, o Rendimento Social de Inserção é pago (e bem) pela República e que se não fosse isso o desastre ainda seria maior na Madeira. Que grande desplante quando ele sabe que tantas vezes, escondendo a proveniência do dinheiro, anda por aí o governo e os agentes da Segurança Social na Madeira a cumprimentar com o chapéu alheio.


Na política, um dos aspectos que mais me custa tolerar é a ausência de honestidade intelectual. Ontem ouvi e vi, através da emissão online dos trabalhos da Assembleia Legislativa, o Secretário dos Assuntos Sociais e Saúde, Dr. Jardim Ramos, o termo é este, atirar-se contra o Deputado Carlos Pereira (PS), revelando as culpas do governo do Engº José Sócrates pela situação de pobreza generalizada. Falou, até, de um governo de "política de terra queimada". A tecla de sempre, o bode expiatório que serve para alimentar a mentira e passar uma cortina sobre as gravíssimas responsabilidades de quem governa esta Região há 36 anos consecutivos e com maioria absoluta. Imbirro com a desonestidade e, se o governante tem todo o direito de salientar eventuais aspectos negativos do governo anterior (qual o governo que não os tem), escamotear a verdade é de uma ligeireza e de uma má fé que chateia. E, depois, certamente, não gosta ou não gostou que o Deputado Edgar Silva lhe tivesse dito: "(...) Ele está mentindo mais do que o Pinóquio! O senhor é um excelentíssimo mentiroso". Pois é. Vamos, então, reavivar a memória. Em Abril de 2009, participei nas Jornadas Parlamentares do PS-Nacional. Entre outras medidas registei algumas medidas assumidas pelo governo do então primeiro-ministro José Sócrates:
1ª A baixa no preço de 4.000 medicamentos que significou uma poupança para os portugueses de 726 milhões de euros. Neste aspecto, a passagem, em quatro anos, de 8% para 19% de crescimento nos medicamentos genéricos;
2ª O Complemento Solidário para Idosos, instrumento poderoso para atenuar a pobreza de 200.000 portugueses;
3ª O apoio pré-natal. Dirão, alguns, que foi pouco. É certo que foi pouco mas muito para quem dele precisa;
4ª O Salário Mínimo que cresceu 20% em quatro anos;
5ª O Abono de Família, uma das prestações mais importantes que cresceu 25% em quatro anos. Tratou-se do maior aumento de sempre conjugado com o 13º mês desta prestação social;
6ª A Acção Social Escolar, baseado nos escalões do abono de família, e que veio a beneficiar milhares de alunos e suas famílias;
7ª O investimento em equipamentos sociais, na altura, cerca de 500 novos equipamentos;
8ª A rede de cuidados continuados, com o aumento de 5.000 camas e com a estimativa de 8.000 até ao final desse ano, possibilitando aos idosos mais autonomia, através das unidades de apoio na doença;
9ª O apoio à parentalidade, onde a licença passou de cinco para dez dias de licença, acrescido de mais um mês caso o pai ficasse com a criança;
10ª A reforma da segurança social permitindo safar o País que se encontrava no abismo para uma situação de garantia de futuro.
E tudo isto passando o défice nas contas do Estado de 6,83% para 2,6% em 2007 e 2008 (três anos de mandato).
Muitas destas medidas tiveram, obviamente, reflexo na Madeira. A isto e muito mais, o Dr. Jardim Ramos designou de "política de terra queimada". Haja paciência. Não fossem as políticas sociais da altura e estaríamos hoje bem piores. O que o governo de coligação PSD/CDS, com uma política cega de retirar direitos e apoios que muita falta fazem às pessoas é que se aproxima de tal designação. "Terra Queimada" é o que agora se assiste, num governo regional sem cêntimo para acudir às responsabilidades. Por conseguinte, que grande desplante, quando o Secretário sabe que tudo, mas tudo o que à Segurança Social diz respeito, inclusive os encargos com os funcionários de toda a rede regional, são pagos(e bem) pela República; que grande desplante quando ele sabe que todos os subsídios são pagos (e bem) pela Segurança Social Nacional; que grande desplante quando ele sabe que, por exemplo, o Rendimento Social de Inserção é pago (e bem) pela República e que se não fosse isso o desastre ainda seria maior na Madeira; que grande desplante quando ele sabe que tantas vezes, escondendo a proveniência do dinheiro, anda por aí o governo e os agentes da Segurança Social na Madeira a cumprimentar com o chapéu alheio; que grande desplanteuitos outros aspectos, quando, ano após ano, nem um cêntimo o governo inscreve no Orçamento Regional!
Ninguém está à espera que o Dr. Jardim Ramos venha tecer comentários abonatórios ao governo do Engº José Sócrates. Da mesma forma, porque politicamente lhe dá jeito, que venha falar que foi a crise internacional que fez desmoronar o edifício das preocupações sociais acima enunciadas. Mas exige-se um mínimo de honestidade e esse mínimo deveria obrigá-lo a estar calado para não ser intelectualmente desonesto. Um pingo de respeito por si próprio deveria levá-lo a considerar que, no primeiro mandato de José Sócrates, o défice de 6,83% deixado pelos governos Durão Barroso e, depois, de Santana Lopes foi reduzido para 2,6% sem que as preocupações sociais tivessem sido colocadas em causa. 
Uma instituição que, normalmente, cumprimenta
com o chapéu dos outros
Ora bem, que se assistiu a orientações políticas nesses governos que não foram as mais aconselháveis, obviamente que sim. As PPP (parcerias público-privadas) que tiveram início nos governos do PSD, que se multiplicaram mais tarde, hoje, por exemplo, constata-se que a sua génese estava errada. Mas é correcto, também, colocar no outro prato da balança, do ponto de vista social, alguma obra realizada.Ao correr do pensamento ainda posso aqui avivar a memória do Dr. Jardim Ramos. Particularmente as políticas de manutenção de emprego; o apoio aos jovens no acesso ao emprego; o apoio no regresso ao emprego e o reforço da protecção e das políticas sociais. Baseado nestes quatro pontos, tenho presente a redução das contribuições para a segurança social que atingiu mais de 53.000 empresas e 134.000 trabalhadores; o programa de qualificação-emprego que envolveu, no sector automóvel, dezasseis empresas e 3.300 trabalhadores; a formação de dupla certificação para jovens sem o ensino secundário; os estágios profissionais para jovens com o secundário e superior, destinado a jovens até aos 35 anos e que registou milhares entradas; o apoio à contratação de jovens com o ensino secundário e superior, através do apoio de € 2.000,00 mais dois anos de isenção de Taxa Social Única (TSU) que envolveu milhares de jovens; o apoio de € 2.000,00 mais dois anos de isenção de TSU na contratação de desempregados e públicos específicos; o apoio à contratação de desempregados com 55 anos ou mais, consubstanciado na redução de 50% na TSU às empresas que contratassem a termo; a criação de 400 gabinetes de inserção profissional, o que gerou a colocação de 600 técnicos; o prolongamento do subsídio social de desemprego. A esmagadora maioria destas medidas tiveram aplicação na Madeira e vem o Dr. Jardim Ramos falar de política de "terra queimada". É preciso ter uma incomensurável lata política! Aliás, em pleno parlamento ouvi-o, há tempos, dizer que só tínhamos 4% de pobres. Está tudo dito. E por aqui fico, porque face à desonestidade o melhor é ignorar. É mais higiénico.
Ilustração: Google imagens.ea

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O TEMPO DE TOLERÂNCIA COMEÇA A SER ESCASSO


Não sei onde isto irá parar, mas nada de bom vem por aí. O enervante silêncio do Presidente da República, as movimentações no seio das Forças Armadas, as manifestações populares, sectoriais e globais, que estão a surgir cada vez mais com o recurso a uma certa violência, a ausência de credibilidade do governo da República que denuncia um misto de teimosia e de insegurança, a existência de um governo Regional que, na prática, já não existe, enfim, todo o quadro que está desenhado assume contornos de uma grande preocupação. Existe angústia, irritação, falta de esperança, falta de confiança, fome e a sensação que resta é que o balão vai estoirar. Julgo, por isso, que só há uma forma de travar este processo: renegociar a dívida, prolongar os prazos de pagamento, suavizar a situação global das famílias e das empresas, diminuindo, assim, a severa carga de impostos, concomitantemente, fazendo crescer a economia. Se o caminho for apenas a da austeridade, tarde ou cedo, lamentavelmente, vamos ter conflito e provavelmente sangue.
 
 
Uma mulher de meia idade, bem parecida, em luta pela vida devido a uma doença oncológica, com os olhos rasos de lágrimas, lamentava-se ao jornalista sobre a carestia da vida, sobre o que recebia e o que pagava, que aquilo que estão a fazer ao povo só conduz a "depressões e suicídios" dos mais vulneráveis. Hoje, leio na primeira página do DN-Madeira: "a fome alastra". Compaginado com esta situação, passo os olhos sobre as declarações do Padre Agostinho Jardim Moreira, da Agência Europeia Contra a Pobreza: "a troika está a transformar os portugueses em miseráveis e em escravos, está a exigir o que não podem dar". Folheio mais umas páginas e constato a preocupação de pais aflitos porque não podem pagar o passe escolar, para além do drama dos manuais escolares a que muitos experimentam dificuldades em ter acesso. A completar o ramalhete da desesperança, o anúncio que já vem de ontem que, dos 40.000 dispensados da função pública, largas centenas, com toda a certeza, engrossarão as fileiras do desemprego na Madeira. Tudo isto numa só edição. Nada que não se soubesse, é verdade, mas que, diariamente, nos traz bem vivas as cores negras que embrulham a nossa sociedade.
No meio deste descalabro político, económico, financeiro, social e cultural, surge o governo regional com uma esmolinha de 100.000,00 euros para derramar por 100 famílias no quadro de um apoio aos desempregados. Bom, dirão alguns, mais vale isso que nada. Só que o problema não se resolve com pensos rápidos. Os cem mil, num ápice, desaparecerão e a fome, que não pode esperar, regressará ao seio dessas famílias a muito curto prazo. Por outro lado, esta dádiva, esta esmolinha do governo regional, pouco significado tem no universo dos 23.000 desempregados, quase 50% dos quais, neste momento, não tem direito a subsídio. Basta dividir o dinheiro disponível pela legião de desempregados. Refere o DN, numa peça da Jornalista Marta Caires, que nos primeiros nove meses do ano, foram distribuídas pela Cáritas, oitenta toneladas de alimentos por mil famílias. Este número reflecte a dimensão de um problema que é crescente e que está a tornar remediada e pobre a classe dita média e em escravos todos os outros daí para baixo.
Não sei onde isto irá parar, mas nada de bom vem por aí. O enervante silêncio do Presidente da República, as movimentações no seio das Forças Armadas, as manifestações populares, sectoriais e globais, que estão a surgir cada vez mais com o recurso a uma certa violência, a ausência de credibilidade do governo da República que denuncia um misto de teimosia e de insegurança, a existência de um governo Regional que, na prática, já não existe, enfim, todo o quadro que está desenhado assume contornos de uma grande preocupação. Existe angústia, irritação, falta de esperança, falta de confiança, fome e a sensação que resta é que o balão vai estoirar. Julgo, por isso, que só há uma forma de travar este processo: renegociar a dívida, prolongar os prazos de pagamento, suavizar a situação global das famílias e das empresas, diminuindo, assim, a severa carga de impostos, concomitantemente, fazendo crescer a economia. Se o caminho for apenas a da austeridade, tarde ou cedo, lamentavelmente, vamos ter conflito e provavelmente sangue.
Por aqui, já não há pachorra nem espaço para esta gente que governa há trinta e tal anos consecutivos. Vejo-os na televisão ou nos jornais e metem dó. Aquelas caras repetitivas, que não trazem nada de novo, engasgados pela situação mas agarrados como lapas, devem sair de cena rapidamente, muito rapidamente. Sinto-me perante políticos sem vergonha na cara, medíocres, que actuam na base na mentira, gente de pensamento esclerosado de quem já nada se espera. Fazem da governação um emprego e da Assembleia um poiso de interesses pessoais. Cuidado, muito cuidado, porque a paz, a tranquilidade deve ser preservada e o tempo que resta tudo leva a crer que começa a ser muito escasso.
Ilustração: Arquivo próprio.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

MEIAS VERDADES SÃO PIORES QUE AS MENTIRAS


Qualquer cidadão, minimamente informado, questionar-se-á: afinal, qual a verdade sobre o CINM? Então, que razões é que conduzem à manutenção do tal "veto de gaveta"? O que levou e leva dois governos, ideologicamente diferentes, a manterem a mesma posição? Seria, então, de todo o interesse, todos, mas todos os madeirenses conhecerem a verdade. Possuo alguns interessantes elementos que, por serem reservados, não tenho o direito de os divulgar. Mas compete ao governo da República contar todos os meandros da história que conduziu à situação a que chegou o CINM.


Duas reflexões:
Primeira. Sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira, ao que parece o Orçamento de Estado e, de uma forma mais abrangente, o governo da República continua a demonstrar a mesmíssima posição do anterior governo. Lembro-me de todos os ataques feitos pelo Secretário Regional das Finanças, Dr. Ventura Garcês, ao então Secretário de Estado Dr. Sérgio Vasquez. E recordo-me, também, da expressão "veto de gaveta" sistematicamente dita na Assembleia Legislativa, para justificar a incapacidade da Região para ultrapassar os problemas do CINM. Esse choradinho levou meses, alguns anos e, em campanha eleitoral para as legislativas nacionais, tenho presente os discursos do PSD, que tudo seria resolvido com a eleição de um governo não socialista. E a verdade é que o povo optou, deu a vitória do PSD, foi formado um governo de coligação com o CDS, entretanto passaram-se muitos meses desde a tomada de posse e tudo continua na mesma, ou talvez, pior. A Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais é hoje liderada pelo Dr. Paulo Núncio (CDS), integra o Ministério das Finanças liderado pelo Dr. Vítor Gaspar e, nem ele, nem o ministro, nem o governo de que fazem parte resolvem a questão do CINM. 
Ora bem, qualquer cidadão, minimamente informado, questionar-se-á: afinal, qual a verdade sobre o CINM? Então, que razões é que conduzem à manutenção do tal "veto de gaveta"? O que levou e leva dois governos, ideologicamente diferentes, a manterem a mesma posição? Seria, então, de todo o interesse, todos, mas todos os madeirenses conhecerem a verdade. Possuo alguns interessantes elementos que, por serem reservados, não tenho o direito de os divulgar. Mas compete ao governo da República contar todos os meandros da história que conduziu à situação a que chegou o CINM. Eu entendo que o CINM pode ser de importância estratégica fulcral para a Madeira, mas o que trava os processos deve ser frontalmente assumido. De resto é paleio que denuncia a existência de muitas e gravíssimas sombras. Expliquem-se, não apenas por cartas que não adiantam nem atrasam.
 
E o voto foi aprovado. Mais valia que tivessem aprovado um voto contra as políticas deste governo regional caloteiro que colocou muitos dirigentes benévolos do desporto numa situação aflitiva, exigindo o pagamento faseado de todos os contratos-programa em atraso, situação esta que aliviaria o pânico que se instalou, não só nos clubes mas nos fornecedores de bens e de serviços. Há gente à beira de explodir face ao sufoco financeiro em que se encontra. E é preciso respeitar essas pessoas ao mesmo tempo que o governo deve redefinir a sua política desportiva para o futuro.
 
 
Segunda. Esta manhã foi aprovado na Assembleia Legislativa da Madeira um voto de protesto, apresentado pelo PSD-M, contra o facto da República, alegadamente, não respeitar o Princípio da Continuidade Territorial, no que diz respeito ao pagamento das ligações aéreas entre a Madeira e o Continente, às equipas integradas nas várias competições nacionais. O voto foi aprovado por unanimidade. É evidente que entendo que há deveres do Estado consignados em lei, como é um direito inquestionável dos madeirenses ponderadamente, participarem nos diversos campeonatos nacionais. Até aí tudo bem, porque a mobilidade deve ser respeitada. O que não ouvi é que a Madeira tem recebido cerca de 200 milhões de euros anuais no quadro dos custos de ultraperiferia. O que faz o governo a esse dinheiro é uma questão que gostaria de ver totalmente esclarecida. Mas mais do que isso, não ouvi uma palavra sobre os 0,2% que a Madeira recebe (estimo em cerca de um milhão de euros anuais) através dos Jogos da Santa Casa e que se destinam às infra-estruturas desportivas, particularmente, escolares, onde toda a maximização desportiva deve acontecer. Não ouvi uma posição sobre a razoabilidade da Madeira ter tido, até há pouco tempo, cerca de 1.500 participações anuais (vezes o número de praticantes de cada participação) num vaivém de deslocações desproporcionais à realidade económica e financeira, por extensão, face a uma região historicamente dependente, pobre, assimétrica e, hoje, com um gravíssimo índice de pobreza e desemprego (o desporto federado não é uma prioridade). Não ouvi uma palavra sobre a existência de duzentos e tal clubes e associações (em média, mais de quatro por freguesia) cujos encargos de manutenção são difíceis de suportar pelo Orçamento Regional. Não ouvi nada sobre os quatro a cinco anos de atraso no pagamento dos contratos-programa subscritos pelo governo e não cumpridos, que estão a colocar em falência todo o edifício associativo construído, contratos esses, sublinho, que não se enquadram no conceito de continuidade territorial. Não ouvi uma reflexão sobre os apoios dados a mais de 60 modalidades desportivas e a uma interminável listagem anual de subsídios. Não escutei uma palavra sobre as duas centenas de continentais e estrangeiros que, em média, têm feito parte das representações da Madeira no espaço nacional. Não ouvi uma reflexão sobre as prioridades de um desporto ao serviço do desenvolvimento e não da política. Não ouvi uma posição clara sobre a prioridade ao desporto escolar, sector este que sempre andou à míngua e que apenas mobiliza cerca 3.500 praticantes com alguma regularidade, quando a demografia federada apresenta 16.000, isto é, onde deveria existir muitos, temos poucos, onde deveríamos ter poucos, temos muitos. Não ouvi uma palavra sobre os mais de trezentos milhões de euros para o desporto, inscritos nos últimos dez anos no orçamento regional.
E o voto foi aprovado. Mais valia que tivessem aprovado um voto contra as políticas deste governo regional caloteiro que colocou muitos dirigentes benévolos do desporto numa situação aflitiva, exigindo o pagamento faseado de todos os contratos-programa em atraso, situação esta que aliviaria o pânico que se instalou, não só nos clubes mas nos fornecedores de bens e de serviços. Há gente à beira de explodir face ao sufoco financeiro em que se encontra. E é preciso respeitar essas pessoas ao mesmo tempo que o governo deve redefinir a sua política desportiva para o futuro.
Ilustração: Google Imagens.