terça-feira, 30 de setembro de 2008

O DOM DA INFALIBILIDADE

É, de facto, difícil conviver com a política que por aqui acontece. Quem tem opinião diferente, há muitos anos que é assim, é visado, socialmente olhado pelo canto do olho e até subtilmente perseguido. Debater ideias, obviamente que sim, mas apenas no círculo fechado dos mesmos. Aos que se intrometem, a confraria junta-se, espezinha e rotula, sobretudo se ultrapassarem o limite imposto pela casta. Como se uns tivessem sido tocados pelo "dom" da infalibilidade e aos outros, coitados, tais pata rapadas, resta-lhes cumprir. É a política e, talvez, a Democracia no seu pior. Fala-se de alhos e respondem com bugalhos. Fala-se do analfabetismo na Região e a resposta é o insulto. Fala-se de assuntos que merecem uma profunda reflexão e respondem com banalidades. Sempre foi assim esta mania dos intocáveis. E quando perdem no campo da fundamentação técnica e política, vasculham a vida das pessoas, fazem-lhe a folha, como soe dizer-se, para atacá-las na parte pessoal, privada e até familiar. E inventam e caracterizam os opositores como se os conhecessem no que eles realmente são. A história recente da Madeira está cheia de situações destas. Abomino esse campo de jogo com regras viciadas e até periodicamente adaptadas à forma que melhor jeito dá. Até porque ninguém é portador de qualquer verdade absoluta e eu que o diga quantas vezes reconsidero posições a partir de outros ângulos de análise. Mas, enfim…
Lamentável, também, é o apagão que se dá na consciência quando, por uma circunstância da vida, se sentam numa frágil cadeira do poder. Rapidamente se esquecem do que defendiam e a verdade passa a ser apenas uma. E os amigos juntam-se ao coro pedindo cadafalso e morte política. Até aqueles que, pela sua irrepreensível conduta social e reconhecida competência profissional era expectável um distanciamento, alinham porque as cumplicidades assim exigem. Perdem o norte e espumam, embebedados pelas vivências sociais e, num ápice, toca a bater, a abater e a abafar a realidade.
Achei interessante, há dias, o contraponto que encontrei num texto do notável Professor José Pacheco, após ter lido uma carta de grotesco insulto: "(...) Há cerca de vinte anos fiz uma afirmação que deixou muitos professores indignados. A indignação não me surpreendeu, pois há sempre quem reaja, quando o texto não é "politicamente correcto". Ainda hoje, há muitos professores indignados com o que eu digo, ou escrevo. Haverá sempre quem recuse ver que o rei vai nu. Mas o futuro tem mostrado que aquilo que é verdadeiro acaba sendo provado. Mesmo que os "indignados" tentem tapar o céu com a peneira…". Na "mouche". Respirei fundo e lá no meu mais profundo sentir uma brisa de alívio passou.
Agora, de uma coisa estou certo: este caminho feito de intolerância, de maldade, ódio, auto-suficiência, de madeirenses contra madeirenses, a prazo, pagar-se-á caro porque ele é susceptível de ser gerador de novas intolerâncias, de olhares enviesados e de ódios. Há muitas tensões por aí consequência da acção política. Tal como no processo de um vulcão estamos na fase de expulsão dos gases, politicamente muito tóxicos, e chegará o dia da lava, das convulsões sociais geradoras de pânico. É preciso frenar, enquanto é tempo, esta crescente onda de intolerância, de poder a qualquer preço, tempo de vivificar a Democracia, enquanto regime e a vivência democrática daí resultante, no pressuposto que o poder é sempre efémero e que os contributos dos outros são importantes na construção de uma sociedade melhor preparada. Reconheço, todavia, não ser tarefa fácil na decorrência de raízes com 32 anos de poder absoluto.
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN.

CIDADES E LUGARES 385. ROMA/ITÁLIA

O Fórum Romano que é hoje o mais amplo campo de ruínas de Roma e um dos mais importantes do mundo, foi durante cerca de 1.000 anos lugar de mercado, de reunião e de justiça dos romanos. No decurso dos séculos, foi mudando constantemente de aspecto. Todos os soberanos de Roma faziam perpetuar a sua memória mandando construir um monumento fantástico no âmbito da praça pública.

GROSSERIA À PORTA DO TRIBUNAL

Há situações que indispõem uma pessoa por mais serena que tente andar e por mais habituada que esteja a ouvir disparates. Ontem, julgo que à entrada para o Tribunal de Gondomar, julgo, também, na qualidade de testemunha, o presidente do Marítimo, questionado pelos jornalistas afirmou que estava ali talvez "por ser fotogénico" (...) se a juíza for uma senhora ainda tenho algum problema porque a minha mulher é ciumenta (...) e se for um homem ainda podem dizer alguma coisa. Se não foram exactamente estas palavras o sentido foi aquele. Dei um salto do sofá. Como é possível uma grosseria destas à porta de um Tribunal! Nem num quadro de pretenso humor alguém com responsabilidades pode dizer uma enormidade daquelas para a comunicação social. Aquilo não foi um momento de humor mas uma declaração de refinada má educação ao jeito de alguns outros protagonistas políticos que, há anos, impunemente, por aí andam a semear ventos.
Ser educado constitui, de facto, muita areia para a carroçaria de alguns. E o fatinho e a boa gravata não traduzem o que realmente são nos seus comportamentos sociais. Como pode a Escola, pergunto, contrapor e educar com exemplos desta natureza e outros que entram pelas casas adentro, através de pessoas que, pelos lugares que ocupam, são solicitadas a se pronunciar? Convenhamos que é muito difícil.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CIDADES E LUGARES 384. ROMA/ITÁLIA

Depois do Coliseu e do Arco de Tito, atravessar as ruínas dos Palácios Imperiais (e não só) de Roma Antiga é qualquer coisa de fantástico, pela imponência das obras, pela sensibilidade dos Homens na conservação da História, por pequenos que sejam os fragmentos, pela possibilidade que oferece de transportar o visitante a essa mesma História.

FINALMENTE... € 20.000,00!

Não constitui para mim um momento de alegria ver o Presidente do Governo da minha Região condenado em Tribunal, a pagar € 20.000,00 de indemnização, segundo julgo saber, por ofensa à dignidade da Deputada Europeia Drª Edite Estrela. Preferia que estas situações não acontecessem. Seria sinónimo que o relacionamento entre a maioria e oposição era pautado pelo respeito mútuo e pela vivência da Democracia em toda a sua plenitude. Que os limites eram respeitados. Só que, diz-nos a História deste processo de 32 anos, que não tem sido assim. Quantos, ao longo de todos estes anos, foram ofendidos e encolheram-se. Falo dos presidentes da república, primeiros-ministros, ministros, secretários de Estado, deputados, autarcas e até pessoas da sociedade que se atreveram a ter opinião? Quantos, foram obrigados a responder, infelizmente, na mesma moeda? Quantos tiveram que suportar o vaivém dos Tribunais e até de pagar indemnizações?
Ora, os € 20.000,00 que o Presidente do Governo Regional terá de pagar constitui o primeiro sinal que os detentores do poder na Madeira têm de ter tento na língua. Pelo respeito que os outros merecem ao bom nome e dignidade, porque a Democracia tem regras, que os detentores de cargos políticos têm uma grande responsabilidade no exemplo que dão à sociedade e que, na política, por maior que seja o poder dado pelo povo, em circunstância alguma podem confundir o legítimo debate das ideias com ofensas que espezinham e geram medo. O Tribunal, finalmente, escreveu uma importante página da História da democracia na Madeira, simplesmente porque, doravante, seja lá quem for, poderá, não através de processos-crime mas através de simples processos cíveis, ver reparados os actos gratuitos de deliberada ofensa. Está aberto o caminho para uma maior contenção verbal. E com isso fico feliz, embora se trate, apenas, de um primeiro passo, penso eu, na normalização das relações entre o poder e a oposição... na MADEIRA!

CIDADES E LUGARES 383. ROMA/ITÁLIA

Roma.
O Arco de Tito foi construído entre 106-113 d. C.. C. Este arco está situado na zona oriental do Fórum Romano, a sul do Templo de Vénus e Roma. O Arco de Tito juntamente com a Ara Pacis e a coluna de Trajano são os três monumentos mais representativos da Roma Imperial.

domingo, 28 de setembro de 2008

ENSINO SECUNDÁRIO: UMA NOTÁVEL CONFERÊNCIA DO DOUTOR DOMINGOS FERNANDES

No prosseguimento de uma série de conferências no âmbito do Sistema Educativo, o ex-Secretário de Estado e ex-Director Geral do Ensino Secundário, Professor Doutor Domingos Fernandes, proferiu, ontem, uma notável conferência subordinada ao tema: O Ensino Secundário e a Vida. Na presença de muitos professores que se associaram a esta iniciativa, o orador começou por caracterizar a sociedade actual ao nível das pessoas, das mercadorias, da informação e da ciência, para depois debruçar-se sobre o Ensino Secundário que temos tido e as causas do insucesso que a ele está associado. Partiu, depois, para uma longa e esclarecida intervenção ao nível dos novos enquadramentos que são necessários criar para que o Ensino Secundário se constitua como uma plataforma de oportunidades. E sublinhou que uma nova cultura no Secundário só é possível com uma escola organizacionalmente diferente, com princípios, valores, rigor, disciplina e excelência no trabalho produzido.Posted by Picasa

sábado, 27 de setembro de 2008

NA TABUA O PROBLEMA É DOS COELHOS...

Vele a pena ler o trabalho da jornalista Rosário Martins na edição de hoje do DN. As declarações do Pároco Bernardino Andrade, serenas, acutilantes e angustiantes, clarifica o que se esconde nesta dita "Madeira Nova". Confesso que me comovi com algumas passagens do texto, dada a dureza e profundidade das palavras ditas. Aqui fica um excerto na convicção que é tempo de dizer BASTA a um governo regional que pouco ralado se apresenta face à dimensão do problema social que temos entre mãos.
"(...) A Tabua tem fama de ser uma freguesia pequena em tamanho mas até é muito comprida e com grandes problemas sociais. Um deles é a pobreza envergonhada ou disfarçada que se vem notando cada vez mais. Antes, o pobre era facilmente identificado porque vinha de saco às costas, bordão na mão e a pedir esmola. O pobre de hoje conduz um carro e vive na maior angústia, até mesmo sem ter o que comer", retrata o padre. Um drama que lhe tem sido levado ao conhecimento, vivendo depois atormentado com a dor dos paroquianos. "Há dias, uma senhora com uma farda e a conduzir um carro disse-me com as lágrimas nos olhos que teve de desligar o frigorífico porque não tinha nada para meter lá dentro." O desemprego é outro problema que se acentua no mapa social da Tabua. Contudo, sem resolução no imediato. "Abrimos o Lar da Tabua e logo surgiu uma 'montanha' de pessoas a pedir trabalho, não para melhorar a vida mas para sobreviver".
Enquanto isto acontece o Presidente da Junta de Freguesia da Tabua apenas diz que está preocupado com os coelhos que têm andado pelas zonas agrícolas... santa ignorância de um homem com 60 anos consecutivos na presidência da Junta de Freguesia!
Mas a propósito de pobreza, ontem fiquei estupefacto com o relatório da Provedoria da Justiça que apontou significativas insuficiências na organização e funcionamento dos lares da Região. De imediato veio o Secretário dos Assuntos Sociais dizer que "(...) a identificação das falhas foi muito importante para nós trabalharmos no sentido de serem resolvidas". Pergunta-se, então, o que faz a Secretaria e toda a sua complexa estrutura humana de suporte? Então não sabiam do que se passa ao nível da assistência médica e até de ausência de planos de segurança? É evidente que conhecem a realidade. O problema é outro, é político e de sensibilidade para resolver os problemas dos mais necessitados, muitos deles que apenas têm o ar que ainda respiram.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O BEIJA-MÃO... NÃO HAVIA NECESSIDADE!

Três aspectos ressaltaram da visita do Marítimo à Quinta Vigia onde foi recebido pelo Presidente do Governo Regional.
1º Tratou-se de um acto de indispensável cortesia e, portanto, inscreveu-se numa atitude marcadamente política. Imagine-se, sempre que uma equipa continental envolvida em competições da UEFA resolvia visitar e apresentar cumprimentos de despedida ao primeiro-ministro ou ao Presidente da República! Ou então, os internacionais madeirenses, em diversas modalidades, ainda por cima com resultados prestigiantes, subiam a avenida para cumprimentar Sua Excelência! Não tem sentido algum. O que aconteceu foi, claramente, um beija-mão (antigamente, no período feudal, o vassalo prestava vassalagem ao seu soberano, fazendo o beija-mão acompanhado da genuflexão). Hoje não tem qualquer sentido. Já basta no jantar anual de aniversário, os agradecimentos da praxe pelos milhões recebidos.
2º E tanto assim é que o momento foi aproveitado para falar do sector fiscal da Administração Central. O clube a justificar-se: "(...) parece que somos uma carga de bandidos e perseguem-nos sem qualquer razão. Trabalhamos de forma séria e transparente e têm querido colocar em causa a nossa seriedade"; e o Presidente do Governo a sublinhar, ainda por cima com uma teoria que me deu a entender que os clubes com futebol profissional deveriam ter um regime fiscal diferente ("não se pode falar em futuro para o desporto sobrecarregando os clubes"). Ora, se são sociedades anónimas, se o objectivo é, claramente, empresarial, logo devem estar em pé de igualdade com todos. Se a Administração está atenta é um bom sinal, até porque, toda a gente sabe o que se passa no mundo do futebol profissional. E quanto ao Marítimo, no pressuposto de que "quem não deve não teme", tal assunto não deveria ter sido para ali chamado.
3º Como sócio do Marítimo (não do futebol) há 58 anos, custou-me engolir em seco, naquela recepção, os "parabéns ao Nacional pelo campeonato que está a fazer". Coisas que se lá não fossem não tinham ouvido.

CIDADES E LUGARES 382. ROMA/ITÁLIA

O monte Palatino é uma das sete colinas de Roma. Tem 70 m de altura e nas suas encostas foram construídos, de um lado, o Fórum Romano e, do outro, o Circo Máximo. O local é hoje um grande museu ao ar livre, visitado durante o dia.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

CICLO DE CONFERÊNCIAS: OS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO E A VIDA COM O PROFESSOR DOUTOR DOMINGOS FERNANDES

No cumprimento de uma série de conferências sobre o Sistema Educativo, realiza-se, no próximo Sábado, no Hotel Porto Mare, com início às 15.00 horas, uma conferência subordinada ao tema “Os Currículos do Ensino Secundário e a Vida”.
Será conferencista o Professor Doutor Domingos Fernandes.
O orador subordinará a sua intervenção aos seguintes itens:
- O lugar e a importância das formações de nível secundário nos sistemas educativos contemporâneos;
- Perspectivas de desenvolvimento do ensino secundário em Portugal;
- Os professores, as escolas e a qualidade do ensino secundário.
Em suma, ao discernir o possível caminho das políticas educativas, o orador não pretende perder de vista uma constatação fundamental: a necessidade de pensar novas e inovadoras formas de organizar o trabalho pedagógico nas escolas e nas salas de aula, pois é aí que deve incidir uma importante parte do esforço necessário para que o ensino secundário responda às necessidades de educação e de formação de todos os jovens portugueses.
A conferência é aberta a todos os professores da RAM.
A inscrição pode ser feita para o seguinte endereço: andreescorcio@netmadeira.com
O conferencista é Doutor em Educação pela Texas A&M University. Estados Unidos da América. É Professor Associado, com agregação, na Área da Avaliação e do Desenvolvimento Curricular, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Foi Secretário de Estado da Administração Educativa no XIV Governo Constitucional e Director Geral do Departamento do Ensino Secundário do Ministério da Educação. É autor dos seguintes livros:
(2008). Avaliação do desempenho docente: Desafios, problemas e oportunidades. Cacém: Texto Editores.
(2005). Avaliação das aprendizagens: Desafios às teorias, práticas e políticas. Cacém: Texto Editores.
(2004). Avaliação das aprendizagens: Uma agenda, muitos desafios. Cacém: Texto Editores.
(2000). Revisão curricular no ensino secundário: Cursos gerais e cursos tecnológicos. Lisboa: Departamento do Ensino Secundário.
Neste momento desenvolve trabalhos académicos no campo da Teoria e Práticas de Avaliação; Relações Entre a Avaliação e o Desenvolvimento da Educação; Relações Entre a Avaliação Formativa e as Aprendizagens; Avaliação, Política e Democracia nos Sistemas Educativos e Formação de Professores.

CICLO DE CONFERÊNCIAS:

CIDADES E LUGARES 381. ROMA/ITÁLIA

Uma visita ao Coliseu de Roma torna-se inesquecível quando, a cada passo, acompanhamos a História e nos posicionamos no tempo.

BASE MORAL E ÉTICA...

É muito difícil entender, ou talvez não será, as posições assumidas por políticos com enorme responsabilidade. Quando o Dr. Guilherme Silva, Deputado do PSD na Assembleia da República e Vice-Presidente daquele Órgão de Soberania, questiona a lei que está em discussão sobre a impossibilidade dos governos e autarquias serem titulares de órgãos de comunicação social, é evidente que estamos no grau zero da seriedade e da honestidade política. A lei, ao contrário do que pensa o Dr. Guilherme Silva, não constitui um fatinho à medida do que se passa com o Jornal da Madeira. É uma lei geral para o País. Agora, se pelo caminho põe em causa um órgão de comunicação social madeirense, pago com os impostos de todos os madeirenses, aí, digo, claramente, não quero que um cêntimo dos meus impostos sejam aplicados num jornal. Neste ou em qualquer outro. Já aqui o sublinhei que o JM, independentemente da sua linha editorial, terá de entrar no mercado em pé de igualdade com todos os outros que lutam pela sua sobrevivência. À minha custa e de todos os madeirenses, NÃO.
E perguntou o Deputado "(...) Que base moral e ética é que o Governo tem para fazer esta lei?". Digo eu, toda a base moral e ética. Concordo, por isso, com o Ministro Santos Silva, quando ripostou ao Deputado: "(...) O primeiro-ministro não tem uma coluna de opinião semanal num jornal, o Governo não tem nenhum jornal, não o vende pelo preço inferior ao de mercado, nós não tentamos fazer com que esse jornal fosse gratuito, não alterámos a direcção da RTP e RDP quando chegámos ao Governo e cumprimos escrupulosamente a lei". E, segundo o DN, prosseguiu: "Essa é a nossa base moral e já agora chamemos as coisas pelos nomes, falo do que se passa no 'Jornal da Madeira', coisa que esperava que o senhor deputado fizesse".
Mas, para o Deputado, correcto é ter um Jornal, pago por todos os madeirenses, para fazer a política do seu partido. Já não lhe basta as rádios locais e, sobretudo, a RTP-M, responsável pelo serviço público, que continua a fazer um jornalismo de agenda, previsível, que não investiga, não analisa, que pergunta o óbvio e que assobia para o lado perante tantos dossiês escaldantes.
De facto, Senhor Deputado Guilherme Silva, a política deve desenvolver-se com seriedade, honestidade e numa base "moral e ética". Aspectos que não descubro nos seus comportamentos políticos.

CIDADES E LUGARES 380. ROMA/ITÁLIA

O grande anfiteatro romano foi mandado construir por Flávio Vespasiano no ano 70 aC. No Século III foi-lhe acrescentado mais um piso, ficando, a partir daí, com uma altura de 48 metros e com uma capacidade para 50.000 espectadores.

REFLECTIR A EDUCAÇÃO (IV)

Nathalia Jaramillo é professora universitária. Mestre em Política Educativa Internacional pela Universidade de Harvard e Doutorada em Educação pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles. É uma investigadora social em matéria de sistemas educativos públicos. Dirigindo-se aos professores:
"(...) O mais importante são os processos que pomos em prática para contestar a alienação nas nossas escolas e proporcionar aos alunos uma oportunidade para um ambiente educativo livre e socialmente justo. Se limitarmos a nossa actividade devido ao medo, então essa é a atitude menos patriótica que podemos ter. Há uma necessidade de um patriotismo crítico, dirigido não a um país, mas aos princípios de liberdade e de justiça que animam a luta de todos os cidadãos do mundo. A sala de aula é um espaço político e o ensino é uma actividade política. Independentemente do lugar que os professores se coloquem no espectro político, existe necessidade de terem consciência de que pedagogicamente eles estão também a agir politicamente".
Este posicionamento compagina-se com a atitude de um outro Doutorado em Educação, Peter Mclaren, o mais conceituado professor de Ciências Sociais da UCLA - Califórnia, autor e co-autor de mais de quarenta livros: "Os professores devem assumir o papel de novos agentes da mudança"

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

CIDADES E LUGARES 379. SIENA/ITÁLIA

A Catedral de Siena é uma catedral lindíssima construída na técnica da basílica de Orvieto. O pavimento é de uma beleza indescritível. Não é possível passar em cima dos embutidos em mármore.

REINVENTAR O SISTEMA EDUCATIVO

Este sistema educativo deu tudo quanto tinha para dar. É a leitura e a síntese que faço depois de muitas leituras que desde há muito acompanho. Andam por aí os governantes com discursos ocos, absolutamente marginais, sem coragem para traçar um caminho, não de reformas mas de criação de um sistema adequado aos novos tempos. É preciso reinventar a escola e como ouvi algures, é urgente e necessário devolver a alegria às escolas. O problema é exactamente este: qual o significado desta palavra alegria para os professores, para os alunos, para os funcionários e para os pais!
O texto que aqui reproduzo diz bem da Escola que ainda temos. É escrito por um aluno do Ensino Secundário.
"No princípio do ano lectivo 2007/2008, fiquei satisfeito por ter sido eleito delegado de turma e, mais tarde, representante dos alunos no Conselho Pedagógico. O entusiasmo adveio, senti que podia fazer a diferença e fazer valer a minha opinião em conjunto com a de todos os outros alunos, meus colegas, no órgão máximo da escola que frequento. Jovem e idealista, sonhava em remodelar o sistema e o método utilizados, em fazer valer os direitos e os deveres dos alunos. Têm assento no Conselho Pedagógico, as melhores e as mais qualificadas pessoas, nomeadamente, os Presidentes do Conselho Executivo e do Conselho Pedagógico, os coordenadores, dos departamentos curriculares, da Área de Projecto, representantes, do pessoal não-docente, dos pais e dos alunos. Estava, portanto, completamente determinado, confiante e decidido a "salvar o mundo". Sentia-me orgulhoso do meu papel. Seria o porta-voz dos meus colegas. Diz a lei que o Conselho Pedagógico é o órgão de administração e gestão que assegura a coordenação e orientação da vida educativa da escola. Toda a sua actividade deve incentivar e apoiar iniciativas de índole formativa e cultural; propor o desenvolvimento de experiências de inovação pedagógica e de formação, no âmbito da escola e em articulação com instituições ou estabelecimentos de ensino superior, vocacionados para a formação e a investigação. Convocado para a primeira reunião cheguei às horas previamente estipuladas. A reunião, marcada para as 15:00, só começou às 15:30, devido a atrasos. Uma hora depois ainda estávamos no "ponto 0 – actas" (entre 8 pontos a tratar) na leitura e aprovação da acta anterior, a rever vírgulas, pontos finais, parágrafos, acentos, erros gramaticais ou ortográficos. Pois bem, como ninguém me explicou, a leitura que eu faço deste facto é a de que o autor da acta não sabe escrever. Acabado esse acto (não pedagógico) foi altura de passar ao ponto seguinte "período de antes da ordem do dia". Nesta altura, eu já tinha perdido o entusiasmo inicial. Este ponto da ordem de trabalhos, como o nome indica, é muito vago e serve para se falar de praticamente tudo, ou de nada, como se veio a verificar. Começou por falar uma professora que estava simplesmente ultrajada por a Biblioteca Escolar estar mal referida no regulamento interno, ou seja, em vez de estar na secção I, encontrava-se na secção IV. A troca de argumentos foi acesa, uma autêntica cena política que me fez lembrar a minha visita ao Parlamento português. Quem não soubesse do que se tratava, diria que ali se discutia a mais importante das questões. E após duas horas estava-se ainda no ponto 1. Encontrava-me cansado, apenas de ouvir imbecilidades que, de pedagógicas, pouco ou nada tinham. De seguida, apesar do respeito que me mereciam alguns dos presentes, pedi licença para sair da reunião, antes que eu "rebentasse". Fui para casa estudar. Eram 18:00 horas e prometi a mim mesmo nunca mais voltar ao Pedagógico. A minha colega também nunca mais compareceu. Esta má experiência abateu o meu espírito de mudança. Se a escola é dos professores "eles que se entendam"! Deixo-os com os acentos e pontos finais. Aprendi o que é um exercício pedagógico".
Nota: Pertenci a muitos Conselhos Pedagógicos. Este texto, mais do que uma crítica, permite reflectir sobre a Escola que temos e sobre os governantes que a defendem. Os professores são os menos culpados da situação.

CIDADES E LUGARES 378. SIENA/ITÁLIA

A catedral de Siena apresenta uma conjugação de variados estilos, pois a sua construção arrastou-se durante cerca de trezentos anos, do século XIII ao século XV. No interior da planta de cruz latina, é notável o trabalho dos mármores coloridos e o pavimento produzido pelos artistas Giovanni di Stefano, Neroccio di Bartolomeu, Antonio Federighi (Pinturicchio), Francesco de Giorgio e Domenico Beccafumi, que utilizaram a técnica dos embutidos (1372 e 1562). Uma fabulosa catedral.

A MALÍCIA DE UMA RONHA INSUSTENTÁVEL

A leitura da comunicação social da Região merece-me três notas sobre as quais concentrei a minha atenção:
1º O artigo de opinião do Deputado Carlos Pereira. Aqui fica a parte inicial. O restante pode ser lido aqui.
"Encanta-me o prazer, e assumo totalmente o pleonasmo, de viver paredes meias, ou quase coincidentes, com a irreverência da mudança. Por isso, preocupa-me a malícia dos que preferem a morbilidade de manter tudo igual, numa tentativa absurda e manhosa de disfarçar fragilidades, preconceitos, incompetência e, no limite, falta de "amor próprio". É normalmente assim com aqueles que insistem em justificar o poder estabelecido, demonstrando estarem absolutamente contagiados pela ronha que, por vezes, também ataca os homens. Não sei nada dessa "parasitose", mas observo alguns indivíduos com ronha e há neles uma espécie de comichão silenciosa que provoca chagas, dores e maleitas incuráveis, remetendo-os para um desassossego sem limites".
2º O aval do Governo Regional à Associação de Futebol da Madeira, no valor de € 3.208.500,00 euros, pelo prazo de 15 anos, para financiar a construção do complexo desportivo de Gaula. É quase certo que se trata de um valor que, tarde ou cedo, de uma ou de outra forma, será o orçamento da Região a pagar. A AFM não tem, pelos seus próprios meios capacidade de pagar tal valor. Ou então, por uma questão de transparência política e pública, deve o avalista e a instituição beneficiária esclarecer como tudo se processará no que diz respeito às fontes de receita. E, já agora, justificar-se-á uma instalação daquelas, com os encargos que tem, pomposamente designada por "casa das selecções"? Quais selecções e quantas por ano desportivo?
Um rácio de 0,24 casos de homicídios e mortes violentas por mil habitantes colocam o Funchal no 12.º lugar, entre Setúbal (0,28) e Porto (0,23), num 'ranking' onde constam 99 cidades médias europeias. A prova evidente que este já não é, infelizmente, um "Cantinho do Céu". Depois, o Funchal, no que concerne à violência doméstica, das nove cidades portuguesas, é a que apresenta o maior rácio de maus tratos em casa: 6 por mil habitantes, numa lista com 98 cidades europeias. Afinal, que sociedade estamos a construir? Seria interessante, para compaginar com outros indicadores disponíveis e, daí, retirarmos outras leituras, a publicação do número total de homicídios registados na Madeira nos últimos dez anos e o número de suicídios registados no mesmo período.

CIDADES E LUGARES 377. ROMA/ITÁLIA

Roma. Palácio da Justiça.
Em 1888, foi lançada a primeira pedra do Palácio da Justiça. A História da sua construção é interessante no que diz respeito às relações com o Vaticano. En 1970, o "palazzaccio" foi temporariamente abandonado. Após um longo período de trabalhos de recuperação, voltou a acolher a sede da Corte Suprema.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

TURMAS DE ELITE

Parece estar, novamente, na ordem do dia a questão "turmas de elite".
Ora bem, se considerarmos a constituição de turmas baseadas nas características económicas dos pais e, portanto, a origem dos alunos nos planos social e cultural, estratificando-os pela ascendência familiar, obviamente que tal situação é deplorável. E sei que, neste aspecto, as escolas têm incorrido nesse erro. Há pedidos (e que pedidos!) nesse sentido e turmas inteirinhas, com os tais padrões elevados, que saem do 1º Ciclo e são colocadas na escola x que, por sua vez, terão os professores y. Agora, se sustentarmos um modelo organizativo de escola que possibilite a constituição de turmas em função do processo de aprendizagem, isso é outra coisa. E sabe-se, pela prática, que nem sempre altos padrões económico-sociais dos pais significam melhores capacidades de aprendizagem dos filhos. A este propósito e como sou defensor desta tese, trago à colação o Professor David Rodrigues, Coordenador do Fórum de Estudos de Educação Inclusiva:
"(...) Pressupõe tão só, que se criem na escola e na sala de aula oportunidades para que cada aluno progrida à (máxima ou melhor) velocidade a que pode. Retomando a analogia com a Saúde, um sistema saudável não é aquele que investe um máximo de recursos para que uma minoria de cidadãos tenham saúde e longevidade; é, pelo contrário, o que consegue dispensar a todos, os cuidados de saúde necessários (e de boa qualidade). O problema é se pensamos que, se tratarmos alguns muito bem, temos forçosamente que abandonar a maioria à sua sorte. Baixar o nível não é opção mas também não é opção desistir de um aluno só porque ele apresenta eventuais dificuldades".
O que está aqui em causa, portanto, é muito mais profundo e complexo, pois tem a ver com as dinâmicas organizacionais da escola as quais, por sua vez, só são possíveis com autonomia dos estabelecimentos de ensino e formação nesse sentido. É por isso que, mais do que reformas pontuais, o que precisamos é de reinventar o sistema educativo, para que ele não se confine ao modelo da Sociedade Industrial e para que a Escola seja organizada com características que coloquem o aluno no centro das políticas educativas. A partir daí as designadas "turmas de elite" deixarão de constituir uma preocupação. Todas serão de elite e todos estarão em pé de igualdade na escola pública, no pressuposto, repito "(...) que se criem na escola e na sala de aula oportunidades para que cada aluno progrida à (máxima ou melhor) velocidade a que pode". Uma vez mais o Director Regional de Educação falhou nas suas declarações à TSF. Cuidado, porque o Sistema Educativo não permite análises superficiais.

CIDADES E LUGARES 376. FLORENÇA/ITÁLIA

Florença.
O Palácio Médici-Riccardi, em Florença, foi construído entre 1444 e 1464 sob os planos de Michelozzo a pedido de Cosme de Médicis, o Velho. Serviu de residência à sua família até 1540. Posteriormente foi alargado e alterado pela família Riccardi que o adquiriu quando os Médicis se instalaram no Palácio Pitti.

INDISCIPLINA NAS ESCOLAS: TRÊS CASOS NUM ANO OU TRÊS CASOS POR SEMANA E POR ESCOLA?

Diz o director regional de Educação, Dr. Rui Anacleto, que as situações de indisciplina nas escolas são mínimas. Além das "pequenas coisas" que são "normais" entre "pequenos", o Dr. Rui Anacleto contou, em entrevista à TSF-Madeira, transcrita no essencial no DN de hoje, apenas três casos mais graves ocorridos ao longo do ano anterior num universo de cerca de 52 mil alunos.
Ora bem, ainda há dias, em amena cavaqueira com um membro de um Conselho Executivo de uma grande escola da Região, dizia-me o meu interlocutor que, no ano escolar que findou, tinha tido uma média de 2 a 3 conselhos de turma por semana para analisar casos de indisciplina. E que esta era a única via para ter uma escola de melhor convivência entre todos. Ainda há dias, o DN noticiava que, no ano lectivo passado, tinham-se registado 83 ocorrências, 67 das quais consideradas criminais. E vem o Director Regional dizer que se torna necessário relativizar a indisciplina.
E não fica por aí. Deriva o assunto para o Continente para dizer que lá é bem pior, lembrando o conhecido caso do telemóvel e da professora. Mas que raio de políticos os nossos que andam sempre com um complexo qualquer, pois tudo vai bater ao espaço continental, como se a Educação não estivesse regionalizada, a Região não tivesse governo próprio, uma Secretaria Regional de Educação e até, entre outras, uma Direcção Regional de Educação!
Ah, depois, manda umas farpas para os Sindicatos, certa e prioritariamente, para o Sindicato de Professores da Madeira, o mais representativo da classe, dizendo que gostaria que houvesse "uma maior proximidade na relação". Mas, afinal, quem é que tem andado a fomentar o distanciamento com os parceiros sociais? Quem é que tem andado a "negociar" com as escolas através de reuniões plenárias de executivos, esquecendo-se que os únicos e legítimos representantes dos professores são os sindicatos, enquanto parceiros sociais? Quem é que tem feito ouvidos de mercador a centenas de propostas que têm saído do Congresso dos Professores, preferindo organizar um Congresso próprio, feito por entidade estranha à Região, nitidamente, para ouvir o que querem ouvir?
Para o Director Regional de Educação, certamente que "proximidade" significa ter uma direcção conotada com o poder para que possa abanar a cabeça sempre que o poder deseje. Não é essa a minha opinião. A missão dos Sindicatos deve ser de independência partidária e, neste caso, deve centrar-se na defesa dos educadores e professores em inúmeros aspectos e, particularmente, na qualidade e no sucesso educativo. Goste o poder ou não !

CIDADES E LUGARES 375. AMESTERDÃO/HOLANDA

Psicadélica, liberal e audaciosa. Compacta, tem ruas e canais charmosos que podem ser explorados a pé. Tem óptimos museus e é um verdadeiro festival de arquitectura.
O encanto dos seus canais, a arquitectura original das suas casas e um charme irresistível fazem dela um lugar muito especial.
Numa visita à cidade torna-se indispensável um passeio de barco pelos canais.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES

Recebi um e.mail de uma advogada que faz um exercício muito interessante sobre a avaliação dos docentes. Um texto que a Secretaria Regional da Educação, tão defensora do modelo nacional, deveria reflectir num momento que, segundo julgo saber, decorre o processo de regulamentação da avaliação estipulado pelo Estatuto da Carreira Docente.

Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não o apliquem a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc.). Se é suposto compreenderem o que está em causa e as virtualidades deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão, os médicos, por exemplo.
A carreira seria dividida em duas: Médico titular (a que apenas um terço dos profissionais poderia aspirar) e Médico. A avaliação seria feita pelos pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados. Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes. O médico teria de estabelecer, anualmente, os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc... A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável, ou terminal. Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética... Poder-se-ia estabelecer a analogia completa, mas penso que os nossos 'especialistas' na área da educação não terão dificuldade em levar o exercício até ao fim. A questão é saber se consideram aceitável o modelo? Caso a resposta seja afirmativa, então porque não aplicar o mesmo, tão virtuoso, a todas as profissões?

CIDADES E LUGARES 374. AMESTERDÃO/HOLANDA

Amesterdão, construída sobre diques na foz do rio Amstel, é a maior cidade holandesa e o segundo porto mais importante. É uma urbe comercial por excelência.
Imperdível uma visita aos Museus Van Gogh e Rrijksmuseum. No primeiro, salienta-se uma vasta colecção de quadros de Van Gogh; no segundo, pelas inúmeras obras de pintores flamengos, dos quais destacamos a tela A Ronda da Noite, de Rembrandt.

O EXEMPLO QUE NÃO VEM DE CIMA

Os estabelecimentos de ensino abriram hoje as suas portas para um novo ano escolar. Numa altura que tanto se fala de indisciplina e de má educação no interior dos espaços escolares e no espaço privado das famílias, e que urge a necessidade exemplos que ajudem a corrigir o que de mau por aí anda no campo das relações pessoais, ouvimos e lemos mais esta pérola do Presidente do Governo Regional:
"Toda a gente sabe que o senhor Sócrates é uma pessoa sem vergonha (...) é um mentiroso".
Tudo porque o Secretário-Geral do PS, Engº José Sócrates, no comício de Guimarães, falou dos políticos que se insurgem relativamente à qualidade da Democracia mas apenas quando não são poder. Uma declaração, politicamente inofensiva, dita com elegância discursiva, embora com destinário, obviamente. Mas daí ao teor daquela resposta...
É que o exemplo deveria vir de cima e, infelizmente, não vem. É por estas e por muitas outras que a indisciplina campeia e que os professores sentem quão difícil é educar.

CIDADES E LUGARES 373. AMESTERDÃO/HOLANDA

Há oitocentos anos Amesterdão era um pequeno porto de pescadores. Hoje é uma das mais populares cidades europeias, procurada anualmente por centenas de milhares de turistas. As multidões afluem sem cessar aos pontos mais conhecidos, mas a identidade de Amesterdão passa também por outros sinais mais ou menos discretos, para os quais é preciso tempo, um olhar diferente e todos os sentidos despertos.

domingo, 21 de setembro de 2008

INÍCIO DO ANO ESCOLAR: MAIS "CEM ANOS DE SOLIDÃO"

Amanhã inicia-se mais um ano escolar.
Acabei de ler um texto do Professor José Pacheco, autor que ando, há muito, a dedicar particular atenção. Aqui fica:
Deixei a última crónica suspensa nesta pergunta: porque não mudam as escolas? Não houve alvitres. Retomo a pergunta, porque, como disse o saudoso mestre João dos Santos, "se não sabe por que é que pergunta?" Tenho a "minha resposta", não "a resposta". Melhor dizendo, tenho uma parte da resposta. Explicarei. Evoco palavras do meu amigo Carlos: Numa manhã ensolarada de Janeiro, uma professora, que, casualmente, entrou na sala, enquanto as crianças escreviam poemas ao som de sonatas para violino, disse que aquela sala parecia um jardim. Fiquei feliz pelas crianças." Professores como o Carlos (são tantos os que conheço!) vão gravitando em torno do desastre. As suas palavras contrastam com as de outros professores, que me falam de sofrimento, de esforço não compensado, de desânimo que, não raras vezes, conduz à frustração. Não é fácil a vida nas escolas que temos. O professor está sozinho, na sua sala. Esse absurdo – um dos absurdos que sustentam a tradicional e hegemónica organização das escolas – reforça um mortal sentimento de auto-suficiência, expõe professores a situações de constrangimento e, por vezes, de violência expressa. Sei de professores que salvaram, in extremis, colegas em risco de serem agredidas dentro das suas salas. Sei de professores que foram ameaçados, humilhados, sovados. Se isto se deve a uma organização das escolas pautada pelo isolamento e pouco propícia ao exercício da solidariedade, não é menos certo que não cabe às escolas toda a responsabilidade. Não pretendo afagar o ego dos professores, que nunca é intenção minha agradar a quem quer que seja. Quero, tão só, dizer que escolas povoadas de solidão são objectos frágeis, ornados de contradições, que não digerem a massificação, e se degradam por efeito da crise que afecta outras instituições. Quando, já há muitos anos, um inspector me ordenou que voltasse a trabalhar sozinho (na "sua" sala, com os "seus" alunos como a lei estabelece), respondi-lhe, fundamentando, que a nossa profissão não poderia continuar a ser uma profissão solitária, mas solidária. E lá se foi o inspector, sem lograr impor a lei. Não se pense que são bravatas. Isto acontecia, há já muitos anos, numa escola deste país, sujeita às mesmas leis que as restantes escolas. Já então, eu nutria uma profunda ternura pelos inspectores que nos visitavam. Diferentes dos inspectores de hoje, também eram boas pessoas, mas nada sabiam de pedagogia. Explicávamos os nossos pontos de vista e eles entendiam. Debatiam-se entre o estabelecido pela lei e a evidência (prática e teórica), e acabavam por reconhecer a pertinência das nossas atitudes, porque o que lhes faltava em conhecimento sobrava-lhes em bom senso. Senti necessidade de referir esta memória, para dizer aos "legalistas" – àqueles que afirmam que as leis vigentes não permitem mudar as escolas – que isso não é verdade. As cifras do insucesso escolar, recentemente reveladas pelo ministério, são assustadoras. Nada nos dizem sobre o insucesso pessoal e social. Mas adivinha-se… A solidão dos professores é da mesma natureza da solidão dos alunos. É causa de infelicidade e efeito da racionalidade que subjaz ao tradicional modelo de organização das escolas. E, quando a essa solidão juntamos a das famílias, apercebemo-nos da dimensão da tragédia. Como diria um professor meu amigo, as escolas não fazem milagres!... Para ilustrar os caminhos que levam à solidão, deslocarei o problema das escolas para famílias submersas no silêncio, na incomunicabilidade e indiferença. Farei o justo contraponto com famílias onde, efectivamente, se educa. Quando a mãe disse à Bia para arrumar os brinquedos, a pequena respondeu: tenho soninho. Com amorosa autoridade, a mãe olhou a Bia. A Bia arrumou. O Nelinho espalhou os seus brinquedos pela sala. Acabada a brincadeira, sentou-se, a ver televisão. O pai do Nelinho ordenou-lhe que arrumasse os brinquedos. Logo a mãe do Nelinho atalhou: Deixa lá! Não vês que o menino está com sono? Coitadinho! O pai ainda insistiu, com pouca convicção na voz: Vá lá, Nelinho, apanha, pelo menos os brinquedos que estão à tua beira… Mas o Nelinho já tinha recolhido aos braços protectores da mamã. E foi o pai quem os apanhou. Quando os "coitadinhos com soninho" chegam à idade de ir à escola, comportam-se de acordo com um padrão umbiguista, sedimentado em anos de permissividade e solidão. Um marmanjo com idade para deixar de "ter soninho" divertia-se a empurrar colegas mais pequenos, até que um miúdo mais franzino se feriu. Uma professora interveio e repreendeu-o. O jovem replicou: Quem é você para me falar assim? Acto imediato, o aluno pegou no seu telemóvel e telefonou ao papá: Tenho aqui uma gaja a chatear-me! O papá foi em seu auxílio. E apresentou queixa contra a professora. As escolas pouco, ou mesmo nada, podem fazer perante estes desmandos. Alunos que crescem sozinhos vão juntar-se a professores sozinhos, num drama que se eterniza. Há mais de cem anos, muitos educadores denunciavam o carácter solitário da profissão de professor, apontavam neuroses daí resultantes, reivindicavam a reconfiguração das escolas. Teremos de aguardar mais cem anos?

CIDADE E LUGARES 372. AMESTERDÃO/HOLANDA

Amesterdão é muita vezes mencionada pela sua organização singular. Esta cidade do humanismo e da tolerância é das poucas sobreviventes ao crescimento desmedido que descaracteriza as metrópoles. O encanto dos seus canais, a arquitectura original das suas casas e um charme irresistível fazem dela um lugar especial que nos deixa para sempre apaixonados.

ENTRAVES BUROCRÁTICOS...

Destaca o DN-M na edição de hoje:
"Uma semana. Este é o prazo que Jardim considera razoável para a Câmara da Calheta acabar com o impasse que inicialmente dificultou a construção de uma exploração agrícola na zona do Estreito e que agora pode atrasar a ampliação. O presidente do Governo não gostou de saber de entraves burocráticos e agiu em conformidade, dando claras indicações ao vereador Carlos Teles".
E o Vereador, coitado, perante o Senhor Presidente, meteu o rabo entre as pernas e quais estudos de impacte ambiental. Na próxima semana, se o pedido entrar na Câmara, é evidente que os irmãos Milho terão o seu pedido satisfeito e, pressuponho, com todos os estudos a confirmarem a ausência de quaisquer problemas.
Ora bem, eu não conheço o projecto, nem estou interessado em conhecê-lo. Apenas parto do princípio que existem regras a cumprir às quais a Câmara da Calheta está obrigada. E, neste caso, o Presidente do Governo deveria ser comedido e respeitador da legalidade. A forma e certamente o tom da comunicação acabam por ter o significado que aqui mando eu, as regras sou eu que as dito e os senhores autarcas apenas têm que cumprir a minha vontade. Se dúvidas houvesse de quem manda em tudo, para além do desrespeito pela lei, aquele é mais um exemplo que a Madeira constitui uma grande autarquia em que os presidentes de Câmara não passam de meros presidentes de Junta.
Uma coisa é celeridade na solução dos assuntos outra é o respeito pela lei; uma coisa é o interesse de um qualquer promotor, outra é o ordenamento do território e o respeito pela legislação em vigor. Mas quem é que mete isto na cabeça do Presidente?

CIDADES E LUGARES 371. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

Cactos e Rochas.
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sábado, 20 de setembro de 2008

FANTÁSTICO COMÍCIO DO PS EM GUIMARÃES

Segui a intervenção do Secretário-Geral do PS José Sócrates, em Guimarães. Foi um discurso fantástico, pela segurança discursiva, ritmo, resanha do trabalho feito e na defesa do projecto que está em curso. Foi um discurso com alma, elegância discursiva, pleno de convicção, comovente pelo entusiasmo demonstrado ao longo de mais de quarenta minutos. Não há, neste momento, qualquer político em Portugal capaz de ombrear com a sua capacidade de argumentação política, fluidez discursiva e de projecto. Perdoem-me a palavra mas... coitada da Drª Manuela Ferreira Leite, líder da oposição. Não tem qualquer hipótese. Fica a milhas da capacidade de José Sócrates. Posso, aqui e ali, discordar de algumas passagens da sua intervenção, todavia, globalmente, do ponto de vista político, José Sócrates esteve notável pela confiança gerada. Ainda mais notável quando temos uma líder da oposição que se remeteu a um voto de silêncio e da qual nada se sabe relativamente ao seu eventual projecto para o País. Aliás, reconheço a sua dificuldade, pois não me esqueço do que ela foi enquanto Ministra da Educação e Ministra da Finanças.

CIDADES E LUGARES 370. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

Rochas e Cactos. Uma conjugação perfeita nas formas e cores que produzem.
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CÓDIGO DO TRABALHO

O voto contra de Júlia Caré, Deputada do PS na Assembleia da República, no decorrer da votação do Código do Trabalho encheu-me de orgulho. Finalmente há Deputados da maioria que têm uma leitura correctíssima da situação. Não foi apenas ela mas também Manuel Alegre (desde sempre), Teresa Portugal e Eugénia Alho. De facto, a leitura que faço do essencial deste Código é o que o Deputado Manuel Alegre salienta: «desequilibra as relações laborais em desfavor dos trabalhadores", acrescentando que não se pode ignorar a Constituição e, portanto, o que se está a fazer, disse, é aquilo que o professor Jorge Leite chama uma "revisão oculta da Constituição».
Não posso aceitar, enquanto militante e político socialista, que os trabalhadores, enquanto elo mais frágil da relação laboral, sejam colocados numa situação de grande fragilidade. A relação laboral tem, obviamente, deveres que devem ser escrupulosamente cumpridos pelos trabalhadores, mas também a estes devem ser estabelecidos e defendidos os seus direitos. E neste aspecto, lamento que o PS na República esteja, nesta e em muitas outras áreas, a esquecer a sua matriz ideológica para alinhar na lógica suicidária que a economia mundial impõe. E estamos a ver, todos os dias, esse caminho em que está a dar: falências, deslocalizações, desemprego, taxas de juro incomportáveis para as famílias, baixos salários, movimentos de base especulativa, capitalismo selvagem e todo o rol de consequências que daí estão a derivar. Quem está a sofrer com esta escalada não são os Senhores da aldeia global mas os que pertencem ao elo mais fraco da cadeia económica. Os tais Senhores da aldeia global, esses têm a sua agenda política e, tal como sublinha Ben Baddikian, conseguem resistir a quaisquer mudanças e precalços que não se ajustem aos seus interesses financeiros. Juntos, eles exercem um poder homogeneizante sobre as ideias, a cultura e o comércio que afectam as maiores populações de que se tem conhecimento desde sempre. Nem César, nem Hitler, nem Roosevelt, nem qualquer Papa tiveram tanto poder como eles para moldar as sociedades aos seus interesses, sublinha. O problema é que os políticos sabem que assim é mas não oferecem um mínimo de políticas que contraponham aqueles desígnios. É evidente que há que ter em atenção os equilíbrios internos, as realções internacionais mas não aceito e nunca aceitei a lógica da "Maria vai com as outras..."

CIDADES E LUGARES 369. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

As rochas, entre outras, devido à acção do vento e das chuvas ao longo de milhares de anos, permitem observar configurações lindíssimas quando sobre elas detemos um olhar mais cuidado.
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

POLÍTICA EDUCATIVA

Alguns excertos de uma entrevista publicada, hoje, no TRIBUNA DA MADEIRA. As declarações produzidas são da responsabilidade do autor deste blogue.

O sistema educativo, do ponto de vista organizacional, curricular e programático está velho e agoniza e não é persistindo na rotina e em discursos pintados de fresco que os resultados serão melhores.
O futuro depende de uma boa escola pública, desde o pré-escolar ao superior, aberta aos sinais do mundo. E este complexo caminho não se resolve contando ou escrevendo histórias aos meninos. Resolve-se com trabalho, organização e eficiência, com currículos e programas articulados no tempo e impondo a toda a comunidade educativa um permanente e saudável desassossego. Resolve-se com uma verdadeira autonomia dos estabelecimentos de ensino e atribuindo à Escola capacidade orçamental de acordo com o seu projecto educativo; dignificando e respeitando a função docente, colocando-se ao lado e não contra os docentes; rejeitando a velha escola do passado mas sem embarcar no desvario do presente onde emerge a perda de autoridade dos professores; quebrando os muros das escolas deixando-as interagir com a sociedade, com a cultura e com todos os sistemas sociais; com melhor formação contínua de todos os que pertencem à comunidade educativa; com mais democracia ouvindo os educadores, professores, a instituição universitária local e os parceiros sociais de uma forma aberta e não condicionada ou apenas quando interessa; resolve-se através do estabelecimento de prioridades: mais estádios de futebol ou mais escola; mais marinas ou mais escola; mais festas ou mais escola; mais um túnel ou mais escola. É uma questão de opção.
O direito à educação é muito mais do que um direito à escolarização. O que há muitos anos acontece é a concretização do direito a frequentar a escola. Mas o que lá se faz e como se faz, se o sistema está configurado ou não para um futuro desejável, isso não tem constituído preocupação dominante. Na prática, as políticas têm, sucessivamente, reduzido a docência à funcionarização e o aluno a um mero número.
Depois, a economia deve estar ao serviço do Homem e não ao contrário. E o que se verifica hoje é a ausência de políticas centradas no Homem, neste caso nos jovens. E isso acontece pelo neoliberalismo que, perversamente, por aí anda à solta, que torna as pessoas num mero instrumento ao serviço do lucro. Muitos têm de ficar irremediavelmente para trás para que outros possam ter caminho aberto. Isto é perverso mas é a realidade mais profunda da escola de hoje. Embora escolarizadas há uma subjacente intenção de criar também túneis na cabeça das pessoas. Esta política interessa a alguns. Por isso mostram-se cegos, por vezes míopes e até estrábicos. No entanto, sabem o que querem.
O sistema de avaliação nacional, reproduzido no estatuto regional, parte de uma concepção errada. Eu rejeito uma escola obcecada pela avaliação. Porque o aluno deixa de estar em causa e o objectivo desloca-se para a progressão do professor na carreira. Aliás, o governo não pretende, sequer, uma avaliação de desempenho mas sim uma classificação de desempenho. Porque a classificação rotula e pune. Eu defendo, por tudo isto, a assunção de uma Cultura de Desempenho onde a meta seja os jovens em formação para a vida. Aliás, num tempo que tanto se fala do sector privado, o Governo ainda não se apercebeu que no sistema empresarial de topo, o que existe é uma cultura de desempenho que tem muito mais a ver com o êxito global da instituição do que propriamente com objectivos menores de fiscalização e medição do trabalho feito. As empresas de sucesso já não vão por aí.
Esta sociedade é violenta. É a sociedade do ter antes do ser, do consumo e das aparências, da competição feroz, que não valoriza o saber, o papel da escola e dos professores, é a sociedade de muitas famílias atoladas na miséria, no alcoolismo, na toxicodependência, nos ambientes de maus tratos e abusos sexuais. Uma parcela da sociedade obviamente que escapa, uma outra é empurrada para os comportamentos indesejáveis. Daí que se possa dizer que a indisciplina e a violência na escola e da escola sejam uma emanação da sociedade. Parafraseando a sabedoria popular, eu diria: diz-me quais as características da sociedade onde vives e dir-te-ei que escola tens. Portanto, a indisciplina e a violência, pequena ou grande, tem implicações muito profundas e essas implicações residem nos princípios e valores da organização social e nas políticas globais e sectoriais promovidas pelos governos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

REVISTA DE IMPRENSA 17.09.08

CIDADES E LUGARES 367. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

Imagine o visitante deste blog, estar uma gruta de 2000 metros de extensão e abaixo do nível do mar, deparar-se com tantas formas e cores, no meio do silêncio quebrado por um som musical sereno e adequado. Mexe por dentro e comove.
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"SALAZARES DE CAPOEIRA"

Não sei a que propósito vem, mas o texto publicado no blog "Besôirar" enquadra-se, perfeitamente, numa carta do leitor que ontem li, absolutamente inacreditável pelos termos e pelo ódio que transmitiu aos leitores. Gostava que outra fosse a postura entre poder e oposição, entre os que defendem o actual quadro político e aqueles (anónimos) que também têm direito à opinião.
"Muito tempo no poder, seja ele de que espécie for, gera na generalidade dos casos acomodação, cegueira, excesso de auto-confiança, ausência de inovação, e acima de tudo arrogância. E o caso torna-se ainda mais grave, quando algumas mentes que se consideram "iluminadas" e protegidas, tentam imitar os seus "ídolos" tornando-se em autênticos "pequenos salazares" de capoeira, que se julgam donos do mundo, mas que nem no seu galinheiro mandam. Não passam de lacaios ao serviço da idiotice, de marionetas nas mãos de quem quer controlar consciências e definir modelos sociais assentes na diferenciação pela humilhação, no menosprezo de outros, que não sendo iguais, não são menos competentes por realizarem outro tipo de tarefas. Haja respeito pela "espécie humana", como afirmou recentemente o Presidente da República".

CIDADE E LUGARES 366. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

Fantástico rendilhado rochoso multicolorido.
Foto do tecto de uma gruta espelhado num plano de água de 30 centímetros.
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ANALFABETISMO (VI)

Os resultados dos Censos de 2011 só serão conhecidos, penso eu, no início de 2012. Alguns não perceberam ainda, ou fazem que não percebem, que é extemporâneo estar a fazer prognósticos de taxas que implicariam um estudo subordinado ao mesmo protocolo dos Censos de 2001. Mas, enfim, essa não é a minha luta. Daí que, perante algumas atitudes indignas que vieram a público, tivesse sentido a necessidade de voltar ao assunto, fazendo publicar nas Cartas do Leitor do DN, o seguinte texto:

Nem uma das linhas que escrevi sobre o analfabetismo foi contestada. Se ainda não percebeu, Senhor Director Regional, repito: analiso mas não ofendo e não confundo relações pessoais com posicionamentos políticos. Os meus textos de opinião, publicados no DN, enquadram-se na análise política e qualquer responsável político, goste ou não, deve aceitá-los. Como aceito os dos outros. Tem o direito, democrático, de contrapor, linha a linha, mas ofender isso não. O tempo do pensamento único há muito que foi!
Uma vez mais responde com aspectos que nada têm a ver com o problema mais profundo do analfabetismo. Era esse o debate que se impunha. Mas já que optou por não debater a questão central, certamente na falta de argumentos, lembro-lhe que desde a primeira hora, publicamente, posicionei-me contra muitas medidas do Ministério da Educação. Aqui, no DN e no jornal A Página da Educação, de distribuição nacional. O Estatuto da Carreira Docente que apresentei na Assembleia Legislativa e que o seu partido chumbou, prova a minha ausência de concordância com a Senhora Ministra. Até em sede de Comissão Especializada, as 69 propostas de alteração que apresentei ao texto do governo, 60 foram rejeitadas.
De resto, não sou culpado pela inabilidade política do governo regional em construir, paulatinamente, o edifício legislativo regional, tal como acontece em matéria de política educativa nos Açores. Este facto deveria constituir matéria de reflexão para o governo. Lembro, entre tantas outras questões, a contagem do tempo de serviço que a Assembleia açoriana aprovou e, na Madeira, foi chumbada pelo PSD. Já agora, só mais uma: a insustentável prova pública de acesso ao 6º escalão da carreira imposta na Madeira pelo PSD ao contrário do que acontece nos Açores.
Continue a sorrir para a vida, tal como eu, mas não sorria para um sistema educativo que está doente e que precisa, não de pensos rápidos mas de um diagnóstico e tratamento prolongado. Eu também fico por aqui mas não desistirei de dizer o que penso.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

CIDADES E LUGARES 365. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

Uma rocha num espelho de água.
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O DESPORTO E OS PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

"(...) Enquanto o governo, este ou outro qualquer, não tiver a coragem de desmantelar a super estrutura de concepção dos actuais programas de Educação Física do Ensino Básico e Secundário, nunca o País há-de ter um sistema desportivo minimamente aceitável e taxas de prática desportiva que não o envergonhem (...)".
Nota:
Excerto de um artigo de opinião, da autoria do Professor Doutor Gustavo Pires, docente na Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa - UTL, publicado no semanário O Desporto Madeira de 12.09.08.
Desde os primórdios dos anos 80 que, tal como o meu Ilustre Amigo Gustavo Pires, venho a dizer precisamente a mesma coisa. Desde há muitos anos, que a Região Autónoma da Madeira, no quadro da sua Autonomia, deveria ter declarado a MORTE DA EDUCAÇÃO FÍSICA E O NASCIMENTO DA ÁREA CURRICULAR DENOMINADA POR EDUCAÇÃO DESPORTIVA, subordinada, obviamente, a outro sentido organizacional e programático. A Educação Física de hoje, com todas as letras, constitui uma monumental fraude.

CIDADES E LUGARES 364. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

As rochas e o efeito da luz.
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O REI VAI NU

Tenho uma especialíssima consideração pelo Professor José Pacheco. Um Homem notável. Um pedagogo de mão cheia. Hoje, anda pelo Mundo fazendo conferências de indiscutível interesse no âmbito da Educação. Pertenceu à Escola da Ponte, na Via das Aves e escreve, regularmente, na PÁGINA DA EDUCAÇÃO, editado, mensalmente, pela profedições.
Não é que isto tenha alguma coisa a ver com o analfabetismo e com a troca de opiniões que tem vindo a público, mas achei interessante e reconfortante ler o seguinte:
"(...) Há cerca de vinte anos, fiz uma afirmação, que deixou muitos professores indignados. A indignação não me surpreendeu, pois há sempre quem reaja, quando o texto não é "politicamente correcto". Ainda hoje, há muitos professores indignados com o que eu digo, ou escrevo. Haverá sempre quem recuse ver que o rei vai nu. Mas o futuro tem mostrado que aquilo que é verdadeiro acaba sendo provado. Mesmo que os "indignados" tentem tapar o céu com a peneira… Afirmei haver estudantes que alcançam o canudo sem nada terem aprendido, porque plagiam trabalhos de outrem, porque parasitam trabalhos de grupo (nos quais, um ou dois se esfalfam e os restantes levam a nota…), ou copiam nos exames. Há cerca de dois anos, quando um ministro de triste memória quis ressuscitar os pretensos méritos dos exames, voltei à liça, para demonstrar que os testes, provas e exames pouco ou nada avaliam. Terminei a série de artigos então publicados com um apelo aos professores: que fossem mais rigorosos na avaliação, para poderem dispensar os inúteis exames. Agora, um jornal deu a conhecer as conclusões de um estudo, que mostra terem sido justas as minhas palavras de há vinte anos: três quartos dos alunos das nossas universidades copiam como uns desalmados. O estudo divulgado tem um título bem sugestivo: "Copianço nas universidades, o grau zero da qualidade". O autor refere que a carga moral da assunção de uma conduta desviante pode ter calado mais do que um dos alunos inquiridos. Mas que, apesar deste possível desvio por defeito, serão "três quartos" os que exercem a arte do copianço. Os professores-polícias são ineficazes face à criatividade dos alunos: um auricular escondido no cabelo comprido, um micro "auxiliar de memória" em tamanho de cromo, uma mensagem no telemóvel, o espírito santo de orelha. No jogo do gato e do rato, o felino docente somente logra desenvolver no rato discente competências e habilidades que reforçam o faz-de-conta da avaliação por exame. Os professores que policiam a realização das provas somente conseguem, sem que disso se apercebam, "ensinar valores"… Partindo do pressuposto de que todos os alunos são seres potencialmente desonestos, estimulam a deslealdade, a mentira, a dissimulação, a falsidade… Diz-nos o estudo que copiar faz parte do currículo dos universitários portugueses, um mundo de hipocrisia, onde as notas reflectem mais a habilidade do que o conhecimento. Os exames somente traduzem "habilidades periféricas dos estudantes" e "a incapacidade real da universidade para medir o seu real desempenho".
Assim vão as nossas escolas, com a universidade dando o exemplo. À fraude dos exames deveremos juntar a aplicação leviana de testes e o surrealismo das pautas trimestrais que, em escala ordinal, dão conta das classificações dos alunos. Todas são filhas dilectas de práticas de avaliação tão obsoletas quanto a Escola que ainda temos. Quase todos os inquiridos admitiram que "tanto copiam os maus como os bons alunos", O objectivo é conseguir o canudo, seja lá como for, o que "denuncia uma frequência escolar mais orientada para o sucesso certificado e nominal do que para o sucesso substantivo e real". O sociólogo autor do estudo é digno da minha admiração, pois, sendo professor universitário, teve coragem de revelar bastidores da sua instituição. É bom saber que não se está sozinho. Pena que sejam tão poucos os que ousam dizer o que é preciso que seja dito: que, no capítulo da avaliação, como em muitos outros domínios, o rei vai nu (...)".

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

CIDADES E LUGARES 363. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

As rochas, quando apreciadas ao pormenor, constituem quadros pintados pela inimitável natureza. Não só as formas mas as tonalidades que se descobrem, conduzem-nos à ideia que estamos, permanentemente, num museu ao vivo.
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O DOM DA INFALIBILIDADE

É, de facto, difícil conviver com a política que por aqui acontece. Quem tem opinião diferente, há muitos anos que é assim, é visado e até maltratado. Não se discutem ideias mas aproveitam-se os textos para tentar espezinhar. Como se fossemos todos uns mentecaptos. Como se uns tivessem sido tocados pelo "dom" da infalibilidade e outros, coitados, uns desprezíveis incapazes de pensar. É a política no seu pior. Fala-se de alhos e respondem com bugalhos. Fala-se do analfabetismo na Região e a resposta é que a culpa é da Ministra e daqueles que não querem ver o trabalho que está a ser feito. Fala-se de assuntos que merecem uma reflexão profunda e respondem com coisitas superficiais e marginais, para distrair e tentar levar a água ao seu moinho. Sempre foi assim esta mania dos intocáveis. E quando perdem no campo da fundamentação política, vasculham a vida das pessoas para atacá-las na parte pessoal, privada e até familiar. A história recente da Madeira está cheia de situações nesse campo. Ora, o meu campo não é esse. É de respeito e consideração pelas pessoas mas de atitude firme perante as políticas. Espero sempre que os outros se posicionem da mesma maneira. Até porque não sou portador de qualquer verdade absoluta e bastas vezes tenho, por isso, reconsiderado posições a partir de outros ângulos de análise.
O que é lamentável é o apagão que se dá na cabeça das pessoas quando se sentam numa qualquer cadeira do poder. Rapidamente se esquecem do que diziam e a verdade passa a ser apenas uma. A Democracia enquanto regime e a vivência democrática daí resultante saem claramente prejudicadas pela falta de consciência que o poder é sempre efémero e que os contributos dos outros são importantes na construção de uma sociedade melhor preparada. Mas o que fazer, com as complexas raízes de 32 anos de poder absoluto?

domingo, 14 de setembro de 2008

CIDADES E LUGARES 362. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

Outra rocha maravilhosa nas várias tonalidades que apresenta.
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OBRAS QUALQUER UM FAZ!

Ora, digam-me lá, se não andam a brincar com as palavras e, de resto, com todos nós.
Diz o Dr. Costa Neves, líder do PSD-Açores que "obras qualquer um faz" (...) "o dinheiro em vez de ser investido tem sido gasto" (...) "entendo que um dos bons pressupostos da Democracia é a alternância".
Com que então... nos Açores tem sido assim e na Madeira? Há que anos por aqui se diz que desde que haja dinheiro empreiteiros não faltam! Há que anos se diz que as Sociedades de Desenvolvimento gastam e não investem no futuro! E que tudo tem o seu tempo e este governo, há 32 anos no poder, já teve o seu!
Nesta mesma edição do DN-M, umas páginas mais atrás, subordinado ao título "A dureza da Verdade", o Dr. Guilherme Silva, Deputado do PSD, sublinha, relativamente ao governo da República, apenas há três anos no poder, a overdose de propaganda na comunicação social, classifica-o de embuste e logro em que os portugueses caíram. E por aqui, Dr. Guilherme, esta propaganda de 32 anos de poder absoluto é o quê?
Meus caros, a política faz-se com seriedade. Analisem e comentem mas olhando para os telhados de vidro que têm.

CIDADES E LUGARES 361. LANZAROTE/CANÁRIAS/ESPANHA

Tenho uma especial predilecção em fotografar as rochas quando elas se apresentam com formas, cores e características invulgares. Esta é uma delas.
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sábado, 13 de setembro de 2008

ANALFABETISMO (V)

Desde logo, Senhor Director Regional de Educação, reserve para si e para os seus amigos essa história do protagonismo mediático. Nunca dele precisei e sou muito feliz por isso. Agora, nem o Senhor nem os amigos a quem se juntou me vão impedir de ter opinião. Nunca precisei de vender a alma ao diabo. Se ainda não deu conta, tome consciência que vivo num País de matriz Democrática e nunca fez o meu jeito retirar dividendos políticos da desgraça. Apesar de estar há pouco tempo na cadeira do poder, achou por bem imitar os seus parceiros. Fica-lhe mal. Eu analiso, não ofendo. De resto, o teor do esclarecimento não está ao nível de um Director Regional de Educação. Por um lado, porque confirma as taxas por mim avançadas e que são do INE; por outro, mistura, na análise ao analfabetismo, apenas para confundir, todos os projectos em curso nas escolas, como se isso tivesse alguma coisa a ver com os dados do analfabetismo. E tanto assim é que, segundo dados oficiais, existem na Região cerca 3.000 adultos, com idades entre os 30 e os 59 anos que não estão a ser devidamente alfabetizados. E não estão porque na Região não foram consideradas políticas incentivadoras e porque o governo passou ao lado de um ambiente cultural favorecedor dessa necessidade. E isto é grave, porque o problema não se resume à aprendizagem mínima da leitura arrastada, da escrita que pouco vai além do nome ou de um cálculo sumário. O problema é confrontarmo-nos, hoje, com uma população que exprime dificuldades em cruzar a informação disponível. É analfabeto todo aquele que não percebe as mensagens ou não compreende o outro lado dessas mesmas mensagens. É o chamado analfabetismo funcional, aquele que aprendeu a decodificar minimamente a escrita mas não tem habilidade na interpretação dos textos. E este é um problema cultural, um problema de criação de uma necessidade. Essa necessidade, por múltiplas razões, não foi assumida e, portanto, em 2007, por estimativa, a Região tinha ainda 18.731 indivíduos analfabetos, isto é, alguns milhares de activos que condicionam o desenvolvimento. Pode o governo acenar com uma taxa de 7,1% para 2011. Os censos é que vão ditar a verdade. Só em 2015 o governo estima que a taxa se aproxime dos 5,6%. Quarenta e um anos depois de Abril. É, por isso, que em alguns corredores, consideram que esse é um problema que será resolvido dentro de dez, quinze anos, através da natureza! A terminar, Senhor Director Regional, o analfabetismo não é uma falsa questão como sublinhou o Senhor Secretário da Educação em 18 de Abril de 2007. O analfabetismo, numa perspectiva mais lata, é uma realidade que tem de ser combatida pelo que ele representa para o desenvolvimento da Região. E essa perspectiva mais lata sublinha que "os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler nem escrever, mas sim aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender" (Alvin Toffler).
Carta do Leitor, da minha autoria, publicada, hoje, no DN-Madeira.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ANALFABETISMO (IV)

Para que o Director Regional de Educação perceba, clarifico que não é destes que estamos a falar, mas sim dos outros, dos quase 18.000 adultos que não sabem ler, escrever e perceber o que se diz. Fundamentalmente, porque falharam as políticas nesse sentido e porque o próprio Secretário da Educação considerou ser o analfabetismo um "falso problema".
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ANALFABETISMO (III)

A resposta ao Director Regional de Educação já vai a caminho. Resolveu baralhar e até ofender, tal como a hierarquia a que pertence costuma fazer. Fica-lhe mal, muito mal. É triste verificar a existência de pessoas que, episodicamente, tendo funções governativas não sabem conviver com a análise e até mesmo com a crítica. Comigo, porque a minha coluna não é de plasticina e porque prezo muito as minhas convicções e coerência, vão-me ter sempre à perna, simplesmente porque, humildemente, leio, procuro analisar e propor aquilo que julgo ser o melhor para a minha Região. Não critico por criticar e, neste pressuposto, aceito a opinião dos outros no quadro dos contributos para a reflexão. A contrária é que não tem sido verdadeira.
Ademais, na minha vida, em matéria de política educativa, não decorei frases feitas, do tipo, "a culpa é da cegonha", "razão e coração", "não há bons e maus caminhos... há caminhos". Dentro das minhas limitações académicas e profissionais (e são muitas), tento actualizar-me e produzir pensamento, embora isso custe ao poder. O problema não é meu. O problema é do poder que se julga imaculado, detentor da verdade absoluta, que abomina quem tem uma opinião diferente, quem desestabiliza a paz podre e quem toca na ferida. Ficam logo assanhados e com o desejo de espezinhar na primeira curva. A mim, podem estar certos, que não vou permitir que o façam. Felizmente, na minha vida profissional não tenho rabos de palha. Orgulho-me do que fiz, da amizade que me une a muitos alunos, a Colegas e Direcções Executivas.
Relativamente ao analfabetismo, o assunto não fica por aqui. Voltarei a escrever e a dar público testemunho das preocupações que tenho, custe o que custar e incomode ou não o Director Regional de Educação.