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domingo, 15 de fevereiro de 2009

DOIS DIAS DE PAUSA

A Madeira tem um conjunto de empreendimentos rurais de excelente qualidade.
Sempre que é possível e o corpo pede dois dias de mudança de ambiente, parto à descoberta de qualquer coisa que o "Madeira Rural" divulga no seu sítio da Internet.
Desta vez fui até ao Ribeiro Frio. Fantástico. Três casas em pedra no meio de uma encosta soberba, ali mesmo a três quilómetros da descida do Poiso. Isolamento quase total. Um autêntico refúgio. Tem tudo. Cá fora 3 a 5º durante o dia mas, dentro de cada uma das casas um ambiente acolhedor fruto do aquecimento central.
Depois, a possibilidade de fazer várias caminhadas, apreciando a cor e os volumes, a rocha, os silêncios quase absolutos entrecortados, aqui e ali, com o som característico da água riacho abaixo. Cantos e recantos fantásticos.
E tudo isto acessível. Quando, tantas vezes, gastamos em coisas que passados uns dias perguntamo-nos "para que é que isto serve?", o preço não me parece caro em função das vantagens da oferta de possibilidades. Dois dias sem Internet constituem uma vantagem. Funciona quase como um "stop" a tanta coisa que por aí anda e que constrange. Aproveitei para ler e trabalhar em alguns documentos que estão na fila.
Regressei e ao ler os jornais, perante o que li, acabei por exclamar: e eu que estava tão bem no meio da serra! De facto, há coisas que me levam a dizer que há pessoas que parece que perderam o sentido do equilíbrio, o bom senso e o respeito por si próprias.
Enfim...Tive pena, nestes dois dias não ter regressado à Levada do Furado, a que liga o Ribeiro Frio à Portela. Uma levada que conheço bem só que está em obras de manutenção. Ainda bem, porque ela proporciona um passeio fantástico.
Ficará para outra oportunidade.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

NUNCA ESCREVEMOS "HXO-ME" NEM "SÉQUESSO"

Acabo de ler um texto de Henrique Raposo sobre Educação. Entretanto, há dias, tive a oportunidade de ler os novos programas de Língua Portuguesa para o Ensino Básico, cuja implementação está prevista para 2010. É um problema que há muito me preocupa, simplesmente porque, durante vários anos, tive de ler trabalhos de alunos universitários e, pelas funções que desempenhei de Orientador Pedagógico, muitos textos passaram-me pelas mãos e muitas horas estive à frente do computador a tentar, apesar de não ser especialista, portanto, dentro das minhas limitações, corrigir palavras e a dar um sentido de coerência a tais textos. Muitas vezes cheguei à conclusão que razão tinha uma costureira que conheci há já muitos anos: "traga-me tecido para fazer de novo porque emendas é uma chatice" - queixava-se e com razão. E sem que a opinião de Henrique Raposo tenha alguma coisa a ver com os programas de Língua Portuguesa (ou terá?) a verdade é que compagino-os naquilo que é essencial. Sublinha o colunista: "A Pátria adora conversar sobre professores. A Pátria, porém, nunca fala sobre Educação. Portugal ainda não arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o Secundário sem saber escrever (...) a coisa mais básica - saber escrever - deixou de ser relevante na escola portuguesa". O autor do texto faz, depois, uma série de considerações que dão para pensar, desde a responsabilidade política à responsabilidade dos professores e dos pais.
Como referi, li os futuros programas do Ensino Básico e concentrei especial atenção na articulação dos conteúdos disseminados pelos três ciclos. Tal como nos anteriores, muito blá, blá, muita e rigorosa conceptualização académica e eu, que não sou desta área do conhecimento, ao fim da extensa leitura, acabei por exclamar: mas para quê tanta teorização, tantas páginas de conceitos extensos, complexos e minuciosos, quando um programa deve ser preciso, sintético e objectivo! Li páginas e páginas com uma excessiva preocupação na definição de conceitos (coisa que deveria estar resolvida na formação inicial dos docentes) quando, convenhamos, o importante é que o educando possua e domine, aliás como é referido, a “compreensão do oral, a expressão oral, a leitura, a escrita e o conhecimento explícito da língua”. E para isso não me parece necessária uma complexificação programática que, por pouco, não cai na elaboração da unidade didáctica e no plano de aula. Apenas um exemplo de pormenor: sublinha, o programa, a páginas tantas, que o aluno deve “pedir, oportunamente, a palavra e esperar pela sua vez”. Ora, esta não me parece ser uma questão da Língua Portuguesa que tanto precisamos de reflectir e actuar, mas uma questão de Educação que se enquadra na assunção de regras de vida, vivência e convivência transversais no projecto educativo de escola e de educação na família.
O problema é que, na Madeira Autónoma, ninguém ouve ou discute esta mensagem. É mais fácil seguir o currículo e o programa nacional. Dá menos trabalho e gera menos chatices. Promovem-se umas reuniões, impõe-se o "modelo" e ponto final. Parafraseando Salazar, não precisamos de pensar porque há quem pense por nós. Ora, quando eu defendo a necessidade de uma reinvenção do sistema educativo, é evidente que estou a defender um novo sentido organizacional da Escola que respeite a sua autonomia gestionária, administrativa e pedagógica, um novo desenho curricular que apenas assuma a matriz nuclear nacional e, obviamente, um novo paradigma programático. E isso, como está provadíssimo, não depende da revisão da Constituição da República mas de gente capaz de eliminar o acessório e concentrar-se no essencial, deixando, na gaveta, o "complicómetro".
O problema é que entregam missões a duvidosas competências, a pessoas sem um passado de estudo sobre estas matérias, distantes de uma reflexão prática e, sobretudo, sem experiência. Complicam o que é relativamente fácil, uniformizam aquilo que deve viver da diversidade, posicionam-se, por comodismo, como correias de transmissão do Ministério, tudo apadrinhado por políticos (governantes), gente que deveria ter uma leitura correcta, abrangente e amadurecida da situação, mas, por incapacidade, facilitam e dão corda a umas (uns) jovens docentes que julgam ter descoberto a roda. Assim não chegamos lá e, no que à Língua Portuguesa diz respeito, tendencialmente, por este andar, será pior.
Os tempos são outros, obviamente. Não reivindico modelos do passado. Mas os da minha geração, na generalidade, com menos paleio técnico-científico (isso ficava para os académicos), aprendemos a escrever (legível), com os tempos verbais certos e com um bom vocabulário, a ler correctamente, com as pausas necessárias, a interpretar e a desenvolver raciocínios. Nunca escrevemos "Hxo-me" (agacho-me), nem "séquesso" (sexo), etc. etc.. Repetíamos e eu que o diga, não me fez mal algum. Não fiquei traumatizado nem foi necessário ser acompanhado por um psicólogo. Quando perguntava qualquer coisa ao meu pai ele mandava-me ao dicionário e só depois explicava. Ainda hoje retenho uma aula em que um meu professor de Português ensinou as formas de iniciar uma carta a um amigo: "Espero que estejas bem. Desculpa-me só agora cumprir este dever social (...)". Ficou-me aquela do "dever social" e jamais esqueci a forma e o conteúdo. Como não esqueço Gil Vicente, onde desempenhei uma personagem do Auto da Barca do Inferno, e outros que fui entusiasmado a ler.
Voltando ao princípio deste texto, não compliquem, coloquem os nossos jovens a saber ler, interpretar e a escrever bem. É a base de tudo o resto. Sem isso nada feito.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

PÔR-DO-SOL

As minhas experiências no Photoshop (IV) Posted by Picasa

DESCENTRALIZAÇÃO COM DEZASSEIS ANOS DE ATRASO

Avança a comunicação social de hoje que um dos objectivos do actual presidente da Câmara Municipal do Funchal é o "processo de descentralização de competências municipais nas Juntas de Freguesia do concelho". Ora, isto tem um atraso, no mínimo, de dezasseis anos. No manifesto eleitoral de 1993 do Partido Socialista, pode ler-se: "Implementação de uma gestão mais descentralizada, mais responsabilizada e mais eficaz nos controlos". E mais adiante: "Criação de condições para que as Juntas de Freguesia sejam mais interventoras no processo de desenvolvimento da cidade, através de uma progressiva descentralização de meios técnicos e financeiros até um valor de 20% do orçamento municipal".
Ora, num Orçamento para 2009 no valor de 114,8 milhões de Euros, atribuir 1,5 milhões de Euros fica muito áquem do desejável. É sempre uma descentralização mitigada e que nada resolverá. Mas os presidentes de Junta ficaram satisfeitos o que diz bem da falta de ambição e de interesse para assumir responsabilidades maiores no pleno respeito por um princípio europeu fundamental, o da subsidiariedade. E a lata política é tanta que um dos presidentes acabou mesmo por dizer que o problema era do Orçamento de Estado que não tinha em devida conta a importância das autarquias. Eu entendo que pode haver aí uma certa razão mas não deixa de ser verdade que a Câmara do Funchal comporta-se da mesma forma ou pior, exactamente, como o Governo Regional se comporta com as Câmaras Municipais ao não conceder os meios necessários e ao executar obras que deveriam ser da exclusiva responsabilidade municipal.

HÁ MAIS MARÉS QUE MARINHEIROS...

Sinto uma revolta pelas ofensas de ontem, no Parlamento, ao Deputado Dr. Carlos Pereira. Muito para além da amizade pessoal e do reconhecimento da sua competência no domínio dos dossiês da economia, considero um nojo e um desprestígio para a Assembleia Legislativa da Madeira, o ataque soez e maldoso de que foi uma vez mais vítima. Uma coisa é debater os assuntos, contrapor, demonstrar que o adversário não tem razão e que há outros caminhos, outra, absolutamente inaudita, é a rasteira, o soco através das palavras e o ódio com acéfalas palmas de fundo. Este tipo de política diz bem da pouca saúde da Democracia na Madeira e evidencia, claramente, a força de um poder que se exerce e que se deseja manter a qualquer custo, embora sem argumentos. Mas evidencia, também, uma outra coisa, é que o Deputado Carlos Pereira sabe do que fala, prepara-se, justifica com números e argumenta com teses e isso, eu compreendo, deixa a maioria, em função dos factos, sem palavras. Daí partirem para a ofensa mesquinha, para o aviltamento das pessoas, para a mentira, sempre numa tentativa de lançar lama sobre o prestígio dos demais, no sentido de degradar a imagem pública. Não é a imagem política que está em causa, mas a imagem pública e, portanto social. Geram, por isso, um "apartheid" social.
Amigo, Carlos Pereira, eu sei o que isso é. Fizeram-me isso durante muitos anos. Inventaram tanto. No fundo são infelizes e eu sou feliz. Quem tem a consciência pesada não sou eu. Como sou professor, no plano imaginário, ando sempre com um apagador na algibeira. Apago o que não me interessa e ficam as coisas boas, a consciência do trabalho produzido e a noção que sempre fui frontal mas nunca espezinhei ninguém. Eu diferencio, tal como o meu Amigo faz, o argumento político relativamente às pessoas. Nunca o vi ser arruaceiro no Parlamento mas já vi umas quantas arruaças contra si. Mas na política como em outros domínios há sempre mais marés que marinheiros. E estes, quanto menos esperarem uma maré levá-los-á para longe. Um abraço solidário.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

AS PALAVRAS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL ATINGIRAM O ALVO... FINALMENTE!

A Conferência Episcopal veio, pela voz de um porta-voz, sublinhar que o Povo deve votar em ideários, projectos e valores. Foi isto que retive da declaração saída da última reunião da Conferência através do padre Manuel Morujão.
Ora, nem mais. Sem qualquer ironia, assumo que estou em absoluto acordo. Deve, por isso, a Conferência Episcopal recomendar essa posição a todos os membros da Igreja na Região Autónoma da Madeira, para que falem a verdade ao Povo, para digam ao Povo, desde o Porto Moniz ao Porto Santo, do Funchal a Santana, que há tantos projectos sérios e defensores de valores, que interessam à felicidade deste Povo Madeirense, e que são sistematicamente eliminados pela presença do mais forte na selva política regional, por aqueles que têm acesso prioritário e muitas vezes abusivo aos meios de comunicação social. Há que dizer às pessoas, a todo esse Povo humilde, que sofre e que se encontra enredado numa complicada teia, que não basta a Igreja receber alguns milhões por ano do Orçamento Regional para ser fiel no voto, que esse Povo deve votar em ideários, projectos e valores. Considero essa mensagem importante o que implica que a leitura da Conferência não deva ficar, apenas, pelo território Continental mas que se estenda à Madeira. Que a sua mensagem englobe uma visão aberta, sincera e em defesa dos 50.000 pobres da Região, em defesa da libertação total do Homem, em defesa da sua cultura, em defesa do trabalho com deveres mas também com direitos, em defesa dos idosos, em defesa de um desenvolvimento sustentável e em defesa de uma política Humanista. Que a Conferência traga essa douta mensagem para junto do Povo de Deus nesta Região. Que afirme, claramente, que existem ideários, projectos e valores sérios, estudados e portadores de um futuro, que não se confinam a um blá, blá de trinta anos de poder absoluto. Que assuma, definitivamente, que a Palavra não pode ficar pelas intenções e subvertida pela construção de uns Templos; que assuma que o importante é ir ao encontro dos mais frágeis, dos que se encontram nas margens da sociedade e sem direitos; que assuma que a Palavra implica o exercício da política em prol do bem-estar de todos e não apenas de alguns. Portanto, que estejam atentos aos ideários, projectos e valores proclamados na Assembleia Legislativa Regional e, repetidamente, chumbados.
O problema dos casamentos homossexuais é apenas uma particularidade que pouca relevância dou porque não há qualquer ameaça à sociedade. À Igreja o que pertence à nobre função da Igreja; à Justiça, os valores constitucionais, a liberdade e a igualdade perante a Lei. Aliás, naquela particularidade, a Conferência Episcopal deveria olhar para Espanha e para o que lá se passa numa população maioritariamente Católica.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

DUAS TORRES

Bolonha, cidade Etrusca 510 a.C.
Uma cidade fantástica. O centro monumental da cidade é formado pelas comunicantes praças Piazza Maggiore e Piazza del Nettuno: este complexo arquitectónico é dominado pela igreja gótica de S. Petronio (1390-1659), uma das maiores da Itália medieval. Bolonha é uma das cidades históricas italianas melhor conservadas. Situada entre o rio Reno e o rio Savena e muito perto dos Apeninos, tem o segundo maior centro medieval em melhor estado de conservação da Europa (só é superado por Veneza). A cor vermelha dos seus telhados e fachadas deram-lhe o apelido da Cidade Vermelha. Aqui, as duas famosas torres de Bolonha.
As minhas experiências no Photoshop (III)

PEÇAM AO "AMIGO GAMA" E ELE RESOLVERÁ O ASSUNTO!

Esta manhã, na Assembleia, foi discutido um Projecto de Resolução, apresentado pelo PSD, que "denuncia a desobediência qualificada em que incorrem os Órgãos da República que não cumprem o dever legal de hastear a bandeira da Região Autónoma da Madeira e mandata a mesa da Assembleia Legislativa para desencadear o correspondente processo junto do Ministério Público".
Ora bem, numa terra com problemas por resolver até ao céu da boca, ocupar a Assembleia, um minuto que seja, para discutir aquele assunto, afigura-se-me ridículo. É evidente que sei o que esta proposta traz no seu bojo. Qualquer pessoa vê que se trata de um problema de continuada e desenfreada luta contra a República, do tipo, vejam vocês, povo, que nem a bandeira colocam no mastro!
É evidente e é legítimo que, no cumprimento da Lei, todos os serviços da República na Região devem respeitar esse princípio. O que eu entendo é que esse é um assunto menor que deve ser tratado pelas vias institucionais, de tal forma que não se subverta a ordem natural das prioridades do agendamento político. Aliás, ainda há bem pouco tempo, o PSD-M, através de requerimento, aprovou que uma proposta do PND, que sugeria a construção de uma estátua ao Dr. Jardim, fosse "mandada" para 50º lugar das prioridades. Na prática, isto significa que nunca será discutida. No caso de hoje é evidente que os pressupostos são diferentes, mas não deixa, no entanto, uma e outra, de não serem prioritárias.
Bandeira para aqui e bandeira para ali, um alarido de todo o tamanho, quando existem assuntos agendados que deveriam merecer uma prioridade e uma séria reflexão, uma vez que se trata de propostas da maior importância para a Região. Num tempo que caminha para a instabilidade social, com falências a crescer, o desemprego a aumentar, pedidos de insolvência, incumprimentos bancários, habitações devolvidas, pobreza a reclamar direitos, a educação a precisar de debates sérios e urgentes, entre tantos outras preocupações, perder uma hora a discutir o mastro e a bandeira, obviamente, que me parece desprestigiante para o Parlamento Regional.
Peçam ao "amigo Gama" e ele resolverá o assunto!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

COM QUE ENTÃO... NÃO É POSSÍVEL PREDIZER O FUTURO!

Acabo de seguir o Jornal da RTP-Madeira. A páginas tantas, um comentador, a propósito da crise e se a Madeira deveria ou não ter um plano anti-crise, lá no meio do comentário disparou mais ou menos isto: não há um economista, um expert qualquer dessas áreas com capacidade para dizer o que vai acontecer amanhã. Saltei do sofá!
Ora bem, já há dias, escrevi aqui que, enquanto espectador espero que me tragam qualidade na informação. Detesto generalidades e muito menos banalidades. Tenho esse direito de exigir qualidade e rigor informativo. Enfim, quero aprender. Que me ajudem a descobrir.
Passo, então, a comentar, o comentário do comentador.
A necessidade de predizer já vem de longe. Henry Fayol, no início do século anterior, falava de programação, concertação, previsão, projecção, extrapolação! E hoje, mais do que nunca, pela necessidade de desenharmos o futuro por forma a podermos prepará-lo. A previsão do futuro consiste apenas em modelar uma estrutura de informação. Digamos que a previsão constitui a primeira fase do processo de planeamento. Certo? A previsão é, portanto, uma atitude prospectiva, de representação provável de uma situação futura. Por outro lado, a previsão está muito ligada às questões da mudança e aqui podíamos falar da mudança fechada, própria de organizações deterministas (penso ser o caso do governo regional); da mudança contida baseada em relações de causa-efeito (próxima da estatística) e da mudança aberta.
E quanto às técnicas a utilizar, entre outras (brainstorming e método de Delfos) pode-se falar dos critérios lógico (quantitativo, baseado na estatística, e qualitativo, baseado em opiniões, conjecturas e especulações); e no critério causal. Portanto, logo por aqui, eu diria que é um erro dar a entender que a previsibilidade é uma treta.
Por outro lado, ainda, os que acreditam nos benefícios do planeamento dizem que o “futuro já está entre nós”. Há vários autores a falar desta maneira. E se ele está aí e em constante elaboração, temos, apenas, que predizer sobre os conhecimentos certos (os que estão sob o controlo do planeador - variáveis conhecidas), os incertos onde se encontram as variáveis conhecidas mas que não se controlam, e os desconhecidos (no extremo, uma guerra). Por isso há planos de contingência.
O que tem falhado, Senhor Comentador é que o governo não quer saber do planeamento para nada (vejamos, por exemplo, o que se passa com os instrumentos de ordenamento do território) e, por isso, por má gestão, obras gigantescas, irresponsabilidade de quem dirige, demissão, falta de controlo e descontrolo sobre o futuro, estamos na situação em que nos encontramos. Porque não souberam predizer e porque o governo continua a processar as mesmas soluções que utilizaram no passado, não pode esperar obter outros resultados senão aqueles que já foram obtidos no passado.
A posição do governo tem sido sempre reactiva, isto é, espera que o futuro aconteça para depois reagir, o que significa que, normalmente, anda atrás dos acontecimentos. Prever os acontecimentos do futuro para se ajustar, pode até não ter qualquer utilidade. Isto porque, geralmente, não somos capazes de reagir em tempo real. Só restava e resta ao governo fazer com que o futuro aconteça. E nisso ele foi incapaz de o fazer. Daí a romaria ao Presidente da República e ao Presidente da Assembleia da República. Para quê, quando o problema está aqui?
Dois autores a terminar:
Peter Drucker - considera que o planeamento a longo prazo é um processo contínuo e sistemático de tomar decisões actuais, com o melhor conhecimento dos seus efeitos no futuro.
H. Mintzberg - considerou o planeamento: um pensamento acerca do futuro; um controlo sobre o futuro; um processo de integrado de tomada de decisão; um procedimento formalizado para produzir um resultado articulado na forma de um sistema integrado de decisões.
Se o Presidente do Governo em vez de ler Keynes tivesse lido estes dois autores teria sido melhor para a Madeira.

A URGÊNCIA DE UM NOVO PARADIGMA DO DESPORTO REGIONAL

Ora bem, a Segurança Social têm regras e essas, por uma questão de princípio têm de ser cumpridas dentro dos prazos estabelecidos. Ainda mais quando se trata de instituições altamente subsidiadas pelo erário público. É o caso do movimento associativo na Região Autónoma da Madeira. Não entendo e não aceito, neste quadro de dependência quase absoluta, enquanto cidadão, que um clube se atrase no cumprimento dos deveres para com a Segurança Social. E mais grave ainda, quando é o próprio governo, através de uma Resolução, permite que as dívidas possam ser pagas em 150 prestações, com "(...) inexigibilidade de apresentação de garantia, para efeitos de celebração do acordo prestacional (...) da dívida no montante total de 340.655,20, sendo 296.056,82 de capital e de 44.598,38 de juros demora vencidos, valor este computado a Dezembro de 2008, e ao qual acrescem juros vincendos até total pagamento, ao abrigo do regime de regularização de dívidas à Segurança Social".
Considero um abuso a falta de pagamento acrescido da dispensa de apresentação de garantia já que esse, certamente, para valores como aquele, não é um procedimento habitual para o restante sistema empresarial. Tampouco o governo deve argumentar tal dispensa ao abrigo dos relevantes serviços prestados ao desporto pela instituição em causa. Esse é um precedente grave. A lei pode permitir o pagamento fraccionado, tudo bem, mas, especificamente no desporto profissional, no contrato-programa assumido entre os clubes e o IDRAM, deveriam também ficar bem clarificadas as penalizações futuras para os que se deixam atrasar nas liquidações. Simplesmente porque, todos sabemos que tais atrasos ficam a se dever a gastos desproporcionais às receitas sobretudo no desporto profissional. Estou aqui a falar de dinheiros e de interesses públicos e no quadro da importância da Segurança Social.
Cada vez fica mais claro que o sistema desportivo regional precisa de um novo quadro normativo que acabe com situações que estão a levar à ruína uma grande parte do associativismo. Qualquer atraso nas obrigações a que estão obrigados significa, complementarmente, a existência de dificuldades internas. Em nome do grupo parlamentar do PS-M, apresentei, há mais de um ano um Projecto de Decreto Legislativo Regional sobre esta matéria. Foi chumbado pela maioria PSD.
Como nota final e porque sei que quando se toca nos clubes as paixões custumam falar mais alto, sublinho que, o que aqui fica escrito constitui uma matéria de princípio e que, por isso, rigorosamente nada tem a ver com o clube A, B ou C. A Resolução n.º 126/2009 pode ser lida aqui.
Nota:
Segundo julgo saber, até 200.000,00 Euros não são necessárias garantias mas os juros elevam-se a 12%.Valores superiores exigem garantias reais ou bancárias.

POVO, ACORDAI DA ANESTESIA!

É muito cedo para formar uma ideia mais precisa relativamente ao que irá acontecer nas legislativas nacionais. No entanto, não acredito num quadro tão negro quanto aquele que hoje é noticiado no DN-Madeira. É evidente que todos sabemos que a conjuntura é complexa, é muito diferente de 2005, mas daí a perder dois deputados no Parlamento Nacional considero um exagero. É claro que há aqui uma campanha avassaladora do PSD-M, com um programa de jantares, comícios, distribuição de benesses, bloqueios na Assembleia Legislativa da Madeira, enfim, há aqui um arraial montado e isso acaba por construir um ambiente desfavorável para qualquer partido da oposição.
O quadro político regional, no que concerne aos eleitores, julgo que pode ser dividido em três partes: uma, a do poder, com toda a sua rede de influências e dependências; uma outra larga fatia, infelizmente, mal informada e que não sabe nem tem capacidade para compreender as implicações do sarilho em que está envolvida; finalmente, uma terceira fatia, que eu considero de pessoas de pensamento livre, oposicionistas que não dependem de ninguém, que tentam argumentar a falência e a necessidade de mudança, mas cuja voz não chega para mudar a actual situação política. Não vale a pena ignorar que é esta a caracterização da situação, com mais ou menos aspectos de pormenor e que, por isso, acabam por ter influência no resultado final. De qualquer forma, não acredito que o resultado aponte para os valores indicados. Aliás, os três Deputados do PS-M na República tiveram um excelente desempenho ao longo do mandato.
É claro que há uma campanha arrasadora, onde o governo, por um lado, vitimiza-se e, por outro, atira para outros as suas responsabilidades governativas. Tudo o que é bom é mérito do governo regional e todas as desgraças governativas têm o selo do Engº José Sócrates. E quando se salta para o palco e a única palavra-chave do discurso é "Sócrates" este facto acaba por ter um efeito arrasador da imagem, multiplicada, obviamente, pelo poder da comunicação social. É muito complicado jogar neste minado campo político, onde faltam, por exemplo, debates com aquele que fala de "sovas" e pede o voto maioritário.
Trinta anos depois é curioso verificar como os eleitores deitam para o lixo tantas e excelentes propostas da oposição, como os eleitores se esquecem dos excelentes contributos dados em sua defesa, como se esquecem do desgaste de uma série de pessoas que mostraram, através dos projectos apresentados (economia, finanças, educação, ambiente, recursos naturais, etc.) serem alternativa ao actual quadro político, como se esquecem que o PSD-M chumbou propostas de relevante interesse social, como se esquecem das visitas aos locais para equacionar e ajudar a resolver problemas, como se esquecem da limitação do uso da palavra na Assembleia, como se esquecem da indecente proposta do "jackpot", como se esquecem dos atrpelos ao ordenamento do território, como se esquecem da monumental dívida pública e social, como se esquecem de tudo e se deixam embarcar na força das palavras de um só homem. São espezinhados mas aplaudem. Um Povo politicamente adulto não vai em historietas... mas este vai!
Eu sei que isto é assim. Eu sei que não é fácil destruir a ideia que de um lado está a competência e do outro a incompetência. Eu sei que não é fácil mas quero manter, em defesa dos mais humildes, dos que nada têm, dos empresários, das famílias, das pessoas honestas que não precisam de ligações ao poder para serem felizes, dos trabalhadores em geral, das crianças e dos idosos que é possível mudar de rumo, sem gritaria, sem ofensas, apenas e tão-só através de uma palavra: DEMOCRACIA.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

PARA UNS SOBREVIVEREM OUTROS TERÃO DE MORRER. JÁ ESTÃO A MORRER!

Toda a gente conhece a situação aflitiva da generalidade dos comerciantes da Região. Ninguém ignora o encerramento de centenas de empresas, o despedimento de cerca de 4000 empregados do comércio tradicional, onde, maioritariamente, os empregos eram estáveis, e as dificuldades que muitos lojistas atravessam para manterem abertos os espaços comerciais e os colaboradores que têm à sua responsabilidade.
É evidente que é salutar para o comércio e para os consumidores a existência de uma economia de mercado que proporcione dinamismo, qualidade e apetência pelo consumo. Só que, manda o bom senso que, quem governa, tenha presente as limitações do espaço territorial, os factores ambientais e competitivos, o comportamento dos consumidores, o número de habitantes e, entre outros, os dados sobre a capacidade económica da população. São aspectos que devem ser considerados na lógica de um mercado assente na dinâmica da oferta e da procura. Se não o forem, por desequilíbrio relativamente à realidade económica, cultural e social das populações, as consequências repercutem-se neles próprios. É que, de uma forma sumária, independentemente de outros importantes factores de análise que constituem as macro-influências do mercado (demográficas, tecnológicas, políticas, alcance e crescimento do mercado, fase do ciclo dos produtos, sensibilidade e tendência para o seu consumo, etc.) torna-se absolutamente necessário assentar os investimentos em três questões simples e profundas: qual o número de consumidores gerais, quais são os consumidores potenciais e quantos são os consumidores reais (?). Grosso modo, apenas como exemplo, podemos ter 253.000 consumidores gerais, os potenciais poderão ser 50.000 e os reais apenas 10.000, distribuídos pelo número de operadores que trabalham num determinado ramo.
Vem isto a propósito da abertura de mais uma grande loja, esta com 3.500 m2, dois mil dos quais, segundo li, de exposição comercial. Trata-se da Moviflor. Ora, isto significa, para quem conhece espaços comerciais desta natureza, vocacionados para produtos sujeitos a uma significativa economia de escala, onde o custo do produto tende a ser menor com o aumento da produção, que a sua excessiva introdução em mercados limitados, é geradora de problemas muito complexos entre os demais operadores. O que acontecerá, certamente, neste mercado regional do mobiliário, onde muitos já andam de corda no pescoço (mesmo antes da crise económica), é que esta marca constituirá mais um aperto de consequências previsíveis. Foi a proliferação (excessiva) de centros comerciais de grandes dimensões (hoje correspondem a dois terços do mercado geral quando, dizem os especialistas, por razões de sustentabilidade, não deveriam ir além de uma proporção de 50% relativamente ao comércio tradicional), foi a instalação de empresas no ramo da construção, bricolage, decorações e jardim, agora é no ramo do mobiliário e aqui vamos. Ora, para estes sobreviverem alguns terão de morrer. E vão morrer, melhor, estão a morrer, com custos sociais muito sérios.
Este é um assunto muito complexo e vasto. Todavia, em síntese, provavelmente os empresários da Madeira não estariam no sufoco em que se encontram, se o governo regional tivesse avançado para um consistente plano de ordenamento do comércio que, embora não subvertendo a lógica do mercado e a liberdade, estabelecesse as regras em função das características deste mesmo mercado geral, potencial e real.
Curiosamente, assalta-me uma pergunta: no ramo alimentar, que razões levam a que a cadeia LIDL, que adquiriu alguns terrenos para competir no espaço regional, continue sem poder operar? Que tipo de pressões existem, num ramo de consumo diário obrigatório, importante para a economia familiar, porque de qualidade e substancialmente mais económico do que outros operadores, para que aquela cadeia não funcione? Interessante, não é?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

UMA SOCIEDADE FRÁGIL E DOENTE

Ontem fiquei estupefacto numa das "catedrais" do consumo. Num hipermercado, dirigi-me a uma prateleira e, para espanto meu, as caixas dos produtos lá estavam, todas alinhadas, mas, vazias. Procurei indagar-me e a resposta veio pronta: leve a embalagem e, no acto de pagamento, entregar-lhe-ão o produto. Na caixa questionei as razões daquele procedimento e, novamente, a resposta, dita em voz baixa, pedindo desculpa, veio célere: "sabe, há muitos roubos. Temos vigilância, circuito interno de imagem, mas não chega. Levam bebidas alcoólicas, electrodomésticos, entre outras coisas e, por isso, tem de ser assim. Nós pedimos desculpa". Foram sensivelmente estas as palavras da empregada. Face ao meu lamento por aquilo que se está a passar ela, entre dentes, adiantou: "penso que será cada vez pior".
Sempre houve, por doença, necessidade ou malandragem, quem deite a mão ao que não lhe pertence. Desde o conto do vigário, ao carteirista até ao roubo de contornos mais elaborados. Dos mais pobres e humildes até aos grandes senhores das negociatas que se enchem sem necessidade, até, de mexerem no produto. Sabe-se que assim é. Só que há um conjunto de situações que se estão a passar, tal como a acima descrita, que são preocupantes e que merecem uma reflexão de quem tem a responsabilidade de governar. Há aqui um claro sinal de uma sociedade desestruturada, de carências múltiplas, que de forma crescente não respeita princípios e valores, uma sociedade com muitos agarrados à droga e que, por via disso, precisam de roubar para alimentar o vício, uma sociedade com fome e que rouba para satisfazer uma necessidade básica. Este processo tem, obviamente, variáveis múltiplas e complexas que denunciam a existência de uma sociedade frágil e doente.
Numa outra superfície comercial li, há dias, junto às caixas, um dístico que informava a possibilidade dos clientes pagarem as contas de supermercado a 30, 60 ou 90 dias. É, indiscutivelmente, um outro sinal, por um lado, que as receitas estão a baixar, por outro, uma facilidade de resposta às carências sentidas. Só que, por este processo, penso eu, o drama das famílias só se agudizará, porque quem não tem para pagar o essencial dos alimentos, 30, 60 ou 90 dias depois só verá a sua conta corrente em níveis incontroláveis. Eu diria que o "rol das compras" regressou mas de forma mais sofisticada.
É tempo de olhar para a sociedade e de atacar os focos da doença. Até porque nem o Sócrates nem a Constituição são culpados pelo estado a que se chegou. Certo?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

GRAVIDEZ (ESCULTURA)

As minhas experiências no photoshop (II). Posted by Picasa

DROGA, CONTRADIÇÕES E INVASÕES

Quatro notas políticas no início deste dia, desenvolvidas no DN-Madeira.
1ª Droga
Estive na Assembleia Legislativa entre 1996/2000. Num período que era sensível o crescimento do consumo de estupefacientes. Basta ler o diário das sessões para trazer à memória a luta dos partidos da oposição, consubstanciada na denúncia de casos e nas propostas no sentido de levar o governo a ter uma posição pró-activa na prevenção primária da toxicodependência e no combate ao consumo e tráfico. Recordo-me da posição do grupo parlamentar do PSD, sempre numa atitude de desvalorização, de chumbo às propostas e até de negação da realidade. Levaram anos a chutar o assunto bem para longe e, hoje, a droga anda por aí, por todos os concelhos e freguesias, semeando a dor nas famílias. Ainda hoje, quando se fala da implementação de uma comunidade terapêutica na Madeira, chumbam as propostas numa atitude de tentar esconder uma situação que é grave, muito grave. E eis que, subitamente, talvez motivados pelo desastre que está a acontecer no Jardim da Serra, como se não fossem os responsáveis políticos pela situação a que se chegou na Madeira, vejo-os numa reunião com o Director da Judiciária, pressupostamente preocupados com a situação a que isto chegou.
Há muita gente na Madeira que não tem memória curta, que se lembra do passado recente, das atitudes assumidas e, portanto, aquela reunião, do meu ponto de vista, apenas pode ser interpretada como um mea culpa embora tardio. Não é a Lei que está em causa e a proposta feita à Assembleia da República mas uma tentativa de dizer à população que o erro não é daqui mas da Lei Nacional e que o PSD está atento. Só que não conseguem enganar com tão mansas palavras!
2º Primeiro-Ministro
Três anos a bater forte e feio no Engº José Sócrates: que exclui a Madeira, que não nos visita para se inteirar das realidades, que garroteou a Região, enfim, dava para umas largas páginas tudo o que tem vindo a ser dito sobre a sua governação e sobre a sua alegada atitude para com a Madeira. Curiosamente, ou talvez não, quando se coloca a hipótese do Primeiro-Ministro visitar a Região, vem a Comissão Política considerar que essa hipótese de visita constitui uma atitude "pouco séria", não se percebendo o que cá vem fazer. Afinal, há ou não dossiês a merecerem estudo e soluções políticas rápidas? Há ou não um tal "contencioso"?
Fica claro que, para o PSD, o problema não é a aproximação de eleições, não são as dificuldades locais mas, pelo contrário, a necessidade de manter sempre qualquer coisa que permita ter um inimigo externo para gerar o conflito, de tal forma que, por aqui, o governo se mantenha em situação de vítima da maioria que governa na República. E o Povo, por via desse discurso, continue a proteger as pressupostas vítimas. Sempre foi assim, porque raio é que agora seria diferente? Não estranho a atitude. Mas a vinda do Primeiro-Ministro poderia ajudar a desmistificar muita coisa (ajudaria, ajudaria...) e isso o PSD rejeita.
3º Terrenos invadidos
Não conheço as particularidades e pouco me interessa. Apenas sei que o governo regional é useiro e vezeiro em expropriar como quer e entende e de meter máquinas em terrenos privados. Invade-se e depois logo se vê. Tem sido assim um pouco por toda a Região. Isto só tem uma explicação: ditadura da maioria, quero, mando e posso e evidente falta de respeito pelo domínio privado. Eu gostaria de ver a reacção de um destes senhores do poder, uma vez na oposição, se, porventura, o mesmo lhes acontecesse?
Confusão no PSD
Na Assembleia da República estalou o verniz entre os deputados da Madeira e os restantes do grupo parlamentar do PSD. A ideia que fica é que, por lá, em alguns momentos, transmitem acenos de simpatia pelo PSD da Madeira. É óbvio, porque este é o único espaço territorial onde são poder. Mas quando toca a coisas mais sérias, alto e parem o baile, o bom senso emerge e pouco se importam de deixar cair o líder insular. Razão tem o Deputado do PS, Dr. Maximiano Martins quando sublinha:
"Isto só mostra a respeitabilidade que o PSD nacional tem pelas propostas do PSD-M" (...) "o PSD-M opta mais uma vez por um caminho tortuoso e estimula a chicana política ao apresentar propostas demagógicas sem discussão" (...) "não há qualquer separação do que é da competência do Estado e do que é da Região". Maximiano Martins, segundo o DN, defendeu que o Governo Regional devia fazer o seu próprio Orçamento Regional Rectificativo de forma a combater os efeitos da crise na Madeira. "Só depois é que fazia sentido negociar e não assim".
E agora? A culpa também é do Sócrates? A culpa é da Constituição?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE: DIFERENÇAS ENTRE O ESTATUTO EM VIGOR E A PROPOSTA DO PS

O Grupo Parlamentar do PS na Assembleia Legislativa da Madeira apresentou uma revisão global do Estatuto da Carreira Docente dos educadores e professores da Região Autónoma da Madeira que inclui a questão da avaliação de desempenho. Aqui ficam algumas das principais alterações que, brevemente, começarão a ser discutidas no Parlamento. Para a leitura completa da proposta de Estatuto consultar: www.psmparlamento.org . (O site encontra-se em manutenção. Dentro de poucos dias o documento estará disponível na íntegra)
DIFERENÇAS ENTRE O ESTATUTO EM VIGOR E A PROPOSTA DO PS-MADEIRA
MÓDULOS DE TEMPO DE SERVIÇO
PSD
Escalões: 1.º, 2.º e 3.º – cinco anos;
Escalões: 4.º e 5.º – quatro anos;
Escalões: 6.º e 7.º – seis anos.
PS
Percurso de quatro anos em cada escalão.
TOPO DA CARREIRA
PSD
35 anos.
PS
28 anos.
PASSAGEM AO 6º ESCALÃO
PSD
Prova pública, após 23 anos de serviço, a incidir sobre toda a actividade profissional do professor desde o início de funções docentes. Na prática significa a existência do Professor Titular e o bloqueio aos escalões de topo.
PS
Avaliação em todos os escalões sem prova pública de acesso aos escalões de topo.
REPOSICIONAMENTO NOS NOVOS ESCALÕES
PSD
Ignora a contagem integral do tempo de serviço.
PS
Considera, apenas para efeitos de reposicionamento nos novos escalões, todo o tempo de serviço prestado até 31.12.07, inclusive, o tempo de congelamento da carreira (29 de Agosto de 2005 e 01 de Janeiro de 2008).
REDUÇÃO DA COMPONENTE LECTIVA
PSD
50 anos e 15 anos serviço docente – 2 horas.
55 anos e 20 de serviço docente – 4 horas.
60 anos e 25 de serviço docente – 8 horas.
Os educadores de infância e os docentes do 1.º ciclo do ensino básico, aos 60 anos de idade, podem requerer a redução de cinco horas da respectiva componente lectiva semanal.
PS
40 anos e 10 de serviço docente – 2 horas.
45 anos e 15 de serviço docente – 4 horas.
50 anos e 20 de serviço docente – 6 horas.
55 anos e 25 de serviço docente – 8 horas.
Aos educadores de infância e docentes do 1.º ciclo do ensino básico aplicam-se as mesmas reduções.
HORÁRIO NOCTURNO
PSD
A partir das 20 horas.
PS
A partir das 19 horas.
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
E PROGRESSÃO NA CARREIRA
PSD
Processo burocrático igual ao do Ministério da Educação.
PS
Pressuposto fundamental: FORMATIVA. Apresentação de um relatório de auto-avaliação; frequência de vinte e cinco horas anuais de formação; publicação de, no mínimo, três artigos de revisão, na área da sua especialidade e divulgado no grupo disciplinar; realização, no ano da transição de escalão, de um seminário, da sua responsabilidade, com a duração de, no mínimo, duas horas. Processo avaliado pela Comissão de Coordenação de Desempenho do estabelecimento de educação e ensino.
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO
PSD
Excelente – 9/10 valores.
Muito Bom – 8/8,9 valores
Bom – 6,5/7,9 valores.
Regular – 5/6,4 valores
Insuficiente – 1/4,9 valores
PS
Insuficiente (0 a 4,4 valores);
Bom (4,5 a 7,4);
Muito Bom (7,5 a 10 valores).
Cria as Menções de Excelente e Mérito Excepcional.
INCENTIVOS À FIXAÇÃO E AO MÉRITO
PSD
Não considera.
PS
Estabelece ganhos na aceleração na progressão da carreira; cria prémios pecuniários que podem chegar a três vezes o valor mensal do salário a que têm direito, no caso das menções de Excelente e de Mérito Excepcional; cria incentivos à fixação, através da bonificação de juros bancários e compensação de tempo de serviço.
PERÍODO PROBATÓRIO
GRATIFICAÇÃO AO PROFESSOR ORIENTADOR
PSD
Não considera.
PS
Considera o direito a uma gratificação mensal equivalente a 15% do índice 100 da escala indiciária da carreira docente, a abonar em cada mês de efectiva orientação.

O Grupo Parlamentar do PS-M espera que o PSD desista da sua atitude de intransigência para discutir e negociar o Estatuto da Carreira Docente. O Projecto agora apresentado constitui, para nós, um ponto de partida e não de chegada, pelo que se torna necessário debatê-lo com os parceiros sociais, em sede de Comissão Especializada da Assembleia. Ao lado dos deveres, entendemos que o Estatuto tem de ser respeitador dos direitos da classe e prenunciador de um novo tempo para o Sistema Educativo Regional.

ATÉ PARECE QUE QUEM GOVERNA A MADEIRA É JOSÉ SÓCRATES!

A propósito das medidas de combate à crise, o Secretário Regional dos Recursos Humanos, Dr. Brazão de Castro, não fez por menos e ditou para o jornalista do Diário Cidade: "Medidas da República têm sido um fracasso". Não se reportou ao desastre que por aqui se multiplica, nada disse relativamente à frouxa atitude do Vice-Presidente do Governo Regional que tutela áreas de importância vital na criação de emprego, apenas atacou a República como se o Presidente do Governo Regional se chamasse José Sócrates e, Brazão de Castro, um membro da oposição.
Que eu saiba, porque está publicado e exaustivamente difundido, o governo da República, no meio desta tempestade económica e das limitações que todos conhecemos, tem vindo a dedicar especial atenção à actividade económica, onde se destaca a linha de crédito de 2000 M€ para PME, a criação de um fundo de reestruturação industrial, o apoio aos mecanismos de seguro de crédito à exportação (4000 M€), o apoio à promoção externa, o apoio ao financiamento de projectos de investimento privados na agricultura e na agro-indústria, co‐financiados por fundos comunitários, a criação de uma linha de crédito de apoio à exportação e competitividade da agricultura, das pescas e agro-indústria no montante de 175 M€, o crédito fiscal ao investimento em 2009 que poderá atingir 20% do montante investido, dedutível em quatro exercícios, a auto-liquidação do IVA na prestação de bens e serviços às Administrações Públicas de montante superiora 5000,00 €, aceleração do reembolso do IVA, baixando o seu limiar de 7500,00 € para 3000,00 €, a redução do valor mínimo do pagamento especial por conta para 1000,00 €, isto para não falar do alargamento do subsídio de desemprego, das medidas de apoio às famílias, do complemento solidário de idosos, do apoio às pessoas portadoras de deficiência e, entre muitas outras, das medidas para reforço da equidade fiscal. Atenção: muitas dessas medidas, sobretudo as do âmbito da segurança social, extensivas à Madeira e pagas pelo Orçamento de Estado. É que há ainda quem pense que o governo regional é que paga as reformas e as pensões, entre outras coisas!
A listagem é longa, de apostas directas e indirectas, mas o Dr. Brazão de Castro preferiu e prefere atacar quem menos culpa tem pelo desastre da governação regional. O Engº José Sócrates é primeiro-ministro há pouco mais de três anos e o governo ao qual pertence o Dr. Brazão de Castro é líder na Região há 33 anos! Uma diferença de trinta anos, mas a culpa é sempre dos outros.
A política tem de ser feita com respeito e com responsabilidade. Um Povo adulto e atento, obviamente, que há muito tinha mandado estes senhores cantar para outro sítio. Há coisas que me revoltam e que me tiram do sério.

35.000 ALCOÓLICOS. QUEM SALVA A JUVENTUDE DA MADEIRA?

Facto 1.
Calcula-se que a Madeira tenha 35.000 dependentes de bebidas alcoólicas. Não há registos certos. O que se sabe é que o consumo é excessivo, atinge cerca de 14% de toda a população, e está a aumentar junto dos mais jovens onde se assiste a um elevado número de comas alcoólicos. Li, recentemente, que dos 405 atendimentos no hospital em situação de coma alcoólico, trezentos eram jovens. Pela mão do madeirense Rui Cardoso, trinta pessoas são, diária e pacientemente, acompanhadas na Associação Mão Amiga.
Facto 2.
Ninguém ignora os dramas sociais que por aí andam consequência do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. As tascas e bares multiplicam-se por todo o lado sem restrições. A última "moda" é a disputa entre quem faz a melhor poncha. Há pré-adolescentes e adolescentes a frequentar estabelecimentos de diversão nocturna com a tolerância dos proprietários e dos encarregados de educação.
Facto 3.
Ontem, em conversa com um professor, contou-me o problema de um jovem do 2º ciclo do ensino básico. Desde o início do ano escolar anda fechado sobre si próprio, sem resultados, de olhar cavado e para o vazio, em permanente solidão, enfim, um caso que lhe despertou a atenção desde os primeiros dias. Em vários momentos tentou arrancar uma palavra para perceber o contexto. Nada. Até que, há dias, abriu-se e contou ao professor a sua situação: pai alcoólico, graves desavenças em casa e, por isso, não sentia vontade para estudar. Perguntava-me esse Colega: como é que lido com esta situação? Como é que posso ajudar esta criança a reencontrar a motivação e dar-lhe o sentido da importância do estudo para a sua vida futura? Complicado, disse-lhe.
Facto 4.
Como este, existem centenas de casos nas nossas escolas, aos quais se associam outros em consequência de diversos tipos de desestruturação familiar. Centenas devido ao álcool que geram abandono puro e simples e que conduzem, mais tarde ou cedo, à institucionalização das crianças. Complementarmente, o risco do crime.
E quando isto acontece, desde há muitos anos e cada vez de forma mais complexa, não se assiste por parte do governo regional a qualquer política no sentido de travar o consumo, através de campanhas educativas ao nível da família, associadas, também, à punição. Há um silêncio enervante sobre estas matérias quando se sabe que, por incúria, estão a ajudar a corroer os alicerces de uma sociedade saudável.
Entendo a postura do governo: quando, durante anos andou a desvalorizar o problema do consumo de estupefacientes, quando adaptou a Lei do Tabaco tornando o consumo panmis permissivo, é óbvio que o álcool, até pela via dos impostos, implica que assobiem para o lado, como se nada estivesse a acontecer.
Comentário final.
Defendo:
a) Uma campanha (custe o que custar) sensibilizadora no quadro das várias dependências, envolvendo a escola, todo o associativismo e os meios de comunicação social;
b) Definição de políticas de família;
c) Legislação regional condicionadora do consumo.
Uma coisa é certa: ninguém pode continuar a fazer de conta que o problema não existe. Ou será este, também, no caso do drama da criança aqui referenciada, para o Director Regional de Educação, um "folhetim"?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

CIDADES E LUGARES 487. LANZAROTE/ESPANHA






Uma maravilha da natureza!
As formas e a cor da rocha, impressionam.
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DEBATE SOBRE O ESTADO DA REGIÃO

Concordo, totalmente, como o meu Amigo Miguel Fonseca. Há muito que defendo isso. Os madeirenses e porto-santenses têm o direito de verem debatidas as grandes questões que hoje se colocam na governação da Madeira. Não basta a reportagem circunstâncial, não basta a iniciativa partidária para ganhar uns segundos de antena, não basta ter comentadores disto e daquilo, interessa, porque a Democracia assim implica e exige, que os dossiês da governação sejam publicitados e abertamente discutidos. Não há hoje lugar a mas... e menos mas...! A situação é dia-a-dia cada vez mais complexa e não pode uma televisão de serviço público continuar fechada sobre si própria, nitidamente ao serviço do poder, incapaz, definidas as regras, de colocar o presidente do governo, frente à oposição, em debate livre, profundo e sem rodriguinhos. Passaram-se 32 anos a fugir ao debate. O principal responsável fala a solo, foge ao confronto e a televisão cala-se, mete o rabinho entre as pernas, numa atitude branqueadora do que por aí se vai fazendo. E, depois, alguns, com uma distinta lata, assumem que a oposição não é alternativa, porque não tem pessoas nem projecto. Falso. Se é assim, então, qual o receio de sentar-se na cadeirinha e de responder às questões?
Quem foje denuncia que tem medo e, portanto, a televisão não pode entrar nesse jogo e ser conivente com o poder, estendendo-lhe, diariamente, um tapete vermelho para que ele se passeie incólume ao desastre em que a Madeira se transformou.

MENOS HORAS NA ESCOLA E MAIS HORAS COM A FAMÍLIA

Eu que me sinto cada vez mais tolerante, li, saltei da cadeira e fui dar uma volta. Um tal Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), sugeriu ao Ministério da Educação que os estabelecimentos do 1º Ciclo do Ensino Básico estejam abertos, diariamente, entre as 07.30 e as 19.30, para dar resposta às necessidades das famílias. Exactamente o que por aqui já vai acontecendo com a escola a tempo inteiro. E o Secretário de Estado da Educação, segundo a notícia do PÚBLICO, "sinalizou a sua disponibilidade para avançar com o modelo". Em duas palavras: sou contra.
A organização social é que tem de ser repensada e mudada pois a escola não pode ser transformada, por mais actividades que se criem, num penoso armazém de crianças. A Escola, grosso modo, tem uma missão que é a de educar e formar mas não pode substituir-se à estrutura familiar. Há um tempo de aprendizagem de conhecimentos, de competências, de desenvolvimento global e harmonioso, de aprendizagem, também, da justiça social e da democracia; e há um tempo de estruturação daquilo que Pierre Bourdieu designou por "habitus", que está na escola mas também para além da escola, isto é, aquele conjunto de disposições duráveis que vão sendo interiorizadas, concretamente, as objectividades e as experiências vividas que ficam em nós e que a dada altura assumem a forma de matriz integradora de todas as experiências, com óbvios reflexos no futuro. Os dois momentos compaginam-se. Um não se substitui ao outro. Assumir que a escola apenas prepara para a vida, daí a necessidade de muitas horas de clausura, significa que na escola não se vive. Ora, é preciso aprender vivendo, pelo que a Escola constitui um espaço e tempo importantes na formação de aptidões para aprender, compreender, criar, formar cívica, moral, cultural e esteticamente, mas há uma outra formação, indispensável, se considerarmos que os grandes agentes socializadores são, numa primeira fase da vida, as famílias.
Dir-me-ão, alguns, que no quadro de algumas famílias, o melhor para a criança, afinal, é passar o maior número de horas na escola. Posso aceitar a defesa desse posicionamento pelos constrangimentos económicos, sociais e culturais. Conheço-os. Mas não é essa a questão de fundo que o presidente da Confederação de Pais assume. O problema é ter a escola como "guarda de crianças" enquanto os pais se subordinam a uma lógica de funcionamento da sociedade, que não permite esse tempo necessário ao acompanhamento dos filhos de que fala Bernstein no conceito de Código, isto é, no processo de sociabilização que se estrutura nos primeiros anos de vida, independentemente dos tipos de família serem de orientação posicional ou de orientação pessoal. Certo é que é ali, num primeiro momento, de forma inconsciente que se interiorizam conceitos duradouros.
O que, portanto, está em causa não são mais horas na escola, mas sim mais horas com a família, pelo que estão em causa as políticas de família. Só que hoje, os pais são obrigados e escravizados a trabalhar muitas horas e sem uma justa remuneração; muitos levam trabalho para casa; há quem não desista, na União Europeia, pelas 65 horas de trabalho semanais; muitos acabam por ter de fazer um part-time para suportar os encargos da vida, enfim, há aqui uma montanha de problemas por resolver que não podem ser solucionados deixando os filhos na Escola como se a vocação desta fosse a de remediadora social.
Para além do mais, é uma violência, uma criança de seis anos ser deixada na escola às 07.30 da manhã, o que significa levantar-se, provavelmente, em muitos casos, entre as 06 e as 06.30 H. Que raio de sociedade esta que nem protege a infância!

TRANSPARÊNCIA

Já é o terceiro que Barack Obama tem de substituir por irregularidades fiscais. Julgo que a última foi Nancy Killefer que se afastou porque estava envolvida "numa disputa fiscal pela falta de contribuições devidas a título de subsídio de desemprego de uma empregada doméstica". Ora, a lição que daqui se deve extrair é que um governante não pode ter mancha. Tudo tem de ser transparente. Não está em causa a fortuna pessoal mas a forma como adquiriu essa fortuna; não está em causa a razão ou não numa disputa fiscal, mas o exercício do poder quando se está envolvido ou referenciado.
Numa aproximação a Portugal e à Região Autónoma da Madeira, se é verdade que, por um lado, a comunicação social não deve propiciar julgamentos públicos que antes não tenham passado pelo crivo dos órgãos de justiça, também quem tem a consciência pesada, logo no primeiro momento, deve assumir as suas responsabilidades. As demissões apresentadas a Barack Obama são paradigmáticas de uma atitude de respeito para com o País e respectivos eleitores.
De tudo isto ressaltam-me, entre muitas, duas reflexões:
a) É inaceitável e imperdoável que existindo o designado "segredo de justiça" os documentos saltem dos processos e andem por aí fotocopiados nas redacções, desestabilizando e gerando desconfianças múltiplas, sem que isso não coloque em causa os lugares que os responsáveis ocupam na Magistratura;
b) Não aceito que se olhe em redor e veja, também por aqui, fortunas mal explicadas e que ninguém se preocupe em averiguá-las. Enquanto nos Estados Unidos a falta de pagamento de um subsídio a uma empregada doméstica impede o exercício de uma função governativa, em outros espaços parece que isso não é revelador de desonestidade mas antes de esperteza! Culturas...

UM MINUTO DE FAMA

Estou já numa fase da vida que há situações que, embora não as estranhe, causa-me enjoo. Talvez, mesmo, um certo nojo. Agora, como sempre nos períodos mais complexos, é o Palácio de S. Lourenço que está em causa por ocupação indevida, é o Representante da República que deve ir embora, porque vive principescamente, não resolve os problemas e ser provocador, enfim, de tempos em tempos, como soe dizer-se, salta a tampa ao líder e o Deputado de serviço lá tem de vir dizer coisas extremamente inconvenientes e que roçam a má educação. Não do Deputado, pessoa que tenho por correcto na relação que mantém com os outros, mas do presidente do PSD-M que, obviamente, manda assumir tais posições. Ninguém acredita que o Dr. Jardim nada tem a ver com as declarações do tal líder do FAMA. E isto incomoda, porque denuncia, claramente, incapacidade para dialogar, denuncia a preocupação de afastamento das pessoas que não tenham uma coluna de plasticina, denuncia o desvio das atenções do que é fundamental para fait-divers que nada dizem ao Povo, denuncia uma lógica de poder absoluto e denuncia que tanto se elogia hoje pelos brilhantes serviços prestados como, amanhã, se aniquila e vilipendia na praça pública quem foi elogiado.
O problema é que o Povo, aquele que, de chapéu na mão, vem dos confins da Região para depositar o voto, não compreende nada do que se está a passar. Infelizmente, a sua leitura da vida não vai muito além do preço dos adubos e dos pesticidas e do que diz o Senhor Padre, o senhor(a) da Casa do Povo e o da Junta de Freguesia. Como gostaria eu de viver numa terra de respeito, de desenvolvimento sustentável e de gente feliz!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

REPOUSO

As minhas experiências no photoshop (I). Posted by Picasa

PROFESSORES EM SISTEMA DE VOLUNTARIADO

Este Secretário de Estado da Educação, Dr. Valter Lemos, do meu ponto de vista, já deveria ter colocado o lugar à disposição do Primeiro-Ministro. Desde Março do ano passado. Não só ele, evidentemente, mas também, como já o disse em outro momento, a Drª Lurdes e o Dr. Pedreira, se tivessem consciência do prejuízo que estão a ocasionar ao Partido Socialista, já teriam ido embora às suas vidas. Basta estar atento aos e.mails que correm por aí, estar atento à imagem que desfrutam junto de milhares de educadores e professores, entre os quais, milhares também das fileiras de militantes e simpatizantes do PS.
Mas esta equipa não pára de surpreender. Depois de um conjunto de medidas, absolutamente insensatas, que levaram largas centenas a se aposentarem, muitos antecipadamente e com penalização, fartos e cheios de múltiplas situações atentatórias da sua dignidade enquanto docentes, vem agora o dito Secretário Lemos abrir a possibilidade de recrutamento de professores reformados para, "em regime de voluntariado, colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas, entre outras actividades". O programa tem a duração de um ano lectivo, sendo renovável por iguais períodos de tempo. O trabalho do professor voluntário implica um mínimo de três horas por semana. E o Secretário Lemos, obcecado pela avaliação dos docentes, sublinha que, no final de cada ano lectivo, os professores voluntários deverão elaborar um relatório anual da sua actividade, no qual deve constar uma autoavaliação. De borla e, ainda por cima, sujeitos a uma avaliação de desempenho...
Sinceramente, há situações que me desiludem. Manda-se borda fora centenas de professores de qualidade fundamentais aos estabelecimentos de ensino e, depois, abrem-se as portas ao voluntariado, isto é, à mão de obra barata (gratuita, quero eu dizer) deixando fora do sistema tantos jovens docentes à procura de colocação. Há coisas do diabo...
E o problema é que, pressinto, será o PS a sofrer com as loucuras de uma equipa que, teimosamente, ninguém põe cobro. Será que não há ninguém na Comissão Política Nacional que levante o problema (político) de forma sensata e aberta?
É por isso que o combate político por uma Educação portadora de futuro tem de ser aqui, com a força das convicções que me animam, no plano da Autonomia, desmistificando falsos sucessos e combatendo os monumentais erros daqueles que governam há 33 anos e que estão a levar o sistema educativo regional para uma situação de caos absoluto no que concerne aos resultados.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA... DE MAL A PIOR

Já aqui escrevi sobre esta matéria, embora de forma pouco estruturada. Volto ao assunto porque ele é muito sério e numa réstia de esperança que nova machadada não seja consentida no que concerne ao debate parlamentar.
Salvo melhor e fundamentada opinião, considero pacífico que os Projectos de Resolução, apresentados pelos partidos com assento parlamentar, passem para a esfera do debate nas Comissões Especializadas. Um Projecto de Resolução, por mais importante que seja constitui sempre uma recomendação ao governo, por isso, desde que as portas da Comissão sejam abertas à comunicação social e o debate se faça, não vejo mal nenhum nisso. No plenário, pela dignidade e importância que têm, devem ficar os projectos legislativos. O problema, porém, é outro.
Imaginemos um Projecto de Resolução recomendando ao governo que seja concedido aos pensionistas um valor de € 50,00 como complemento de pensão. Obviamente que sendo este um importante assunto de natureza social, sugere debate, equacionamento da realidade regional sobre a pobreza, análise às possibilidades orçamentais, compaginação deste com outros apoios já em curso, confronto dos diferentes pontos de vista político-partidários, enfim, uma discussão séria e profunda através do debate das diversas posições. Mas não. O projecto entra, segue para a Comissão e aí o debate fica pelas intenções. O partido maioritário (PSD), com sete Deputados, segundo o Regimento em fase de apreciação, disporá de 2' por cada deputado mais 2' por ser grupo parlamentar (16') e os restantes dois Deputados da Comissão (cada Comissão é composta por nove Deputados: 7 do PSD, um do PS e um rotativo pelos demsia partidos), ficarão, cada um, com 2' + 2' no caso de pertencerem a um grupo parlamentar (4'). Mas se um elemento do governo estiver presente disporá de tempo igual ao do PSD (16'). No somatório, PSD e governo disporão de 32' e quem apresentar a projecto ficará com 4', isto se o proponente pertencer a um grupo parlamentar, porque no caso dos partidos com Deputado único, o tempo total ficará pelos 2'.
Mas admitamos que, na generalidade, o projecto é votado favoravelmente. Situação que duvido alguma vez venha a acontecer. Neste caso, na discussão na especialidade, os tempos de intervenção passam a metade do tempo dedicado ao debate na generalidade.
Ora, a confirmar-se esta proposta do PSD, e nada indica que assim não será, entendo que esta situação constitui mais um ataque à Democracia e ao aniquilamento do debate na casa mãe do debate político.
Cuidado, meus senhores, estão a esticar em demasia o elástico!

"BULLYING" É "FOLHETIM" PARA O DIRECTOR REGIONAL DE EDUCAÇÃO!

Não se passaram muitos anos, na Escola onde sou docente efectivo (Gonçalves Zarco), na qualidade de Orientador de Estágio Pedagógico de cinco jovens Licenciados pela Universidade da Madeira, numa acção de carácter científico-pedagógica, um desses candidatos a professor, desenvolveu e bem o tema "bullying" pela importância que ele vinha assumindo no quadro das relações entre os alunos. E já num outro momento, a Escola tinha dedicado um dia inteiro ao debate, turma a turma, sobre este assunto, com uma sessão final no pavilhão desportivo onde foram equacionadas as conclusões. Esses dois momentos demonstraram que a Gonçalves Zarco era um estabelecimento de ensino preocupado com esse fenómeno.
É que o "bullying" não é uma brincadeira dos pátios e própria das idades mais jovens. O "bullying" tem outros contornos, é agressivo, reveste-se de uma atitude repetitiva e perpetrada, normalmente, por aqueles que se apresentam "mais fortes" em relação aos demais. Não é só a violência, a agressão física que pode estar em causa, mas também, por razões várias, a violência social, geradora de uma forma de "apartheid" que isola a vítima causando-lhe danos psicológicos e de inadaptação.
Este fenómeno dos nossos dias está espalhado por todos os estabelecimentos de ensino. Há Dissertações de Mestrado e Teses de Doutoramento sobre esta matéria. É um fenómeno que não se circunscreve, apenas, à escolaridade obrigatória, mas é transversal a todos os graus de ensino, inclusive, universitário, no sector do trabalho e até entre pessoas que habitam o mesmo edifício. Sendo assim, não sendo um fenómeno novo, trata-se, no entanto, de um assunto que exige atenção e preocupação no sentido de reconhecer a fronteira entre o que é zanga momentânea e aquilo que assume um carácter permanente e negativo, reflectido no silêncio dos ofendidos e na sua incapacidade de resposta. É essa luta desigual e marcadamente negativa que os responsávesis devem estar atentos.
Ora, muito grave é um Director Regional de Educação, perante qualquer que seja a verdade dos factos, assumir, publicamente que "(...) isso não existe. Eu acho que isto não é nada. É um folhetim. Briga entre pequenos sempre houve e resolvem-se com o tempo". Quando li estas declarações não quis acreditar. Voltei atrás e reli. É por estas e por muitas outras que a Escola está como está. Quando um político não sabe e não consegue perceber a dimensão de um fenómeno o melhor é estar calado.
É evidente que não sei nem estou interessado em conhecer os contornos da situação descrita. Isso diz respeito, em primeiríssimo lugar aos órgãos do estabelecimento de ensino e aos pais do aluno. Aquilo que aqui comento é a atitude do Director Regional que deveria mostrar-se conhecedor desde fenómeno, mostrar-se atento e preocupado, depositando toda a confiança na Direcção da Escola para resolver situações desta natureza. Mais do que olhar para um caso deveria olhar para o universo dos casos, sobretudo quando se sabe que há, por ano, uma média de 100 alegados crimes cometidos no espaço escolar na Madeira. Os comportamentos associados ao "bulliyng", salienta o DN, "são infligidos cada vez mais sobre alunos mais novos: 63 das vítimas (a maioria) tinham idade compreendida entre os 6 e os 15 anos. Neste grupo etário, a violência aumentou 24%, revelam os dados do programa da Escola Segura, reportando-se a factos ocorridos no ano lectivo 2006/07". Quando os dados são estes e quando os investigadores aconselham atenção sobre os mesmos, não pode um Director Regional de Educação vir falar de um "folhetim". É de mau gosto e revelador de falta de conhecimento.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

DIREITO À QUALIDADE. A RTP NÃO PODE SER UMA TV RURAL

Por favor, qualquer madeirense tem direito a uma informação isenta e de qualidade. Acabo de seguir a RTP-Madeira e, sinceramente, basta! Se a minha formação não possibilita falar de engenharia, economia ou de direito, por exemplo, nas questões que são estruturantes de um pensamento técnico e científico, é evidente que devo ter o bom senso de declinar qualquer convite para me pronunciar sobre essas matérias. Não me meto em assuntos que não sei, pelo respeito que devo nutrir pelos outros.
A RTP-M não pode ser uma TV Rural ao jeito de Curral de Moinas. Tem deveres para com os espectadores e um deles é o de ser credível. A opinião tem de ser fundamentada, esclarecida, isenta, distante e com capacidade para trazer o novo junto do espectador, isto é, de levá-lo a descobrir aspectos que porventura não tinha equacionado. A não ser, como sublinha Aor da Cunha, a RTP-M queira cumprir uma finalidade não incomodante do poder e, portanto, se dedique, na lógica do pensamento maioritário, a ajudar a fazer a "industrialização da cabeça" do espectador. A televisão, como salienta Umberto Eco (in Apocalípticos e Integrados), não poder um meio que conduza à "hipnose" de quem a segue, ou, então, como adverte Schiller (in The Mind Managers), ser "gestora das mentes". À televisão exige-se muito mais, aliás, como refere Biriukov, N. (1987), ela não se destina a "pavimentar, diariamente, o caminho que conduz à manipulação directa da opinião pública".
Entre outras, apenas um exemplo, que considero muito deselegante, para não chamar outra coisa, aquela de meter uma peça de natureza política (a do PS-M sobre a baixa das taxas aeroportuárias) solicitando que os comentadores dissessem de sua justiça. Ora bem, nem a ANA, nem o governo regional, nem o PSD-M precisaram de responder. O trabalhinho foi ali despachado em dois tempos. Assim, NÃO. Como espectador tenho o direito de ser respeitado.

"UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PRÔA É UMA CANOA EM SECO"

É preciso ter muita lata política quando o presidente do governo regional se refere que "(...) a formação que, no PSD/Madeira, é feita junto da Juventude, consciencializa para a necessária simultaneidade de Direitos e Deveres. Ensina que o preço da Liberdade é a Responsabilidade, e que a preguiça e o desleixo comprometem-Na. Prepara para o culto do Trabalho em liberdade e para o respeito devido a cada Ser Humano, bem como para a imprescindibilidade da Eficiência".
E digo isto com todas as letras... que é preciso ter lata política. E digo-o o apenas como participante na política activa mas, sobretudo, pelo peso das quase quatro dezenas de anos de serviço docente que já levo e da consequente leitura que faço das repercussões da sua postura na Escola. É preciso ter uma descomunal lata política quando dou comigo a ler uma infinidade de enxovalhos aos Órgãos de Soberania, instituições e adversários políticos, consubstanciados nas descabeladas palavras do tipo: tontos, bêbedos, porcos, burros, cabras, traidores, indigentes, pata rapada ou, então, "a Assembleia da República que se f...". Mais. Ofensas ao primeiro-ministro classificado de caloteiro, fariseu, indivíduo perigoso e aldrabão. É esta, porventura, a formação que o líder oferece a quem é jovem e que precisa de ser orientado segundo os tais princípios da liberdade e da responsabilidade?
E vem falar de respeito pelo Ser Humano, com maiúsculas, quando afasta subtilmente, do seu caminho, todos quantos se lhe opõem e ataca de forma grotesca os adversários durante comícios e em outras presenças na comunicação social? Quando caracteriza os jornalistas de "patetas" e que por aqui "a limpeza" vai começar, porque a bem do Povo Superior há que liquidá-los, de forma "raffinée" como então foi dito? E vem falar do preço da Liberdade quando montou um polvo na Região subserviente e cheio de medo? E vem falar de preguiça e desleixo quando, há anos, se assiste a uma luta por um sistema educativo de qualidade e de responsabilidade, tendo, paradoxalmente, deixado a Escola chegar ao ponto a que chegou? E vem falar de trabalho e de eficiência quando gerou, aqui, a irresponsabilidade de uma monstruosa dívida pública que hipoteca a vida futura de milhares de jovens? Bem prega Frei Tomás...
Aproximo-me, por isso, das palavras de Almada Negreiros no Manifesto Anti-Dantas, digo eu, Anti-Jardim:
"(...) Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um côio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma rêsma de charlatães e de vendidos e só pode parir abaixo de zero (...) Uma geração com um Dantas à prôa é uma canoa em seco (...) E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!"

ALERTA SOCIAL VERMELHO

A situação é muito grave. O trabalho inserto na edição de hoje do DN-Madeira, que dá conta que 43.000 empregados madeirenses auferem menos de € 600,00 por mês, suscita preocupação. É que a estes temos de juntar mais 30.000 pensionistas com rendimentos inferiores ao salário mínimo e mais umas dezenas de milhar a viverem num trapézio sem rede. As sucessivas declarações de representantes da Igreja e de organizações de solidariedade social chamando à atenção para a degradação económica das famílias, para as crescentes bolsas de pobreza e para a existência de novos pobres oriundos da designada classe média, nada sensibiliza o governo regional que prefere se manter em festa, em comícios, a falar da Constituição, do Sócrates e afins, passando ao lado dos verdadeiros e graves problemas que afligem o tecido social madeirenses.
Há fome na Madeira e no Porto Santo, meus senhores. Há gente que nunca pensou cair na situação em que se encontra. Há empresários aflitos que não sabem como manter os espaços comerciais abertos com capacidade de pagar, a tempo e horas, aos seus colaboradores. Há 53 instituições de solidariedade espalhadas pela Região que não chegam para cobrir, minimamente, as necessidades das pessoas e, enquanto isto acontece, que está aos olhos de todos, o governo continua no seu permanente Carnaval, em folia permanente, disfarçado de qualquer coisa, esbanjando o pouco dinheiro disponível em megalomanias no quadro de uma persistente propaganda de poder.
O trabalho da Jornalista Marta Caires chocou-me. Porque aquele trabalho, em cada linha, leva a descobrir as ligações deste tecido social esfarrapado ao processo ensino-aprendizagem na Escola que não pode ser globalmente positivo, as ligações à estrutura familiar obviamente de conflito, as ligações ao mundo do crime pela sobrevivência, as ligações ao álcool e à droga, aos idosos que ficam cada vez mais pobres porque as famílias têm de se socorrer das suas magras pensões, ao abandono da escola para integrar um qualquer trabalho precário, à prostituição e ao suicídio. Somem quantos, no ano passado puseram termo à vida e quantos homicídios aconteceram. Façam as contas!
O momento é de grande preocupação e isto não se resolve com a mudança da Constituição, resolve-se com a mudança de governo. Enquanto é tempo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

CIDADES E LUGARES (I)

Fotos de cidades e lugares, da Europa, aleatoriamente escolhidos.

NÃO LEVARÁ MUITO TEMPO E O POVO ACORDARÁ DA ANESTESIA

A Madeira caminha para uma situação de grave conflito social. Penso que poucos duvidarão. Há um conjunto de factores que dia-a-dia se conjugam em completo desacerto com o discurso oficial. Ao mesmo tempo que, aos olhos de todos, a crise, que não é de agora, instalou-se e agrava-se, o discurso político continua a despachar para fora os problemas que são de cá de dentro.
A intervenção política do presidente do governo no recente jantar-comício na Ponta do Sol, provou isso mesmo. Ali, na Ponta do Sol, a avaliar pelas palavras ditas, não há problemas para resolver, a agricultura em geral está resolvida, o concelho cresce, não há problemas sociais, há um bem-estar de causar inveja. Por isso, o discurso foi todo ele dirigido para o inimigo externo, para a República, como se o governo regional não existisse. Daí os disparos: "a Madeira está metida numa República que não funciona", há um "sufoco colonial" e abençoado povo madeirense que me diz "Alberto João aguenta-te e luta contra eles" porque a "Madeira está a ser roubada, discriminada", portanto, "temos de tentar pôr o Sócrates no olho da rua".
Ele pergunta e dá a resposta. A questão da boa ou má governação não está aqui, nos órgãos de governo próprio, mas sempre em alguém de fora, pouco compreensivo com a Madeira. Sempre foi assim. Há que anos é assim!
Só que, agora, o problema já não é apenas com os de fora, com a República, é também com os milhares que votaram e não concordam com estas orientações políticas. E para condicioná-los nada melhor do que utilizar a maioria que dispõem na Assembleia Legislativa da Madeira. É o Regimento que foi alterado para condicionar o debate, são os secretários regionais que, sucessivamente, não se apresentam na Assembleia para responder pelos seus actos políticos, é o presidente que foge da Assembleia como o diabo da Cruz, é a passagem dos projectos de resolução para o âmbito das Comissões Especializadas, estas, por sua vez, com um regimento extremamente condicionador da palavra, enfim, é, agora, a tentativa de colocar fora da Assembleia todos os partidos que não atinjam 5% de votos nos actos eleitorais. Mais. É a retirada da "confiança política" ao Representante da República que está atento ao desmando e, a juntar a isto, um vergonhoso "jackpot" para encher os cofres e gastar em monumentais campanhas eleitorais. Há, aqui, uma ideia de puzzle, onde todas as peças (internas e externas) estão a ser colocadas e que visam, no futuro, espezinhar e manter, sob uma capa democrática, uma ditadura da maioria de efeitos muito graves.
Seria bom que o governo regional, até 2011, final do seu mandato, governasse a Madeira em função das realidades e das necessidades. É isso que o Povo quer e é isso que a oposição deseja. Em 2011 logo se verá no acto eleitoral. Até lá está obrigado a rever comportamentos e estratégias políticas respondendo, sem manhas e subterfúgios, aos problemas da Madeira.
Estou certo que o Povo, não levará muito tempo, acordará desta anestesia, diariamente alimentada com novas doses.