O governo vai gastar em cinco dias uma verba que muito ajudaria um ano de trabalho no âmbito do desporto educativo.

O que já não aceito é que, em um momento de grave crise, em que os estabelecimentos de educação e ensino não dispõem de meios financeiros para pagar dívidas acumuladas, que as facturas têm atrasos de longos meses, que os projectos educativos sofrem com isso, quando o próprio sistema desportivo não consegue pagar, a tempo e horas, os contratos-programa assumidos com o associativismo desportivo, quando os bancos estão a dificultar o acesso ao crédito por parte do governo, quando a dívida da Região ascende a valores na ordem dos seis mil milhões, quando o desemprego e a pobreza crescem e os empresários andam aflitos, é evidente que não faz qualquer sentido assumir encargos em um período da vida colectiva de grandes dificuldades.
Neste momento, com o País e a Região a pedirem sacrifícios em função do cofre vazio, seria de bom senso o governo dar um sinal à sociedade de rigor e de limitação nos consumos não prioritários, mesmo quando os valores em causa não sejam extremamente significativos. As prioridades devem ser respeitadas e o desporto, sobretudo a representatividade externa, não é prioritário. Até porque, mesmo no sector desportivo, de base educativa, a prioridade deveria apontar para o reforço da organização desportiva escolar. O governo vai gastar em cinco dias uma verba que muito ajudaria um ano de trabalho no âmbito do desporto educativo.
Por razões de constrangimento orçamental graves, teria sido correcto, explicar e prescindir desta participação, mesmo quando estes Jogos tenham lugar na Região Autónoma dos Açores.
Ilustração: Google Imagens.
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