quarta-feira, 11 de novembro de 2009

POBRE É UMA CHATICE!

Chego à conclusão, pelo que se passa na Assembleia Legislativa, que ser pobre é uma "chatice" para a maioria parlamentar. À questão da pobreza a maioria parlamentar dá mil e uma voltas para justificar o injustificável. O tema funciona como um doloroso "calcanhar de Aquiles" onde sobeja a ladainha que o governo fez, o governo está a fazer e o governo há-de fazer. Enfim, está tudo no famigerado programa de governo.
Mas a verdade é que a pobreza persiste, aumenta, gera dramas familiares, cria angústias e desesperos sem fim. Atinge já uma parte significativa da designada "classe média". Para a maioria parlamentar, é uma "chatice" haver pobres mas, infelizmente, dizem os indicadores estatísticos que eles estão aí aos milhares. E não bastasse a existência de vários estudos sobre esta matéria, acresce ainda o facto das instituições assistenciais, através dos respectivos porta-vozes, dizerem que começa a ser muito complicado dar resposta a tanta solicitação.
Ouvir algumas intervenções chega a ser chocante. Magoa quem tem um pingo de solidariedade a percorrer o seu corpo. Até parece que os pobres, a sua esmagadora maioria, faz da pobreza uma opção de vida. Só não dizem, por pudor, que a pobreza é uma fatalidade e que com ela temos de conviver. Com toda a sinceridade o digo que me custa ouvir palavras que transmitem insensibilidade perante a dor, o sofrimento, a fome e a violência do Homem sobre o outro Homem através das palavras ditas.
E que ninguém venha, sobretudo esses desqualificados deputados da oposição, no próximo Orçamento (2010) propor aumentos para isto ou para aquilo. O senhor presidente do governo foi claro, pois ainda ontem disse que essas propostas entram a 100 e saem a 200! O dinheirinho em cofre é para obras e para cumprir o que está no programa de governo. A principal OBRA, digo eu, que é a da erradicação da pobreza, do analfabetismo, da incultura, da miséria e da mentalidade, para essa OBRA humana, que apela ao sentimento, aos valores, às declarações universais dos direitos, nada. Essa pode esperar como esperou até agora.
O incómodo deste tema para a maioria é tal, a chatice é tamanha que acabaram por chumbar esta manhã, uma vez mais, um projecto de Decreto Legislativo Regional, proposto pelo Bloco de Esquerda, denominado "Observatório regional da pobreza e da exclusão social". Uma das competências era a de "elaborar os estudos necessários ao conhecimento da real dimensão do fenómeno da pobreza e da exclusão social na Região". Eu confesso que tenho muita dificuldade em perceber o que se está a passar. Ou se calhar não tenho. Se foi esta a receita que garantiu todas as vitórias eleitorais deste 1976, porque raio vão mudar de táctica?
Porque ninguém ficará nesta Terra para semente, morrerão como os outros, mas com a consciência muito pesada.

2 comentários:

Vilhão Burro disse...

Senhor Professor

"Porque ninguém ficará nesta Terra para semente, morrerão como os outros, mas com a consciência muito pesada."

Desculpe-me, mas há aí umas coisinhas que não atremo lá muito bem!...

Ninguém ficará para semente!?!

Ai não que não fica!
Já cá estão muitas sementinhas. Então os filhinhos já não estão bem plantados, e, pelo caminho que isto leva, não vai dar para netos, bisnetos, etc. e tal !?!

Morrerão como os outros!?!

Isso é que era bom!
Poderoso(tanto melhor se corrupto)morre confortavelmente "saudável"; Pobre miserável morre de fome e de outras inúmeras carências,se calhar ainda convencido de subir ao "apontado e direccionado" Céu.

Consciência!?!

Oh! Senhor Professor! Explique-me lá o que significa essa palavrinha cavernícola!
Não haverá para aí uma confusão com "ciência de conta"!?!

Se assim for, então, o "muito pesada"(porque muito gorda nos extractos Suiços)faz todo o sentido.

Mas, senhor Professor, deixe-me que lhe diga (sem intenção de o ofender) que o senhor é uma pessoa um bocadinho azeda; olhe que há muito boa gente, pobre como eu (de bens e de espírito)que morre feliz porque o seu Partido de adoração foi sempre, largamente, vencedor!

Então, isso não vale nada!?!

André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário. Percebi o seu inteligentíssimo e irónico comentário.
Creia que sofro com estas situações relacionadas com os direitos do Homem. E tanto que poderia ser feito no sentido de uma sociedade feliz.