
Não há como saltar do gabinete, dos ambientes onde nada falta, cheio de adjuntos, assessores e outros para resolver os problemas, sair da obrigatoriedade dos recheados almoços e jantares protocolares e dar-se ao caminho, meter-se por essas encostas, entrar por veredas e impasses, pelos degraus íngremes até junto dos casebres, neles entrar, olhar em redor, ouvir as famílias, os desabafos de quem cada mês falta mais mês, para fazer a fotografia da realidade da Madeira. João Carlos Abreu, ex-Secretário Regional de Turismo, certamente que não foi por aí fora, mas caíram-lhe no prato das funções que abraçou, os dramas que lhe condederam a percepção da falta de solidariedade.
Li na edição de hoje do DN: "Dizem muitas vezes que as pessoas deram o passo maior do que as pernas, mas a verdade é que há muita gente que não tem dinheiro para um passo curto". Confessa que foi apanhado de surpresa: "Sempre falei com as pessoas, mas noto que há mais pobreza envergonhada, mais do que havia antigamente. Não estou a falar das pessoas que estão na rua. Estou falar de pessoas que têm ordenados que não chegam para todas as despesas, para comer e para os medicamentos" (...) "preocupa-me este distanciamento social, aflige-me este fosso social".

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