O "caso" TVI parece ser uma brincadeira quando comparado com o da RTP-Madeira. Mas só o futuro dirá.
A polémica em redor da RTP-Madeira é muito séria. É um assunto que a Entidade Reguladora da Comunicação Social e o Conselho de Administração da RTP, em Lisboa, têm, obrigatoriamente, que esclarecer. A transparência acima de tudo.

O problema da RTP-Madeira arrasta-se há alguns anos. Os indícios e os apetites de controlo são inequívocos, pelas palavras ditas, pelos testemunhos conhecidos e, sobretudo, por aquilo que entra pela casa adentro. Tem sido clara e infelizmente, uma casa com medo. E do meu ponto de vista, seja que meio for, o princípio a respeitar deverá ser sempre o da independência, do rigor e da transparência. Uma notícia ou um trabalho de investigação, por exemplo, pode agradar a uns e não a outros, o que não pode é ser tendencialmente sectário, protector, manipulador das consciências, talvez, melhor dizendo, gestor das mentes. I
sso, não.

Quando, talvez por deslize (admito que não tenha havido intenção), depois de mais de quinze minutos de iniciativas do poder político, de várias inaugurações, encontros etc., o pivot diz "passamos à parte política", isto pode ter um significado (ou vários) inadmissível no campo da informação e da comunicação. Pode até significar que o que se passou para trás nada tem de político, agora, vamos espreitar, muito rapidamente, aqueles senhores do "contra". E aí mistura-se tudo, de forma descontextualizada, muitas vezes sobre assuntos que, antes, alguém do governo equacionou. Isto para não falar, por exemplo, do que é prática normal em qualquer órgão de comunicação social responsável, que é sobre um assunto que se revista de importância, à palavra do governo seguir-se a palavra do líder da oposição ou dos vários partidos representados na respectiva Assembleia. Contextualizando, melhor, se o Primeiro-Ministro aborda um assunto, de imediato aparece o Dr. Pedro Passos Coelho ou os Deputados na Assembleia da República a fazerem o contraponto. Por aqui, não existe essa cultura democrática.
Mas este aspecto é apenas uma derivação, ao correr do pensamento, relativamente à questão essencial. E essa é que me diz que a RTP-Madeira merece uma definição muito clara sobre os meandros desta "negociação". Há que esclarecer o conhecido e os pormenores eventualmente desconhecidos. Não posso aceitar sombras em processos públicos que devem primar pela transparência. Tal como, não posso aceitar a atitude vergonhosa do poder relativamente ao condicionamento do Diário de Notícias, em função do apoio de quatro milhões de Euros, por ano, ao Jornal da Madeira, para desvirtuar o mercado, colocar empregos em risco e apresentar a mensagem do poder. Não alinho e combaterei.
Ilustração: Google Imagens.
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